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Milão é mais que moda e design

O Duomo é a atração mais famosa de Milão e ganhou ainda mais notoriedade quando uma miniatura sua atingiu o rosto do Berlusconi

Quando eu quis incluir Milão no roteiro que fiz pela Itália com meu, na época, namorado (hoje marido), ele reclamou: mas por que mesmo você quer ir a essa cidade industrial, hein?

Acho que foi a vontade de estar na capital do design que me fez incluir uns diazinhos em Milão no nosso périplo italiano. Adoro o tema e queria sentir o clima moderno e sofisticado da cidade. Mas não foi bem assim.

Não se iluda. Milão é uma cidade cara, bem cara. A moda e o design de ponta não são para qualquer um. Bom, pelo menos não eram pra mim, que não tinha bala da agulha para gastar uma grana na famosa Galleria Vittorio Emanuele II, templo das grandes marcas italianas e internacionais, ou no chamado Quadrilatero della Moda, formado pelas Via della Spiga, Via Montenapoleone, Via Manzoni e Via Sant’Andrea.

Veja aqui mais dicas da Itália.

Mas vale a pena? Vale, e como! Linda, Milão é uma cidade para poucos dias (três, no máximo, e o ideal são dois), mas certamente serão dias meravigliosi. Veja abaixo 10 razões para visitá-la.

Detalhes das torres e a Madonnina

1. O Duomo. É considerada por muitos a catedral mais bonita do mundo. Eu já vi catedrais e igrejas fantásticas em vários países da Europa (como Espanha, França, Portugal, Alemanha, Inglaterra, Irlanda…) e, na minha humilde opinião de turista não-católica, nada me impressionou tanto quanto o Duomo (ou Domo, em português) de Milão. Claro que ir à Basílica de São Pedro em Roma, à Notre Dame de Paris ou à catedral de Salamanca (deixemos as mesquitas de lado, OK?) vai produzir o mesmo efeito queixo-caído no seu rosto, mas certamente o Duomo permanecerá na memória por muito tempo. Por dentro é lindo, mas seu grande atrativo está do lado de fora, com seus infinitos detalhes e esculturas em mármore. Destaque para sua porta principal (que conta episódios bíblicos da vida da Virgem Maria) e para a Madonnina, estátua dourada da protetora de Milão, que fica no alto do monumento. Para apreciá-la melhor, pegue o elevador (a escadaria é meio cansativa para quem não é muito esportista) que leva às torres. Dá até para ver os Alpes lá de cima. O Duomo é tão emblemático que muita gente viu mensagens subliminares quando o premiê da Itália, Silvio Berlusconi, foi agredido na cabeça com uma miniatura dele. Se quiser uma vista bacana do monumento, vá à cafeteria da loja La Rinascente, que fica em frente ao Duomo. Durante o verão, fique ligado nos concertos de música erudita que rolam na catedral. Mais informações, aqui.

2. A Última Ceia. Uma das grandes obras de Leonardo Da Vinci, o Cenacolo, está em Milão, mas nem todos que vão até lá conseguem vê-la de perto. A procura é imensa (e aumentou muito depois do sucesso de O Código da Vinci) e a visita à igreja Santa Maria delle Grazie (onde está exposta) requer reserva com muita antecipação – há quem diga que com menos de dois meses é impossível. Informe-se neste site ou pelo telefone 00XX39-0289421146 para não correr o risco.

Entrada do Castelo Sforzesco. Foto: TravelPod.

3. Castelo Sforzesco. Este castelo e seu parque, o Parco Sempione, representam uma das melhores lembranças que tenho da cidade. Um passeio lindo, relaxante e cultural, já que dentro da área do castelo há vários museus bacanas, com obras do Da Vinci e Michelangelo, por exemplo. Perfeito para passar a tarde.

4. Teatro alla Scala. Cantar no seu palco é o sonho de muitos artistas, especialmente os do mundo da ópera. O público do Scala é conhecido por sua exigência e levar uma vaia ali pode acabar com a turnê de um tenor ou de uma soprano, já que a notícia rapidamente se espalhará pelo mundo. Inaugurado em 1778, este templo da ópera pode ser visitado por dentro, mas, assim como o Cenacolo, a entrada é bem concorrida e precisa ser comprada com antecedência. Mais informações aqui.

5. Pinacoteca di Brera. Caravaggio, Canaletto, Tiziano, El Greco, Rubens, Rembrandt, Tintoretto, Rafael… Esses são apenas alguns artistas cujas obras estão expostas neste simpático museu, que fica na Via Brera, rua cheia de lojinhas, galerias de arte, bares e de vida noturna animada.

6. Galleria Vittorio Emanuele II. Mesmo que você não tenha planejado gastar os tubos em Milão, a Galleria Vittorio Emanuele merece uma visita, já que sua arquitetura é impressionante. Além disso, está ao ladinho do Duomo, você não vai perder a viagem. Construída no século XIX, se destaca por sua cúpula e seus mosaicos. Não deixe de reparar no chão da Galleria. Pode ser que haja um grupinho perto do mosaico do touro. É que existe a superstição de que dá sorte pisar e “girar” os pés com os olhos fechados em cima dos testículos do bicho. A brincadeira aparentemente surgiu pela rivalidade de Milão com Turim (Torino, em italiano).

Panzerotti. Não saia sem prová-los. Foto: Ricette Italia

7. Aperitivi¸ gelati e panzerotti. Se você é daqueles que adoram beliscar entre as refeições, vai se sentir em casa em Milão. Uma característica típica da cidade é tomar o aperitivo, um esquema em que você paga a bebida e eles dão de cortesia uma comidinha (algo como as tapas espanholas). Os milaneses adoram fazer essa pausa em algum bar e os do bairro Navigli são famosos. Outra parada imperdível para os gulosos é Luini (com paciência porque normalmente há fila). A especialidade ali é o panzerotto, algo no meio do caminho entre o pastel e o calzone. Dê uma passada também em uma das filiais da Grom, para fechar a comilança com um gelato (sorvete) delicioso.

Leia mais sobre comida na Itália aqui.

8. Restaurante no tranvía. Taí uma boa maneira de passar pelos principais pontos turísticos da cidade (de dia ou à noite) e ainda comer super bem. Não é exatamente um programa barato (estamos em Milão, lembra?), já que a brincadeira sai a 65 euros por comensal e ainda por cima é preciso fazer a reserva com uma antecedência de quase dois meses (já deu para perceber que não dá para ir a Milão sem planejamento). Mas o Tram Ristorante ATMosfera (ATM é a sigla da empresa de transportes públicos da cidade) é certamente uma das refeições mais originais que se pode fazer em uma viagem. Para comer sobre os trilhos nesse simpático tram (bonde) é preciso garantir o lugar ligando para o telefone gratuito 800 80 81 81 (se estiver fora da Itália é preciso colocar os códigos internacionais do país). O site tem mais informações, mas só em italiano. Se não rolar de almoçar ou jantar no ATMosfera, pelo menos ande no tram da cidade, que é bem bonitinho – e mais barato, claro. Vale a experiência.

9. Futebol. Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Pato, Júlio César, Lúcio, Maicon… Os jogadores brasileiros são figurinhas fáceis por lá e estes são só alguns dos que atualmente defendem os dois principais times da cidade, o Milan e a Inter de Milão. Visitar estádios é sempre um programa legal e, se tiver a sorte ver um jogo, melhor ainda. O mais bacana, do ponto de vista turístico, é que a “casa” de Robinho, Ronaldinho, Thiago Silva e Pato é a mesma de Júlio César, Lúcio e Maicon, entre outros brasileiros. Isso porque o Milan e a Inter desde 1946 dividem a mesma arena, o Estádio Giuseppe Meazza, mais conhecido como San Siro (principalmente entre os torcedores do Milan) por estar situado no bairro com esse nome.

Leia mais sobre futebol em viagens aqui.

10. Um desfile em plena rua. Todos conhecem a fama de fashion de Milão, sua semana de moda e esse magnetismo que atrai modelos de todo o mundo. Foi a cidade onde vi uma divisão “mais justa” da beleza, já que em grande parte dos lugares há mais mulheres mais bonitas do que homens. Em Milão, a impressão é que todos são lindos e bem-vestidos, sejam homens ou mulheres. Uma das ruas onde mais vi esse vai-e-vem de belezuras foi a Via Dante, construída no fim do século XIX, mas que hoje lembra mais uma passarela. Se quiser encontrar modeletes badalando pela noite, dê uma passada no Martini Bar (Corso Venezia, 15) ou no Gold (Via Carlo Poerio, 2-A), ambos idealizados pela dupla Domenico Dolce e Stefano Gabbana.

Podemos dizer ainda que há uma décima primeira razão para visitar Milão, no caso de você ficar mais de dois dias por lá. Reserve um deles para uma day trip a Como, conhecida por seu lago. A cidade conta com várias atrações, como um duomo, uma torre, um funicular (espécie de bonde que leva os passageiros para o alto da cidade) e até um farol. Pegando o trem na estação Cardona (sai de hora em hora), você chega a essa cidadezinha medieval rodeada de montanhas em menos de uma hora. Este site dá uma ideia de horários, mas confira sempre na estação porque muda com a temporada e nem sempre está atualizado na web. Uma vez lá, também vale a pena pegar um ferry que faz um passeio pelo lago até Bellagio. Veja mais informações aqui.

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Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

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