Istambul: primeiros passos na Turquia

Hagia Sofia, cartão postal
Como não amar essa cidade? A capital da Turquia é Ancara, mas é Istambul que atrai grande parte dos visitantes – lembrando que a população de 9,7 milhões de pessoas em Istambul é três vezes maior que a de Ancara. Arrebatadora é a palavra certa para descrevê-la, com seus monumentos lindos, culinária saborosa, pessoas simpáticas e uma estrutura bem consolidada para receber o visitante.
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Para se situar, saiba que o Estreito de Bósforo separa o lado asiático (predominantemente residencial) do lado europeu de Istambul. O lado europeu, por sua vez, é dividido pelo braço de mar chamado Chifre de Ouro. Ao sul, fica o distrito dos Bazares e o bairro antigo e turístico de Sultanahmet. Ao norte, do outro lado do Chifre, Beyoğlu (bei-ô-lú) e Taksim, a parte mais moderna e centro financeiro da cidade, respectivamente. O Estreito desemboca no Mar de Mármara. Pela cidade, você pode andar de bonde, metrô (que vai até o aeroporto) e ônibus, mas o bom mesmo é fazer o máximo possível a pé.

Banquinhos e a Mesquita Azul
FICAR E PASSEAR
Há três opções recomendáveis de lugares para hospedar-se: o bairro de Sultanahmet, centro histórico, e os ocidentalizados Beyoğlu e Taksim. Escolhi o primeiro e fiquei no Hotel Antique, que, como muitos dessa área, têm um terracinho onde se pode tomar café-da-manhã com vista pro Mar de Mármara – uma delícia. Sultanahmet é meio morto à noite, mas é nele onde estão as principais atrações da cidade, entre elas a Hagia Sofia (ou Agya Sofia) e a Mesquita Azul. A Hagia Sofia é o principal monumento de Istambul e seu nome significa “santa sabedoria”. Foi igreja no império romano (sua construção acabou em 537 d.C.) e era a mais importante do cristianismo até 1453, quando foi convertida em mesquita pelos otomanos. Em 1935 Atatürk a transformou em um museu. Suas colunas, mosaicos, galerias e sua cúpula são impactantes. Já a Mesquita Azul (Sultanahmet Camii) foi uma tentativa, quase mil anos mais tarde, de criar um templo islâmico tão impressionante quanto a Hagia Sofia.
Azulejos, vitrais e uma iluminação especial à noite fazem da Mesquita Azul uma das edificações mais bonitas e famosas do mundo. Ficar sentadinho nos banquinhos de seu jardim em frente é uma delícia, principalmente ao entardecer, quando toda a cidade escuta os muezins chamando para a oração. Para preservar o ambiente religioso, a entrada à mesquita é controlada e é necessário tirar os sapatos e, no caso das mulheres, cobrir a cabeça com um lenço.
Ainda em Sultanahmet, vale uma visita ao Museu de Mosaicos (na verdade um edifício onde foram descobertos pavimentos de mosaicos bizantinos), que fica na rua do Bazar Arasta, cujas lojinhas de cerâmica e tapetes proporcionam ingressos para a manutenção da Mesquita Azul. Também é legal dar uma volta pelo Hipódromo (que foi o centro da vida social bizantina e otomana) e pelo Palácio Topkapı, onde se pode passar boas horas relaxando em seus jardins, pátios e salas que representam a vida que levavam os sultões (com roupas, jóias, objetos decorativos, tapetes e mobiliários).

Bazar Arasta
Para chegar a Beyoğlu, uma boa opção é atravessar a pé a Ponte Gálata. Além da vista linda desde o Chifre de Ouro, se você optar ir pela parte de baixo da ponte vai ver restaurantes, lanchonetes e lounges com narguilés (shish), onde se pode beber ou comer apreciando o vai-e-vem dos barcos e o bater das ondas na ponte. Saindo da ponte, você já dá de cara com o bairro genovês de Gálata, um sobe-e-desce cheio de surpresas, que tem como ponto culminante a Torre Gálata, com sua vista de 360 graus da cidade.
Ali perto está Beyoğlu, um dos bairros preferidos para os que querem se hospedar em um ambiente mais ocidentalizado. Lá você encontra as mesmas lojas que em qualquer capital europeia (o boulevar İstiklal Caddesi reúne vários estabelecimentos comerciais), cafés e restaurantes de design, enfim, um clima mais padronizado e cosmopolita, que fica agitado à noite. Em Beyoğlu também está o Monastério Mevlevi, a Praça Taksim e o museu İstambul Modern, que mostra a arte contemporânea do país.
Andando um pouquinho mais, no bairro de Beşktaş, você pode visitar o luxuoso Palácio Dolmabahçe, que reúne boa parte do legado otomano. Ali pertinho, para os amantes de futebol, está o estádio do supercampeão Beşktaş, que tem uma lojinha bacana também.
NAVEGANDO PELO BÓSFORO
O passeio mais gostoso e relaxante de Istambul passa pelo Bósforo. Este estreito, que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e divide Europa e Ásia, é uma das principais vias da cidade. É possível fazer um cruzeiro de um dia por ele, pegando um dos ferries públicos que saem do porto de Eminönü (bairro perto dos bazares), mais especificamente do cais Boğaz İskelesi. Pegamos um de 10h30, mas chegue antes ou procure na internet porque pode mudar e não há muitas opções de horários. O barco faz paradas em portos dos lados asiático e europeu, mas quase ninguém desce esperando a parada final, Anadolu Kavaği, na parte asiática, onde o barco fica parado três horas. Em teoria você pode descer em outro lugar, mas não é possível subir no ferry seguinte para continuar trajeto rumo a Anadolu Kavaği. E também não é certo que te deixem subir na volta para Istambul.

O encontro do Bósforo com o Mar Negro
Todos que descem em Anadolu Kavaği aproveitam para conhecer as ruínas de seu castelo medieval no alto de uma colina, de onde se tem uma vista linda do Mar Negro. Depois, a boa é ir descendo em direção ao porto e almoçar com calma em um dos muitos restaurantes de frutos do mar da cidade. Os melhores (e mais caros) estão mais perto do porto.
COMER
Posso dizer que a Turquia me conquistou pelo estômago. Como já disse algumas vezes aqui no blog, não como porco e, sinto pelos que adoram essa carne, mas não é muito fácil encontrar pratos com este animal na Turquia (nem em nenhum país de maioria muçulmana). Em compensação, os pratos com vegetais são inacreditáveis, com temperos e molhos deliciosos, feitos muita criatividade.
Só com berinjela, por exemplo, há centenas de receitas e até existem livros de culinária turca especializados nesse legume. Mas os carnívoros vorazes não vão se decepcionar porque a Turquia é a terra do kebab. Qualquer pessoa que tenha visitado alguma grande cidade ou metrópole já comeu, viu, ou pelo menos ouvir falar das barraquinhas e restaurantes de kebab dos imigrantes turcos. Ao pé-da-letra, kebab significa “carne cortada” e na prática são espetos gigantescos de carne que ficam girando no fogo. O prato de kebab pode ser de carneiro, vaca, ave ou tudo junto e pode ser servido como refeição ou como uma espécie de sanduíche (döner kebab). Não deixe de provar também o pide, que é conhecido como “pizza turca”, mas tem personalidade própria.

Kebab
Se você é do tipo que gosta de provar um pouco de tudo vai adorar o esquema dos meze, que são pequenos pratinhos servidos de uma vez. A rua Nevizade Sokak, em Beyoğlu, é o melhor lugar para prová-los no almoço ou à noite, porque está cheia de tavernas (meyhane) legais. Minha escolha lá foi o Boncuk (Nevizade Sokak, 19). Em Sultanahmet gostamos do Doy-Doy (Şifa Hamami Sokak, 13), que tem vista para a Mesquita Azul.
O café-da-manhã (incluído em quase todas as hospedagens) é outro tema bacana. O desjejum típico tem suco de cereja, chá, rodelas de pepino, tomate, queijo feta e bürek, espécie de massa folheada deliciosa. Outro artigo típico é o chá (çai, que se pronuncia “tchai”). Os turcos gostam de tomar uma espécie de chá preto, que impregna os bazares, lojas e ruas com seu aroma. O engraçado é que muitos dos comerciantes oferecem para os turistas um gostoso chá de maçã, que também é típico, mas é meio “pra gringo ver”, vendido como especialidade. Só que é praticamente impossível ver um turco tomando o tal chá de maçã (e variantes de outras frutas, como o chá de banana), eles gostam mesmo é do chá tradicional.
De doce típico sugiro a baklava (folheado de pistache com mel) e o lokum, espécie goma com recheio de frutas ou frutos secos, polvilhado com açúcar. No mercado é onde se compra o lokum mais fresquinho. O bairro artístico de Cihangir (ao sul da Praça Taksim, em direção ao Bósforo) tem se tornado algo como a versão turca do Marais, de Paris. A área é repleta de cafés movimentados, bares, restaurantes e lojas de comida e vinho.

Variedades de lokum no Bazar das Especiarias
COMPRAR
Os mercados ou bazares são atrações imperdíveis mesmo para quem não deseje comprar nem barganhar (esporte nacional turco). Os artigos que mais chamam a atenção são os tapetes (a Turquia é conhecida pelos kilim, tapetes cujos nós são pequeninhos), a cerâmica e as lindas luminárias. O mercado mais famoso é o labiríntico Kapalı Çarşı, o Grande Bazar, que tem mais de quatro mil lojas, além de restaurantes, lanchonetes, bancos e ateliês.
Além dos produtos típicos citados acima, o Grande Bazar oferece também jóias, roupa, artigos de couro e comida típica. Para especiarias (baharat), cosméticos naturais, chás, frutos secos, temperos, queijos turcos e docinhos como o lokum, o Bazar das Especiarias (Mısır Çarşısı), conhecido também como “mercado egípcio”, é mais legal por sua variedade e pelas provinhas que os vendedores oferecem. No bairro dos bazares também se encontra a Süleymaniye Camii, a “mesquita de Suleiman o Magnífico”, cujo reinado ficou conhecido como “época de ouro do Império Otomano”.
A DANÇA DO DERVIXE
A ordem sufi islâmica mevlevi proporciona um dos espetáculos mais conhecidos do país, onde os protagonistas são os dervixes (membros da ordem), que rodopiam (usando uma espécie de saia armada) como forma de dhikr (“lembrança de Deus”). Essa cerimônia (sema) atrai muitos turistas, mas grande parte delas é uma roubada.
Dá para imaginar montar um terreiro de candomblé no palco de um restaurante turístico do Pelourinho? Pois é mais ou menos isso que acontece na Turquia, principalmente em Istambul, onde supostos dervixes rodopiam enquanto os turistas jantam. Os verdadeiros mevlevi não se incomodam que pessoas de fora assistam à sema e se você quiser ver um destes rituais espirituais de forma autêntica, deve ir ao bairro de Fatih, que fica a uns 4 km de Sultanahmet, onde existe um das poucas tekkes (comunidades) em atividade da cidade. É uma boa chegar com alguém local.
Se no seu hotel não houver ninguém que faça esse passeio, o centro cultural Les Arts Turcs oferece por uns 25 euros uma sessão sobre o sufismo, o trajeto e o acesso à cerimônia. Outra opção é reservar um lugar no Museu de Literatura Cortesana, que fica no Monastério Mevlevi. Importante lembrar que, como se trata de uma cerimônia religiosa, não se pode falar, tirar fotografias ou sair do lugar durante o rodopio dos dervixes.

Entrada do hamam
HAMANS
Uma das experiências mais fascinantes e bacanas da Turquia. Vários países (inclusive ocidentais e que não têm população muçulmana) oferecem estes banhos turcos, que lembram os banhos árabes, mas contam com um elemento a mais: a esfoliação. Decidimos conhecer o hamam mais famoso do país, o Cağaloğlu (Yerebatan Caddesi, 34), que até aparece naquele livro de 1000 lugares para conhecer antes de morrer. Apesar de ser muito pop (na entrada há fotos de celebridades que o visitaram), vale a pena por ser um dos mais bonitos e mais tradicionais (com 300 anos).
Na entrada você escolhe os tipos de banhos. Há alguns só com massagens, mas o bom mesmo é pedir o com esfoliação. A experiência dura uma hora e meia (nos custou 35 euros por pessoa) e primeiro você deve comprar sua luva de esfoliação (fica para você depois) escolhendo entre três níveis de aspereza. Mulheres vão para um lado e homens pro outro e cada um tem uma cabine onde se deve tirar toda a roupa (também dá para ficar de biquíni e sunga) e se enrolar em um pano. O segundo passo é entrar no hamam, espécie de sauna de mármore, com torneirinhas de água quente e fria. Depois de se banhar com cuias e de dar uma relaxada, chega a “sua” turca (ou turco, para os homens). No caso da parte feminina, normalmente vêm mulheres enormes, que se banham na sua frente (nuas) e, depois de colocarem um maiô, partem para cima e esfregam sua pele mais do que sua mãe fazia quando você voltava imunda do parquinho. A sensação é essa mesma, que você voltou a ser criança, porque elas massageiam nosso corpo todo com sabão depois, uma delícia. É para sair renovado.
MAS É EUROPA OU ÁSIA?
Muitos consideram a Turquia um país europeu, até porque atualmente se discute a polêmica possibilidade de incluí-lo na União Europeia. Mas esta nação se divide entre Europa e Ásia – e a parte que cabe ao Velho Mundo é ínfima: apenas 3%. Considerado o país de população muçulmana mais ocidentalizado do mundo, a Turquia (e consequentemente Istambul) é marcada por contrastes que se refletem na fisionomia do seu povo (bastante misturado), em suas paisagens (em seus quase 780 mil km2 você encontra neve e praias), em suas construções (templos romanos, arte bizantina e mesquitas) e na desigualdade social. Uma vez lá, a sensação é de estar constantemente transitando entre o Oriente e o Ocidente, presenciando mais um dos muitos momentos históricos que esta terra propiciou.
Para ver mais fotos da Turquia, clique aqui.








Oi, Luciana. Brasileiros não precisam de visto antecipado para a Turquia. Ao chegar lá, você ganha o visto automaticamente. Quatro dias, na minha opinião, é um pouco apertado para Istambul, que, como você pode ver, tem muitas atrações. Mas dá para se divertir nesse tempo, caso você não possa esticar mais um ou dois dias por lá. Um abraço!
Oi Flavia:
Tudo bom? Adorei ler o post sobre a Turquia. As dicas são preciosas. Já está tudo anotado no caderninho de viagem. Estou programando uma viagem em família para Roma, Istambul e Jerusalém em agosto de 2012. Estou em dúvida se precisamos de visto para Turquia e principalmente se o tempo que estou programando (inicialmente 4 dias) seria suficiente para conhecer Istambul. Será que você poderia me ajudar? Conforme for conhecendo mais destes locais voltarei ao seu blog para conversarmos mais, tá? Bjs e obrigada antecipadamente. Lu
Oi Cristina, nosso email é asviajantes@asviajantes.com.br
Mas seria mais interessante você colocar sua dúvida aqui para respondermos via comentários e podermos ajudar outros viajantes que porventura tenham as mesmas questões.
Obrigada
Abraços
Gostaria do seu email para que eu obtenha mais infomações sobre sua viagem a Turquia
Crstina
Olá Clarissa,
Já passei anonimamente por aqui durante a fase de pesquisas sobre a Turquia, de onde acabei de chegar.
Obrigada pelas informações, e dicas.
Gostei muito do blog
Parabéns, meminas…
Adorei o blog!! Irei a Turquia em outubro e já estou louca para chegar a hora. Sds.
OLá Meninas!!
Blog impressionante o vosso, juntam informação útil com coisas “bem bacanas” (como voçês dizem aí no Brasil) de se ver!!! Dá inveja o vosso Blog e quero viajar tanto como voçês!
Catarina
Adorei o site em geral e as informações sobre a Turquia em particular. Já estive lá em 2007 numa excursão, mas, gostei tanto que pretendo voltar em maio.
Parabens viajantes!
Beijos,
Malú
Tentei tanto evitar esse post… Só aumentou minha vontade de ir para lá.