Sobre viagens e cinzas – O que fazer se o Eyjafjalla cruzar o seu caminho
Estava demorando para uma de nós ter que viver algum contratempo causado pelo vulcão islandês Eyjafjalla. Quando ele entrou em erupção, faltavam três semanas para minha sonhada viagem a Malta. Durante os primeiros dias, fiquei acompanhando o noticiário e a evolução das cinzas por grande parte do território europeu. Em pouco mais de uma semana, com os voos regulados, a imprensa deixou de falar no assunto. Mas uma notícia me preocupava: a de que o fenômeno poderia durar meses.
Não deu outra. Três dias antes da minha partida, as cinzas voltaram a preocupar as autoridades. Fecharam o espaço aéreo irlandês e os ventos sopravam para a Península Ibérica (meu voo partia de Madri). Na véspera, quase não dormi acompanhando os boletins da Ryanair. Meu voo era um sábado às 9h e a companhia cancelou todas suas saídas de Madri nesse dia a partir das 12h. Escapamos por pouco.
Ou não. Depois de passar quatro dias desconectada na ilha, fui dar uma olhada na internet para ver se poderia voltar pra casa. O último boletim que vi dizia que só Portugal e Irlanda estavam com problemas. Mas, ao chegar ao aeroporto no dia seguinte, dei de cara com o assustador “cancelled” na tela de partidas.
O que fazer? Bom, confesso que não foi um problema ficar mais uns dias em uma ilha paradisíaca. Mas o desespero de outros passageiros do meu voo me contagiou e, até conseguir falar com a minha chefe, não sosseguei. Antes de tudo, saiba que a companhia tem a obrigação de reembolsar a passagem ou mudar o dia ou local de destino. Porém, você não terá direito a outras compensações, como dinheiro para gastos extras com uma nova hospedagem, por exemplo.
O primeiro passo é decidir qual é a sua prioridade. Se precisar voltar de qualquer maneira por compromissos inadiáveis, você pode começar procurando alternativas dentro da sua companhia. Minha história, como eu disse, foi com a Ryanair, que é uma das que mais cancelam voos (acredito que seja porque tem aviões menores que, provavelmente, voem mais baixo). Primeiro perguntamos que voos dela saíam para a Europa, com a ideia de ir até alguma cidade de onde se pudesse partir rumo a meu destino (nem todos os voos para Madri estavam cancelados). Depois, consideramos ir até Barcelona por outra companhia low cost que saía de lá, a Vueling. Mas, como bem se sabe, comprar uma passagem no mesmo dia pode sair muito caro. Decidimos ficar. A Ryanair remarcou nossa passagem para dois dias depois (que era quando saía o seguinte voo para Madri).
Há alguma maneira de evitar esse contratempo? Não. O vulcão pode voltar a soltar cinzas a qualquer momento e as condições metereológicas podem levá-las justamente para o espaço aéreo de seu destino. O que eu aconselho fazer para diminuir os problemas é o seguinte:
- Antes de viajar, converse com os responsáveis pela legislação da sua empresa. Eles podem lhe orientar sobre seus direitos no caso de possíveis atrasos no seu voo de volta para o Brasil que impliquem em faltas ao trabalho. No meu caso, eu vou ter que compensar os dias.
- A maioria das companhias aéreas coloca boletins atualizados com informações sobre voos cancelados em seus sites, o que pode evitar uma ida desnecessária ao aeroporto, já que é possível pedir reembolso pela internet ou pelo telefone. Se não encontrar informação na página da aerolinha, procure o site do aeroporto da sua cidade. Os da Espanha, por exemplo, contam com a Aena.
- Evite gastar até o último centavo e, principalmente, não estoure o limite de seus cartões de créditos durante a viagem. O meu Visa me salvou, já que eu tinha viajado com pouco dinheiro e poucas roupas.
- É sempre chato ter que mudar o roteiro. No caso do vulcão atrapalhar sua chegada à Europa ou algum deslocamento entre países europeus, encare como um desafio ao seu poder de improvisação. As cinzas nunca ficam muitos dias sobre um mesmo destino e você vai conseguir chegar até o seu de alguma maneira. Pode ser uma oportunidade de conhecer melhor outros lugares.
- Não se esqueça de avisar aos hotéis e transfers contratados sobre seu atraso. Eles não têm a obrigação de saber o que está acontecendo com os voos de todos os seus clientes. Se tiver contratado um pacote, a agência pode resolver seu problema, mas, se for uma viagem independente, você terá que comunicar o atraso ou cancelamento. A maioria dos hotéis e albergues cobram 10% de multa por não avisar alguma mudança com 48h ou 24h de antecedência (leia com atenção antes de contratar um). Mas sempre há uma esperança de negociar esse prejuízo.
- Os trens e os ônibus entre cidades europeias são uma opção mais lenta e até mais cara, mas mais seguras nesta época de incertezas.
- É difícil para qualquer um, mas tente levar esses obstáculos com humor. Lembre-se que você está de férias.










a gente já conversou sobre isso, mas não consigo deixar de ficar tensa com esse vulcão a cada dia q se aproxima minha viagem. q essa coisa de nome impronunciável não se pronuncie mais tão cedo!
bjos