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Moçambique, azul da cor do Índico

 

Simplicidade e beleza na Ilha de Moçambique, que deu origem ao nome do país.

O sonho não era nosso, de nenhuma das Viajantes. Mas agora passou a ser. Quem nos inspirou e realizou seu desejo de visitar Moçambique foi uma grande amiga do blog, Lucila Runnacles, que pilota o Mochila Cult. A Lu é uma viajante bem experiente. Morou na Itália, Inglaterra, Espanha e Argentina. E aproveitou muito esses países e seus respectivos vizinhos. Agora, virou sua bússola para a África e está passando uma temporada em Moçambique, onde é voluntária da ONG Estamos-Moçambique. Ela topou nos “emprestar” um post bem bacana sobre a Ilha de Moçambique, parte da província de Nampula, um paraíso não muito conhecido dos brasileiros, mas que nos deixou cheias de vontade de correr para lá.

Quem quiser fazer perguntas e comentários pode entrar em contato direto com a Lu, OK?

E para dicas de Maputo, clique aqui.

Com a palavra, ela mesma:

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Lucila, turistando pela Ilha.

O mar é de um azul incrível, muitas crianças brincando nas ruas, construções que lembram que um dia esse lugar já foi importante e uma tranquilidade gostosa no ar. Tudo isso foi o que vi e senti logo que cheguei à Ilha de Moçambique.

Passar um fim de semana lá me fez relaxar e querer dividir com todos meus amigos cada minuto. Costumo sentir isso quando vejo paisagens memoráveis. Gostoso mesmo é caminhar pelas ruas, observar o jeito tranquilo dos moradores e fazer tudo sem pressa. O tempo ali parece que realmente não passa. O contraste da beleza da natureza com as construções mal conservadas dão um charme extra ao lugar, que é Patrimônio Mundial da Unesco.

Esse pequeno pedaço de terra, ao norte de Moçambique, com apenas 3 quilômetros de extensão, está dividido em duas partes: a Cidade Macuti (o nome se deve as casas que têm telhado coberto de folhas secas de palmeira, que se chamam macuti) e a Cidade de Pedra (onde as casas são mais novas e têm melhor estrutura).

Detalhe da Fortaleza

Além do português, nessa região também se fala macua. Aliás, o nome da ilha em macua é “Omuhipiti” e significa “esconder-se”. Durante a Guerra Civil, que terminou há apenas 20 anos, muitas pessoas se refugiaram na ilha, o que acabou levando a essa super população de 18 mil habitantes.

Pra mim, a melhor atração da ilha é a Fortaleza de São Sebastião, construída em 1507, toda em pedra. Lá de cima se tem uma vista maravilhosa e se entende como o Oceano Índico foi generoso com essa terra. Também achei curioso o sistema de captação de água das chuvas. Dentro da fortaleza há três cisternas, que ainda hoje abastecem parte das casas da ilha. A entrada a fortaleza custa 200 meticais (cerca de R$14), com direito a visita guiada.

Além de caminhar sem pressa pelas ruas, tirar fotos e brincar com as inúmeras crianças, não deixe de fazer um passeio em dhow (barcos à vela, de madeira). Dá para conhecer pequenas ilhas desabitadas como Goa ou Sete Paus. Como o mar nessa região é absolutamente transparente, essa é uma boa oportunidade para fazer snorkel e, se tiver sorte, avistar até mesmo baleias. Há muitos barqueiros na ilha que oferecem o serviço e também dá para pedir um na pousada onde estiver hospedado.

Criança com máscara mussiro

Um detalhe: por mais que o mar pareça limpo, não é em todo lugar da ilha que dá para se banhar. O costume dos locais de fazerem suas necessidades na praia mesmo é um problema. Os políticos já tentaram até mesmo multar os “infratores”, mas parece que não é fácil mudar esse antigo hábito. Quando estive lá, uma das praias onde tomei banho e curti foi ao lado da fortaleza, a praia Náutico. Recomendo sempre perguntar qual é o melhor lugar antes de entrar no mar ali.

Como chegar

Uma alternativa é ir até a cidade de Nampula e dali pegar um “chapa” (as vans de transporte público), mas o melhor é acertar um transfer com a pousada onde você estiver hospedado. O trajeto é de 190 quilômetros, cerca de 2h30min de carro. Como o lugar é muito pequeno, não vale a pena alugar carro para chegar até lá. Na ilha você não vai precisar dele.

A melhor época para visitar esse maravilhoso lugar é de março a outubro, fora da temporada de chuva. E não esqueçam que além das altas temperaturas, em Moçambique há muita malária. Por isso, repelente e protetor solar não devem faltar na mochila.

Curiosidades

A ilha foi a primeira capital de Moçambique. Depois, a capital foi transferida para Lourenço Marques (atual Maputo), mas, com o tempo, foi perdendo prestígio e hoje é um lugar que sobrevive apenas do turismo, da pesca e pouco mais. Há várias versões sobre o nome da ilha. A que eu mais gosto é a que diz que um árabe influente de nome Mussa Bin Bique ou Mussa Al Mbique morou lá, mas como a pronúncia era difícil para os locais, com o tempo acabou virando Ilha de Moçambique, que também deu o nome ao país africano.

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Como a ilha rendeu muitas histórias para a Lucila, vale conferir também o post sobre a máscara de mussiro da foto acima, onde ela também dá dicas de hospedagem nesse paraíso.

P.S.:  O texto original deste post está aqui.

Personal Trip

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2 Respostas para “ Moçambique, azul da cor do Índico ”

  1. Adorei a reportagem, atualmente moro em Nampula e estou na Ilha de Moçambique quase todos os finais de semana. Posso dizer que hoje os problemas com as necessidades fisiológicas realizadas nas praias foram sanados. Agora encontramos muita tranquilidade, história e um mar lindo!

  2. Um lugar que sonho um dia conhecer. Obrigado pelo relato

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