Turquia, uma introdução à Ásia

Hagia Sofia, cartão postal
Muitos consideram a Turquia um país europeu, até porque atualmente se discute a (polêmica) possibilidade de incluí-lo na União Europeia. Mas esta nação se divide entre Europa e Ásia – e a parte que cabe ao Velho Mundo é ínfima: apenas 3%. Considerado o país de população muçulmana mais ocidentalizado do mundo, a Turquia é marcada por contrastes que se refletem na fisionomia do seu povo (bastante misturado), em suas paisagens (em seus quase 780 mil km2 você encontra neve e praias), em suas construções (templos romanos, arte bizantina e mesquitas) e na desigualdade social. Uma vez lá, a sensação é de estar constantemente transitando entre o Oriente e o Ocidente, presenciando mais um dos muitos momentos históricos que esta terra propiciou. Abaixo, dicas de Istambul e da Capadócia. Vale lembrar que a moeda do país é a lira turca.
ISTAMBUL
A capital da Turquia é Ancara, mas é Istambul que atrai grande parte dos visitantes da Turquia. A cidade (cuja população de 9,7 milhões de pessoas é três vezes maior que a de Ancara) é arrebatadora, com monumentos lindos, comida maravilhosa, pessoas simpáticas e uma estrutura bem consolidada para receber o visitante. Para se situar, saiba que o Estreito de Bósforo separa o lado asiático (predominantemente residencial) do lado europeu de Istambul. O lado europeu, por sua vez, é dividido pelo braço de mar chamado Chifre de Ouro. Ao sul, fica o distrito dos Bazares e o bairro antigo e turístico de Sultanahmet. Ao norte, do outro lado do Chifre, Beyoğlu (bei-ô-lú) e Taksim, a parte mais moderna e centro financeiro da cidade, respectivamente. O Estreito desemboca no Mar de Mármara. Pela cidade, você pode andar de bonde, metrô (que vai até o aeroporto) e ônibus, mas o bom mesmo é fazer o máximo possível a pé.

Banquinhos e a Mesquita Azul
FICAR E PASSEAR
Há três opções recomendáveis de lugares para hospedar-se: o bairro de Sultanahmet, centro histórico, e os ocidentalizados Beyoğlu e Taksim. Escolhi o primeiro e fiquei no Hotel Antique, que, como muitos dessa área, têm um terracinho onde se pode tomar café-da-manhã com vista pro Mar de Mármara – uma delícia. Sultanahmet é meio morto à noite, mas é nele onde estão as principais atrações da cidade, entre elas a Hagia Sofia (ou Agya Sofia) e a Mesquita Azul. A Hagia Sofia é o principal monumento de Istambul e seu nome significa “santa sabedoria”. Foi igreja no império romano (sua construção acabou em 537 d.C.) e era a mais importante do cristianismo até 1453, quando foi convertida em mesquita pelos otomanos. Em 1935 Atatürk a transformou em um museu. Suas colunas, mosaicos, galerias e sua cúpula são impactantes. Já a Mesquita Azul (Sultanahmet Camii) foi uma tentativa, quase mil anos mais tarde, de criar um templo islâmico tão impressionante quanto a Hagia Sofia. Azulejos, vitrais e uma iluminação especial à noite fazem da Mesquita Azul uma das edificações mais bonitas e famosas do mundo. Ficar sentadinho nos banquinhos de seu jardim em frente é uma delícia, principalmente ao entardecer, quando toda a cidade escuta os muezins chamando para a oração. Para preservar o ambiente religioso, a entrada à mesquita é controlada e é necessário tirar os sapatos e, no caso das mulheres, cobrir a cabeça com um lenço.
Ainda em Sultanahmet, vale uma visita ao Museu de Mosaicos (na verdade um edifício onde foram descobertos pavimentos de mosaicos bizantinos), que fica na rua do Bazar Arasta, cujas lojinhas de cerâmica e tapetes proporcionam ingressos para a manutenção da Mesquita Azul. Também é legal dar uma volta pelo Hipódromo (que foi o centro da vida social bizantina e otomana) e pelo Palácio Topkapı, onde se pode passar boas horas relaxando em seus jardins, pátios e salas que representam a vida que levavam os sultões (com roupas, jóias, objetos decorativos, tapetes e mobiliários).

Bazar Arasta
Para chegar a Beyoğlu, uma boa opção é atravessar a pé a Ponte Gálata. Além da vista linda desde o Chifre de Ouro, se você optar ir pela parte de baixo da ponte vai ver restaurantes, lanchonetes e lounges com narguilés (shish), onde se pode beber ou comer apreciando o vai-e-vem dos barcos e o bater das ondas na ponte. Saindo da ponte, você já dá de cara com o bairro genovês de Gálata, um sobe-e-desce cheio de surpresas, que tem como ponto culminante a Torre Gálata, com sua vista de 360 graus da cidade. Ali perto está Beyoğlu, um dos bairros preferidos para os que querem se hospedar em um ambiente mais ocidentalizado. Lá você encontra as mesmas lojas que em qualquer capital europeia (o boulevar İstiklal Caddesi reúne vários estabelecimentos comerciais), cafés e restaurantes de design, enfim, um clima mais padronizado e cosmopolita, que fica agitado à noite. Em Beyoğlu também está o Monastério Mevlevi, a Praça Taksim e o museu İstambul Modern, que mostra a arte contemporânea do país.
Andando um pouquinho mais, no bairro de Beşktaş, você pode visitar o luxuoso Palácio Dolmabahçe, que reúne boa parte do legado otomano. Ali pertinho, para os amantes de futebol, está o estádio do supercampeão Beşktaş, que tem uma lojinha bacana também.
O passeio mais gostoso e relaxante de Istambul passa pelo Bósforo. Este estreito, que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e divide Europa e Ásia, é uma das principais vias da cidade. É possível fazer um cruzeiro de um dia por ele, pegando um dos ferries públicos que saem do porto de Eminönü (bairro perto dos bazares), mais especificamente do cais Boğaz İskelesi. Pegamos um de 10h30, mas chegue antes ou procure na internet porque pode mudar e não há muitas opções de horários. O barco faz paradas em portos dos lados asiático e europeu, mas quase ninguém desce esperando a parada final, Anadolu Kavaği, na parte asiática, onde o barco fica parado três horas. Em teoria você pode descer em outro lugar, mas não é possível subir no ferry seguinte para continuar trajeto rumo a Anadolu Kavaği. E também não é certo que te deixem subir na volta para Istambul.

O encontro do Bósforo com o Mar Negro
Todos que descem em Anadolu Kavaği aproveitam para conhecer as ruínas de seu castelo medieval no alto de uma colina, de onde se tem uma vista linda do Mar Negro. Depois, a boa é ir descendo em direção ao porto e almoçar com calma em um dos muitos restaurantes de frutos do mar da cidade. Os melhores (e mais caros) estão mais perto do porto.
COMER
Posso dizer que a Turquia me conquistou pelo estômago. Como já disse algumas vezes aqui no blog, não como porco e, sinto pelos que adoram essa carne, mas não é muito fácil encontrar pratos com este animal na Turquia (nem em nenhum país de maioria muçulmana). Em compensação, os pratos com vegetais são inacreditáveis, com temperos e molhos deliciosos, feitos muita criatividade. Só com berinjela, por exemplo, há centenas de receitas e até existem livros de culinária turca especializados nesse legume. Mas os carnívoros vorazes não vão se decepcionar porque a Turquia é a terra do kebab. Qualquer pessoa que tenha visitado alguma grande cidade ou metrópole já comeu, viu, ou pelo menos ouvir falar das barraquinhas e restaurantes de kebab dos imigrantes turcos. Ao pé-da-letra, kebab significa “carne cortada” e na prática são espetos gigantescos de carne que ficam girando no fogo. O prato de kebab pode ser de carneiro, vaca, ave ou tudo junto e pode ser servido como refeição ou como uma espécie de sanduíche (döner kebab). Não deixe de provar também o pide, que é conhecido como “pizza turca”, mas tem personalidade própria.

Kebab
Se você é do tipo que gosta de provar um pouco de tudo vai adorar o esquema dos meze, que são pequenos pratinhos servidos de uma vez. A rua Nevizade Sokak, em Beyoğlu, é o melhor lugar para prová-los no almoço ou à noite, porque está cheia de tavernas (meyhane) legais. Minha escolha lá foi o Boncuk (Nevizade Sokak, 19). Em Sultanahmet gostamos do Doy-Doy (Şifa Hamami Sokak, 13), que tem vista para a Mesquita Azul.
O café-da-manhã (incluído em quase todas as hospedagens) é outro tema bacana. O desjejum típico tem suco de cereja, chá, rodelas de pepino, tomate, queijo feta e bürek, espécie de massa folheada deliciosa. Outro artigo típico é o chá (çai, que se pronuncia “tchai”). Os turcos gostam de tomar uma espécie de chá preto, que impregna os bazares, lojas e ruas com seu aroma. O engraçado é que muitos dos comerciantes oferecem para os turistas um gostoso chá de maçã, que também é típico, mas é meio “pra gringo ver”, vendido como especialidade. Só que é praticamente impossível ver um turco tomando o tal chá de maçã (e variantes de outras frutas, como o chá de banana), eles gostam mesmo é do chá tradicional.
De doce típico sugiro a baklava (folheado de pistache com mel) e o lokum, espécie goma com recheio de frutas ou frutos secos, polvilhado com açúcar. No mercado é onde se compra o lokum mais fresquinho. O bairro artístico de Cihangir (ao sul da Praça Taksim, em direção ao Bósforo) tem se tornado algo como a versão turca do Marais, de Paris. A área é repleta de cafés movimentados, bares, restaurantes e lojas de comida e vinho.

Variedades de lokum no Bazar das Especiarias
COMPRAR
Os mercados ou bazares são atrações imperdíveis mesmo para quem não deseje comprar nem barganhar (esporte nacional turco). Os artigos que mais chamam a atenção são os tapetes (a Turquia é conhecida pelos kilim, tapetes cujos nós são pequeninhos), a cerâmica e as lindas luminárias. O mercado mais famoso é o labiríntico Kapalı Çarşı, o Grande Bazar, que tem mais de quatro mil lojas, além de restaurantes, lanchonetes, bancos e ateliês. Além dos produtos típicos citados acima, o Grande Bazar oferece também jóias, roupa, artigos de couro e comida típica. Para especiarias (baharat), cosméticos naturais, chás, frutos secos, temperos, queijos turcos e docinhos como o lokum, o Bazar das Especiarias (Mısır Çarşısı), conhecido também como “mercado egípcio”, é mais legal por sua variedade e pelas provinhas que os vendedores oferecem. No bairro dos bazares também se encontra a Süleymaniye Camii, a “mesquita de Suleiman o Magnífico”, cujo reinado ficou conhecido como “época de ouro do Império Otomano”.
A DANÇA DO DERVIXE
A ordem sufi islâmica mevlevi proporciona um dos espetáculos mais conhecidos do país, onde os protagonistas são os dervixes (membros da ordem), que rodopiam (usando uma espécie de saia armada) como forma de dhikr (“lembrança de Deus”). Essa cerimônia (sema) atrai muitos turistas, mas grande parte delas é uma roubada. Dá para imaginar montar um terreiro de candomblé no palco de um restaurante turístico do Pelourinho? Pois é mais ou menos isso que acontece na Turquia, principalmente em Istambul, onde supostos dervixes rodopiam enquanto os turistas jantam. Os verdadeiros mevlevi não se incomodam que pessoas de fora assistam à sema e se você quiser ver um destes rituais espirituais de forma autêntica, deve ir ao bairro de Fatih, que fica a uns 4 km de Sultanahmet, onde existe um das poucas tekkes (comunidades) em atividade da cidade. É uma boa chegar com alguém local. Se no seu hotel não houver ninguém que faça esse passeio, o centro cultural Les Arts Turcs oferece por uns 25 euros uma sessão sobre o sufismo, o trajeto e o acesso à cerimônia. Outra opção é reservar um lugar no Museu de Literatura Cortesana, que fica no Monastério Mevlevi. Importante lembrar que, como se trata de uma cerimônia religiosa, não se pode falar, tirar fotografias ou sair do lugar durante o rodopio dos dervixes.

Entrada do hamam
HAMANS
Uma das experiências mais fascinantes e bacanas da Turquia. Vários países (inclusive ocidentais e que não têm população muçulmana) oferecem estes banhos turcos, que lembram os banhos árabes, mas contam com um elemento a mais: a esfoliação. Decidimos conhecer o hamam mais famoso do país, o Cağaloğlu (Yerebatan Caddesi, 34), que até aparece naquele livro de 1000 lugares para conhecer antes de morrer. Apesar de ser muito pop (na entrada há fotos de celebridades que o visitaram), vale a pena por ser um dos mais bonitos e mais tradicionais (com 300 anos). Na entrada você escolhe os tipos de banhos. Há alguns só com massagens, mas o bom mesmo é pedir o com esfoliação. A experiência dura uma hora e meia (nos custou 35 euros por pessoa) e primeiro você deve comprar sua luva de esfoliação (fica para você depois) escolhendo entre três níveis de aspereza. Mulheres vão para um lado e homens pro outro e cada um tem uma cabine onde se deve tirar toda a roupa (também dá para ficar de biquíni e sunga) e se enrolar em um pano. O segundo passo é entrar no hamam, espécie de sauna de mármore, com torneirinhas de água quente e fria. Depois de se banhar com cuias e de dar uma relaxada, chega a “sua” turca (ou turco, para os homens). No caso da parte feminina, normalmente vêm mulheres enormes, que se banham na sua frente (nuas) e, depois de colocarem um maiô, partem para cima e esfregam sua pele mais do que sua mãe fazia quando você voltava imunda do parquinho. A sensação é essa mesma, que você voltou a ser criança, porque elas massageiam nosso corpo todo com sabão depois, uma delícia. É para sair renovado.
CAPADÓCIA

De olho no Vale dos Pombos
Uma das regiões mais visitadas da Turquia, a Capadócia fica no coração do país, dentro da Anatólia Central. Reúne várias cidades e você pode escolher como base uma delas dependendo do que quiser ver na área. Entre as mais conhecidas estão Göreme, Ürgüp, Uçhisar e Kayseri. A mais interessante e bonita para mim é Göreme, que tem pouco mais de dois mil habitantes e que eu definiria como mágica. Sua paisagem é única e dentro dessa aldeia há cafés, restaurantes e lojinhas charmosas, uma oferta de lazer comedida que, felizmente, não deve crescer mais porque já rola uma preocupação com o aumento da quantidade de turistas por ali. A ideia é manter o clima de cidade pequena. Por sua vez, Ürgüp é conhecida por seus hotéis-boutique (casas de pedra cor de mel), sua gastronomia e seu bom vinho. Kayseri conta com as ruínas de sua cidadela e Uçhisar é uma base mais tranquila, que tem um castelo de pedra como principal ponto de interesse. Um destino mais rural é Çavuşin, ponto de parada de alguns dos passeios que saem de Göreme. E os que gostam de cerâmica devem ir a Avanos.
O TRAJETO, UM MISTÉRIO

Nossa "rodoviária"
Você pode ir para Capadócia de avião (descendo no aeroporto de Nevşehir ou de Kayseri) ou de ônibus. Se optar pela estrada, saiba que a viagem dura uma noite inteira. Os ônibus não são desconfortáveis, mas também não são uma maravilha. Há várias paradas no caminho e rola um servicinho de bordo (com chá, bolinhos, café e suco) no início e no fim da viagem. Os guias aconselham a não fechar pacotes para a Capadócia desde Istambul porque costumam ser mais caros. Mas como tínhamos pouco tempo (oito dias para Istambul e Capadócia), decidimos fechar lá mesmo para não perdermos preciosas horas com isso. Se quiser arriscar, pode comprar sua passagem para uma das cidades citadas acima e fechar os passeios ao chegar nelas. Mas leve em conta duas coisas: A rodoviária (otogar) de Istambul é meio (para alguns, bastante) caótica. Poucas pessoas falam inglês e há muitas opções de empresas de ônibus para confundir a cabeça. Busque as mais conhecidas como Metro, Kapadokya, Öncü, Nevşehir ou Göreme.
Mesmo assim, assegure-se que o ônibus vá parar na cidade que você escolheu. Parece óbvio, mas isso nem sempre vem por escrito na sua passagem (se estiver só “Capadócia” não vale). É muito, mas muito comum que o ônibus pare em várias cidadezinhas (onde descem os locais) e faça sua parada final em Nevşehir, que é uma cidade “grande” da Capadócia, sem interesse algum, que serve mais como um lugar para trocar de ônibus. Se o destino final do seu bilhete for esta cidade e você quiser ir pra Göreme, por exemplo, é preciso ter certeza que sua passagem inclui um servi ou shuttle que leve você até lá. O chato é que ninguém fala inglês e, apesar de nos assegurarmos e perguntarmos muito antes de viajar (na agência, ao condutor, ao assistente do motorista), tivemos um probleminha com isso. O nosso ônibus em teoria ia direto pra Ürgüp e lá pegaríamos um shuttle para Göreme. Só que ele acabou parando em Nevşehir e resolveu ir direto pra Göreme! Ou seja, tudo mudou e acabamos nos dando bem, mas teve gente que desceu em Nevşehir achando que era Ürgüp. Outra coisa louca aconteceu na saída de Istambul. A agência que fechou nosso pacote em vez de nos levar para a rodoviária nos deixou (com vários outros viajantes) em um descampado deserto perto de Sultanahmet. Se isso acontecer, não estranhe. Mais tarde descobrimos que aquilo era outra “rodoviária” e que de lá também saem ônibus para a parte asiática. Coisas da Turquia.
HOSPEDAGEM

Entrada do Star Cave
Procure ficar em um dos hotéis ou hostais cavernas, bastante comuns em Göreme. A paisagem da Capadócia parece de outro planeta devido às suas montanhas, colinas e formações vulcânicas em formas de cones, falos e cogumelos (as chamadas “chaminés de fadas”). Em algumas dessas formações foram escavadas casas e edifícios, ou seja, viver ali era como viver em uma caverna. Os empresários não demoraram para perceber que, além de ver as ruínas dessas antigas habitações, os turistas gostariam de ter a experiência de dormir em uma delas. O resultado é que hoje há desde hotéis de luxo até albergues cujos quartos (decorados tipicamente com tapetes lindos, colchas trabalhadas, luminárias e almofadas) têm essas paredes de caverna. É meio frio (muito úmido) dormir neles, mas não é claustrofóbico. Diria até que é altamente recomendável. Fiquei em um bem conhecido entre os mochileiros, o Star Cave.
PASSEIOS
Na Capadócia é possível mover-se de maneira independente. Você pode alugar um carro ou uma moto e fazer seu roteiro pelas cidades, mas a maneira mais prática e segura é mesmo contratar um ou mais passeios. Eu detesto sair de excursão, mas nestes casos acho que foi uma boa contar com a explicação dos guias (pegamos um em inglês, mas também vimos pelo caminho tours em espanhol, italiano e francês).

Um dos "edifícios" do Museu ao Ar Livre
Os passeios imperdíveis são os que passam pelo Museu ao Ar Livre de Göreme e por alguma das cidades subterrâneas. O resto é bacana, mas não é tão diferente. Há vários passeios de trekking e caminhadas leves pelos vales: Vale Branco, Vale do Mel, Vale dos Pombos, Vale Vermelho, o bonito Vale de Ihlara (cujo passeio dura um dia inteiro) e outros. Todos têm formações vulcânicas legais, mas depois de ver o Museu ao Ar Livre você passa a achar tudo parecido. Neste museu, é possível ver, por exemplo, igrejas escavadas na pedra que conservam afrescos do século XII, pintados diretamente na rocha. Lindo. No mesmo passeio, com algumas variações, é possível visitar as ruínas de Çavuşin, onde dá para se ter uma idéia de como se vivia em suas cavernas cor de mel.
Entre as atrações mais originais estão as cidades subterrâneas, que foram, na verdade, abrigos em tempos de guerra e depósitos em tempos de paz. Fui à de Kayamaklı (há outras), que tem seis andares para baixo da terra. Não é muito recomendado a claustrofóbicos, mas o passeio é bem tranquilo, bem iluminado, bem sinalizado e, ficando perto do guia, não tem como se perder. Lá embaixo (no caso de Kayamaklı só se pode descer quatro andares), é possível conhecer adegas, cozinhas e quartos, além de saber como se defendiam de invasores.

Paisagem lunar
Outro destaque é o passeio de balão. Não fizemos porque era bem carinho, mas digo a todos que façam porque ver a Capadócia do alto deve ser inesquecível. Procure uma empresa confiável (afinal, andar de balão não é como andar de lancha) e prepare o bolso. As empresas mais seguras (como Göreme Balloons, Kapadokia Ballons ou Sultan Ballons) cobram no mínimo o equivalente a uns 160 euros por pessoa.
E SÃO JORGE?
Santo amado no Brasil, São Jorge teria nascido no século III na Capadócia, antes de ir pra Palestina e de entrar no exército romano. Pena que nenhum dos turcos que conhecemos (nem o guia) pôde nos dar mais informação sobre ele. Isso porque 97% da população é muçulmana, ou seja, eles não estão nem aí pro nosso cavaleiro…
CURIOSIDADES
Banheiro – Prepare-se para a ausência quase total de privadas na Turquia (algo comum na Ásia, aliás). Em hotéis, hostais e em alguns restaurantes o banheiro é como conhecemos, mas na maioria dos lugares a privada é um buraco (revestido de louça) no chão, com uns apoios nas paredes para você se segurar. Para os homens e para mulheres acostumadas a banheiros de botecos sujinhos não é muito complicado mirar ali, mas não deixa de ser estranho. Uma coisa curiosa é que as cabines desses banheiros (ao contrário dos botecos sujinhos) não têm cheiro de xixi porque em cada uma há uma torneirinha com uma caneca de plástico para você encher de água e lavar a latrina do buraco depois de usá-lo.

Vestido decotado, olhares indesejados
Roupas e mulheres – Achei que na Turquia era mais tranquilo para andar mais à vontade (fui no verão), mas nem tanto. Nos bairros modernos de Istambul até é possível, mas em Sultanahmet praticamente todos os homens vão olhar seus ombros e canelas de fora (decote e minissaia nem pensar). Só olhar, se você estiver acompanhada de um homem, mas também podem se aproximar se você estiver só ou com uma amiga. Quanto mais para o interior da Turquia, mais agudo é o choque cultural. No caminho pra Capadócia, por exemplo, vi mulheres bem tapadas e não me lembro de nenhuma local sem lenço na cabeça. Algumas olham meio de cara feia se você não estiver pelo menos de mangas e calça larga, mas dificilmente alguém vai recriminar um figurino. De qualquer forma, é melhor não abusar. É comum ver mulheres viajando sozinhas (há muitas asiáticas, inclusive), mas os guias advertem que é possível que no meio da noite alguém bata à porta do seu quarto de madrugada na esperança de conseguir “algo” com você. Simplesmente ignore. Também há uma tática para saber se um lugar é um “bom ambiente” para mulheres sozinhas: Se você passar por um grupo de homens e eles pararem de falar, fuja dali. O normal é que eles continuem conversando sem reparar em você.
Para ver mais fotos da Turquia, clique aqui.








Oi, Luciana. Brasileiros não precisam de visto antecipado para a Turquia. Ao chegar lá, você ganha o visto automaticamente. Quatro dias, na minha opinião, é um pouco apertado para Istambul, que, como você pode ver, tem muitas atrações. Mas dá para se divertir nesse tempo, caso você não possa esticar mais um ou dois dias por lá. Um abraço!
Oi Flavia:
Tudo bom? Adorei ler o post sobre a Turquia. As dicas são preciosas. Já está tudo anotado no caderninho de viagem. Estou programando uma viagem em família para Roma, Istambul e Jerusalém em agosto de 2012. Estou em dúvida se precisamos de visto para Turquia e principalmente se o tempo que estou programando (inicialmente 4 dias) seria suficiente para conhecer Istambul. Será que você poderia me ajudar? Conforme for conhecendo mais destes locais voltarei ao seu blog para conversarmos mais, tá? Bjs e obrigada antecipadamente. Lu
Oi Cristina, nosso email é asviajantes@asviajantes.com.br
Mas seria mais interessante você colocar sua dúvida aqui para respondermos via comentários e podermos ajudar outros viajantes que porventura tenham as mesmas questões.
Obrigada
Abraços
Gostaria do seu email para que eu obtenha mais infomações sobre sua viagem a Turquia
Crstina
Olá Clarissa,
Já passei anonimamente por aqui durante a fase de pesquisas sobre a Turquia, de onde acabei de chegar.
Obrigada pelas informações, e dicas.
Gostei muito do blog
Parabéns, meminas…
Adorei o blog!! Irei a Turquia em outubro e já estou louca para chegar a hora. Sds.
OLá Meninas!!
Blog impressionante o vosso, juntam informação útil com coisas “bem bacanas” (como voçês dizem aí no Brasil) de se ver!!! Dá inveja o vosso Blog e quero viajar tanto como voçês!
Catarina
Adorei o site em geral e as informações sobre a Turquia em particular. Já estive lá em 2007 numa excursão, mas, gostei tanto que pretendo voltar em maio.
Parabens viajantes!
Beijos,
Malú
Tentei tanto evitar esse post… Só aumentou minha vontade de ir para lá.