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Split, onde o mar Adriático encontra a arte

Vista de Hvar, a ilha onde a maresia se mistura ao aroma de lavanda

Vista de Hvar: maresia e aroma de lavanda

Eu tinha fantasias com Split desde 2004. Foi durante uma aula de História das Relações Internacionais que soube da importância dessa cidade durante o Império Romano. Mas, ao ouvir a descrição caprichada da professora sobre o balneário, minha cabeça parou de pensar em geopolítica e passou a viajar por aquele mar azul, azul. E, basicamente por causa dela, nasceu meu desejo de ir a Croácia.

Nós vamos invadir essa praia. Veja aqui um roteiro pela Croácia

Foi só comentar o episódio com meu então namorado (hoje marido) apaixonado por tudo que se refere a ex-Iugoslávia e pronto, não demorou muito tempo para a viagem se configurar. Split não é a cidade mais populosa da Croácia (é Zagreb), nem tem o apelo imediato da arquitetura luxuriante de Dubrovnik, mas é um ótimo ponto para explorar as ilhas da Dalmácia, como Brač e Hvar, além de ter atrações culturais e gastronômicas que surpreendem.

Veja também: o brilho branco de Dubrovnik

Estátua de Gregório de Nin: esfregue o dedão e boa sorte

Estátua de Gregório de Nin: esfregue seu dedão do pé e boa sorte

Aquela voltinha cultural

A principal atração de Split é o Palácio de Diocleciano (Dioklecijanova palača), erguido há mais de 1.700 anos pelo imperador que lhe dá nome, para ser seu retiro (mas com toda proteção, afinal, eram tempos perigosos). Essa mistura de villa com fortaleza funcionava como uma pequena cidade com quatro portões de entrada (batizados com os principais metais: Ouro, Prata, Bronze e Ferro).

Hoje, nesse Patrimônio Cultural da Humanidade, vemos vestígios do que eram palácios, termas, templos, torres (como a famosa Torre do Relógio, cenário de filmes), igrejas e um mosteiro beneditino (com seu mítico campanário) entre outras marcas da atividade social da época. Uma vez lá, vale uma visita ao Museu Etnográfico (Etnbgrafski Muzej) para conhecer costumes croatas ao longo dos séculos.

A visita ao Palácio é obrigatória, mas meu programa cultural favorito em Split tem origem mais recente: a Galeria de Ivan Meštrović (Galerija Meštrović). Fiquei completamente apaixonada pelas esculturas desse artista, nascido em 1883, mas que viveu bem, estudando em Viena e rodando por aí até até falecer nos Estados Unidos dos anos 1960.

A arquitetura da galeria (cujo acesso a pé nos permite um passeio bem gostoso perto da orla) foi desenhada pelo próprio artista – era sua casa de veraneio. Poucas vezes senti tanta paz como naqueles jardins, entre um gole e outro de água gaseificada Jana sabor goiaba (uma das lembranças mais refrescantes que tenho da viagem), com vista para o mar. Lá dentro, são cerca de 200 esculturas (em madeira, mármore, bronze e pedra). Havia poucos estrangeiros e dividimos a sala apenas com uma excursão comportada de estudantes croatas.

Mas talvez a obra mais conhecida de Meštrović na cidade seja a estátua de bronze de Gregório de Nin (Grgur Ninski), inaugurada em 1929 no stari grad (centro histórico), mais precisamente perto da Porta de Ouro do Palácio Diocleciano. Com 8,3 metros, representa o bispo croata da cidade de Nin, que peitou a imposição do papa em 925 de introduzir a liturgia em latim. Reza a lenda que quem esfregar a mão em seu dedão do pé terá sorte e felicidade.

Quem quiser se aprofundar ainda mais na arte contemporânea da Croácia também pode dar um pulo na Galeria de Emanuel Vidović (Galerija Vidović), considerado o maior pintor do país. Essa não consegui visitar, mas ficou para a próxima lista.

E se você curte futebol, vale uma visita ao estádio Poljud do Hajduk Split. Não só porque é um dos times mais conhecidos do mundo, mas também por uma curiosidade especialmente interessante para os brasileiros: seus seguidores criaram uma associação chamada Torcida (pronuncia-se “tortcida”). Tem esse nome em homenagem às torcidas organizadas brasileiras.

Comprando óleos e essências de lavanda em Hvar

Comprando óleos e essências de lavanda em Hvar

De plaža em plaža: Hvar e Brač

Split em si não tem praia (plaža) interessante (a maioria é no estilo cala/enseada ou de pedra, o que não agrada os brasileiros em geral) mas ela serve como base para visitar ilhas deliciosas, como Hvar e Brač, que já justificam a visita. As ilhas chamam a atenção pela natureza e sítios históricos.

Hvar é pop e, além de ser a ilha que tem mais horas de sol por ano na Dalmácia Central, conta com um atrativo e tanto: seus campos de lavanda. Vemos arbustos por vários cantos da ilha, que exige pelo menos um dia inteiro de passeio (é a mais comprida do Adriático, com 68 quilômetros de extensão), pois o porto não está a uma distância caminhável das atrações. Está dividida em quatro comunas: Stari Grad (onde fica seu principal porto), cidade de Hvar (a capital), Jelsa (que engloba Vrboska, outra área de interesse turístico) e Sucuraj.

Eu só estive na cidade de Hvar. Cheguei lá de ônibus local mesmo, saindo diretamente do porto. Mas, para quem vai ficar mais tempo, recomendo alugar um carro e desbravar todos seus cantinhos, aldeias, praias e campos. E prepare-se para o sobe-e-desce, pois a ilha é montanhosa.

Seu centro histórico é uma graça, com construções medievais, cafés e sorveterias coquetas e uma praça central (Trg Sveti Stjepana) que pode ser o ponto de partida para um passeio que termina subindo o Forte Španjol (onde enquadrei a foto que abre o post).

NÃO faça como eu, que passei apenas o dia na ilha. Vai por mim, durma no mínimo uma noite em Hvar. Os horários de ferries não são camaradas (há pouca opções de horário de retorno) e você acaba passando pouco tempo por lá. Por conta desse erro estratégico, não tive tempo de conhecer as Ilhas Pakleni (acessíveis por barcos-táxi), destino imperdível para quem gosta de mergulhar ou curte praia de nudismo. Como muitas ilhas do Mediterrâneo, Hvar tem vinhedos, uma boa desculpa para tomar um vinhozinho por lá.

Marina na cidade de Hvar. Podia tomar uma caipirinha, mas a boa é um vinho branco mesmo

Marina na cidade de Hvar. Podia tomar uma caipirinha por aqui, mas a boa é um vinho branco mesmo

Por sua vez, Brač é grande. É a maior ilha da Dalmácia (quase 400 quilômetros quadrados), a ponto de contar com resorts (o que eu aconselho evitar) e uma pequena indústria gastronômica: produz vinho, azeites, figos, amêndoas, conservas de peixe (sobretudo em Postira e Milna), queijo de ovelha e cerejas. Aliás, uma das bebidas típicas mais gostosas da Croácia é feita dessa fruta, chamada de maraska, uma variação mais amarga. É o licor marasquino. A maior produção de marasquino se concentra em Zadar, mas você encontra a bebida facilmente por toda a Dalmácia. Não perca!

No entanto, o produto de exportação mais conhecido de Brač é a pedra calcária branca: ela está por toda parte na Dalmácia, nas ruas de Dubrovnik, no Palácio Diocleciano e até mesmo na Casa Branca de Washington. Lembra o mármore, mas é mais luminosa e incrivelmente lisa ao toque, a ponto de fazer alguns turistas mais distraídos – como eu – escorregarem.

São 23 cidades e aldeias e a capital e principal porta de entrada é Supetar. De Split, a viagem dura cerca de uma hora e há mais opções de ferries em comparação a Hvar. Brač está separada de Hvar por apenas onze quilômetros, pelo chamado Canal de Hvar. Por conta disso, algumas pessoas já me perguntaram aqui: vale visitar as duas no mesmo dia? Na minha opinião, isso não é boa ideia. Assim como Hvar, Brač merece pelo menos uma noite. Os deslocamentos dentro da ilha tampouco são rápidos, ou seja, se não tiver dias para ambas, escolha apenas uma.

Uma das praias mais lindas da Croácia está em Brač: Zlatni Rat. Ela aparece com frequência em imagens turísticas do país e fica próxima à cidade de Bol, no sul da ilha, conhecida por ser polo de windsurf. Porém, se a ideia é ter sossego, vá a Milna, charmosa vila de pescadores, mais tranquila. Passear por Supetar e por outras cidades (aqui, alugar carro é mais que recomendável) também é um programão: suas edificações (muitas erguidas com sua famosa pedra calcária), o clima fresco e os produtos citados acima já valem uma peregrinação de cidade em cidade. Se preferir percorrer a ilha de ônibus, veja aqui mais informações.

Para chegar a Hvar e Brač: vale pegar a Jadrolinija, uma das principais companhias marítimas do país. Ela faz rotas para outras cidades interessantes também, inclusive no continente, como a fofíssima Zadar (olha ela aí de novo: merecerá outro post). Vale lembrar que Brač: tem aeroporto (perto de Bol, a sudeste de Supetar), caso você venha de outro lugar. Confira os voos na Croatia Airlines.

Outras ilhas bacanas ao redor de Split, mas que, infelizmente, não pude visitar: Šolta (uma das praias Top 5 do ranking do Lonely Planet Croatia) e Vis, que tem fotos deslumbrantes e o atrativo de ter sido, até 1989, “proibida” para turistas por ser uma base militar da antiga Iugoslávia. Já estão na lista para a próxima ida à Croácia, junto com um passeio pela chamada Riviera de Markaska, no continente, que reúne diversos balneários. Não vejo a hora.

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

3 Respostas para “ Split, onde o mar Adriático encontra a arte ”

  1. Nice reportage, Hvar is definitely one of the most beautiful islands in the world

  2. Que bom que você curtiu, Erica. Depois me passa o link do seu relato. Eu planejava ir à Bósnia nessa viagem, mas desisti por conta do tempo do visto.

    Abraços!

  3. Olá,

    Boas dicas. Também fiz uma viagem para a Croácia, aliás voltei ontem. Eu e meu marido fomos de moto e giramos uma outra parte do Pais. Lugar incrível! Ficamos somente uma semana e é pouco demais. Vc acaba realmente tendo que escolher por onde passar.

    Pretendo escrever uma matéria sobre esse giro que fizemos, saindo de moto da Itália, indo para alguns pontos da Croácia até chegar na Bósnia. Podemos trocar figurinhas. Essa é sem duvida uma viagem muito cultural, sem contar as praias que são maravilhosas.

    Nao fui a nenhum museu por falta de tempo, mas seu post me deixou com muitos gostinhos de quero mais.

    Abs

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