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Porto, beleza ‘tripeira’ com sabor a vinho

Barco rabelo com barris do vinho mais famoso de Portugal

O Porto é uma das minhas cidades favoritas no mundo. Linda e colorida, tem uma luz única, um charme irresistível, uma gastronomia de ponta e um chopp (chamado de fino) bem barato: custa em média 1,20 euro em pleno cartão-postal da cidade. Mas, como bem se sabe, quando se fala em bebida no Porto, todos lembram-se de seu vinho doce, perfeito para fechar uma boa refeição.

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Porém, uma cervejinha (de preferência a encorpada Super Bock) é a companhia ideal para ver o dia cair (ou a noite começar) durante o verão na Ribeira, calçadão à beira do Rio Douro. Melhor ainda se a vista for para a ponte Dom Luís I, maravilha da engenharia que liga a cidade a Vila Nova de Gaia – onde estão as adegas das principais produtoras de vinhos do Porto (veja abaixo).

Passeio na Ribeira, com a Ponte Dom Luís ao fundo

A cidade que deu nome a Portugal sofreu um grande processo de revitalização, passando de uma escura urbe portuária a um dos destinos mais antenados e interessantes do país. Os tripeiros (como são conhecidos os portuenses) têm uma forte rivalidade com os lisboetas, mas, na minha opinião, as duas cidades são complementares. Vale muito a pena visitar ambas.

Por que tripeiros? A explicação é histórica: a armada que partiu em 1415 para a conquista de Ceuta levou toda a carne disponível da cidade, uma generosa oferta dos portuenses, que ficaram com só as tripas dos bichos e tiveram que fazer milagres à mesa com esses restos. Daí nasceu esse gentílico, que também é uma referência a um dos pratos típicos locais, as tripas à moda do Porto. O caldo verde, a francesinha (sanduba com vários tipos de carne) e o bacalhau à Gomes de Sá – onde o peixe fica horas marinando no leite antes de ir ao forno com azeite, azeitonas, ovos cozidos e diversos temperos- também são outras delícias da região.

ROTA BÁSICA

A beleza da cidade está nos detalhes. É bem verdade que à noite vemos um ou outro bêbado chatinho pelas ruas – algo comum em quase todas as cidades portuárias. Porém, nada que pudesse desfazer a boa impressão que tive já na chegada. Sua estação de trem, a Estação de São Bento, é uma obra de arte, decorada por dentro com 20 mil azulejos (sou louca por eles) do pintor Jorge Colaço. E muitas de suas igrejas também têm esse adorno como a incrível Capela das Almas, no Bolhão, dentro do bairro (ou freguesia) Santo Idelfonso, bem cêntrico. É legal ficar hospedado por lá.

Capela das Almas

Na mesma vizinhança da Capela, vale a pena visitar seu mercado, uma das grandes atrações do Bolhão (adoro esse nome), com frutas, flores, carnes, peixes e animais vivos. Pois é, nessa cidade grande (são mais de 200 mil habitantes) ainda há quem compre a galinha para matá-la em casa. Tradição é tradição.

Entre as igrejas, destacam-se a de São Francisco (gótica de decoração barroca), a de Santa Clara e a Sé Catedral, também decorada com azulejos. Seu centro histórico é Patrimônio Mundial da Unesco e o Palácio da Bolsa é outra visita bacana para conhecer a história da cidade mais importante do norte de Portugal. É especialmente interessante para quem curte arquitetura e decoração – sua sala árabe é uma loucura.

A melhor vista do Porto é desde a Torre dos Clérigos, do século XVIII, decorada com santos e balaustradas. Suba seus 225 degraus para apreciar cada detalhe da obra do italiano Nicolau Nasoli. A foz do Douro também é um dos pontos mais lindos da cidade, onde o Oceano Atlântico encontra o rio.

O Porto é também uma referência cultural em Portugal, com muitos museus, centros de entretenimento e eventos o ano inteiro. Sua Casa da Música é considerada a sala com a melhor acústica do mundo e seu ótimo Museu de Arte Contemporánea (com obras de artistas de vários países, entre eles o brasileiro Cildo Meireles) fica dentro do Parque de Serralves, uma delícia. A festa típica mais famosa da cidade rola na véspera do dia de São João, quando todos vão para a Ribeira ver os fogos de artifício.

ENTRE CÁLICES

O vinho do Porto sempre esteve muito presente na minha vida, já que sou descendente de portugueses e me casei com outro. Foi uma das primeiras bebidas alcoólicas que provei e seu gosto docinho sempre me traz boas lembranças. No Porto, descobri suas distintas variações: o tawny, o porto branco e o ruby, todos deliciosos.

Todos os caminhos levam a um porto

As principais produtoras estão do outro lado do Douro, em Vila Nova de Gaia. A Sandeman, fundada em 1780, é a mais famosa, mas também valem uma visita a Cálem, a Taylor’s e a Ramos Pinto, entre outras. Para um overview sobre os portos em geral, dê uma passada no Solar do Porto.

Os nomes ingleses de algumas caves não são casuais. Uma das teorias a respeito da origem do porto defende que os mercadores britânicos criaram a bebida no século XVII ao acrescentarem brandy ao vinho da região do Douro, evitando que o líquido azedasse. O interesse de ingleses e escoceses por este vinho é enorme e a Grã-Bretanha é uma das maiores consumidoras de porto do mundo.

Porém, alguns portuenses asseguram que o processo de fabricação da bebida vem de muito antes e que a relação com os ingleses é mais comercial do que de criação. O que caracteriza o sabor do vinho do Porto, além do clima especial, é o fato de sua fermentação parar na fase inicial através da adição de uma forte aguardente neutra. Com isso, o açúcar das uvas não se transforma totalmente em álcool – daí seu acentuado sabor doce. Os portos são mais fortes do que os outros vinhos e sua graduação varia entre 18 e 22 graus de álcool.

Modernidade na Casa da Música

ORIENTAÇÃO

Uma das poucas críticas que eu tenho à cidade é em relação ao seu metrô. O subterrâneo é super moderno e bonito, mas um pouco confuso na hora de comprar bilhetes. Vi vários gringos perdidos em algumas estações, já que não havia informação clara em inglês (nem em português) sobre qual era o ticket ideal para quem está só visitando. Além disso, algumas plataformas não têm funcionários (nem catracas!), só máquinas. Menos mal que, uma vez no centro, não é necessário usar esse transporte público. É possível fazer tudo a pé.

Para quem não vai de trem desde Lisboa, o avião é a melhor opção, já que a TAP voa para o Porto e diversas companhias low cost ligam a cidade a outros destinos europeus. Seu aeroporto é o segundo mais importante do país.

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Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

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