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Rishikesh, o lado zen da Índia

Paz para todo o lado

Yoga, meditação, espiritualidade, o rio Ganges e cultura hindu. Se para você a Índia é sinônimo de tudo isso, o seu lugar é Rishikesh, também conhecida como a capital mundial da yoga. A cidade foi nossa segunda parada – depois da confusa Delhi – e nos pareceu um enorme oásis. Foi o local que me fez questionar esse nosso louco modo de vida escravo dos despertadores e de compromissos que nos parecem inadiáveis mas que não determinam o fim do mundo quando são postergados. Enfim, se a Índia mudou nosso modo de ver a vida, tudo começou em Rishikesh.

CHEGADA

A chegada ao paraíso – como era de se esperar – não é exatamente fácil. Rishikesh não é servida por trens (e talvez isso explique um pouco da paz do lugar). Quem quer chegar lá deve pegar um trem até Haridwar e depois seguir de táxi ou ônibus até Rishikesh. Não se iluda com os poucos quilômetros que separam as duas cidades, de carro o trajeto demora mais de uma hora (por isso, saia com antecedência na volta). Logo em frente à estação de trem de Haridwar, o viajante já encontra umas quatro ou cinco cooperativas de táxis. Nós tentamos penchichar mas o preço era tabelado em 400 rúpias – ou 8 dólares. Quem estiver com o orçamento mais apertado pode encarar os ônibus, que saem do outro lado da rua. Mas nós estávamos muuuito cansados da viagem de trem e achamos o conforto do táxi uma ótima pedida.

O ASHRAM

Nosso ashram

Rishikesh é um destino espiritual para os indianos. É comum que pessoas passem um período do ano lá hospedadas em um Ashram e seguindo as doutrinas de gurus, em uma espécie de retiro espiritual. Há aqueles que resolvem morar nos Ashrans e fazem disso um estilo de vida. Por isso, se você vai visitar Rishikesh eu sugiro que esse seja o seu tipo de hospedagem. Além de barato, é uma experiência fantástica e que dificilmente você vai ter em algum outro lugar do planeta. Só não esqueça de se certificar de que o ashram que você escolheu aceita turistas estrangeiros. Qualquer ashram tem regras, então se você quiser desfrutar de tudo que eles oferecem esteja preparado para alguns limites, que na verdade não são nada que deixem qualquer viajante preocupado. As refeições têm horários bem rígidos, se você pretende comer no ashram – o que eu definitivamente recomendo! – não esqueça de checar os horários na sua chegada. No nosso ashram também não era permitido falar durante as refeições, esse era um momento sagrado de reflexão. E acredite, o ambiente é tão agradável que você não vai ter nem vontade de ficar tagarelando. Se na Índia é preciso ser cuidadoso com as roupas, isso dobra no ashram. Escolha os modelos mais indianos para esse período da viagem (mais dicas sobre roupas aqui). O lugar também tem hora pra fechar, às 22h todo mundo tem que estar dentro do ashram. O que também não é um problema já que Rishikesh não é uma cidade noturna. A nossa escolha foi o Parmarth Niketan Ashram, liiindo, com imensas áreas verdes, várias atividades, quartos com vistas sensacionais para o Ganges e pessoas muito simpáticas. Recomendo.

A CIDADE

Templo, verde e Ganges

Rishikesh é uma cidade bem pequenininha, até para os padrões ocidentais. Ela se divide em duas partes: Swarg Ashram, onde estão os ashrans e é também a parte mais feia e suja da cidade, e Lakshman Jhula, onde estão restaurantes, lojinhas, hostels e uma ponte enorme. Uma caminhada agradável (mesmo no calor senegalês que nós pegamos) de 2 km separa as duas partes da cidade. Aliás, seus pés serão mesmo seu único modo de locomoção por lá.

O GANGES

Devoção passada por gerações

O rio Ganges é um dos símbolos mais sagrados da Índia. E, assim como em Varanasi, em Rishikesh ele também é a atração principal. Uma diferença fundamental entre as duas cidades: em Rishiskesh o Ganges é limpíssimo. A cidade é próxima da nascente e por isso lá a água ainda não está poluída, tem uma cor às vezes azul, às vezes verde, uma correnteza forte e temperatura gelada. Assim como em Varanasi, você também vai ver cenas comoventes de devoção dos indianos ao rio. Se conseguir acordar bem cedo – por volta das 06h – vai ver que é pedindo benção e proteção ou então se banhando no Ganges que muitos indianos começam o dia. O rio cruza a cidade inteira e forma pequenas praias. Lugar perfeito para você simplesmente sentar e relaxar. Em algumas dessas mini praias é possível achar até uma sombra. Agora, a melhor coisa, sem a menor sombra de dúvida é entrar no rio. Para quem acredita que existem lugares no mundo capazes de energizar a sua alma, Rishikesh com certeza é um deles. Só não se esqueça da etiqueta: homens podem entrar de sunga ou bermuda, o que preferirem. Já para as mulheres resta a roupa toda mesmo. Biquíni por baixo, blusa e short ou calça. Apesar do trabalho, não perca a oportunidade. A sensação é indescritível. Quem gosta de aventura também pode fazer rafting. E todo dia, no pôr do sol, assim como em Varanasi, os indianos fazem a Ganga aarti, uma cerimônia em homenagem ao Ganges. Em Rishikesh, a Ganga acontece em frente ao ashram em que a gente ficou hospedado, o Parmarth Niketan Ashram. Eu achei essa ainda mais linda que a de Varanasi, apesar de infinitamente menor.

Ganga aarti: homenagem feita todos os dias

OS BEATLES

Para quem é o beatlemaníaco, Rishikesh é passagem obrigatória. A banda de Liverpool fez um retiro, na década de 60, no Maharishi Mahesh Yogi. Eles acabaram responsáveis também por transformar aquele pedacinho de mundo em um destino conhecido. Junto com Rishikesh ganharam fama, também na carona dos Beatles, a yoga, a meditação transcendental e o estilo de vida indiano. Aparentemente foi lá que eles escreveram grande parte do The White Album. O Maharishi Mahesh Yogi fechou em 97 mas hoje é possível fazer um tour até o local e conhecer o que restou. Nós não fizemos o programa mas o caminho até lá é seguindo um pouco abaixo de Swarg Ashram. Há também tours que levam os turistas.

PASSANDO O TEMPO…

Na praia

Se você ficar em um ashram terá muita coisa para fazer lá. O dia começa bem cedo com uma aula de yoga. O local é aberto mesmo para quem não é praticante e não é difícil de acompanhar. De noite tem também meditação que pode terminar com um banho noturno no Ganges. Quase todos os ashrans oferecem essas programações, para quer algo mais sério existem cursos de yoga e meditação com duração de até 1 ano. Mas o mínimo costuma ser 15 dias. Ao lado da ponte de Lakshman Jhula fica o maior templo do lugar. A visita é legal. Além disso, há também trilhas que levam às cachoeiras, que nós não fizemos porque devíamos estar meditando, dormindo, na praia do Ganges ou fazendo nada. Se existe um lugar pra dar preguiça é lá.

COMENDO

Rishikesh é muuito vegetariana. Aliás, eu poderia dizer que é totalmente vegetariana. Nós não vimos nenhum lugar lá que vendesse carne, mesmo frango. Há muitos restaurantes de donos israelitas que tem comida de Israel e do resto do mundo também. Eu recomendo o Tulsi Restaurant, que fica em uma casa suspensa de bambu (uma espécie de casa na árvore mesmo) no caminho entre as duas partes da cidade. Comida deliciosa, clima ótimo, música e mesinhas no chão com almofadas. Espere encontrar apenas gringos. A segunda melhor vista (a primeira era do meu quarto) e os melhores chás de Rishiskesh nós provamos no Devraj Coffe Corner, que fica do ladinho da ponte, do lado oposto do templo. Pegue uma mesa na varanda e fique lá pensando na vida.

COMPRAS

O modelito praia ganges foi comprado lá

Rishikesh tem diversas lojinhas que vendem principalmente roupas e panos super lindos. Embora seja um destino espiritual eu achei um bom lugar pra fazer umas comprinhas também. No caminho entre Swarg Ashram e Lakshman Jhula há várias e do lado oposto ao templo outras tantas. Quem gosta de yoga, medicina Ayurvédica também vai encontrar bons livros. A cidade tem sebos que são bem legais. Uma coisa que eu só vi em Rishikesh foram as malas. Malas são como terços e tem uma conotação religiosa. Na verdade eles se parecem mais com as guias. São feitos de contas com a ponta vermelha. Dizem os indianos que você deve energizar sua mala no Ganges para ter ainda mais proteção. Pelo sim e pelo não, a minha está aqui em casa. Há diversos camelôs que vendem isso por toda a cidade.

OS SADHUS

As vacas também estão lá, claro

Os sadhus são uma espécie de santos vivos do hinduismo. Bem, talvez eu esteja exagerando mas essas figuras são muito respeitadas e tidas como sábios pelos hindus. São homens que abdicaram de tudo em prol da espiritualidade. Eles andam pelados – cobertos por cinzas – ou com apenas uma pequena túnica, descalços, também não cortam o cabelo, são nômades e sozinhos. Carregam consigo apenas uma pequena caneca para beber água. Fazem jejum frequentemente e quando se alimentam comem apenas o necessário para a sobrevivência. Vivem de oferendas e praticam o total desapego das coisas materiais. (Foi o que o personagem de Lima Duarte virou no fim de Caminho das Índias). Eles estão por toda a Índia mas em Rishikesh a gente viu mais sadhus do que em qualquer outra parte do país.

Personal Trip

About the Author

Destinos exóticos e desconhecidos. É em lugares assim que Reba prefere passar as férias. Isso deve ser uma desculpa para poder passar os outros 11 meses do ano planejando a viagem.

21 Respostas para “ Rishikesh, o lado zen da Índia ”

  1. Olá, desejo fazer um retiro e achei suas dicas super interessantes. Ajudam muito. Gostaria de saber se eu conseguiria me comunicar não tento a fluência do Inglês, infelizmente falo francês e espanhol e acredito que não haja tempo suficiente para aprender antes da viagem.

    Obrigada.

    Abraço,

  2. Oi Alexandra,
    Nao ha problema algum de ser leiga desde que voce esteja disposta a respeitar as regras do local (eles dormem muito cedo, não falam durante as refeições e são vegetarianos. Tambem ha restrições de roupas e bebidas alcóolicas são proibidas).
    Na epoca que eu fui meu marido também não era praticante de yoga ou meditação e ele tb adorou.
    Acho que a experiencia eh realmente o máximo.
    Eu nao consegui reservar pelo Brasil, mas isso foi em 2009.
    Vc pode tentar pelo site. De qq forma foi super fácil quando chegamos la e o ashram também eh bem grande.

    Beijos

  3. OI Reba, Tudo bem?
    Uma amiga me indicou ir para Rishikesh principalmente porque estou indo pra India sozinha.
    Quero ficar num ashram mas não sou praticante de yoga ou meditação. Ja fiz as duas coisas mas não sou praticante mesmo. Vc acredita que consiga ficar num ashram mesmo sendo leiga?
    Consigo reservar aqui do Brasil? Obrigada

  4. olá,
    estou tentando ver uma pousada ou ashram para ficar uns 15 dias em Rishikesh, bem na verdade acho que uns 10 dias no máximo pois eu pretendo fazer um trekking.
    dai mandei mails para alguns ashrams indicados pois, como praticante de Yoga, adoraria fazer a rotina espartana para ter esta experiência unica mas eles nunca responderam… me disseram que agora não e alta estação e não tem problema de chegar mas quando visito os websites dos ashrams me parece que eles estão tão restritos a pessoas que não estão fazendo cursos…ou talvez seja impressào minha.ate hoje não recebi nenhuma resposta,o do Yogananda também me foi recomendado mas lá mesmo esta escrito: isto não é uma tourist guesthouse!! vc poderia dar uma ideia de quanto deixou de doação? e os banhiros? tenho visto coisas horrorosas nas pousadas pesuisadas e olha que sou viajante também! sem frescuras mas com mínimo de higiene num ashram é o que espero. são os hospedes e moradores que os limpam?

  5. ….recomendo Rishikesh…cheguei de la e ja me programo para retornar …parabens Rebeca,seu espaço esta show para quem sabe curtir o lado bom desta passagem!!!Namaste!!!

  6. Reba! Muito obrigado pela ajuda. Dei uma olha no seu blog e vi que tem muita informação. Vou para india em abril para fazer um trekking no Himalaia e queria dar um giro por lá.
    Quero fazer rishikeshi, Mcleod Ganji, udairpur, Agra e varsani. Tudo isso em 21 dias. Como posso distribuir os dias? Você acha que $100 dólares/ dia e um bom orçamento para transporte hotel e alimentação
    Bjs e obrigado

  7. Oi Daniel,
    Que bom que você está planejando uma viagem pra lá. Eu achei fascinante. Você precisa sim reservar com antecedência porque as vagas acabam logo. E Não há problema algum de deixar qualquer coisa no quarto. A Índia é dos lugares mais seguros em que eu já estive.
    Beijos

  8. Reba, boa tarde! Estou organizando uma viagem para Índia e achei as suas dicas bastante interessante. Queria saber se há necessidade de agendar com antecedência um lugar no asharam. Entrei no link do local indicado me parece muito bom, mas e seguro deixar os pertences no quarto? Obrigado
    Por fim queria saber se vc vê algum problema em viajar sozinho.
    Abcs Daniel

  9. Oi Andreza,
    Você tentou preencher com o seu número aqui do Brasil mesmo?
    Há a opção de ticket por SMS e ticket impresso. Nesse caso o número do celular não faria diferença.

    beijos

  10. Olá,estou indo esse mês para India e suas dicas estão sendo muito úteis. Entrei no site para comprar os tickets de trem e ao tentar fazer o cadastro não consegui,por que eles solicitam um número de celular da India. Como você fez?
    Obrigada!

  11. Oi Cátia,
    Há muitos livros sobre a Índia. Você precisa escolher se quer ler sobre a religião,política, história indiana, o modo de vida, comida, yoga e meditação porque a maioria dos livros são temáticos. Se ler em inglês não for um problema para você, eu aconselho comprar por lá. Rishikesh tem uns sebos e umas livrarias que são uma delícia.

    Beijos e boa viagem!

  12. Oi, há algum livro mais indicado q fale de india ou Rishikhes? vou viajar para lá 🙂

  13. Oi Thereza,
    Você precisa entrar no site – https://www.irctc.co.in/ – e fazer o cadastro.
    Depois de ter um username e senha vc consegue fazer a compra.
    O cadastro vc faz na página principal mesmo no quadrado do lado esquerdo onde está escrito login.
    Beijos e boa viagem!

  14. Olá! Entre no site que vcs indicaram para comprar o ticket de tram mas nao consegui identificar como compra. Abrem várias jánelas e não é possível comprar e nehuma delas. Estou indo de Dehi pra Agra e de Delhi pra Haridwar. Viajo nessa sexta feira dia 10/2/12 e gostaria mto de comprar minhas passagens de trem logo. Obrigada!!! bjs, Tete

  15. Sou Cristão. Se o Mestre me permitir, passarei um temporada meditando neste magnífico lugar.

    Namastê!

  16. Achei o máximo quando comecei a ler o texto e vi q vc ficou no Parmarth Niketan Ashram, é lá que estou planejando ficar, quando em breve (espero que em 2011, no máxomo 2012) pretendo ficar por um mês…
    As dicas são ótimas e esclarecem as dúvidas de quem pretende ir à Índia pela primeira vez!

  17. Oi Regiane,
    Desculpe pela demora. Não há problema de voce viajar de trem sozinha com a sua amiga mas eu recomendo que vcs optem por uma classe leito com ar condicionado. Faz muita diferença, principalmente para mulheres. E como tudo na Índia é muito barato a diferença evita aqueles olhares mais desconfortáveis.

    Agora compre sua passagem no Brasil. Não arrisque. Eu vi muitos viajantes que chegaram lá e só conseguiram para quase 10 dias depois. Pelo site é super tranquilo: http://www.indianrail.gov.in

    Beijos

  18. Olá !!
    Em janeiro pretendo ir para Haridwar. Estou indo S.P. – Delhi, e gostaria de saber se é seguro pegar trem ( irei eu, mulher com uma amiga )e se é fácil comprar passagem assim que eu chegue em Delhi, ou é preciso comprar com antecedência ?? Desde já agradeço sua atenção, e BOA VIAGEM… SEMPRE !!,
    Abraços !!!

  19. Olá Fábio,
    Se voce pretende ir a Rishikesh o melhor é desembarcar em Delhi, seguir de trem até Haridawar e depois pegar um táxi ou um ônibus até Rishikesh. Mumbai é muito longe (fica no meio da Índia enquanto Delhi e Rishikesh no norte). Eu fiquei apenas três dias e nós gastamos cerca de 9 dólares por dia / por pessoa, com as refeições incluídas. Esse era o preço por noite mas eu acho que a maioria dos ashrans tem pacotes pra quem fica muito tempo (vimos alguns gringos, europeus basicamente, passando longas jornadas lá e pretendemos fazer isso um dia!).
    Além do ParmathNiketan – que eu gostei bastante (o lugar é lindo, a vista dos quartos idem e as aulas de yoga e meditação são tb ótimas) vc pode olhar o http://www.dayananda.org/ que nos foi sugerido por uma indiana cujo a mãe passa períodos em Rishikesh.
    Beijos!

  20. Adorei seu texto!Estou planejando ficar uns seis meses em Rishkesh no próximo ano, mas ainda estou sondando tudo. Trata-se de minha primeira ida á Índia, então seria melhor chegar em Deli e seguir até Haridwar ou desembarcar em Mumbai? Quanto tempo vc ficou em Parmath Niketan e quanto gastou em hospedagem? Vc poderia colocar links de ashrams e hostel aqui. Obrigado!

  21. Queria dar um mergulhinho, agora, no Ganges. Seria nada mal…

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