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Portugal – Que nunca caiam as pontes entre nós

Terra à vista. Padrão dos Descobrimentos

Terra à vista. Padrão dos Descobrimentos

Minha história com Portugal começou como a de muitos brasileiros: dentro da família, com algum ascendente (no meu caso, por parte de pai e mãe) e continuou depois que meu marido (brasileiro) tirou sua nacionalidade portuguesa, o que despertou em mim um sentimento de carinho ainda maior pelo país. Sempre tive muita curiosidade pela terrinha, mas acabei conhecendo-a tarde, depois de já ter ido a vários países europeus. É um destino para todos os públicos e, não importa com que idade você vá, sempre vai haver algo interessante para fazer.

Vai para Lisboa? Estas são suas principais atrações.

Para day trips saindo de Lisboa, confira estas dicas.

Vai também para o Porto? Então dê uma olhada neste post.

Para dicas de Aveiro e Óbidos, clique aqui.

Já que demorei pra ir, não ia contentar-me só com Lisboa. Portugal é um pouco como a Espanha: apesar de seu território pequeno (comparando-o com Brasil), cada cantinho tem um interesse enorme concentrado – sempre com muita história.

Neste primeiro post vou falar de dicas gerais de Portugal. Boa viagem!

Chegando de madrugada à linda Estação Oriente, projetada por Santiago Calatrava

Chegando de madrugada à linda Estação do Oriente, projetada por Santiago Calatrava

LINGUAGEM

Falamos o mesmo idioma, mas, como bem se sabe, há muitas palavras e expressões diferentes para dizer o que queremos. Por exemplo, os portugueses praticamente não usam o gerúndio (só em construções no passado), substituindo-o pelo infinitivo: “Estou a buscar esta rua há horas”.  A lista abaixo traz alguns exemplos:

– Bife – Prego

– Café-da-manhã – Pequeno-almoço

– Cafezinho – Bica

– Chopp- Imperial (Em Lisboa. No Porto, o chopp chama-se Fino)

– D.Pedro I – É conhecido em Portugal como D. Pedro IV

– Embrulhar “para presente” – Embrulhar “para oferta”

– Endereço – Morada

– Ensopado – Estofado

– Entender – Perceber (“Não estou a perceber”)

– Mesas do lado de fora (de bar ou restaurante) – Esplanada

– Ônibus – Autocarro

– Porção/ Meia-porção – Dose / Meia-dose

– Por favor – Se faz favor

– Sobrenome – Apelido

– Trem – Comboio

Aliás, se quiser ler algum jornal local pra ir se acostumando com as diferenças de vocabulário, recomendo o Público, que é meio de opinião, com artigos ótimos.

Eles são bem mais formais que a gente e convém tratar as pessoas desconhecidas com certo distanciamento. É bem comum um jovem chamar outro jovem de “o senhor” ou “a senhora” se não o/a conhece ou então chamar-nos pelo nome, na terceira pessoa, mesmo falando diretamente conosco: “A Clarissa aceita um pouco mais de chá?”. Quando há intimidade, eles usam o “tu” (bem conjugado, o que é raro no Brasil). É engraçado também perceber como as novelas brasileiras estão agregando novas palavras ao vocabulário dos lusos, principalmente gírias.

COMER

Um brasileiro pode achar que não vai ver nenhuma novidade neste quesito porque, por sorte, a comida portuguesa é algo bem presente na nossa cultura. Mas Portugal é muito mais que bacalhau e vinho do Porto e cabe também contar alguns hábitos deles à mesa. Em quase todos os restaurantes (não só em Lisboa), o garçom já chega com um couvert que normalmente inclui pão, azeitonas, um ou dois miniqueijinhos tipo frescal (maravilhosos!), além do sensacional patê de peixe. O couvert normalmente não tem um preço fixo, ou seja, eles cobram os itens que você comer (mas é uma boa avisar ao garçom antes).

Assim é a alheira

Assim é a alheira

Entre os pratos típicos, os meus preferidos são o bacalhau com natas (desfiado com creme de leite) e a açorda, sopa servida dentro de um pão feita com o próprio pão, muito azeite, alho, ervas e, às vezes, ovo. Um prato bem popular é o bacalhau a Brás (desfiado com batatas e ovos mexidos). Entre os pratos de carne, se destacam o cabrito assado, a chanfana (cabra ensopada no vinho), o coelho, o borrego (cordeiro), as costeletas de porco, leitõezinhos e a alheira, um embutido feito de vários tipos de carne, temperado com muito alho e servido à milanesa com ovos e batatas (rápido e barato para quem tem pressa). Os fãs de frutos-do-mar, peixes (a sardinha é altamente recomendável) e embutidos em geral também vão se fartar por lá. Mas a minha perdição mesmo são os doces. Não tem nada igual aos pastéis de nata fresquinhos, que você encontra em qualquer padaria, assim como o toucinho do céu, a barriga de freira, a cavaca, os filhós, os ovos moles (cozidos e servidos cmo trufinhas ou dentro de uma espécie de uma massinha) e vários outros. Não pergunte muito, peça o que lhe parecer mais apetitoso na vitrine. O melhor pastel de nata se encontra em Belém, no café Pastéis de Belém (Rua de Belém, 84), onde se faz o pastel de Belém legítimo (só existe em Belém , o resto é de nata). Este café também serve saborosos pastéis de bacalhau (quitute similar ao nosso bolinho de bacalhau).

Doces, doces, doces

Doces, doces, doces

No quesito bebidas, além do famoso vinho do Porto e dos vinhos tradicionais (as regiões produtoras são Douro, Bairrada, Alentejo, Dão, Estremadura e Ribatejo), há o vinho verde (vinho jovem meio espumante), a ginjinha (licor de ginja, frutinha que lembra a cereja) e o Beirão, um digestivo muito doce que fica gostoso com gelo. Você pode provar algumas dessas bebidas em restaurantes, tascas (tavernas), adegas ou casas de pasto.

Nós não seguimos muito as dicas de restaurantes do nosso guia (era agosto e quase todos estavam fechados por férias), mas é meio como o Brasil: Há muitos restaurantes baratos, de comida boa e farta, que você encontra por acaso em praticamente todos os bairros de Lisboa. É legal aproveitar também para provar comidas típicas de ex-colônias portuguesas, como Goa (o sarapatel vem de lá), Angola ou Cabo Verde. O escondido São Cristóvão (Rua de São Cristóvão, 30, em Alfama) foi uma experiência angolana curiosa. O prato mais famoso deste quase boteco é a moamba de galinha, uma deliciosa galinha ensopada com legumes, servida por um garçom-cozinheiro figuraça e super gente boa. Totalmente oposto ao glamour do famoso café A Brasileira (Rua Garret, 120, Bairro Alto), um estabelecimento art déco que conta com uma estátua de Fernando Pessoa na porta e onde dezenas de turistas se apinham para conseguir uma mesinha e pagar caro por uma bica.

FADO

Não sou muito fã, por isso não tenho muitas dicas. Mas tanto portugueses quanto viajantes apontaram o Clube do Fado, que fica perto da Sé, como o melhor lugar para escutá-lo ao vivo. Meu Lonely Planet recomenda com reservas esse lugar, diz que é extremamente turístico e prefere sugerir o A Baiúca (Rua de São Miguel, 20, Alfama; 00 351 21 886 7284). Convém reservar nos dois casos. Para quem gosta de uma fusion, recentemente um amigo português me apresentou o Dead Combo, que faz mistura este ritmo tradicional com rock e tem influências da América e África também. Bem legal.

ADVERTÊNCIAS

Na Rua Augusta, na parte antiga da cidade e na região do Cais do Sodré há muitos, muitos traficantes e eles não podem ver alguém de fora que vão logo oferecendo algo (principalmente haxixe). Simplesmente ignore, eles não fazem nada, são só chatos mesmo. Mas é curioso como abordam as pessoas à luz do dia em algumas das zonas mais movimentadas e turísticas da cidade. No mais, vale a dica para qualquer cidade grande da Europa: olho na carteira.

Parque das Nações

Parque das Nações

AVIÃO, TREM OU ÔNIBUS

No caso de querer incluir Lisboa em algum roteiro com cidades de outros países da Europa, vale lembrar que as passagens de avião desde a Espanha e Inglaterra costumam ser baratas se você comprar com certa antecedência. Não recomendo muito encarar um ônibus partindo da Espanha porque são umas oito horas de viagem (desde Madri). A estrada é boa e há várias paradas (o autocarro não tem banheiro), mas é cansativo.

O trem internacional pode ser a opção mais cara de todas, melhor tentar mesmo alguma promoção aérea. Para viagens partindo de dentro da Europa eu olho sempre o trabber.com, um dos melhores buscadores de voos que conheci. Dá até pra registrar uns alertas, ou seja, quando pintar uma promoção, ele envia por email.

Para viagens dentro de Portugal, o ‘comboio’ funciona bem e é o jeito mais prático de fazer viagens curtas (principalmente as que surgem de última hora).

P.S.: O título “Que nunca caiam as pontes entre nós” é um verso da canção Pontes entre nós, do Pedro Abrunhosa, um dos cantores e compositores portugueses de pop rock mais legais que conheci.

Clique aqui para imprimir este post.

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

4 Respostas para “ Portugal – Que nunca caiam as pontes entre nós ”

  1. Clarissa, amei seu texto e suas dicas!!!
    Queria ter visto antes de ir para Portugal, mas a partir de agora com certeza vou checar as dicas por aqui nas próximas viagens.
    Ao contrário do que você comentou, minha relação com Portugal não vem de família, mas de uma típica brasileira filha de carioca com mineiro, sem certeza da origem da minha família. Mas como brasileira, sempre temos uma boa dose de herança lusitana e a relação entre os dois países me surpreendeu. Escrevi bastante sobre isso no meu blog, que estou registrando pensamentos e observações numa viagem de 6 meses por alguns países, principalmente Europa, e foi justamente iniciada em Portugal. http://aquioualgumlugar.com/2012/03/12/heranca-lusitana-identidade-brasileira/
    Para complementar suas dicas, eu fui numa casa de fado (adoro coisas típicas) chamada Tasca do Xico, em Alfama (tb tem no Bairro Alto). Bem legal e típico!

  2. Viva, Fabinho!!!!!
    Classinha vc tá local hein?! Amei!!!!!
    beijos gigantes

  3. Viva Lisboaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Beijos,
    Fabinho.

  4. É impossível não se apaixonar por Lisboa! Quem for ao Parque Eduardo não pode perder a estufa com várias espécies de plantas exóticas! No Oriente, vale uma passada no sensacional Pavilhão do Conhecimento! É muito fixe! No Chiado, a livraria Bertrand desde 1732 é a melhor opção para mergulhar na literatura lusa!
    Viva Portugal!

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