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Panamá: entre eclusas, ruínas e ‘patacones’

Cidade do Panamá: os arranha-céus dominam a skyline

Há alguns anos, quando eu pensava em destinos da América Central que me atraíam, me vinham à cabeça países de natureza exuberante como a Guatemala e a Costa Rica. Hoje não é bem assim. Depois de conhecer gente de todo o continente americano, atualmente adoraria visitar também destinos como El Salvador, Nicarágua, Honduras e, pela segunda vez, o Panamá.

Isso porque eu passei apenas um dia nesse país que, há cerca de um ano e meio, virou trending topic nas redes sociais devido ao aparecimento de uma estranha criatura que foi chamada até de E.T., você lembra?. Bizarrices à parte, o Panamá merece ser lembrado como um local de gente muito simpática, belezas naturais, monumentos e, claro, o país do canal mais importante das Américas (veja que ele vale o quanto pesa aqui), que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. Só a visita a esse lugar histórico, cuja demorada construção levou à morte centenas de operários, já vale um pulinho ao Panamá.

A minha visita foi um pulinho mesmo, infelizmente. Quando fui a Cuba, numa das viagens mais fascinantes que fiz, optei pela companhia aérea panamenha Copa Airlines, que não curti muito porque duplicou meu bilhete na ida – quase fiquei sem assento. Mas a possibilidade de esticar nossa conexão na capital por algumas horas na volta ao Brasil compensou o incidente.

Os ônibus 'diablo rojo' são uma atração das ruas

COMPRAS E RUÍNAS ENTRE DOIS OCEANOS

A primeira impressão na Cidade do Panamá, ou Ciudad de Panamá, foi estranha. Já dentro do aeroporto, que mais lembra um shopping center, há dezenas de lojas de marcas internacionais, com preços baratíssimos. Para quem está vindo de Cuba, dá uma certa agonia ver tanto consumismo – nada contra, mas foi um momento inquietante. A Copa voa também para Miami e o que mais vimos na volta foram brasileiros cheios de sacolas que, depois de se fartarem de comprar nos Estados Unidos, ainda tiveram fôlego para umas ofertas em solo panamenho.

Longe de irmos às compras, nossa ideia, ao desembarcar na Cidade do Panamá, era dar um jeito de chegar até o famoso canal. Eu só tinha ouvido falar de eclusas no colégio e tinha muito curiosidade. A esticada não estava prevista no roteiro inicial (iríamos só a Cuba), portanto, não programamos nada e nem sabíamos o que iríamos encontrar na cidade.

Acabamos dando sorte. Descobrimos que muita gente aproveita para passar o dia na Cidade do Panamá enquanto espera o voo. Foi fácil encontrar um taxista que combinou de ficar com a gente o dia inteiro por cerca de 60 dólares (pagamos na moeda americana mesmo, que é aceita em vários locais e demos US$ 10 de gorjeta). Mas como isso já faz algum tempo, é possível que um passeio desses atualmente custe mais.

Um galo a 18 metros de altura. É o obelisco da Plaza de Francia.

E vale a pena. O motorista (todos dirigem como loucos por lá, não se assuste) nos levou primeiro para as ruínas de Panamá La Vieja, a parte mais antiga da cidade que ainda está de pé e que tem um sítio arqueológico Patrimônio Mundial da Unesco. O assentamento foi destruído pelo pirata Henry Morgan em 1671, mas o local ainda é um dos mais visitados do país.

Depois demos uma volta pelo Casco Antiguo, que conta com diversas casas coloniais e igrejas, das quais destaco a de San José e a Catedral, super interessante por ter a fachada de pedra e as torres em madrepérola, criando um contraste lindo.

Também visitamos Las Bóvedas, conjunto arquitetônico que rodeia a Plaza de Francia. O local era parte de uma espécie de forte defensor da cidade e tem uma vista bem legal, de onde se pode ver o Pacífico e os arranha-céus, marca registrada da capital panamenha. Dentro do espaço vimos muita gente vendendo artesanato. As cores e padronagens dos objetos são irresistíveis. Não compramos nada no aeroporto-shopping, mas levamos para casa tecidos e lembrancinhas indígenas.

Demos uma parada para o almoço. A comida panamenha tem pratos muito parecidos com os de outros países. Entre eles, uma entrada/petisco que me vuelve loca: os patacones. Comuns na Colômbia (lembrando que o Panamá foi parte dela), os patacones são rodelas de banana gigante amassadas e fritas. Crocantes, ficam perfeitas com molhos ou puras mesmo. A sopa de frango e legumes sancocho (dizem que é boa para ressaca) e os tamales (mais associados ao Peru e ao Equador) também são boas pedidas, além dos frutos-do-mar. A mesa panamenha também tem influência da culinária caribenha, espanhola, francesa e, atualmente, norte-americana. Há referências aos Estados Unidos em várias partes.

O 'barquinho' vai e a tardinha cai

CANAL: PASSEIO COM DIREITO A “NARRAÇÃO”

Antes de partir para o Canal, vale uma passada no Museo del Canal Interoceánico de Panamá, que fica no Casco Antiguo (entre a Plaza de la Independencia e a Plaza Bolívar), para conhecer melhor a história dessa obra monumental. Dentro das eclusas de Miraflores (aonde vão os turistas que estão na Cidade do Panamá) também há uma espécie de museu com informações. Mas o primeiro é mais bacana porque fica dentro de um antigo hotel de luxo e conta a história do país desde os povos pré-colombianos, a chegada dos espanhóis e detalhes da obra que começou com os franceses e terminou com os americanos, além de ter informações atuais sobre a importância comercial do canal.

É importante se proteger do sol e beber muita água porque o canal é bem aberto, não tem como fugir dos raios. Eu não levei filtro solar e fiquei muito ardida, como mostra a foto.

Ao chegarmos às eclusas de Miraflores (nome do lago por onde passa o canal) fazia um calor do cão. Soubemos que ainda demoraria para passar algum navio (sim, a atração é ver os navios e barcos gigantescos passar), então demos uma volta dentro da eclusa, onde havia um ar condicionado fresquinho. Por lá, descobrimos que o canal, de mais de 80 quilômetros, foi uma ideia dos espanhóis ainda no século XVI. Mas foram os franceses que começaram a abrir o istmo, só em 1880. Nove anos e centenas de mortos depois (devido ao enorme esforço físico e doenças tropicais, entre outras razões), as obras foram interrompidas.

Vista da eclusa de Miraflores

Em 1894, os franceses voltaram ao projeto, dessa vez com a ideia de fazer as eclusas, o que facilitaria muito as escavações, já que os rios do istmo tinham diferentes níveis. Também fracassaram. Foi aí que decidiram vender os direitos da construção aos Estados Unidos, país que retomou o projeto em 1904.

Mais de 75 mil pessoas trabalharam na obra e, até 1914, quando foi inaugurado, mais de 400 milhões de dólares foram gastos. Uma linha ferroviária foi construída ao longo da rota para levar material e hoje ela continua em funciomento. Até 1999, o canal ainda era administrado pelos Estados Unidos. Hoje, o controle é totalmente panamenho.

O canal é cheio de curiosidades. É o único lugar do mundo onde o comandante de um barco tem que deixar outro guiar seu navio. É porque para passar pelo canal é preciso que um comandante especial assuma o posto. Ao lado do canal em si, na espécie de “calçada” das eclusas, existem trilhos por onde passam carros especiais, que, conectados aos barcões com cabos, ajudam as embarcações a manterem o equilíbrio.

A eclusa começa a abrir. Juro que é emocionante.

O mais curioso de tudo é que, durante a passagem do navio, ocorre uma quase “narração” para os turistas, como se fosse um evento esportivo.

Para fazer uma visita virtual e ver detalhes de horários e preços, clique aqui. Lembrando que a moeda local é o balboa (e a cotação para o dólar é de 1 para 1).

Na volta para o Brasil, lamentei não ter me organizado para passar uns dias não só na Cidade do Panamá (há muito mais para ver, conhecer e degustar), mas também no país. Na revista de bordo, descobri, por exemplo, que é um programão se hospedar na casa de índios em uma das muitas cidades litorâneas e paradisíacas do Panamá. Ficou anotado para a próxima.

Imprima este post aqui.

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

Uma resposta para “ Panamá: entre eclusas, ruínas e ‘patacones’ ”

  1. O Panamá é o Canal, as favelas que se escondem ao longo de reluzentes condomínios de classe alta, a Cidade Velha é um labirinto atmosférico de igrejas, praças e palácios…É um passeio deslumbrante!

    Abraços,
    Antonieta.

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