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O que comer no Pará

Filhote com ervas e camarões. Salivo só de me lembrar desse prato.

Que a gastronomia da região amazônica é fantástica não é nenhuma novidade. E a subida do D.O.M. para o quarto lugar no ranking The World’s 50 Best Restaurants só confirma o potencial desses ingredientes, cada vez menos exóticos para nós, do Sudeste, graças ao trabalho de chefs como Alex Atala. A sofisticação do D.O.M. não é para qualquer bolso (nós estivemos lá provando o menu executivo), mas só por badalar pratos e ingredientes do Norte do Brasil ele já mereceria todos os louros. Bacuri, tambaqui, tacacá, tapioca (já trivial como street food nas grandes capitais brasileiras) são palavras cada vez mais comuns nos cardápios de bares e restaurantes de norte a sul do Brasil.

O Pará, junto com o Amazonas, é um dos estados mais ricos para se provar, sem gastar uma fortuna, esses sabores. E quando eu comentei com uns amigos que ia passar uns dias no Oeste Paraense, não faltaram recomendações e sugestões de pratos e quitutes para experimentar – uma diferente da outra, o que era mais surpreendente. Abaixo, uma pequena mostra da diversidade amazônica-paraense.

Doze coisas para se provar no Pará:

– Tapioca – Velha conhecida de quem viaja pelo Nordeste, a tapioca hoje é figurinha fácil em barraquinhas nas grandes cidades, disputando espaço com as de cachorros-quentes e churros. Normalmente recheada na região vizinha, no Pará ela aparece mais em seu estado puro, com manteiga, perfeita para o café da manhã ou lanche da tarde. As bolinhas de mandioca (diferentes da goma da mandioca) também ficam à mesa, crocantes, para serem misturadas ao café.

– Açaí – Os paraenses, simpáticos que são, não entram em discussão. Mas açaí de verdade é o do Pará. O que se faz no Sudeste (misturar a polpa congelada com guaraná e granola) é adaptação. A fruta, originária da região amazônica, é servida com polpa fresca sem nada ou com farinha de mandioca. Também há quem acrescente camarões ou charque. Nos bairros mais humildes e no centro de Belém, lanternas vermelhas assinalam os locais onde ele é servido – a qualquer hora do dia e da noite. Nas Docas (espaço portuário revitalizado de Belém) é possível prová-lo de várias maneiras no Point do Açaí.

– Pato no Tucupi – Talvez seja o prato mais famoso da região. O tucupi, goma amarelada da mandioca, é o caldo onde se ferve o pato. Já a erva jambu, outro ingrediente dessa refeição, é fervida e acrescentada em seguida. Servido com arroz branco e farinha de mandioca.

Risoto de maniçoba e Cerpinha.

Maniçoba – Extraída da maniva, folha da mandioca, é cozida durante uma semana para que suas toxinas sejam eliminadas. O gosto é forte. É servida normalmente com carnes similares às da feijoada, mas a maniçoba também inspira chefs a criar pratos mais sofisticados, como o risoto – espetacular – da foto, que provei no Spazio Verde, um dos restaurantes das Docas de Belém (local imperdível para passear e comer bem). Mas se quiser provar a maniçoba tradicional, dê um pulo no Tacacá do Quincas, restaurante simples, mas que tem a fama de melhor maniçoba de Belém – atrai de políticos a artistas.

Tacacá – Outro lanchinho básico, o tacacá tem origem indígena e também leva tucupi (goma de tapioca cozida) e jambu, além de camarão seco, tudo servido numa cuia. O Tacacá do Quincas também é um bom endereço para prová-lo.

– Tambaqui – Assado é a melhor escolha. E a cidade de Santarém é considerada o melhor local para se comer um bom tambaqui, peixe também conhecido como pacu vermelho. Fui na Peixaria Rayana, chamada de a melhor de Santarém, e não me arrependi. O ambiente é simples, mas a comida faz jus à fama. Devoramos uma porção de charutinhos, peixe fininho que se come inteiro. E para beber, não perca a limonada caseira, é sensacional.

Filhote – Recomendadíssimo, o filhote (ou piraíba) é um peixe suave, que cai muito bem com camarões (e que camarões comi no Pará!) e ervas. Macio, suculento e saboroso, devorei o da foto que abre o post também no Spazio Verde, junto com o risoto de maniçoba (o prato, para três ou quatro pessoas, custou, no total, 125 reais).

Atacando a banda de tambaqui.

– Farinha de mandioca- Durante as refeições, havia divergências. Comer peixe com ou sem farinha? Algumas pessoas acham que ela mascara o sabor do pescado, mas eu não dispenso. A feitura da farinha de mandioca varia de acordo com a região do estado, mas normalmente é amarelinha e crocante, muito saborosa, vai bem não só com os frutos do mar, mas com feijão, maniçoba e outras comidinhas.

– Bacuri – Fiquei apaixonada por essa fruta. O sorvete dela é cremoso, leitoso, docinho e suave, virou meu favorito. A sorveteria mais famosa do Pará é a Cairu, com sabores da terra e misturas deliciosas, como a Paraense (açaí com tapioca). Mas meu favorito foi mesmo o bacuri. A boa notícia é que a Cairu deixa você pedir a boa e velha provinha e de colherada em colherada você vai provando tudo. Ela tem vários endereços em Belém, inclusive nas Docas, e já abriu loja até em São Paulo. No Rio, é possível encontrar picolés Cairu na Praia de Ipanema.

Cupuaçu – Pudim, mousse, bombom, suco… Essa fruta está presente na rotina paraense do café da manhã à sobremesa do jantar. Em algum momento você vai topar com ela. Ah, o sorvete de cupuaçu da Cairu também é outro lanchinho imperdível. E se quiser levar chocolates recheados com a fruta, dê uma passada em uma das lojas Bombom do Pará.

– Castanhas-do-pará –  As Brazilian nuts são famosas no mundo inteiro, mas lá parecem ser até maiores e mais saborosas. Vale uma passada no Mercado Ver-o-Peso ou supermercado para comprar as castanhas-do-pará (peça descascadas) e ervas para levar para casa.

– Taperebá – Conhecida também como cajá, essa fruta virou minha companheira de almoço, em sucos e sorvetes. Refrescante, é perfeita também para abrir seu café da manhã.

Aliás, aproveite todas as refeições para provar os sucos. Você dificilmente achará tanta variedade de frutas no Sudeste, por exemplo. É comum ver um paraense almoçando com sumos em vez de refrigerantes. E se tiver vontade de tomar álcool, prove as cervejas locais, como a conhecida Cerpa ou a menos comum Amazon Beer.

É claro que essa lista é só um aperitivo. A diversidade da comida paraense não cabe num post – só de frutas o Pará mereceria um livro inteiro. Digamos que é só uma introdução. Se você provou outras delícias do estado, comente e recomende por aqui. Eu já estou planejando minha volta.

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Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

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