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Roteiro Dalí, exuberância na arte e na natureza

 

Teatre-Museu Dalí. Discretinho, né?

Este não é um roteiro oficial que segue fiel e cronologicamente os passos do pintor catalão Salvador Dalí. Fez parte de uma viagem muito especial que fiz pela Catalunha, a última antes de voltar para o Brasil depois de uma temporada na Espanha. São paradas em cidades fundamentais da vida do surrealista – uma vida tão extravagante e interessante que teria que incluir muitas outras escalas (entre elas, Paris, Barcelona e Nova York) para ser um roteiro completo de sua trajetória.

Neste post, me concentro em duas delas, Figueres e Cadaqués (e seus arredores). O que ambas têm em comum: estão na deslumbrante Costa Brava, a parte mais bonita do litoral catalão, que, por sinal, merece um roteiro só para ela – mas esse vai ficar para outro post. Começamos com três perguntas básicas.

Vista de Cadaqués

Qual é a melhor maneira de ir até elas?

De carro. Alugue um no seu ponto de partida. Normalmente é Girona, bonita cidade medieval que serve como boa base para desbravar essa parte do litoral. O aeroporto de Girona é conhecido inclusive como o aeroporto da Costa Brava. De Barcelona é possível fazer uma day trip, mas é cansativo: até Figueres, a viagem de 140 quilômetros dura cerca de uma hora e meia e até Cadaqués (a pouco mais de 200 km da capital catalã) são mais 40 minutos de estrada, enquanto Girona está a apenas 50 km de Figueres. O ideal é passar primeiro nela e depois seguir para a costa até Cadaqués.

De Barcelona ou Girona, você também pode ir de trem. São em média duas horas até Figueres saindo da capital catalã. Consulte horários e preços no site da Renfe. Ônibus é a pior pedida saindo de Barcelona, a viagem pode durar mais de três horas. E lembre-se que de carro você aproveita muito mais o passeio. Veja aqui o caminho entre Figueres e Cadaqués.

Vale a pena dormir nelas?

Depende do seu roteiro. Se você estiver indo de Barcelona, talvez valha a pena dormir em uma delas para dar uma relaxada e conhecê-las com mais calma (dois dias são suficientes, um para cada uma). Quem pretende ir até a França também usa uma das duas para dar aquela parada maior. Eu não dormi porque estava em Girona, portanto, não tenho indicações de hospedagem. Mas os sites oficiais de turismo de Figueres e Cadaqués têm. Se o tempo estiver bom, mesmo se não for verão, eu recomendo dormir em Cadaqués, já que Figueres não tem a mesma beleza natural.

O Cadillac da máfia recebe a gente

Mas, que tal irmos direto ao ponto?

OK, por que elas valem a pena? Chegou a hora de ver as diferenças.

Figueres

Nada menos que a cidade que viu Dalí nascer, em 1904 (o pintor morreu em 1989). Sua principal atração é o extravagante Teatre-Museum Dalí. Não há foto, post ou link que faça justiça à experiência nele. Foi idealizado pelo próprio Dalí no início dos anos 60 (mas sua conclusão se deu somente em 1974) com base no teatro municipal da cidade, destruído no fim da Guerra Civil Espanhola.

Mais além de um museu que exibe dezenas de obras do artista, o espaço ajuda a penetrar na mente fervilhante de Dalí. Ilusões de ótica, surpresas e truques estão por toda parte. Esqueça a ideia clean e organizada dos museus tradicionais (caretas?); a impressão que se tem é de que estamos entrando na casa de um colecionador compulsivo, tamanha a quantidade de objetos (incluindo esculturas) espalhados, pendurados, pregados e colados nas paredes e no teto.

Kiss me, Mae.

Você já começa a pirar logo do lado de fora, com os ovos gigantes no alto do edifício e a parede cor pink. Entrando, o primeiro andar nos recebe com um Cadillac (apelidado de Taxi Plujós) que, reza a lenda, pertenceu a Al Capone. Pneus de trator, um barco pesqueiro e estátuas completam o entorno do carro. Não vou estragar o resto da surpresa, mas vale uma parada no hall principal, com sua cúpula redonda de vidro, e também afastar a preguiça de encarar a fila para a sala Mae West, que reproduz o rosto da  atriz (veja ao lado).

Veja também: Croácia, uma joia na região do Mediterrâneo

Nas salas “comuns”, há obras de diferentes fases ‘dalinianas’, além de trabalhos de outros pintores e escultores que Dalí admirava. Não deixe também de visitar o pequeno museu anexo só com joias desenhadas pelo artista, o Dalí Joies. São de uma beleza e delicadeza tão impressionantes quanto a criatividade do resto do complexo.

Cadaqués

Esse balneário de construções brancas, praias rochosas e com pedrinhas claras e mar azul profundo era o porto favorito da família de Dalí para suas férias na juventude. Já adulto, servia de refúgio para o pintor, que acabou morando um tempo na próxima Port Lligat (outra parada bacana, a 1.250 m de Cadaqués), hoje uma charmosa vila com barcos e casas brancas com bougainvilles nas sacadas – há algo mais mediterrâneo que essa combinação branco/pink/azul mar escuro? Lembrando que em Port Lligat está também a Casa-Museu do pintor, outra visita da agenda.

Caminhada pela orla

Cadaqués não é uma cidade de praias deslumbrantes se compararmos com as nossas de areia fina. É daquelas típicas da região, com pedrinhas e calas (já falei delas aqui). Se estiver calor, vale um mergulho, mas sua atração principal é mesmo a baía da Cadaqués. O passeio pela rua que vai beirando o mar (Carrer de la Riba Nemesi Llorens) é renovador e cheio de pontos ótimos para fotografar.

Se você ainda duvida da beleza de Cadaqués, confira a lista de artistas que já passearam por por suas ruelas: Pablo Picasso, Joan Miró, René Magritte, Walt Disney, Marcel Duchamp, Man Ray, García Lorca entre outros. Sem contar que Cadaqués está coladinha na fronteira da França – e, portanto, sempre cheia de turistas franceses. Um charme.

A vantagem de estar de carro é que é possível sair de Cadaqués e dar uma esticada não só até o sudeste da França, mas também até o ponto mais oriental da Espanha, o lindo Cap de Creus. O passeio pela costa até esse cabo é delicioso e é coroado com a vista fantástica do farol.

Do roteiro Dalí pela costa da Catalunha, só não visitei a Casa-Museu-Castelo de Dalí, em Púbol (cidade próxima a Girona), que ele idealizou pensando em seu grande amor (ou um deles), Gala. Fica de desculpa para eu voltar. Espero que em breve.

 

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

2 Respostas para “ Roteiro Dalí, exuberância na arte e na natureza ”

  1. Que maravilha, Sergio, morri de inveja agora. 😀 Fico feliz por ter sido útil. Boa viagem!

  2. Bacana seu post. Estou lendo em Cadaques, na segunda jarra de sangria com minha namorada e planejando o passeio a casa museu Dali amanhã e esticada a Cabo Creus, que pretendia fazer a pé mas vai de carro com paradas depois da leitura, obrigado pelas dicas!

    Beijos

    E viva España!

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