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Roubadas em Machu Picchu: como evitá-las

Chegar no primeiro grupo, das 6h, permite que você veja Machu Picchu praticamente vazio

Ir a Machu Picchu, umas das sete maravilhas do mundo moderno, é sonho de grande maioria dos viajantes do mundo. O passeio, como muitos outros, se cerca de expectativas e nada é mais balde-de-água-fria do que enfrentrar frustrações em torno do planejamento. Acabo de voltar de lá com experiências ótimas e outras nem tanto e acho uma boa compartilhar algumas.

O problema dos ingressos

Quando decidi ir para Cusco, charmosa cidade que recebe os visitantes ávidos por descobrir as ruínas incas, dei de cara logo com um problema: os ingressos para Machu Picchu, disputadíssimos desde que se impôs o limite de 500 visitantes por dia, estavam temporariamente impedidos de serem vendidos pela internet, o que na prática impossibilitava a compra do exterior sem a intervenção de uma agência. Tudo porque houve muitas fraudes com cartão de crédito. Ao que tudo indica, o sistema já está normalizado e já é possível reservar (sob um custo adicional). É aconselhável comprar o quanto antes possível. Quem me ajudou muito a descobrir o que estava acontecendo foi a Lu Malheiros do Didivindo a Bagagem, a quem agradeço muito. Como não pude comprar pelo site, tive que recorrer, depois de muita pesquisa e dezenas de e-mails trocados com diversas agências, a uma operadora de lá (aproveitei e fiz uns pacotinhos de passeios, que você terá que fazer chegando lá de qualquer forma) e deu tudo certo. O nome da agência que contratei é Haku Tours, localizada na Avenida Sol, centro de Cusco.

Aguas Calientes. Roubadas à vista

A época boa

Quem não se lembra das férias frustradas dos pobres turistas atingindos pelas enchentes de 2010 em Aguas Calientes? O conselho é EVITE a todo custo a época de chuvas. Ela pode variar em intensidade, mas, em geral, de novembro a março não é muito recomendável, especialmente os meses de janeiro e fevereiro, mais críticos (se não me engano, em fevereiro a entrada para Machu Picchu fica fechada). O inverno cusqueño (junho a setembro) é uma época segura e há quem recomende ir no outono ou na primavera também. Porém, vale a pena encarar as temperaturas frias (que chegam a graus negativos) para garantir o clima seco. Lembrando que Cusco, por estar em altitude superior (3.350 m do nível do mar), é mais fria que Machu Picchu (2.500 m). Dá até para tirar o casaco para aquela foto junto às construções incas. Não se esqueça de levar chapéu, protetor solar e uma capinha de chuva ou casaco impermeável, pois o tempo é muito instável. Há quem leve repelente, mas não senti necessidade.

Água fria em Aguas Calientes

Falando em friaca, não se deixe enganar pelo nome do pueblo que serve de base para as visitas a Machu Picchu. Aguas Calientes vive essencialmente do turismo e é epicentro de roubadas do Peru. Para começar, pesquise muito bem antes de escolher um hotel/hostel por lá. Duas das Viajantes tiveram problema na cidade porque ficaram em hostais onde simplesmente faltou água quente. Num frio de menos de 10 graus, isso faz diferença. No caso da Flávia, chegaram a cobrar um extra pelo papel higiênico! O meu Hotel Continental era OK, nada de luxos, mas o chuveiro estava no ponto. Foi recomendado pela agência peruana que fez parte de meus passeios. Longe da perfeição, o Continental fica de cara para a linha férrea, o que nos rendeu piii-piiii e tremeliques no quarto até umas 23h, hora de chegada do último trem.

Um dos pontos mais altos, Tambomachay

Sorochji pills

Você desembarca em Lima (ou Cusco) e já dá de cara com vários banners e outdoors anunciando as pílulas milagrosas que prometem combater o efeito do soroche. Ou seja, prometem a cura para os sintomas que acomentem muitos visitantes de Cusco, como enjoos, tonturas e falta de ar, causados pela altitude e clima da região. Elas funcionam? Tudo indica que sim, mas eu não provei. Isso porque não é qualquer um que pode sair engolindo os comprimidinhos (bem caros, por sinal), vendidos dentro até dos aeroportos.

Quem é hipertenso, por exemplo, não deve tomá-los. Achei melhor me render ao costume local e tomar no mínimo duas taças de chá de coca por dia. Porém, o que acho que garantiu o meu bem-estar lá foi dar uma dormidinha (ou simplesmente deitar-me) durante duas horas, logo ao chegar a Cusco, uma dica valiosa para a circulação do corpo se estabilizar. Ou seja, nada de sair batendo perna depois que fizer o check in no hotel.

Ver o dia amanhecer em Machu Picchu

Incentivada por Reba e Flávia, botei na cabeça que deveria estar nas ruínas no momento dos primeiros raios de sol do dia 12 de setembro, quando visitei o parque. Tentei me assegurar de que consegueria fazer isso de todas as maneiras. Chequei a hora do amanhecer na época, pertubei a amável gerente da tour operadora pedindo um guia madrugador, conferi onde se pega o ônibus para as ruínas na noite anterior, enfim. Porém, ao chegar a Aguas Calientes, descubro que meu guia só passaria nos hotéis a partir de 6h20, com o dia já claro. A solução era ir por conta própria, pegar o ônibus (já tinha comprado a passagem) e encontrar mais tarde o guia lá em cima, a partir das 7h. Moleza. Só que o primeiro só ônibus só sai 5h30, com o dia quase nascendo. E o parque só abre às 6h, ou seja, era tecnicamente impossível ver o dia nascer lá, pelo menos nesta época de inverno. No entanto, vale muuuuito a pena o esquema de dormir em Aguas Calientes para pegar o bus de 5h30, já que grande parte dos turistas sai cedo de trem de Cusco (a três horas de trem de Aguas Calientes) e chega a Machu Picchu no meio da manhã. Ou seja, não vi o dia nascer, mas entrei no primeiro grupo e só de ver tudo vazio e silencioso, com pouca luz, já foi incrível. Prepare-se para a fila do ônibus (há mais de um saindo no primeiro horário). Chegue lá, no mínimo, às 5h.

Pechinchar é preciso

Preços altos

Você vai querer comprar durante a viagem. Tecidos coloridos (em forma de mantas, roupas, calçados, xales…), roupas de lã de alpaca, comidinhas (temperos, diferentes tipos de milho, chá de coca), artefatos em prata e madeira e artesanato, por exemplo. A regra é similar ao de países islâmicos. Pechinchar até a exaustão. Aguas Calientes, sempre ela, é onde mais se mete a mão nos preços. Mas Cusco, Ollantaytambo e Pisac, no Valle Sagrado, onde normalmente se para para visitar o mercado local (você passará por vários), tampouco ficam atrás.

Ingressos pingados e guias

Como viajei com a minha mãe, considerei algo que não costumo fazer, que é pensar em fazer um pacote. Fui a uma agência orçar o preço de tudo (hospedagem, aéreo e passeios incluídos para seis dias) e deparei com o exorbitante valor de mais de cinco mil reais. Oi? Fazendo tudo por conta própria, consegui reduzir esse custo em uns 40%. Claro que os hotéis não eram tão top quanto os da agência brasileira, mas, desde que tivessem conforto e limpeza, café da manhã, internet e água quente, para mim já estava ótimo.

O que foi um pouco chato nesse esquema mais independente foi o pinga-pinga de pagamento de ingressos para as atrações. Eu contratei, do Brasil, pela agência peruana, o passeio a Machu Picchu e o tour do Valle Sagrado. Porém, chegando lá, descobri que deveria comprar o tal Bolleto Turístico para poder entrar em algumas atrações do Valle Sagrado. OK, afinal, acabei resolvendo fazer um city tour por Cusco também e o boleto me daria direito a outras atrações. No entanto, algumas visitas do city tour incluem monumentos que são pagos à parte, como o incrível Qorikancha (ou Catedral de Santo Domingo), uma catedral construída em cima de uma edificação inca. Nesses momentos, só nesses, invejei a galera do pacote, que saía do hotel com todos os ingressos na mão, já garantidos, enquanto eu tive que gastar à parte, entrar em filas etc.

Reba achou que não valia a pena ter guia e acabou filando o dos outros. Eu não pego guia para visitar o Vaticano (nada contra quem pega!), por exemplo, mas acho que lugares com história tão rica (e de certa forma exótica e desconhecida para nós) como o Peru merecem um guia. Minha viagem ficou bem mais interessante com os passeios, já que todos meus guias eram descendentes de índios e faziam seu trabalho com muito orgulho.

Para os mercadinhos, é preciso dinheiro vivo

Leve dinheiro

Com exceção de restaurantes e hotéis, usei pouco o meu cartão de crédito, pois raras lojas e tendas o aceitam. Tive o problema extra de não conseguir sacar dinheiro nos caixas do Peru – a primeira vez que isso me aconteceu em mais de 20 países visitados. Ou seja, fiquei contando as moedinhas dos dólares e euros que levei para trocar por soles.

Malandragem peruana

Furtos são frequentes. As cidades do roteiro de Machu Picchu e Valle Sagrado são bem policiadas (muitos oficiais são mulheres, consideradas mais ‘duras’) e não vi nada grave. Mas conheço histórias tristes, como a de uma amiga que teve a bolsa roubada num bar. Não só perdeu o que tinha na bolsa como os ladrões pegaram a chave do hotel (por que alguns hotéis insistem em se identificar nos chaveiros???) e fizeram a limpa no quarto.

Atenção também aos cardápios e tudo o que mostrar o preço dos serviços. Você imagina se sentar num restaurante na orla de Copacabana e receber um cardápio, em português, com preços em dólar? Foi mais ou menos isso que me aconteceu em Aguas Calientes (onde mais?). O cardápio, todo em espanhol, mostrava o preço em dólares, sem indicar isso claramente. Não me dei conta e morri numa grana, já que, durante a viagem, todos os cardápios e tabelas que tinha visto até então estavam em soles. Confira a unidade monetária sempre.

Cuidado também ao comprar xales e peças supostamente feitas de lã de alpaca. A verdadeira lã de alpaca é caríssima. Confesso que em poucos dias não pude aprender a identificá-la com precisão, mas ela se caracteriza, entre outras coisas, pelo toque suave, frio ao primeiro contato, e, no caso dos xales, tem espessura bem fina, apesar de ser meio “pesadinha” quando seguramos. Na dúvida (e com o orçamento apertado), não levei nada de alpaca. As falsificações são tão frequentes que há até uma piada em inglês que brinca com a denominação baby alpaca (como é conhecido o primeiro corte da lã): pode ser maybe alpaca.

Chá de coca natural. Não traga as folhas para casa

Na mala

Você fez suas comprinhas, garantiu uma mochila ou mala de tecido colorido para guardar as coisas extras (aconteceu comigo) e agora resolveu dar uma volta por mercados locais para comprar iguarias (o Mercado San Pedro de Cusco é o melhor para isso, mas atenção com a carteira). O primeiro impulso é levar o chá de coca. Se essa for sua vontade, procure as opções em sachê (caixas com saquinhos como os de chá de camomila ou preto), já que não se pode levar as folhas secas (vendidas em qualquer esquina), que são bem mais eficientes. Temperos em pó (como o ají) ou industrializados são permitidos (cuidado com o limite de 100 ml, se for levar na bagagem de mão), desde que devidamente embalados. Consegui trazer até as deliciosas batatas brancas (o Peru tem centenas de variedades do tubérculo), porém, estavam desidratadas, o que garantiu sua passagem tranquila pelo raio X aeroportuário.

Comida

O ceviche talvez seja o prato mais célebre do Peru. Sou fã e não resisto. Porém, é preciso lembrar que Cusco está bem longe do mar e que comer peixe cru de água salgada (presente também nos tiraditos, espécie de carpaccio local) pode ser um risco se você não for a um restaurante confiável. Claro, sempre se pode comer truta, pescado muito comum na região, mas fique atento e pergunte sobre a procedência do peixe. Na dúvida, caia de boca nos pratos com alpaca (cuja carne tem um sabor acentuado), cuy, batata e milho, outra especialidade local com centenas de variedades e cores. E segure a onda no pisco, pois em grandes altitudes o álcool tem efeito potencializado. Para mais dicas de comida, confira o post de Cusco.

 

 

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

17 Respostas para “ Roubadas em Machu Picchu: como evitá-las ”

  1. Estou indo fazer a trilha no mês de Julho, qual a roupa indicada?

  2. Fico ainda com uma dúvida, após ler este post. Vale a pena ir com agência ou não? Também vou com a minha mãe e estou muito dividida com relação a este ponto. Obrigada!

  3. No inicio da viagem para cuzco, achei os Peruanos honestos, mas tomem cuidado, pois pessoas oportunistas devem existir em todo o canto do mundo. Eu deixei por 2 minutos a minha mochila com dolares no guarda-volumes em Machu Picchu, e fui roubado em 200 dolares. Quando percebi que havia deixado a minha carteira na mochila, retornei em dois minutos, tempo suficiente para eles terem mexido a mochila e roubado.

  4. Digo, mas

  5. Oi, Allan. Nesse caso, não posso te ajudar porque fiz um pacotinho que incluía vários passeios e o guia estava no balaio. E não lembro nem quanto paguei nesse pacote (lembro de ter pechinchado, não se esqueça disso). Acho que vale entrar em contato com essa agência e outras (veja as que eles recomendam no site oficial de Machu Picchu, http://www.machupicchu.gob.pe/) e comparar mesmo. Abraços!

  6. Agradeço a atenção Clarissa! Não quero abusar de sua boa vontade, mais poderia informar o valor médio cobrado pelos guias?

  7. Oi, Allan. Eu não subi, não, só fechei um guia mesmo. Fechei pela Haku Peru, foi bem tranquilo. E eles me deram a opção de subir, então, sei que fazem. Abraços!

  8. Obrigado pela recomendação Clarissa! Vc foi para Huayna Picchu? E se foi por agencia, pode me informar qual?

  9. Oi, Allan. É possível fazer no mesmo dia, sim. Mas você tem que agendar isso com uma agência. Eu não me lembro de gente subindo o Huayna Picchu sem guia. Normalmente são dois horários de subida por dia. Boa viagem!

  10. Oi Clarissa, tudo bom? Muitas pessoas q vão para machu picchu incluem a visita a huayna picchu q tem um acesso mais restrito e uma vista privilegiada do sítio arqueológico. Pergunto: dá para conhecê-los no mesmo dia ou melhor visitá-los em dias distintos?

    Desde já, agradeço!

    Att.

    Allan Sena.

  11. Valeu muito pelas recomendações, ainda mais q eu também pretendo fazer essa viagem com minha mãe.

  12. Obrigada, Paula! Nos lembramos de você na hora de escolher bem os restaurantes. Para falar a verdade, minha mãe não teve coragem de provar os tiraditos por causa da sua história. Beijos e obrigada pelas dicas.

  13. Olá Clarissa,
    Recebi seus pais no Hotel que eu trabalho em Sc alguns dias antes da viagem ao Peru, espero que tenham feito otima viagem!
    Vale lembrar tambem (por péssima experiencia propria) o maximo de cuidado com a alimentação uma vez que o indice de intoxicação alimentar é bem maior que problemas de soroche. Outra dica, é na hora da pesquisa por Hoteis em Cusco, muitos tem o serviço de transporte Aero/Hotel gratuito, como o Hotel TIERRA VIVA CUSCO (limpo, preço bom e atendimento excelente, indico!
    Acompanho seu Blog, otimas dicas!
    Grande abraço!

  14. Olha, que coincidência mesmo! E demos muita sorte porque o dia estava lindo e fresco! Valeu pelas dicas, Márcia. Nada como compartilhar furadas e acertos, né? Abraços!!

  15. Nossa, estive em Machu Picchu no mesmo dia que vc!!! A previsão era de chuva, mas por sorte o dia estava lindo!!!
    Viajei c/ meu marido por conta própria e com essa dificuldade de comprar os ingressos para o parque, acabamos fechando um pacote com o pessoal do hostal (Hosteria de Anita) que super indico “BBB”.
    Compramos com bastante antecedência pq queríamos subir o Huayna Picchu tbm.
    Li em vários blogs sobre o mal da altitude para descansar o primeiro dia e tal e sinceramente achei uma furada, pq cada pessoa é diferente e seu corpo não se acostuma em 1 único dia, acho que o ideal é se alimentar bem e beber bastante água, pq se vc não está acostumado com lugares altos, até subir uma escadinha boba, vc poderá ter dor de cabeça no primeiro, segundo e quem sabe o terceiro dia, mas o chá de coca ajuda muito e é bem gostoso.
    Para completar a lista de furadas:
    – O serviço cobrado pelos restaurantes de Águas Calientes é bem salgado, na verdade eles te cobram um valor X independente do que está no cardápio e a diferença vai está na bebida ou no serviço.
    – O city tour de Cusco é muito cansativo, vale a pena (tem que fazer sim!) mas se prepare para morrer de dor de cabeça depois kkkkk.
    Ótimo relato!
    Bjs

  16. Valeu, Jodrian! Ainda bem que deu tudo certo, mas dicas e recomendações também são bem-vindas por aqui. Abraço!

  17. Excelentes recomendações. Estivemos lá em 2009 e não passamos por nenhuma dificuldade maior, mas concordo com tudo que foi relatado.
    Abraço,
    Jodrian

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