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Phnom Penh vale a pena?

Meu nome é  Preah Barum Reachea Veang Chaktomuk Serei Mongkol. Mas pode me chamar de Palácio Real.

Oi, meu nome é Preah Barum Reachea Veang Chaktomuk Serei Mongkol. Mas pode me chamar de Palácio Real.

Acontece com muita gente que decide visitar o Camboja. Rapidamente a pessoa descobre que é preciso gastar no mínimo três dias em Angkor, complexo de templos que é a principal atração do país e check in indispensável no Sudeste Asiático. Em seguida, o futuro visitante fica sabendo que há voos diretos para Siem Reap (cidade base para visitar Angkor) e pensa: então, será que vale a pena desviar até a capital Phnom Penh?

Veja aqui como planejar sua ida a Angkor

Depende do que você está esperando dessa viagem. Na minha opinião, vale. Tanto que eu tinha planejado passar um dia e uma noite em Phnom Penh e acabei mudando o roteiro, fazendo uma volta danada só para voltar lá e passar mais algumas horas nesse lugar caótico (como todas as grandes cidades da região) e fascinante. Phnom Penh não é uma metrópole como Bangkok e não tem metade das maluquices e diversões de lá. Sobram trânsito, poluição, prostituição, favelas e outras grandes mazelas de uma urbe do Sudeste Asiático. Mas, para mim, visitar Phnom Penh foi uma experiência que mudou tudo.

Veja aqui dicas gerais e um roteiro para o Camboja

Esqueça a mega estrutura de Angkor, totalmente pensada para o turista. Phnom Penh é uma cidade duramente real, onde se tem contato com o dia a dia do cambojano logo de cara. E onde eu fiquei mais tocada com a história recente do país. Mas vou falar disso mais abaixo.

Motos e e puxadinhos: a cara de Phnom Penh

Motos e puxadinhos: a cara de Phnom Penh

COMO CHEGAR

O aeroporto de Phnom Penh é pequeno, muito pequeno. Arejado, mas isso não significa que seja fresco, pelo contrário. Sua estrutura meio “aberta” faz com que imediatamente tenhamos contato com a umidade e a poeira. Evite chegar na hora do rush, como eu. Demorei muuuito tempo para conseguir um táxi (que cobrava, em janeiro de 2013, cerca de 12 dólares para ir ao centro) e me rendi a um tuk tuk (que nos cobrou sete dólares até o centro). Você também pode pegar uma moto, que sai mais barato que o tuk tuk, mas eu não aconselho.

Os turistas chegam e partem também via barco, pelo rio Tonlé Sap, na altura da Street 104, no Sisowath Quay. Chegar e partir de ônibus é um tantinho mais complicado. Não que seja difícil, mas é que cada companhia parte de um ponto na cidade – o mais próximo de uma rodoviária é o Psar Thmei (Mercado Central ou Novo Mercado). Veja mais informações sobre as companhias de ônibus e seus locais de partida e chegada neste site.

UMA VEZ LÁ…

A primeira impressão ao sair do aeroporto não é boa, porém, a sensação é de déjà-vu, pelo menos para alguém que, como eu, está acostumado a passar por favelas (moro no Rio). Do tuk tuk, veículo aberto, a proximidade é total com o ambiente. Escapamentos de carro furiosos, poeira, muitas motos, gente com máscara (eu estava vindo de Bangkok, então já estava acostumada a botar o lenço no rosto para me proteger) – esse é o cenário.

No entanto, a sensação de insegurança era próxima do zero. Claro que é preciso ficar atento (furtos acontecem em qualquer lugar), mas nada comparável ao que temos no Brasil. De longe, em meio às casas e edifícios humildes, vemos arranha-céus que mais lembram o skyline de Kuala Lumpur ou Cingapura. É que Phnom Penh é uma cidade em processo de reconstrução, onde o moderno e o colonial preservado brigam com o crescimento desordenado e os reflexos do que a cidade sofreu em seu passado recente.

Redes de arame farpado em Tuol Sleng: para evitar que os presos se suicidassem

Redes de arame farpado em Tuol Sleng: para evitar que os presos se suicidassem

Há até pouco tempo (de 1975 a 1979), a capital era uma cidade fantasma, abandonada por seus moradores à força durante o regime do Khmer Vermelho. Se você não curte História, pode pular para o item seguinte ou mesmo abandonar este post, pois uma das razões por que escolhi ir a Phnom Penh foi justamente para entender um pouco a tragédia que foi esse período no Camboja. Destruída, saqueada, violada em todos os sentidos, Phnom Penh era, até então, uma cidade em pleno crescimento, conhecida como Pérola da Ásia. Foi evacuada e ainda cura suas feridas – expostas, literalmente, em muitos dos sobreviventes.

Isso porque, não apenas em Phnom Penh, mas em todo o Camboja, temos contato o tempo inteiro com vítimas do regime. Mutilados são os pedintes mais frequentes e isso é realmente algo duro de se encarar. Eles estão em todas as atrações turísticas, mas se concentram especialmente nas atrações de cunho histórico, como o primeiro item abaixo.

O QUE VER

a) Se você tem nervos de aço:

Museu Tuol Sleng – Este museu, também conhecido como Museu do Genocídio, foi um divisor de águas na minha viagem inteira. É difícil descrever o que se sente lá. Trata-se de uma antiga escola que foi transformada em prisão e centro de interrogatório do regime de Pol Pot. O silêncio no pátio principal, construído originalmente para o recreio de adolescentes, é algo opressor. Há placas em que se pede para não sorrir nem falar alto, em respeito à história daquele lugar.

As salas guardam ainda as camas de ferro, correntes, instrumentos de tortura. E muita, muita informação. Fotos das centenas de pessoas que passaram por lá, depoimentos de gente que acreditava no regime, de gente que foi torturada, de quem se arrependeu por escolher um lado, de quem não fazia ideia do que realmente acontecia, enfim, um apanhado fantástico desse quebra-cabeça.

Em alguns andares, há redes arame farpado. Era para evitar que os presos se suicidassem.

Não consegui ver tudo. Fiquei um bom tempo catatônica sentada no pátio pensando no que havia visto. Mas ainda guardei energia para a sala mais dura de todas: a que reúne dezenas e dezenas de crânios das pessoas que morreram no regime. Quando voltei para o Brasil, encontrei este depoimento sobre o museu. É exatamente o que senti.

Campos de Extermínio de Choeung Ek – Não tive forças nem estrutura emocional para ir até lá, principalmente depois que descobri que a concessão dessa “atração” foi dada a uma empresa japonesa – o que deixou muitos familiares de vítimas revoltados. Mas quem já visitou um campo de concentração nazista pode ser que aguente ver o local onde mais de 17 mil pessoas foram exterminadas e que guarda oito mil crânios e roupas dessas vítimas.

Monges e seus trajes cor de açafrao

Monges e seus trajes cor de açafrao

b) Se quiser ver também (ou apenas) o lado bonito da cidade – ou “vamos relaxar agora”

É muito gostoso passear pelo calçadão à beira do rio Tonlé Sap, no Sisowath Quay, onde você encontra passeios de barco de poucas horas. Do outro lado da rua, além de bares e restaurantes bem legais (alguns meio turistões, outros mais aconchegantes, como os que recomendo mais abaixo), estão duas das edificações mais bonitas da cidade, o Palácio Real (cujo nome khmer é Preah Barum Reachea Veang Chaktomuk Serei Mongkol) e o Silver Pagoda (Wat Preah Keo).

O Palácio Real é todo ornado no estilo arquitetônico khmer e fica em frente ao encontro do Tonlé Sap com o rio Mekong. Tem uns jardins lindos, perfeitos para descansar. Por sua vez, o Wat Preah Keo conta com mais de 5.000 telhas de prata (daí o apelido Silver Pagoda) e com um buda verde-esmeralda, feito com cristal Baccarat. Também tem um buda dourado de 90 quilos e cravejado com 9.584 diamantes.

Entrando no Wat Phnom

Entrando no Wat Phnom

Um pouco mais afastado está o Wat Phnom, onde acredita-se que nasceu a cidade. Trata-se do ponto mais alto de Phnom Penh, onde, em 1373, um templo teria sido construído por uma mulher chamada Penh para abrigar quatro estátuas de buda que ela encontrou boiando no Mekong. Hoje, o lugar é uma espécie de parque com templos. Cuidado com os macaquinhos por lá, que costumam interagir com os visitantes (e às vezes mordem!).

Por último, vale dar um passeio pelo Mercado Central, que abre cedinho e tem entre suas barracas mais bonitas as de flores.

COMER POR UMA BOA CAUSA

Apesar de ainda ter muitos problemas, pobreza e desigualdade, uma nova história está sendo escrita no Camboja e em Phnom Penh. Uma das iniciativas mais bacanas, no Sudeste Asiático em geral, é o chamado turismo good cause, no qual estabelecimentos revertem parte ou toda a renda para causas sociais e vítimas dos conflitos. E em Phnom Penh há vários.

Eu recomendo dois restaurantes que têm esse perfil: o Friends e o Romdeng (que fica numa casa colonial e serve até as exóticas aranhas fritas). Estão sempre cheios, mas valem a pena.

Outro bem gostoso e especializado em comida khmer (mas que não é beneficente) é o Khmer Borane, de frente para o rio.

ONDE FICAR

Ficamos no centro, bem próximos ao Mercado Central e curtimos o Green Centre Point. Não tem grandes luxos, mas era bem limpo, moderno, com wi-fi incluído e um staff super prestativo. Eles ajudaram muito a decidir como íamos para Siem Reap e até compraram para nós as passagens de ônibus. Sem contar que o hotel dá vários miniguias de papel da cidade, cada um especializado em algo (restaurantes, noite, atrações).

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Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

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