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Pela Índia: a injustiçada Delhi

– Delhi é horrível.

Isso foi o que me disseram nove de cada dez turistas com quem eu conversei na Índia. Eu confesso que essa também foi a minha primeira impressão. Mas depois eu descobri que esse sentimento é mais pelo impacto do primeiro contato com a Índia do que pela cidade em si. Delhi guarda atrações incríveis. Mas a primeira impressão é esquisita. Hoje, meu conselho é o seguinte: se a diferença na tarifa aérea não for muito grande, chegue por Mumbai. Lá é mais cosmopolita e o “choque cultural” é menor. Um pouco mais ambientado com a cultura local você vai poder ver Delhi com os olhos que ela merece.

A capital indiana tem passeios incríveis

A capital indiana tem passeios incríveis

CHEGANDO

O aeroporto é um lixo. Eles estão reformado e eu não duvido que esteja pronto logo logo (os números da economia indiana confirmam o poder deles) mas por enquanto ele parece mais uma rodoviária do que um aeroporto. Nosso hotel oferecia um serviço de traslado e sinceramente eu acho que isso é fundamental. Afinal tem aquela história dos motoristas de táxi quererem te levar a qualquer custo pra outro hotel. E a não ser que você ja esteja vindo de outro país asiático, barganhar com os motoristas de rickshaw logo na chegada pode ser complicado.

Se você for chegar ou sair pela estação de trem é bom saber que existem duas. Uma principal onde é possível chegar de trem e outra que fica no fim da cidade! (nós fomos parar nessa estação por obra de um motorista de táxi que até agora a gente não sabe se era enrolado ou safado mesmo). De resto, a mesma coisa: estação cheia, suja e enorme.


ATRAÇÕES

Delhi é quase sempre ponto de chegada ou partida para quase todo mundo que visita a Índia. Então, aproveite essa parada obrigatória e reserve pelo menos dois dias pra cidade. Eu sinceramente não cogito indicar que não se fique em Delhi, é lá que você vai encontrar algumas dos melhores passeios da Índia.

Parece o Taj Mahal mas não é.

Parece o Taj Mahal mas não é.

Humayuns Tomb – Foi das coisas mais impressionantes que eu já vi na minha vida. Todo mundo só fala do Taj Mahal, mas a verdade é que Humayuns é tão impressionante quanto. Lá também é um mausoléu.  Humayuns é na verdade um conjunto de tumbas (e antes que você pense que isso é mórbido é bom lembra que o Taj Mahal também é uma tumba) cercado por jardins maravilhosos. As construções feitas pelos mongóis são todas vermelhas e ficam com uma cor ainda mais especial perto do pôr do sol. Aliás, esse é justamente o horário de fechamento. As tumbas na Índia costumam funcionar do nascer ao pôr do sol. Espere gastar umas três ou quatro horas se você planeja ver tudo com calma. E a dica principal: não vá perto do meio-dia se você estiver em Delhi durante o verão. As sombras são raríssimas e o passeio pode virar martírio.

Red Fort – Taí um outro programa obrigatório que vai tomar pelo menos metade do seu dia. Mas não se preocupe, vai valer a pena. A imensidão da construção vai te deixar impressionado logo de cara. São 2 km de muro, que tem uma altura de 18 metros na parte do rio e 30 metros do lado que dá para a cidade. Aliás, dentro funcionava mesmo uma cidade, então quem entra  já se depara com um corredor com umas lojinhas que na época vendiam comida e hoje vendem produtos e artesanatos indianos. O forte é gigantesco e eu visitei com auxílio do Lonely Planet que me ajudou a entender o que tudo aquilo significava. Se você não estiver com ele eu recomendo que compre um mapinha na entrada pra aproveitar melhor a visita. Há a possibilidade de contratar um guia, o que nós não fizemos pra poder ver tudo no nosso tempo. E não esquece de reparar nos desenhos feitos no mármore. É a mesma técnica usada no Taj Mahal. O conselho é o mesmo das tumbas: evite os horários de pico do sol.

A mesquita e o traje adequado

A mesquita e o traje adequado

Jama Masjid – É a maior mesquita da Índia. E uma das construções mais lindas de Delhi. A entrada é de graça e você paga uma taxa pela câmera de tirar foto. Nem pense em não pagar, o local é certeza de fotos maravilhosas. Como qualquer outra mesquita, Jama Masjid não abre nas sextas-feiras e você também terá que tirar o sapato pra entrar. Mas não se preocupe que eles criaram um corredor de tapetes por onde você pode circular sem queimar os pés. Homens que estiverem de bermudas terão que enrolar um pano nas pernas e mulheres também precisam vestir um vestido pra cobrir os braços e pernas. Cabeças podem ficar descobertas.  Eles têm todo o aparato na entrada. Não é preciso pagar mas eles esperam uma gorjeta no fim da visita. Dentro da mesquita você também pode subir numa enorme torre para onde é cobrado um ticket separado. A vista também vale a pena, além da visão espetacular da mesquita, você terá uma vista de Delhi que certamente vai deixá-lo sem ar.

É um pouco assustador mas vale a pena...

É um pouco assustador mas vale a pena...

Old Delhi – Tanto o Red Fort quanto Jama Masjid ficam na parte velha da cidade. Por isso, no dia em que você planejar esses passeios, reserve um tempinho pra também circular pela região e descobrir coisas que só andando por lá você vai encontrar. As ruas estão sempre lotadas, então tenha paciência. A região também é super suja mas tente relevar esse aspecto pra que isso não estrague o seu passeio. Esteja atento pra descobrir pequenos templos e lojinhas escondidas. No coração da região fica o Chowri Bazzar, um enorme mercado que vai valer mais pela experiência antropológica do que pelas compras em si. Old Delhi também é um emaranhado de pequenas ruas que muitas vezes nao são muito convidativas, mas deixe de lado o preconceito inicial e explore mesmo a região. Apesar de parecer caótico não tivemos problema com segurança, nosso maior medo foi não conseguir encontrar o caminho de volta. Se você se perder pegue um rickshaw e volte até os pontos turísticos.

Cúpula de ouro

Cúpula de ouro

Gurdwara Bangla Sahib – esse é o templo dos sikhs e foi um dos passeios que eu mais gostei em Delhi. Os sikhs são aquelas pessoas que usam turbante porque a religião os impede de cortar o cabelo (o primeiro ministro indiano, por exemplo, é sikh). Eles são minoria entre hindus e mulçumanos mas como o turbante chama muita atenção (e na Índia mesmo a minoria é muuuita gente) você vai vê-los por todo canto. Além de ter a oportunidade de entrar em contato com uma outra religião, eles são absolutamente simpáticos. Ao chegar você será convidado a entrar numa espécie de escritório onde uma pessoa muito simpática lhe explicará tudo sobre a religião e também como se comportar dentro do templo. Ao entrar você vai se deparar com prédios liiiindos demais. Você terá que cobrir a cabeça (eles dão panos lá, caso você não tenha) e pode entrar no templo, sentar no chão e apreciar a beleza das pessoas cantando. Na saída você vai passar pelo ritual de ganhar uma espécie de doce pra comer. Visualmente a comida não é muito bonita mas o gosto é ótimo. Se você não quiser simplesmente nao aceite, isso não é problema. Se você topar fazer parte do ritual, aproveite o momento pra agradecer e não pra fazer pedidos. Foi isso que nos ensinaram lá.

Parece Paris mas é Nova Delhi

Parece Paris mas é Nova Delhi

Índia Gate – é o Arco do Triunfo indiano. Foi construído pra lembrar a morte dos soldados indianos na Primeira Guerra. Você não levaria mais do que meia hora visitando o local. Tempo que pode se transformar em horas se você aceitar tirar fotos com todos que te pedem. (mais infos sobre indianos que pedem fotos aqui).

Safdarjang Tomb – Outra tumba, não é tão grandiosa quanto Humayuns mas vale muito a visita se você tiver tempo.

Isso foi o que a gente conseguiu ver em três dias em Delhi, se você tiver mais tempo inclua também o Lotus Temple, Qutb Minar e Hauz Khas. Algumas das atrações podem ser acessadas pelo metrô, outras você vai precisar do rickshaw. Um modo fácil – mas não tão barato – é fechar um preço com o motorista de rickshaw para que ele te leve em todos os lugares que você quer ir. Se você for fazer esse esquema deixe bem claro os lugares que deseja visitar. E também que vai demorar o tempo que quiser, isso porque uma vez fechado o acordo é super difícil que eles aceitem alguma mudança de plano sem te cobrar muito a mais por isso.

ANDANDO NA CIDADE

Trânsito caótico

Trânsito caótico

As ruas em Delhi não tem nome. Apenas números, então na hora de pegar um rickshaw ou um táxi indique algum lugar conhecido como um ponto turístico ou um hotel. Nós tivemos uma péssima experiência de tentar chegar a um restaurante guiando o motorista por um mapa. Depois de uma hora perdidos resolvemos saltar no meio da rua. (e acabamos encontrando o restaurante por pura sorte). O metrô funciona super bem e assim como o aeroporto está em expansão. Mas tenha paciência. Em todas as estações é preciso passar por um detector de metais – uma fila pra homem e outra para mulher – e nas estações mais movimentadas a bolsa também será escaneada. Tenha na ponta na língua o nome da estação para onde quer ir porque as tarifas são diferenciadas. O bilhete é um círculo de plástico magnetizado que você encosta na catraca e ela abre. Guarde-a com você porque vai precisar dela de novo quando for sair. Não nos aventuramos nos ônibus. E se for pra alguma área onde não há metrô o melhor são sempre os rickshaws. Bem mais baratos e rápidos do que os táxis. Mas não esqueça de combinar o preço antes de entrar, eles simplesmente ignoram o taxímetro quando veem um turista. Se você insistir pode demor horas até achar alguém que tope um preço que não seja fechado. Nós não encontramos. E tente evitar se deslocar no horário do rush. O trânsito é caótico.

HOSPEDAGEM

Delhi de cima: imensa

Delhi de cima: imensa

Isso foi um grande problema antes de viajar: onde ficar em Delhi. O bairro mais central é Connaught Place. Mas lá é uma dificuldade pra achar algum hotel que valha ao menos metade dos preços que eles cobram. Acabamos ficando em Karol Bagh, que é o próximo bairro depois de Connaught. Meu critério foi proximidade do metrô porque eu achei que seria mais prático e eu ficaria menos refém dos motoristas de rickshaw. O pensamento foi correto mas Karol Bagh não é exatamente o melhor lugar pra se ficar. O bairro é muito residencial e está bem longe da área nobre da cidade. Enfim, mas pra nós valeu o custo benefício. Ficamos no Dandoo Holiday Home. Quando você chega é meio bizarro. Os caras montaram uma pensão no quinto andar de prédio completamente residencial. Ou seja, você entra e passa pela casa de pessoas que estão chegando do trabalho, cozinhando, se preparando pra ir ao colégio… mas o preço era ótimo, ficava bem pertinho do metrô, tinha café da manhã incluído (fato raro) e mais importante era limpo e tinha ar condicionado. E transfer do aeroporto. Isso é imprescindível, na minha opinião. Ah, e se você optar pelo Dandoo não acredite nas fotos que verá na internet. Aliás, isso é regra na Índia, jamais se guie pelas fotos nos sites dos hotéis. Uma outra coisa é: eles vão sempre te oferecer e insistir muito pra que você compre milhões de passeios com guias e tudo agendado. Nós preferimos passeios por conta própria. Não foi tão fácil, mas valeu a pena.

COMPRAS

Eu imaginei que acharia apenas coisas lindas e maravilhosas pra comprar na Índia. Ledo engano. Tudo que é exportado é realmente lindo mas, como qualquer país de terceiro mundo, o mercado interno acaba com muitas porcarias como opção. Em feiras eu achei muitas coisas curiosas mas nada realmente lindo. Em compensação, foi na Anokhi e na Fabindia que eu deixei todas as minhas rúpias. É lá que você vai encontrar aquelas saias, panos e batas lindas e coloridésimas. Quem quiser modelos mais indianos como sáris também vai achar por lá. Minhas compras foram feitas no Kahn Market, que é uma espécie de shopping a céu aberto com lojas e restaurantes descoladinhos. É só pedir ao motorista de rickshaw pra ir ao Kahn Market, todo mundo conhece.

COMENDO

Ali no meio parece quiabo mas é pimenta

Ali no meio parece quiabo mas é pimenta

A gente comeu de tudo em Delhi. Muita coisa boa e muita coisa ruim também. Digno de nota apenas o Punjab by Nature, lindo, delicioso, com talheres de prata e preços altos pro padrão indiano e baixos pra quem ganha em real. E também o Not just Parathas, que como o nome diz serve não só mas muitas parathas, que é uma espécie de crepe indiano maravilhoso. Se você não se adaptar ou estiver cansado da masala, que é o que mundo conhece como curry, pode tentar os cafés do Kahn Market ou do GKII. Lá você encontra comida ocidental.

ESQUISITICES

Prepare a máquina: as crianças não sossegam se não forem fotografadas

Prepare a máquina: as crianças não sossegam se não forem fotografadas

O choque cultural está em todo canto e isso gera também situações bizarras. Mas em Delhi eu tive uma experiência que acho que nunca vou esquecer em toda a minha vida. Foi impressionante como todas as pessoas esbarravam em mim o tempo todo na rua, mesmo que houvesse espaço suficiente pra duas pessoas andarem sem se tocar. Comecei a achar aquilo bizarro quando descobri que o meu namorado não recebia nenhum encontrão. Foi quando duas amigas brasileiras que moram lá nos explicaram que homens indianos são loucos por ombro (???) e braços. E que os encontrões eram apenas uma desculpa pra encostar em mim. Ou seja, é o passar a mão na bunda indiano!! Em pouco tempo descobri que encará-los não é a melhor tática. Quando uma mulher olha indiano nos olhos é sinal de interesse explícito. E isso não é nada bem visto. No fim das contas você só acaba sendo alvo de mais investidas. O melhor é não olhá-los e se estiver acompanhada peça que o homem encare os sujeitos que vem em sua direção. Isso dá certo. Indianos não dão em cima de mulheres acompanhadas. Outro ponto importante é: Delhi é uma cidade grande mas conservadorésima. É nítido isso em relação principalmente à Mumbai e até mesmo à outras cidades indianas menores. Se estiver acompanhada não beije em público e em alguns lugares casais de mãos dadas também são alvo de olhares de reprovação. Sobre as roupas vale os conselhos indianos ao quadrado: saias longas e blusas que cubram os ombros. Se o calor der uma trégua vale ainda investir num lenço. Deixe as transparências, calças apertadas, saias curtas e shorts pra Mumbai.

Achou que nas grandes cidades não tem vacas? Olha elas aí parando o trânsito.

Achou que nas grandes cidades não tem vacas? Olha elas aí parando o trânsito.

SEGURANÇA

Nas ruas estreitas e esquisitas da cidade velha, no nosso bairro aprentava ser de classe média baixa, no baladinho bairro de Connaught ou no exclusivo GKII a sensação foi a mesma: segurança. Eu confesso que, às vezes, me rendi ao espírito natural dos cariocas de ficar andando olhando pra todos os lados e com atenção redobradas nas bolsas, mas não passei por absolutamente nenhuma situação que justificasse a neurose. Já o perigo do terrorismo – é difícil de prever, mas – está presente. Isso fica óbvio na quantidade de detectores de metais que você passa ao longo do dia. Metrô, centros comerciais, pontos turísticos, Mcdonald’s… em todos esses lugares você vai ter que tirar as moedas do bolso pra não ser parado pelo apito.

NIGHT

Esqueça. Até quem mora lá reclama da falta de opção pra sair. E os poucos lugares descoladinhos que vimos (mas que não vendiam cerveja) fecharam meia-noite. Esses barzinhos ficam em Counnaught ou no GKII. Aproveite pra dormir cedo e curtir a cidade de dia.

Personal Trip

About the Author

Destinos exóticos e desconhecidos. É em lugares assim que Reba prefere passar as férias. Isso deve ser uma desculpa para poder passar os outros 11 meses do ano planejando a viagem.

6 Respostas para “ Pela Índia: a injustiçada Delhi ”

  1. Na verdade existe sim vida noturna em Delhi, estive la em janeiro de 2015 e fui a bares e inclusive uma balada eletrônica chamada RSVP, a qual locais me indicaram em um bar chamado THE VAULT CAFE.

  2. Oi Mariana,
    O lugar mais central de Delhi é Connaught Place. Mas eu acho que mais importante do que ficar em um lugar central é vc contratar um motorista de táxi ou de tuk tuk para ficar com vcs o dia todo. Lá tudo é barato e certamente vai valer a pena porque eles te levarão em todos os lugares e vc nao terão que se preocupar e nem perder tempo com o deslocamento. Qualquer motorista que vc parar certamente vai topar esse esquema, só não esqueça de barganhar antes de fechar o preço. Na Índia barganhar é quase um esporte. O táxi é mais caro e confortável, ja o tuk tuk é mais divertido, depende do tipo de viajantes que vc é.
    Em Mumbai deve visitar a área próximo ao porto onde ficam o portão da Índia e outras vários pontos turísticos. Tb recomendo fortemente um passeio até Elephant Island. O lugar é incrível.
    Pra comprar o melhor lugar é o bairro de Bandhra. Mas procure a Fabindia, é uma rede grande e realmente linda.
    Boa viagem!
    beijos

  3. Olá!!

    Para visitar o Hamayuns, Red Fort, Jama Masjid, Gudwara Bangla Sahib em apenas dois dias, que lugar recomenda nos hospedarmos, pois só teremos um dia antes de irmos para Rishikesh e depois um dia antes de seguirmos para Mumbai. Queria ver pelo menos uns três lugares sagrados. É melhor se hospedar próximo?

    Tem dicas de lugares para visitar em Mumbai. Onde comprar também?

    Obrigada!!

    abraço carinhoso, Mariana

  4. gente, adorei essa ideia do blog! parabens, tá óóótimo!! saudades de vcs! beijos

  5. Renata só não falou do calor. E da poeira. E de como é divertido (NOT) ficar perdido nas ruas sem nome de Délhi.

    No mais, Délhi é única. Como, aliás, toda a Índia.

  6. Eu quero!!!

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