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O que ver e fazer em Mendoza, a capital sul-americana do vinho

 

Vinhedos aos pés dos Andes, na província de Mendoza

Mendoza, capital da província de mesmo nome, é uma cidade agradável, com praças bem cuidadas, ruas arborizadas e clima de interior. Mas é avançada o suficiente para oferecer conforto e serviços de primeira qualidade aos moradores e turistas.

Fundada no século XVI, a cidade preserva sua história em museus e nos poucos prédios históricos que se mantiveram de pé depois do terremoto de 1861. Mas são os arredores da Grande Mendoza que guardam o que esse destino tem de especial: as vinícolas.

Paseo Peatonal Sarmiento

COMO CHEGAR
Mendoza fica mais perto do Chile do que da capital argentina. Buenos Aires está a 1.080 km, enquanto Santiago fica logo depois da Cordilheira dos Andes, a 360 km. Por isso há tantos chilenos entre os moradores. E, quando os Mendocinos resolvem pegar uma prainha, eles preferem ir à costa do país vizinho.

É possível chegar em voos fretados quando há pacotes em agências de viagens. Mas, normalmente, é necessário fazer escala em Buenos Aires. O aeroporto de Mendoza é o El Plumerillo, que fica a 12 km do centro da cidade. Aerolíneas Argentinas mantém essa rota, assim como Tam e Lan Chile.
Também há serviços de ônibus noturnos de Buenos Aires a Mendoza (e de Santiago do Chile a Mendoza), ou vice-versa, que costumam ser confortáveis, apesar das 12 horas de trajeto. Há opções de leito, semi-leito e até suíte, com café da manhã. Várias empresas prestam esse serviço, como Andesmar, El Rapido Argentino, Cata Internacional, Flecha Bus e Sendas.

Como eu fazia uma espécie de rali pela Argentina, cheguei de carro alugado, por Córdoba, percorrendo 670 km até lá. A chegada foi tranquila em comparação à partida em direção a Buenos Aires. Caso opte por fazer esse percurso de carro, prepare-se para sair bem cedo e chegar tarde. Alugue um carro com ar-condicionado no verão, porque o sol forte castiga, mesmo que a temperatura caia à noite. Não se espante com a profusão de moscas nas paradas de beira de estrada e contente-se com os sanduíches de miga que oferecem. Será difícil encontrar restaurantes abertos, mesmos nas cidadezinhas que encontrar pelo caminho. Apesar de tudo, acredite, vale a pena.

Plaza San Martín

HOSPEDAGEM
Para quem gosta de curtir a cidade a pé, sugiro se hospedar entre as cinco praças principais: Plaza Independencia, Plaza Chile, Plaza San Martín, Plaza España e Plaza Italia. Por lá estão as ruas de pedestres, onde se pode tomar um café, comer empanadas e fazer compras. As barracas de artesanato também são uma tentação ao consumo. Um outro canto charmoso e com bons hotéis por perto é Plaza Pedro del Castillo e Parque O’Higgins.

Se preferir um albergue, sugiro que procure algum filiado à rede Hostelling International, porque eles exigem um certo padrão de qualidade. Fiz reservas para um hostel que parecia uma casa de bonecas, mas me decepcionei ao chegar. Não tinha higiene, o ventilador mal funcionava e os lençóis mais pareciam trapos. Ou seja, muito distante do padrão europeu.

Como o Rali Dakar Argentina-Chile estava de passagem pela cidade, não conseguimos hospedagem no centro. Aproveitamos que estávamos de carro e ficamos no Ibis (Lateral Sur del Acceso Este número 4241, Villa Nueva de Guaymallén), que fica na saída de Mendoza, entre a auto-pista que leva à cidade e uma área residencial, perto de um bom shopping center.

O passeio ao Parque Provincial Aconcagua merece um dia inteiro
O Parque do Aconcagua merece um dia inteiro

ATRAÇÕES
No verão, Mendoza é basicamente uma agradável cidade ensolarada, cercada de oliveiras e vinhedos bem cuidados, aos pés de uma cadeia de montanhas com os cumes sempre cobertos de neve.

Quatro dias inteiros seriam suficientes para conhecer o que Mendoza tem de melhor: um dia para as vinícolas de Maipú, outro para as vinícolas de Luján de Cuyo, mais um para percorrer a cidade e outro dia para ir ao Parque Provincial Aconcagua. Mas a verdade é que o lugar é tão gostoso que acabei esticando minha estada. Ficaríamos quatro dias, passamos uma semana, mas teríamos ficado mais.

Bodegas protegem vinhedos com redes contra chuva de granizo

SOBRE AS VINÍCOLAS
Outro dia li uma reportagem recomendando uma visita de bicicleta às vinícolas de Mendoza. Não recomendo de jeito nenhum, porque as bodegas estão distantes do centro da cidade e acessíveis por rodovias perigosas. Ainda por cima o clima é quente e árido. A menos que você se hospede numa pousada rural, em meio aos vinhedos, bike não é uma boa ideia, mesmo que você seja do tipo esportista.

Fiquei impressionada com a quantidade de cruzes, capelinhas e homenagens – além de muitos cães mortos – às margens das estradas, o que denota que o trânsito ali é perigoso. E uma bodega é consideravelmente distante da outra, considerando que os vinhedos ocupam um espaço de terra razoável.

Prefira explorar os arredores de Mendoza e suas bodegas de carro. Não abuse nas degustações, claro, mas sim nas compras. Os melhores vinhos argentinos são produzidos e vendidos por lá a pelo menos um terço do preço que chegam para o consumidor final aqui no Brasil.

Museo del Vino San Felipe na Bodega La Rural

MAIPÚ

Há inúmeras bodegas nas regiões de Maipú e Godoy Cruz. A La Rural é a mais tradicional delas, com um bom Museu do Vinho (Museo del Vino San Felipe) , visita guiada e degustação. Obrigatória.

Ao lado do vinho, a fabricação de azeite é um dos orgulhos de Mendoza. Como sou fanática por azeitonas e ouvi sobre uma degustação na região, também fomos à pequena fábrica familiar que produz azeite extra virgem de primeira qualidade, o Miguel Simone, com – 0,50% de acidez. A degustação é gratuita, mas só está disponível para possíveis compradores. O dono faz uma visita guiada ao maquinário onde o azeite é fabricado e ainda dá uma aula sobre o processamento da azeitona, que perde o amargor em barricas de salmoura. O grand finale consta de degustação de pedaços de pães embebidos em três tipos de azeites e azeitonas gorduchas de diferentes variedades. O nome da empresa é Russell e o endereço é Ozamis 1553, Russell, Maipú.

Outra dica para aproveitar o melhor de Maipú é parar para o almoço no restaurante Casa de Campo (Urquiza 1516, Coquimbito, Maipú), com comida caseira de lamber os beiços. A Colita de Cuadril al Malbec cozida em forno de barro, especialidade do simpático chef e dono da casa, estava deliciosa.

Sedes das bodegas têm instalações tão caprichadas quanto as adegas

LUJÁN DE CUYO

Luján de Cuyo tem as bodegas mais exclusivas, algumas bastante novas, mas não menos luxuosas, a maioria com capital estrangeiro. O mercado americano é um dos focos desses novos investidores, que capricham nos detalhes da produção de vinhos jovens, mas de altíssima qualidade.

Para as visitas a essas vinícolas menos turísticas, o ideal é fazer reservas. Como estávamos de carro, fizemos pessoalmente e voltamos no dia seguinte. Mas é possível reservar visitas guiadas (que terminam com degustações) por telefone. Experimentamos a Bodega Séptima, a Catena Zapata, Viña Cobos e Ruca Malen.

A Catena Zapata, bastante conhecida dos brasileiros, têm uma visita guiada muito legal, que vale a pena conferir. Já a Ruca Malen nos proporcionou um dos melhores momentos da viagem, depis de mais uma visita guiada pela bodega: um almoço harmonizado no restaurante que funciona na vinícola. Foram cinco pratos e cinco vinhos servidos num deck supercharmoso, no meio dos vinhedos, com o Aconcágua coberto de neve ao fundo. Comida e vinho estavam muito bons, mas a atmosfera era o que mais encantava. Pagamos 130 pesos argentinos cada. Fantástico.

O imponente Monte Aconcágua
O imponente Monte Aconcágua

PASSEIO PELOS ANDES E ACONCÁGUA

No inverno, a neve faz os turistas lotarem as estações de esqui que ficam na Ruta 60, que liga Mendoza, na Argentina, a Santiago, no Chile. No verão, turistas e aventureitos sobem para explorar o Parque do Aconcágua.

A estrada que corta os Andes é um dos passeios mais bacanas da província de Mendoza. As montanhas são ainda mais imponentes de perto e os pequenos túneis que as cortam são bastante curiosos. Sugiro subir de carro de manhã cedo, aproveitando para parar e apreciar as paisagens pelo caminho, com pequenos povoados e lagos.

A dinâmica nos Andes é muito interessante durante os dias quentes. As montanhas amanhecem cobertas de neve, que evapora com o sol forte ao longo do dia, e volta a cair durante a noite. Não importa quão quente esteja a temperatura na cidade, leve roupas de inverno caso queira se arriscar pelas trilhas do parque. Escalar a grande montanha, o temido Aconcágua, pode ser perigoso. É comum ler sobre mortes de escaladores e aventureiros no noticiário local. Só nos primeiros seis dias de janeiro do ano passado foram registradas quatro mortes, inclusive a de um experiente guia local. Não se arrisque a menos que esteja muito bem preparado.

Aos menos audaciosos, uma trilha de dois quilômetros e uma hora de duração apresenta o parque e satisfaz os visitantes. Na volta para casa, uma parada interessante é Puente del Inca, um vilarejo/feira de artesanato que vive do movimento de turistas atraídos por essa curiosa formação rochosa, em forma de ponte.

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Personal Trip

About the Author

Nada de sombra e água fresca. Daniela gosta mesmo é de explorar o mundo, os países, as cidades por onde passa. Mal acabam as andanças das últimas férias e já começam os planos para o próximo destino.

6 Respostas para “ O que ver e fazer em Mendoza, a capital sul-americana do vinho ”

  1. Muito bacana seu post!
    Mendoza é nossa cidade preferida na Argentina. Agora que a Gol vai fazer um voo direto saindo de São Paulo vai facilitar ainda mais as coisas.
    Em nossa primeira viagem, eu e minha esposa combinamos Buenos Aires com Mendoza, voando pela Aerolineas Argentinas.
    Em nossa segunda viagem, combinando Mendoza com Córdoba e região, fomos de carro.
    As estradas que ligam as cidades são bem conservadas em uma região desabitada da Argentina.
    Destino ainda desconhecido pela maioria dos brasileiros, as Serras que circundam Córdoba são sensacionais, com paisagens belíssimas, sem contar as cidades de colonização alemã, como Villa General Belgrano.
    Encontrei poucas informações em blogs, portanto fomos na cara e na coragem. Posso dizer que a viagem valeu muito a pena!
    Detalhei tudo em diversos posts, mas a viagem entre as duas cidades está no link abaixo, caso possa interessar.
    https://comidaparaviagem.wordpress.com/2015/01/18/de-cordoba-a-mendoza/
    Obrigado!

  2. muito boa suas dicas de Mendonza.O passeio de bike então!!

  3. Muito boas lembranças… realmente o almoço no vinhedo foi o ponto alto.
    Carro é super importante para conhecer os parques e as vinícolas…

  4. O seu blog é 10,é Ótimo. Venho juntando informações para conhecer Mendoza ainda em 2010. Aqui encontrei as melhores dicas.

  5. Mto bom! Mendoza é linda, tranquila e com ótimas opções para o lazer noturno também! Deu vontade de voltar!

  6. Deu vontade de visitar as vinícolas e de fazer a trilha. Acho que fico com a primeira opção! 🙂

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