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Pelas ruas de Berlim

O muro caiu há vinte anos, mas ainda é possível identificar claramente a diferença entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental. Enquanto Berlim Ocidental tem prédios enormes e modernos, no lado oriental você ainda vê as construções de tijolinhos que acabaram se tornando símbolo do comunismo. A parte oriental começou a ser recuperada principalmente por jovens artistas que foram em busca de apartamentos baratos depois da queda do muro. Em alguns lugares essa “reconstrução” acabou criando um lugar ainda mais original, em outros pontos ela ainda está só começando.

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Surpresas pelo caminho

MITTE

Mitte em alemão significa meio. E digamos que o bairro de Mitte é mesmo o meio do caminhos entre as antigas Berlim Oriental e Ocidental. É dos bairros da parte oriental o mais pop. É também entupido de turistas. Lá você não vê exatamente o que era Berlim Oriental – embora os prédios de tijolinhos estejam em todas as esquinas. Mitte criou uma identidade própria. É o exemplo de como a junção de dois lados se deu sem que um conseguisse se sobrepor ao outro. Essa Berlim – 20 anos depois – não tem a cara ocidental, nem oriental. Tem uma nova cara, e parte dessa cara está em Mitte. Onde engravatados e punks se encontram na fila da padaria. Onde bêbados dão bom dia às senhoras às 6h da manhã. Onde uma enorme sinagoga é vizinha do prédio de uma antiga fábrica símbolo e orgulho da era comunista.

PRENZLAUER BERG

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Um dia feliz em Prenzlauer Berg

Prenzlauer está para Berlim assim como Santa Teresa está para o Rio de Janeiro. Prenzlauer Berg e Santa Teresa são os bairros escolhidos por artistas para fixar morada. E, em qualquer lugar do mundo, isso quer dizer que você vai encontrar muitas coisas interessantes nas suas andanças. Ateliês, shows, restaurantes com música ao vivo, exposições no meio da rua, isso tudo é a cara da Prenzlauer. Se você é amante de brechós deve considerar passar meio dia só circulando pelas ruas do bairro e se enfiando nas menores portinhas com roupinhas penduradas. O garimpo tem recompensa garantida. Se estiver dia um dia bonito, se delicie também em uma das cervejarias com jardim que costumam ter shows gratuitos principalmente no verão. Se eu morasse e Berlim, certamente seria lá.

KREUZBERG

Poucos turistas se aventuram por Kreuzberg que até uma década atrás era renegado até pelos próprios berlinenses. Mas se você quer ver ao vivo o clima que viu em ‘Adeus Lênin’, é la que deve começar a procurar. O bairro começou a ser descoberto também por artistas que estavam fugindo dos altos preços dos imóveis praticados depois que Prenzlauer virou cool. A não ser que as coisas tenham mudado muito em dois anos – e em Berlim isso é possível. Já até comentaram aí embaixo – essa revitalização ainda estava muito no começo. Casas abandonadas, mendigos e punks estavam por todos os lados quando circulamos por lá.

Passado o susto – e um pouco de medo, eu confesso – nós ficamos encantados com o bairro. Foi lá que eu realmente consegui entender as diferenças entre os dois lados da cidade. Eu recomendo muito o passeio. Mas se você quiser encarar a empreitada alguns cuidados são recomendáveis para você ter um passeio incrível e não traumático: vá de dia e se planeje pra voltar antes de escurecer, não há muita gente pela rua por lá. Tenha o bilhete do metrô, as três estações em que estivemos eram bem pequenas e com máquinas só em alemão. E tenha um mapinha, lá tem muita gente mais velha, nem todo mundo fala inglês.

E porque Berlim não é só a parte Oriental, quem visita a cidade deve ir na parte Ocidental. Dê um passeio por Charlottenburg, até porque nessa região estão também muitas atrações turísticas da cidade. Para quem viu ou leu Christiane F. vale uma passada na estação do metrô de Zoologischer Garten, que é onde a história da adolescente se passou.

DUAS RUAS, UMA CIDADE

Duas enormes ruas são as principais e falam muito sobre Berlim. Unter den Linden, era o cartão postal da RDA, a antiga Alemanha comunista. Os turistas que tinham permissão para visitar a parte oriental de Berlim normalmente tinham visto de apenas algumas horas. E eram obrigados a ficar sempre ao redor da Unter den Linden, que foi já planejada como uma forma de servir de propaganda do sistema comunista. Já a Kufursterdam é uma espécie de Champs Elysee berlinense. Isso porque é lá que estão as lojas de todas as marcas de luxo do mundo. Durante muitos anos ela foi o símbolo da Berlim Ocidental e continuava hoje sendo um dos pontos turísticos da cidade.

ONDE FICAR

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Nosso endereço em Mitte, o S no fundo é a estação do metrô

Não faço ideia de onde me hospedei a primeira vez que estive lá, em 97. Mas tenho duas convicções: foi na parte ocidental da cidade e em um albergue (que por sinal é mais uma das contribuições alemãs para o mundo!) Mas em 2007 conversei com amigos alemães pedindo indicação de onde ficar, eles não tiveram a menor dúvida: Mitte!

O bairro agrada aos viajantes por um item muito importante: é prático. Mitte está perto de várias das atrações berlinenses. E embora o metrô seja algo espetacular você poderá fazer várias coisas a pé de lá. Existe zilhões de albergues. Nos escolhemos o The Heart of Gold Hostel Berlin. Um ótimo quarto de casal, bem localizado, com várias estações de metrô perto – mas você pode ir a pé pra ilha dos museus, café da manhã excelente e um bar que vendia uma cerveja providencial pro fim do dia.

O hostelworld e o hostels.com funcionam super bem para a Alemanha, mas existe um site só com hostels alemães que tem infos mais completas sobre os albegues e hotéis do país. Vale a pena conferir. A página abre em alemão mas é só clicar nas bandeirinhas para ler tudo em inglês, francês, espanhol e até português!

Amanhã um roteirinho para conhecer todos os ângulos do que restou do muro de Berlim!

Mais Berlim aqui

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Personal Trip

About the Author

Destinos exóticos e desconhecidos. É em lugares assim que Reba prefere passar as férias. Isso deve ser uma desculpa para poder passar os outros 11 meses do ano planejando a viagem.

4 Respostas para “ Pelas ruas de Berlim ”

  1. Oi Martha,
    Cada um desses bairros de Berlim que você citou tem diversas estações de metrô. Fica difícil indicar onde descer sem saber exatamente aonde você quer ir. Da mesma forma, fica impossível dizer de onde você deve sair para chegar aos pontos turísticos que citou. O que podemos dizer é que as estações mais próximas do Checkpoint Charlie são Stadmitte e Kochstrasse. Para o Mauerpark, estação Esberwalder Strasse. Para o Memorial do Muro, Bernauer Strasse ou Nordbanhof. As estações de metrô e o aeroporto têm mapas gratuitos do metrô. O melhor a fazer para se guiar é pegar o seu logo que você chegar.
    Boa viagem!
    Abraços
    Flávia

  2. Meninas Viajantes,
    Meu nome é Martha, sou uma cinquentona que adora viajar! Li todos os Post sobre a Alemanha de voces e tirei muitas dicas. Desde já , o meu muito obrigada! Estou indo em Julho.
    Gostaria que , se possivel, me digam: qual o metro que pego para ir nos seguintes bairros e qual estacao devo descer ? Kreuzberg, Prenzlauer Berg, Schoneberg,Friedrichshain .
    Outra dúvida: para ir no Checkpoint Charlie , Memorial do Muro, MauerPark , qual o metro que pego e em qual estacao devo descer?
    Muito obrigada,
    Vou aguardar, o retorno.
    Bjs.
    Martha .

  3. Oi Ras,
    Obrigada pelas atualizações.

    Beijos

  4. Gostaria de dizer que a Kreuzberg falada acima nao condiz mais hoje em dia com a realidade descrita no texto. Nos últimos 4 anos, Kreuzberg se transformou numa atracao turística forte durante o verao. Milhares e milhares de turistas circulam em suas ruas e enchem seus hoteis, cefeterias, cervejarias, etc. Casas noturnas e discotecas surgiram e a vida noturna se transformou no que eu chamo brincando de “Baixo Leblon Kreuzberg”. Além de que está se transformando rapidamente com uma grande especulacao imobiliária, com a vinda de uma classe abastada, que quer incluisve expulsar as figuras tradicionais do bairro. Isso tem gerado conflitos entre os antigos e tradicionais moradores e a “burguesia invasora” com chamam o Movimentos autonomos de resistencia da regiao.
    Além do mais, Kreuzberg é a “pequena Istambul”, dominada pela maioria turca e seus comércios varejeiros que abastecem a populacao local e é a nossa vizinhanca juntamente com os africanos, latinos, indus, vietnamitas. Uma gama colorida e variada de povos e culturas, que só em Kreuzberg poderia oferecer de maneira imensa e rica.
    Moro em Kreuzberg há 6 anos e nao pretendo sair daqui de jeito nenhum. Aqui é o meu Kiez. Como Santa Tereza é o meu Kiez no Rio de Janeiro. Por isso gostaria de sugerir que atualizassem essa referencia de Kreuzberg, pois nao condiz mais com a realidade viva e cotidiana desse belo e histórico bairro da Berlin multikulti.

    Obrigado,

    Ras Adauto Berlin

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