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Praga faz jus à fama de ‘A pequena Paris’

Igreja de Nossa Senhora Diante de Týn, na Praça da Cidade Velha

Igreja de Nossa Senhora Diante de Týn, na Praça da Cidade Velha

Uma jóia encravada num país de língua difícil, logo ali, na Europa Central. Praga, capital da República Tcheca, é uma preciosidade incrivelmente preservada, apesar das turbulências que sempre rondaram a região. Como não houve resistência às inúmeras invasões que sofreram ao longo da História, a cidade passou por grandes guerras e ocupações permanecendo praticamente intocada, ao contrário dos vizinhos europeus.

A primeira dica para esse destino é separar ao menos cinco dias e levar um bom par de tênis. Praga é encantadora a ponto de ser comparada a Paris. Não é possível percorrê-la com pressa, nem deixar de conhecer seus principais atrativos, que são muitos. E não há forma mehor de explorá-la que não seja a pé, com bastante calma, retendo-se a cada pedaço de história. Pode não ser tão moderna e desenvolvida, mas sem dúvida tem o charme da capital francesa.

O Castelo de Praga, onde nasceu a cidade.

O Castelo de Praga, onde nasceu a cidade.

MOEDA E IDIOMA
No fim de dezembro de 2009, fazer a conversão da coroa tcheca para o Real não era complicado. Bastava cortar um zero para ter uma ideia do quanto valia um produto ou serviço na nossa moeda. Não é possível comprar coroas tchecas com antecedência, mas euros e dólares são trocados facilmente em casas de câmbio. Outra opção, a minha favorita, é fazer um saque num caixa eletrônico assim que chegar ao país.

Já com o idioma local as coisas não eram tão fáceis. O tcheco é difícil e boa parte da população não fala inglês, nem jovens nem adultos, mesmo na zona turística. Felizmente, em pouco tempo é possível identificar as palavras importantes, como Rua, Praça, Museu, etc. Como Praga foi invadida por turistas, museus e restaurantes possuem cardápio e guias em diversas línguas, entre elas inglês e espanhol.

LOCOMOÇÃO
É possível chegar a Praga em voos low cost, em carro alugado, de ônibus ou de trem. A última opção é a mais utilizada, já que a malha ferroviária é bastante eficiente. Mesmo que você não pegue um bom trem alemão, os trens tchecos cumprem bem o serviço e com a mesma pontualidade. A principal estação de trem da cidade, a do Centro, é interligada ao metrô. Mas as estações são tão próximas umas das outras que algumas vezes é possível caminhar até o hotel – cuidado apenas com o parque no entorno da estação central, caso já esteja escuro.

O bilhete de metrô custa 18 coroas tchecas, com validade de cinco estações ou meia hora. Acredite, você não vai precisar de mais que isso. Há também os bondes, mas, no geral, o metrô é bastante eficiente. Certifique-se de ter sempre algumas moedas para comprar os bilhetes nas máquinas das estações. Embora a melhor forma de visitar Praga ainda seja a pé, apreciando sua arquitetua inigualável.

A "cidade das 100" torres vista dos muros do Castelo

A "cidade das 100" torres vista dos muros do Castelo

HOSPEDAGEM
Malá Strana tem ruas agradáveis para quem gosta de sossego, mas não abre mão do charme. Josefov tem hotéis de luxo como o Intercontinental. A Cidade Velha concentra um número considerável de possíveis hospedagens, embora eu considere o lugar agitado demais, dia e noite. A Praça Venceslau, ponto importante da história recente do país, está a um passo do coração da Cidade Velha e conta com boa oferta de hotéis. Fiquei no StayAt Prague, uma espécie de aparthotel – com quarto e banheiro novos, além de café da manhã farto – que nos serviu muito bem.

COMIDA
Praga é bastante turística, portanto fica difícil fugir dos serviços voltados para turistas. No inverno, vinho quente, castanhas e pretzel aquecem e enganam a fome. Mas a especialidade local é a cerveja pilsen. De preferência acompanhada de algum prato a base de porco. As tradicionais cervejarias servem canecas e longnecks a preços razoáveis, com atendentes em vestes medievais. No cardápio, o porco pode ser assado em fornos artesanais e alguns são servidos praticamente inteiros (ou em pedaços como a perna, urgh!) em espetos que mais parecem alegorias. Salsichas, linguiças e presuntos formam boas tábuas para acompanhar a cerveja.

Sobre o rio Vltava, que corta Praga

Sobre o rio Vltava, que corta Praga

EXPLORANDO A CIDADE
Praga é cortada pelo rio Vltava. À esquerda, estão Hradcany, o distrito do Castelo de Praga, e Malá Strana, que significa algo como pequeno quarteirão. Do lado direito do rio estão Staré Mesto, a cidade velha, e Nové Mesto, a cidade nova que na verdade é bastante antiga para os padrões brasileiros. Há também Josefov, o bairro judeu. As duas margens do rio são ligadas por várias pontes, sendo a mais importante delas a Ponte Carlos.

COMPRAS
A República Tcheca, no geral, é mais barata que os países da Europa Ocidental. Sobretudo por ainda não ter aderido ao Euro. Mas Praga, por ser uma capital do mundo, tomada por turistas, ainda pratica preços consideravelmente mais salgados que as cidades vizinhas. Artigos que são símbolo do país e que valem realmente a pena em comparação ao que encontramos aqui no Brasil são os indefectíveis cristais tchecos e os sais de banho. A República Tcheca tem tradição em spas. A loja Manufaktura é uma tentação para quem gosta de produtos de beleza e higiene corporal. Já a Celetná Crystal tem peças delicadas de cristais puríssimos. Ambas mantém lojas no coração da Cidade Velha.

A Igreja de São Nicolau em Malá Strana guarda um orgão barroco tocado por Mozart

A Igreja de São Nicolau em Malá Strana guarda um orgão barroco tocado por Mozart

MUSEUS
Praga tem muitos museus, como a maioria das grandes cidades turísticas. Os coadjuvantes, que não abrigam grandes coleções em grandes palácios, foram os que me seduziram mais.

Museu Franz Kafka – O museu em Malá Strana reproduz através de linguagem moderna, jogo de luzes e instalações o clima perturbador dos romances do autor de A Metamorfose, enquanto desfia sua trajetória. Entrada a 120 coroas tchecas.

Museu do chocolate – Junto à praça principal da Cidade Velha, uma pequena exposição conta a história do cacau e sua transformação numa das guloseimas mais populares do mundo. A melhor parte acontece ao fim da visita: uma demonstração de confecção de bombons, com direito a degustação.

Palácio Kinský – A antiga construção abriga uma galeria com exposições de arte. A entrada para a de Salvador Dalí, em sua maioria de gravuras, custava 150 coroas tchecas.

Museu Mucha – O museu é dedicado à vida e obra de um dos artistas mais celebrados do país: Alphonse Maria Mucha (1860-1939), um dos grandes nomes do Art Noveau. Mucha é autor de inúmeras ilustrações dessa época, entre elas cartazes, painéis decorativos e anúncios publicitários que conquistaram Paris. Seu traço é familiar até mesmo para os mais leigos. O Palácio Kinský também tem uma mostra dedicada ao artista, mas é o museu que desvenda o homem por trás dos famosos desenhos.

Viela de Ouro: Kafka morou em uma das pequenas casas coloridas dentro do complexo do Castelo

Viela de Ouro: Kafka morou em uma das pequenas casas coloridas dentro do complexo do Castelo

CASTELO DE PRAGA
A melhor atração no quesito Museus é, sem dúvida, o Castelo de Praga.
O bilhete de 350 coroas tchecas dá direito a visita à maior parte dos prédios durante dois dias. O complexo é tão grande que é melhor mesmo dividir o passeio em duas partes. Assim é possível conhecer com calma a história da construção e das figuras que por ali passaram, além de apreciar a arquitetura de cada canto e as obras de arte em exposição. A Catedral de São Vito é anunciada como a cereja do bolo, mas as filas sempre enormes são desanimadoras. Caso não esteja com disposição para ficar na espera, as demais atrações não decepcionam: Viela de Ouro, Antigo Palácio Real, Galeria de Pinturas, Torre da Pólvora, Convento de São Jorge, Basílica de São Jorge, a exposição A História do Castelo de Praga e os jardins reais. Outro destaque é a vista da cidade, a partir dos muros do castelo.

OUTRAS ATRAÇÔES
Praga na verdade é um conjunto de atrações em si. Cada prédio, cada rua, cada praça, cada esquina conta um pouco da história da cidade. Fique de olho, então, para não perder as seguintes pérolas.

As casas são identificadas por símbolos na Rua Nerudova

As casas são identificadas por símbolos na Rua Nerudova

Rua Nerudova – A rua íngreme que leva ao Castelo é salpicada de casas históricas, de uma época em que eram identificadas por símbolos nas fachadas, em vez de números. Alguns dos edifícios barrocos são ocupados hoje por embaixadas.

Palácio Wallenstein e jardins – Na descida dos jardins reais já é possível avistar os jardins do palácio deste comandante militar, que sonhou um dia tomar o lugar do rei. A construção foi luxuosamente erguida na intenção de ofuscar o castelo de Praga. Hoje abriga o Senado, mas os jardins e algumas salas são abertos à visitação.

Igreja de São Nicolau – A igreja considerada a mais bonita de Praga cobra 70 coroas tchecas de entrada. Além dos afrescos que decoram a construção, há uma exibição de pinturas do séc XVII nas galerias do segundo piso. Mas interessante mesmo é o órgão barroco, porque foi tocado por Mozart, em 1787.

Igreja de Nossa Senhora da Vitória, onde está a imagem do Menino Jesus de Praga

Igreja de Nossa Senhora da Vitória, onde está a imagem do Menino Jesus de Praga

Igreja de Nossa Senhora da Vitória ou Nossa Senhora da Glória – É o lugar de peregrinação mais famoso de Praga. Fica em Malá Strana, próximo à Igreja de São Nicolau, e guarda a imagem do Menino Jesus de Praga, além de seu precioso guarda-roupa, com peças bordadas e capas coloridas – uma delas foi bordada à mão pela Imperatriz Maria Tereza.

Ponte Carlos – A ponte erguida por Carlos IV, em 1357, é um dos principais pontos turísticos de Praga. Hoje serve apenas ao fluxo de pedestres, o que em alta temporada deve se equiparar a uma manada de búfalos.

Sinagoga Staronová – A mais antiga sinagoga da Europa, construída em 1270, sobreviveu à ocupação nazista e ainda resiste no coração do antigo bairro judeu (Josefov), hoje em boa parte ocupado por grifes de luxo. Um velho cemitério judaico, de 1478, onde foram enterradas mais de 100 mil pessoas em um espaço mínimo, fica ali perto e também vale a visita.

Capela de Belém – Fundada em 1391, a singela capela foi onde pregou o pensador e reformador Jan Hus. Hus foi condenado à fogueira por heresia, mas a capela se tornou o símbolo do movimento hussita na Boêmia.

A praça da Cidade Velha concentra várias atrações

A praça da Cidade Velha concentra várias atrações

Praça principal da Cidade Velha (Staromestske nam.) – A praça da Cidade Velha concentra edificios históricos, museus, restaurantes e uma multidão de turistas. Cuidado com batedores de carteira! São várias as atrações por lá, como o Palácio Kinský, a Igreja de Nossa Senhora Diante de Týn, outra Igreja de São Nicolau e o monumento a Jan Hus, líder da reforma religiosa. Mas a estrela do local é o Relógio Astronômico da Torre da Prefeitura, de 1490. Além de marcar o tempo de acordo com três calendários diferentes, a cada hora cheia, bonecos articulados aparecem como uma espécie de cuco e fazem a alegria dos visitantes. É possível subir na torre do relógio e apreciar uma bonita vista dessa parte da cidade.

Praça Venceslau – Uma das principais praças de Praga, concentra prédios antigos, além de abrigar a estátua de São Venceslau e o Museu Nacional.

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Personal Trip

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Nada de sombra e água fresca. Daniela gosta mesmo é de explorar o mundo, os países, as cidades por onde passa. Mal acabam as andanças das últimas férias e já começam os planos para o próximo destino.

3 Respostas para “ Praga faz jus à fama de ‘A pequena Paris’ ”

  1. Olá, Ana.
    Praga é uma cidade bastante animada e internacional. O lugar é cheio de turistas do mundo inteiro. Você não terá dificuldades para circular, visitar atrações, fazer compras ou comer nos restaurantes locais.
    Há guichês de informações para turistas nas estações ferroviárias. Mas os moradores e funcionários do setor de serviços estão tão acostumados com os turistas que dão informações através de sinais mesmo que não falem a sua língua.
    Os fiscais que circulam pelos trens, por exemplo, podem te indicar a estação correta para desembarcar. Na baldeação entre trem e metrô, como cheguei à cidade no dia 25 de dezembro, o guichê de atendimento ao turista estava excepcionalmente fechado. Mas um simpático funcionário da bilheteria nos ajudou a indicar as máquinas para a compra de bilhetes e a direção pretendida.
    Não tenha medo. As coisas costumam dar certo.
    Abraços. Boa viagem!
    Daniela

  2. Olá, estou planejando ir em final de agosto para o leste Europeu e Praga está no roteiro.Ainda não tenho companhia pra viajar, será que é muito complicado ir pra lá sozinha? Já viajei sozinha antes, mas acho que lá deve ser bem mais difícil por conta da dificuldade da língua. O que acha?

  3. Putz, fui no Castelo, passei na Viela de Ouro e não sabia que o Kafka tinha morado lá. Isso que dá não prestar atenção no audioguide…

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