Patagônia: um roteiro pelo fim do mundo
Marcelle, que é amiga do blog, está pensando na Patagônia como o próximo destino. Por isso, a gente resolveu fazer um post com um roteirinho e dar uma força para que ela possa aproveitar ao máximo aquelas paisagens deslumbrantes.
Qualquer um que está planejando férias pela Patagônia precisa saber que aquele inóspito pedaço de terra oferece diversão para qualquer tipo de viajante. Não importa se você é mais aventureiro ou gosta de conforto, se está interessado em desbravar os limites do continente ou se quer apenas descansar, beber um vinho e curtir belas paisagens, qualquer um que pise na Terra do Fogo, que é como os argentinos chamam o fim da América do Sul, vai ficar muito impressionado com as paisagens. E certamente se apaixonar.
MAS POR QUE A PATAGÔNIA?
Primeiro de tudo por causa dos glaciares. Eles estão na Patagônia, na Nova Zelândia ou nos pólos. Como os dois últimos ficam um pouco mais distantes, a Patagônia é o destino para curtir essa coisa maravilhosa. Os glaciares são formados por camadas sucessivas de neve, que foram compactadas. É como se fossem imensas “ilhas” de gelo que se formaram ao longo de milhões de anos. Os glaciares estão derretendo desde 1850 e o processo aumentou nos últimos anos, então sabe aqueles lugares que você precisa ir logo? A Patagônia é um desses destinos.
Além dos glaciares, a Patagônia é literalmente o fim do mundo. É um pouco cafona, eu sei, mas confesso que fiquei emocionada de olhar para o mar e pensar que ali acaba o continente.
Tem o azul. Eu acho que o azul do mar, do gelo e dos glaciares não conseguiu ser reproduzido em nenhuma palheta de cores já criada no mundo. Só que isso também acaba sendo motivo de frustação. Por quê? Nenhuma foto consegue retratar aquela cor. Mais uma razão pra ir lá pessoalmente.
Os pinguins e os seus irmãos cormoranes. Precisa dizer mais alguma coisa?
As paisagens e o calafate. Estão na Patagônia algumas das paisagens mais lindas que eu ja vi na minha vida. E o calafate é uma espécie de açaí da Paragônia. Uma frutinha que só tem lá (eu confesso que adoooro coisas que a gente só encontra em um único lugar do mundo).
OS ROTEIROS
Para quem está planejando a viagem é importante saber que há a Patagônia argentina e a Patagônia chilena. O roteiro pode contemplar apenas uma delas ou misturar as duas. Da Patagônia argentina as cidades mais importantes são Ushuaia, El Calafate – porta de entrada pra parque Perito Moreno – e El Chaltén. Do lado chileno os viajantes costumam ir a Punta Arenas e Puerto Natales – cidade para se chegar ao Parque de Torres del Paine.
Na Argentina
O roteiro pode começar por El Calafate, El Chaltén e por último Ushuaia. Ou, claro, ao contrário. Lembrando que quem for a El Chaltén precisa sair e depois voltar para El Calafate. É impossível ir de/para Ushuaia de lá. É importante também dizer que se El Calafate e Ushuaia são destinos obrigatórios, o mesmo não vale para El Chaltén. A cidade é sem menor sombra de dúvida a minha preferida na Patagônia, mas ela deve ser estar no roteiro apenas de quem gosta de caminhar. El Chaltén está localizada dentro de um parque nacional, tem paisagens maravilhosas mas o programa de lá é escolher um dos circuitos e colocar o pé na trilha. Para quem gosta de caminhar mas não abre mão do conforto não tem problema, o pequeno vilarejo tem até hotéis 5 estrelas. (Aliás, essa é uma opção: ir até Chaltén, se hospedar em um spa e apenas curtir o que o hotel tem a oferecer. Só prepare o bolso). Para quem tem bastante tempo vale dar uma pesquisada na cidade de Puerto Madryn para ir até a Península de Valdez, que dependendo da época é o lugar ideal para ver baleias, e, claro, Bariloche, a cidade argentina preferida dos brasileiros. Essas suas cidades estão entre Buenos Aires e El Calafate. Assim o roteiro fica completíssimo.
No Chile
Para quem começa de cima – de Santiago em direção ao fim do continente – o melhor caminho é Puerto Montt, Puerto Natales e Punta Arenas, que é também área livre de impostos. Se você tem muito tempo pode tentar Pucón e Frutillar antes de chegar a Puerto Montt.
As duas
Quem quiser viajar pelas Patagônias argentina e chilena pode cruzar de uma para outra bem lá no fim do mundo de Ushuaia para Punta Arenas, de El Calafate para Puerto Natales, ou vice e versa. Essas são as duas rotas mais populares.
O TRANSPORTE
Na Patagônia planejar o modo de se locomover é fundamental. Isso porque a região é enorme e o clima pode, muitas vezes, deixar o visitante a pé. Eu fiz parte do roteiro de avião e parte de ônibus. É possível também se locomover com um carro alugado mas nesse caso a cautela deve ser dobrada e as condições das estradas minuciosamente pesquisadas, principalmente se você viajar no inverno. Esteja atento também aos itens obrigatórios de segurança do carro exigidos pelo governo de cada país. Como o meu roteiro incluiu apenas a Patagônia argentina eu optei por voar até Ushuaia, subir de ônibus até El Calafate, ir e voltar de El Chaltén também de ônibus – para esse trecho só é possível o transporte terreste, mas são apenas duas horas de viagem – e voar de El Calafate para Buenos Aires. Tanto o ônibus quanto o avião foram experiências complicadas.
De avião
A chegada a Ushuaia demorou demais porque o aeroporto estava sem condições de pouso – o que é comum por lá – além disso, os fortes ventos (lembre-se que a grande maioria das massas de ar polar que as meninas do tempo adoram falar passa por ali) balançaram tanto o avião que em vários momento eu me peguei rezando.
As minhas passagens de avião foram compradas em uma agência de viagens argentina chamada Asatej. Cheguei lá atráves da indicação de outros viajantes que tinham tido boas experiências. A vantagem de comprar com eles foi: como eles são uma agência argentina e especializada em mochileiros os preços das passagens áereas foram infinitamente mais baratos. Fiz a negociação toda pela internet e paguei com cartão de crédito. A parte chata, eles demoram muito a retornar os emails. Muito meesmo.
De ônibus
Quando eu fui, em 2005, não havia ônibus direto entre Ushuaia e El Calafate. A solução era pegar um ônibus até a cidade de Río Gallegos e de lá um outro. O problema é que para chegar ou sair de Ushuaia em direção a qualquer lugar você precisa cruzar o Estreiro de Magalhães (esse mesmo que você estudou nas aulas de geografia do colégio) e lá venta demais. O ônibus precisa entrar no ferry e cruzar uma distância que dura poucos minutos. Só que quando o vento está forte a passagem é fechada. Resultado: uma fila de ônibus esperando que ela reabra. O meu fechamento durou 15 horas! Isso mesmo, 15 horas sentada, parada dentro de um ônibus para atravessar um trecho de 15 minutos. Chegando do outro lado você cruza alguns quilômetros dentro do território chileno, por isso, precisa descer e fazer imigração. Coisa simples mas não necessariamente rápida e certamente bastante chata. Bem, com esse atrasinho de 15 horas nós chegamos em Río Gallegos de madrugada, ficamos impossibilitados de achar um hotel e dormimos na rodoviária, no dia seguinte fomos até El Calafate.
Outra coisa que é preciso ficar atento é sobre a periodicidade. Pesquise bastante os dias em que os ônibus saem porque eles não são diários. Além disso, quando você chegar na cidade vá direto até a rodoviária comprar a passagem até o próximo destino porque elas também se esgotam rápido. A boa notícia é: os ônibus são confortáveis e uma maneira bem barata de viajar. As paisagens no caminho e as histórias que você vai contar quando voltar também valem a pena.
E fica a dica: se for viajar de ônibus pela Patagônia leve sempre comida com você, o seu ipod e uma pouco de paciência, afinal você nunca sabe se a viagem vai durar 15 minutos ou 15 horas! (Para as viagens noturnas inclua na bagagem de mão um casaco, luvas e até um pequeno cobertor, se for possível).
A melhor forma de planejar qualquer viagem de ônibus não só pela Patagônia mas por toda a Argentina é no site: Plataforma 10.
Não saia de casa sem dar uma olhada lá.
COMENDO
Quem for passar por El Calafate não pode deixar de tomar sorvete ou beber licor de calafate que pode ser achado em todo o canto. O cordeiro da Patagônia também é bem típico. Quem é super fã da parrillada, o churrasco argentino também não vai ficar órfão por lá.
QUANDO IR
Isso depende do que você quer ver. No inverno é quando as pistas de esqui estão na sua melhor forma mas os viajantes podem ter muita dificuldade de se locomover e pegar muito frio. Para quem gosta de trilha é bom saber que algumas ficam inviáveis nesta estação. Já no verão é o inverso. Nós fomos na primavera e eu acho que foi uma ótima época. Os parques e as cidades estavam super floridas, pudemos ver bichos para todos os cantos, o glaciares estavam intactos e pegamos também bastante neve mas com uma temperatura suportável.
QUANDO TEMPO
Para quem quiser ficar só na Patagônia argentina um período entre uma semana e dez dias é bacana s. Se você é do tipo que adora trilhas e pretende fazer vários circuitos em Chaltén deve planejar quinze dias. Para quem quer aproveitar bem a Patagônia argentina e chilena deve considerar uns vinte dias.
A última dica é: quem está planejando férias na Patagônia deve passar pelo site Interpatagonia
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Meninas, adorei as dicas! Minha próxima viagem será para lá e as dicas – como sempre – foram valiosas! Beijos
Oi Tuio,
A única viajante que já esteve na Patagônia é a Renata e no momento ela está numa viagem, sem poder responder pessoalmente à sua dúvida. Ela fez a viagem quando era bem mais nova e acha que não ficaria de novo em nenhum dos lugares onde se hospedou. A sugestão é que você dê uma procurada no Booking.com, que tem hotéis com descontos e resenhas confiáveis de outros hóspedes.
Boa viagem!
Abs
Flávia
Em média, qual o valor da diária em hotel, em baixa temporada, o mais barato?
Isso ae que o Ronaldo falou é verdade! A Patagonia possui as paisagens mais lindas que já vi em toda minha vida! Se visitar a patagonia chilena, não deixe de conhecer o Parque Nacional Torres del Paine, valeu muito a pena visitar este que é considerado um dos parques nacionais da América do Sul com mais estrutura para seus visitantes.
Visitei recentemente a Patagonia, e acabei recheando o blog boa viagem com todas as informações da minha viagem. Se quiser ver todos os posts desta viagem você pode ir direto na minha lista de links para esta viagem
Tô babando…
Provavelmente as mais bonitas paisagens que eu vi na minha vida ficam na Patagônia. Foi uma experiência inesquecível andar por Chálten. Enfim, aconselho muito.