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Procida: para fugir do agito de Capri

Chegada na colorida Marina Grande

Chegada na colorida Marina Grande

No meu aniversário de 30 anos resolvi fazer uma viagem bacana para receber a década balzaquiana com boas energias. Na época, morando em Madri, peguei umas folgas e voei para conhecer uma parte da Itália tão fértil em atrações quanto o solo vulcânico que faz crescer as delícias de lá: Nápoles e seus arredores.

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Na minha cabeça, além da famosa cidade do sul, o roteiro teria que incluir de qualquer forma Pompeia e Capri, day trips “obrigatórias” para quem costuma ficar em Nápoles. Pretendia passar o dia do aniversário propriamente dito em alguma praia dessa, hum, glamourosa ilha. Porém, mudei de planos graças a uma conversa esclarecedora, que garantiu que minha estada em Nápoles fosse a mais incrível possível. Tudo culpa do Andrea, dono da guesthouse onde ficamos.

Formações rochosas na praia vulcânica de Ciracciello

Formações rochosas na praia vulcânica de Ciracciello

Andrea ficou quase uma hora e meia conosco dando o mapa de todas as melhores pizzarias e trattorie de Nápoles, mil conselhos, advertências (a cidade, como se sabe, não prima por sua segurança) e dicas. Ele fez de tudo para me convencer a mudar meus planos: disse que em vez de Pompeia eu deveria ir a Herculano, onde as ruínas e as formas humanas petrificadas pela lava do Vesúvio estão bem mais preservadas que as de sua célebre vizinha, e recomendou fortemente que eu desistisse de Capri. Além de estar invadida pela muvucada de turistas, Capri, de glamour, só mantém os preços altos – incluindo a própria viagem de barco, mais cara do que para as vizinhas Ischia e Procida. “A bola de sorvete lá é o preço de um prato aqui”, dizia. Ma dai, che esagerato! 

De Pompeia eu não desisti. Tinha na memória um livro de História da escola, que trazia fotos daqueles corpos eternizados pela lava e queria ver a tal cidade dita hedonista da época. Mas, em relação a Capri, considerei a ideia de trocá-la por Procida, pequena ilha do arquipélago no Golfo de Nápoles, uma das Isole Flegree, que ficou conhecida mundialmente por ter sido set dos filmes O carteiro e o poeta e O talentoso Ripley. Com cerca de dez mil habitantes, a ilha tem, como quase toda a região, praias de formação vulcânica, criando uma exótica (para nós) paisagem de areia cinza com mar azul profundo do Tirreno.

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Delícias locais

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Numa palavra, Procida é uma fofura. A gente desembarca na chamada Marina Grande e já dá de cara com casas coloridas e restaurantes (sem espera!) de frutos do mar fantásticos do centro histórico. Até hoje guardo na memória a lula recheada com camarões temperada com limão, tão simples e tão eficiente. O povo, assim como em Nápoles, é simpaticíssimo. Ao embarcamos em um ônibus que cruzava a ilha (fizemos tudo por meio desse tipo de transporte), o trocador gentilmente nos alertou para a posição do sol, indicando em que praia haveria sol de manhã e onde haveria sol de tarde (no caso, nas praias Chiaia e Ciraccielo, respectivamente), de modo que pudemos aproveitar bem o dia.

Além das praias, vale visitar também as marinas Corricella e Chiaolella e a Terra Murata, antigo coração da cidade, fortaleza do século seis, com diversas construções históricas. E deixar-se perder pela ilha curtindo a arquitetura de colônia de pescadores, com arcos, balcões, escadas exteriores e fachadas de tons pastéis típicas da região litorânea da Campania.

Junto com os frutos do mar, recomendo provar o limoncello, licor de limão típico do sul da Itália, o vinho branco leve e as saladas de limão pimenta e alho. E quem não é chegado em peixes, moluscos e crustáceos pode experimentar o coelho no alho com tomate, outro prato típico. De sobremesa, sorvete, claro.

Para concluir, meu conselho é: o ideal é ficar pelo menos seis dias em Nápoles (eu só fiquei quatro). Assim você pode conhecer a cidade grande, insistir com Capri, relaxar em Procida (dormir um dia lá não é má ideia), curtir a linda arquitetura da Ischia, além de percorrer com calma Pompeia e Herculano. Eu só espero não ter que esperar mais trinta anos para voltar lá.

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Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

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