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Um roteiro pela Itália

 

Veneza não é uma unanimidade entre as Viajantes. Mas, para esta que vos fala, o visual da Piazza San Marco é de fazer o coração parar.

Foram duas viagens em anos diferentes. A Itália é um país que merece ser visitado muitas e muitas vezes e eu pretendo voltar em outras ocasiões – espero que em breve. Como muita gente não sabe por onde começar, aqui vão duas sugestões de roteiro.

Para informações gerais sobre a Itália, clique aqui.

Para um roteiro só sobre a Toscana, clique neste.

DE ‘A’, DE ASSIS A ‘V’, DE VENEZA

Abaixo descrevo rapidamente dois roteiros que fiz por lá: um de 20 dias Itália (tentando percorrer sempre as menores distâncias entre os destinos) e outro de quatro por Nápoles e arredores. Claro que faltam muitas cidades, mas essa é só uma primeira orientação, sobretudo em relação a quantos dias dedicar a essas cidades.

Vinte dias entre o centro e o norte

Dia 1 ao 6: Roma – A Cidade Eterna é uma das capitais europeias mais frenéticas e vai lhe dar uma canseira. Os monumentos ao ar livre (Piazza Venezia, Piazza di Spagna, Piazza Navona, Coliseu, Palatino, Fontana de Trevi) e as igrejas (são muitas) devem ser selecionados com muita organização para dar tempo de aproveitar tudo com calma. Reserve um dia inteiro para fazer o Vaticano, até porque você vai perder muitos minutos, meio catatônico, diante da Praça São Pedro. Deixe para ir aos Museus do Vaticano (onde está a Capela Sistina) de tarde, depois de entrar na Basílica de São Pedro, pois as filas são maiores de manhã, ao abrir a entrada dos museus. Para o metrô, assegure-se de comprar um bilhete que valha para o dia (ou dias, já que há alguns combinados) que permita a baldeação. Muitas vezes o bilhete único não a permite e burlar a regra dá multa.

Dia 7: Day trip Assis – De Roma, sai barato visitar Assis, a cidade do “santo hippie”, São Francisco, que tem uma basílica linda na cidade, patrimônio mundial da Unesco. Medieval, Assis (que fica na Úmbria, região considerada o “coração verde” do país) também é a cidade deSanta Clara e um forte ponto de peregrinação cristã.

A vista de Florença do alto é de chorar de emoção

Dia 8 ao 10: Florença – Minha cidade preferida no país, Firenze (nome italiano de Florença) é a capital daToscana. Além de ser um escândalo de bonita, Florença é também a capital cultural italiana e concentra o museu mais importante do país: Galleria degli Uffizi. Lá dentro, prepare-se para uma overdose de arte sacra. Também é imperdível a Galleria dell’Academia (onde está o gigantesco Davi de Michelangelo). A Ponte Vecchio, o Campanile, aPiazzale Michelangelo, a Igreja Santa Croce (onde estão enterrados Michelangelo e Galileu) são outras atrações obrigatórias. Importante: para evitar as filas gigantescas  nos museus (perdi três horas na fila da Uffizi e duas horas e meia na da Accademia), tente comprar suas entradas na internet.

Dia 11: Siena – Lindíssima, Siena é uma day trip bacana a partir de Florença e é conhecida por sua praça (Piazza del Campo) em forma de leque e chão côncavo, palco do famoso Palio de Siena (uma corrida de cavalos que é disputada em agosto em que cada animal representa umacontrada – como se chamam os antigos bairros). Nela estão o Palazzo Pubblico e a Torre dei Mangia. Infelizmente não pude subir na torre com vista para a praça porque estava chovendo e eles são rigorosos com a segurança por lá. Vale pernoitar.

Dia 12: Pisa – Outra boa pedida de day trip a partir de Siena ou de Florença. A grande atração é mesmo a torre torta, cujos degraus de escada estão desgastados por tantos passos. Tivemos a sorte de subirmos em uma das primeiras visitas, por volta das 9h ou 9h30, quando toca o sino. É uma energia impressionante. A torre (que está inclinada a mais de cinco metros da vertical e se entorta mais a um milímetro por ano) faz parte do recinto monumental Piazza dei Miracoli, junto com a catedral e o batistério. Você pode comprar um ingresso combinado para visitar tudo, mas àquela altura eu já estava cansada de igrejas e optei só pela torre. Valeu muito a pena assim mesmo.

Dias 13 e14: Milão A cidade piemontesa me atraiu por ser uma das capitais mundiais da moda e do design, mas, perto de outros destinos italianos, não é lá tão incrível. Bonitinha, organizada e com um museu ótimo, a Pinacoteca de Brera, Milão vale pelo Castelo Sforzesco, por seu Duomo (na minha opinião, a catedral mais linda da Europa), pelo Teatro alla Scala, pelo convento Santa Maria delle Grazie (onde está exposto o afresco Última ceia, de Da Vinci) e para babar em sua famosa Galleria Vittorio Emanuele II, chiquérrima. Por outro lado, achei uma cidade meio preconceituosa com imigrantes (como é comum no norte do país). Se estiver por lá, tente fazer uma viagenzinha aos lagos de Como Maggiore, a 30 km de Milão.

Veneza sempre surpreende

Dias 15 ao 17: Veneza- Há controvérsias entre as Viajantes sobre Veneza (quase todas amaram, mas uma de nós não gostou). Eu sou do time que acha um destino imperdível. Não só por seus canais, sua coloridíssima Piazza San Marco (dá pra passar horas olhando os detalhes da basílica), as pontes Rialto e dos Suspiros, os museus (com seus lindos edifícios) Palazzo Ducale,  Gallerie dell’Accademia eCa’d’Oro, sua arquitetura única, suas ruas estreitas, seu Grande Canal, suas mil denominações de ruas ou a sensação de que se está vivendo em um filme. Mas também porque é, de fato, uma cidade única. É muito curioso locomover-se a barco (a maneira mais em conta é o vaporetto) e ver que ali há gente que mora, trabalha e estuda nesse lugar que parece cenográfico. Recomendo muito uma day trip atéMurano, a ilha do cristal que leva seu nome. Além de linda, rende lembrancinhas como aquelefamoso pingente redondo com pequenos cilindros murano dentro. Cinéfilos também vão curtir ir até Lido, ilha onde se celebra o Festival de Veneza. Vale a pena andar de gôndola? Eu achei que sim. É cafona, é caro (pagamos 80 euros por 20 minutos e hoje deve custar mais), mas é um transporte diferente que permite ver ângulos da cidade que de vaporetto não são possíveis. Para chegar de trem a Veneza, desça na estação Santa Lucia, que já deixa os viajantes na parte histórica da cidade.

Dias 18 e 19: Bolonha e Parma Essas duas cidades ficam na região da Emília-Romanha, chamada la grassa (“a gorda”) pelos italianos. De fato, é um dos melhores lugares para se comer no país. Bolonha, cheia de estudantes (sua universidade é a mais antiga da Europa, onde estudou Dante), tem barezinhos e restaurantes super bacanas (vários em conta) e até suas padarias são diferentes, com diversas opções de biscoitos e pães. Uma curiosidade: o famosomolho à bolonhesa é chamado de ragù na Italia. Já Parma vale por seu lindo batistério e por seus conhecidos presunto cru e parmesão. Provei um queijo curado em 25 meses, salpicado com um vinagre cremoso de Módena, cidade vizinha de Parma e rival de Bolonha.

Dia 20: Trieste – De todas as cidades italianas que visitei, essa foi a mais sem-gracinha. Mas tem seu encanto. Cidade portuária, Trieste caiu nas graças de James Joyce. O autor deUlisses morou lá e falava maravilhas da capital da região Friuli-Venezia Giulia. É a parada ideal caso se deseje ir para o Leste Europeu pela estrada. Paramos lá porque íamos para a Croácia por terra.

Parecem estátuas, mas são corpos eternizados pela lava do Vesúvio

Quatro dias em Nápoles e arredores

Dias 1 e 2: Nápoles – Nem só de Gomorra vive Nápoles. A cidade é bem bonita, apesar de um tanto caótica. Seu lixo e trânsito (esqueça a faixa de pedestre) lembram cidades sul-americanas e seu comércio intenso em ruas pequenas nos remete a destinos africanos, mas há um quê de Europa por lá também, sobretudo no bairro Vomero, super bacana para jantar ou beber uma coisinha. Cuidado pelos pitorescos Quartieri Spagnoli, metro quadrado com mais batedores de carteira e bolsas da cidade. A dica é se comportar como uma das grandes capitais do Brasil. Sem estresse, mas olho vivo ao redor. Imperdível comer pizza na pizzaria Da Michele (na Via Cesare Sersale, 1) considerada a melhor de Nápoles (vale lembrar que a redonda foi inventada nessa cidade).

Veja também: Croácia, uma joia na região do Mediterrâneo

Dia 3: ‘rota Vesúvio’ – Uma das viagens mais interessantes pelo país é a rota que passa pelas ruínas das cidades de Pompeia e Erculano. Vale pegar o trem da linha Circumvesuviana (Nápoles-Sorrento) de manhã para poder parar nas duas. É meio assustador ver aquelas formas humanas eternizadas pela lava, que devastou as cidades no ano 79 d.C., mas, ao mesmo, tempo, é muito emocionante (lembrei logo das aulas de História). Em Erculano as casas e objetos estão mais conservados que em Pompeia.

Dia 4: ilhas e praias – As três ilhas mais famosas perto de Nápoles são CapriProcida e Ischia. Se quiser visitar todas, é melhor reservar um dia para cada. Capri, antiga residência de imperadores, é a mais famosa e mais cara (tipo 16 euros um sorvete). Se você estiver esbanjando, vai fundo. Eu preferi a pequena Procida, que foi cenário do filme O carteiro e o poeta. Valeu a pena para conhecer uma praia vulcânica e o contraste da areia cinza com mar azul. No continente, também recomendo uma escapada pela Costa Almafitana, ao norte de Salerno, com suas cidadezinhas Sorrento, Positano, Amalfi Ravello.

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

13 Respostas para “ Um roteiro pela Itália ”

  1. Olá Clarissa, terei 15 dias na Itália de 26/12 a 10/01. Gostaria de umas dicas de roteiro e o onde passar o ano novo. Como sou viajante de primeira viagem, estou muito perdida. Vamos meu marido e eu, e lá encontraremos minha filha que esta morando na Inglaterra. Abraços Margareth

  2. Oi, Ingrid. Acho que um dia em Veneza não vale o esforço. Sem contar que os deslocamentos são em barco, o que demora. Melhor ficar pelo menos dois dias lá ou cortar do roteiro. Acho que a primeira opção é a melhor, mas se puder acrescentar mais um dia para Florença (sem tirar das outras cidades), fica melhor ainda, assim você conhece os arredores bem. Beijos

  3. Olá, irei em outubro para Itália e passarei apenas 6 dias. estou na maior dúvida se faço: 2 dias Veneza e 4 Roma, 3 Florença (e arredores) e 3 Roma. Ou 1 Veneza, 2 Florença e 3 Roma. qual a sua sugestão?se for para escolher entre Veneza e Florença? Ou da tempo de ir nas 3 cidades e com essa opção não irei acontecer os arredores de Florença. Att, Indi.

  4. Oi, Edward. Só andei de trem na Itália, acho a rede muito eficiente. Eu não comprei esse passe porque fui decidindo aonde ir ao longo da viagem, mas se você vai se deslocar muito, talvez valha a pena. Compare os preços no trenitalia.com. Abraços!

  5. Olá Clarissa

    Obrigado por compartilhar suas viagens!Pretendo viajar em Setembro/Outubro de 2013 para a Italia e neste seu roteiro de Assis a Veneza de 20 dias se possivel gostaria de adicionar 4 dias de Napoles, vamos ver se encaixa no tempo disponível…
    Qual meio de transporte você utilizou em seu deslocamento? Vc acha que vale a pena comprar um passe ferroviário pela Italia?
    Nesta viagem irei eu e a minha esposa, somos economicos mas algum conforto é sempre bem vindo.
    Vc pode me ajudar?

  6. Oi, Adriana. Olha, eu acho que Roma, Florença e Veneza (ou Milão) são boas bases. Eu fiz exatamente isso. E delas você pode visitar Assis (perto de Florença e de Roma) e Pisa ou Siena (perto de Florença), por exemplo. Não fui a Cinque Terre, mas acredito que mereça mais que uma day trip. Eu dormiria lá uma ou duas noites, pelo menos. Mas já que você terá que adaptar para 15 dias, eu dedicaria mais dias a Roma e a Florença, cidades maiores, e que vão deixar as crianças entretidas com a quantidade de coisas para visitar. Abraços!

  7. Olá Clarissa, adorei tuas dicas. Estou começando a planejar uma viagem de uns 12-15 dias para julho de 2014 para a Itália. Como vou com meu marido e mais 3 crianças, estou preocupada com os deslocamentos. No teu roteiro de 20 dias, gostaria de sugestão tua de quais cidades eu poderia fazer como pólo, ou seja, por exemplo, ficando em Roma, quais as cidades que consigo fazer com viagens de 1 dia, a fim de evitar muita troca de hotéis; e assim por diante. Imagino fazer centro-norte e, caso possível, inlcuir cinque trenti. Obrigada. Abraços, Adriana.

  8. Oi, Letícia, fiz tudo por minha conta mesmo. Mas note que são viagens diferentes, primeiro eu fiz a que englobou norte e centro e, em outra ocasião, realizei a de Nápoles e arredores. Eu normalmente alterno hotel e hostel, que sai mais em conta. Procuro sempre pelo Booking.com, lendo os reviews (resenhas) de quem já ficou no hotel escolhido (isso é fundamental para não cair em furada). Atualmente, acho que você deve reservar uns 100 euros por pessoa, por dia, sem contar a hospedagem. Mas dá para ficar com menos, uns 80 euros/dia/pessoa, se você for mais austera. Os trens costumam ser uma opção em conta para se deslocar, nas vezes que eu fui me saía mais barato do que alugar carro. Abraços.

  9. Olá, estou pensando em uma lua-de-mel pela Italia, e vi seu post e me empolguei mtoo! Vc fez tudo isso por agencia, ou por conta própria? ficou em hotel? e uma viagem dessa de 20 dias, sai mais ou menos quanto por pessoa?? Obrigadaaa!

  10. […] tempo que a gente queria ir para a Itália e enfim surgiu a oportunidade nas férias de 2012. Traçamos um roteiro enxuto de 15 dias pelo […]

  11. Otimas dicas, amo a Italia, mas ainda nao conheco alguns lugares citados. Ja estao anotados para uma proxima vez! Bracos

    Sani
    Caindo no Mundo

  12. Valeu, Vasco. Fui a Veneza pela última vez há cinco anos, imagino que tenha aumentado muito. Abs.

  13. Estive há uma semana em Itália, e quando andei de gôndola, já eram 100€.

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