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Mcleod Ganj: um pequeno Tibet dentro da Índia

pinturas monges

Paredes de tirar o fôlego

Foi o calor indiano insuportável que permitiu o meu encontro com o Himalaia. Meu roteiro incluia um grande passeio pelo deserto mas ao me deparar com o calor que beirava os 50 graus logo na primeira parada – Delhi – eu tive certeza de que precisava repensar a viagem.

Foi por indicação de duas brasileiras que há tempos moravam em Delhi – e que acabaram sendo nossos anjos da guarda – que acabamos em Mcleod Ganj. Eu que nunca tinha sequer ouvido falar da cidade fui convencida com os três primeiros argumento: nesta época do ano é superfresco, você verá paisagens incríveis do Himalaia e é onde mora o Dalai Lama, depois que ele foi expulso do Tibet.

Eu, que confesso nunca tinha parado pra pensar onde o Dalai Lama tinha se refugiado depois que os chineses invadiram o Tibet, senti naquele momento que Mcleod Ganj seria uma das experiências mais incríveis que eu teria na Índia. E não estava errada.

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A CIDADE

casa Dalai lama

Dalai lama mora aqui

Quem for a Mcleod depois de ter rodado um pouco pela Índia vai tomar vários sustos. Primeiro a cidade é pequena, bem pequena. Ao contrário de todo o resto do país onde em qualquer lugar reina a cifra dos milhões de habitantes, Mcleod tem apenas duas pequenas  ruas – uma que sobe e outra que desce – e é bem parecida com cidades hippies como Visconde de Mauá, no Rio, ou Ibitipoca, em Minas Gerais.

Depois porque – também ao contrário das demais cidades indianas – lá a maioria dos moradores são budistas e não hindus. Isso faz com os templos sejam completamente diferentes e as ruas sejam cercadas de homens e crianças carecas com a tradicional roupa vermelha. São os monges que moram em alguns dos templos da cidade.

No verão Mcleod Ganj é um paraíso no verão mas no inverno é beeem frio. Em qualquer época do ano chove frequentemente. Se programe direitinho.

CHEGANDO E SAÍNDO LÁ

bandeira tibet

Bandeira do Tibet e bandeiras coloridas por todo canto

Chegar em Mcleod é uma aventura. Como a cidade está aos pés do Himalaia não há trem que chegue por lá. O seu destino deve ser a cidade de Dharamsala. O nosso ponto de partida foi Amritsar mas também há ônibus para Dharamsala direto de Delhi. Entre Amritsar e Dharamsala são cerca de 250 km e a nossa viagem durou 9 horas! Culpa do sistema de transporte rodoviário indiano que é realmente muito ruim. Ônibus apertados e muitas pessoas em pé. A grande dica é: pegue o ônibus sempre no ponto de partida e nunca no meio do caminho ou você corre o risco de viajar durante horas em pé. No ônibus também não há banheiros, nem lugar marcado. Também só tivemos uma parada ao longo de todo o trajeto por isso leve água e comida.

Chegando em Dhramsala são mais 10 ou 15 km até Mcleod Ganj. Há ônibus locais que fazem o trajeto mas como chegamos muito tarde resolvemos rachar um táxi com outros viajantes que estavam no ônibus com a gente.

Na volta não teríamos tempo para encarar as nove horas de ônibus. O avião custava bem caro e resolvemos uma solução que aos olhos de qualquer viajante normal pareceria uma loucura mas que na Índia é perfeitamente viável:

atravessar um estado inteiro de táxi. Na volta fizemos os mesmos 250 km em 5 horas (ainda bem mais do que no Brasil devido às pessimas condições das estradas e aos motoristas indianos que dirigem devagar). Reservamos em uma das agências de turismo de Mcleod. Pesquise e principalmente barganhe. Essa “aventura” nos custou 50 dólares para duas pessoas em um carro com ar condicionado. Uma fortuna pra padrões indianos mas viável para um casal desesperado sem tempo pra outra opção.

Mandala

ONDE DORMIR

Em Mcleod há vários albergues e pequenos hóteis que atendem a qualquer tipo de viajante. Mas a grande jóia do lugar é o Chonor House Hotel, que é mantido pelo Instituto Norbulingka. O Instituto tem o objetivo de preservar a cultura tibetana e também dar suporte aos refugiados que chegam a Mcleod Ganj depois de longa jornada de cruzar o Himalaia para fugir da repressão chinesa. Ou seja,  não bastasse o fato de ser por si só uma maravilha, ao se hospedar no Chonor, você estará ajudando a preservar a cultura local. Quartos enormes têm motivos tibetanos com pinturas nas paredes e móveis superexclusivos que fazem você querer passar o resto da vida ali. A vista dos quartos (que tem varandas e são perfeitos pra você passar um fim de tarde tomando um chá tibetano) é simplesmente deslumbrante. De noite é um pouco frio mas para tomar café não abra mão da varanda do restaurante.

Bem, pra encerrar basta dizer que o Chonor House Hotel é a morada de todos os embaixadores do mundo que vão até Mcleod Ganj para se encontrar com Dalai Lama. A diária é uma fortuna pra padrões indianos mas é a sua única chance de poder pagar por um hotel frequentado por embaixadores e chefes de estado: 60 dólares pelo quarto! Claro que reservas são essenciais.

MOMOS

Os deliciosos momos

Comer é outra experiência incrível em Mcleod Ganj. Isso porque há iguarias que você só encontra lá, e no Tibet, claro. A grande estrela da culinária são os momos, um dim sum maravilhoso que pode ser recheado de vegetais ou carne de porco ou frango. Há dezenas de mulheres tibetanas que ficam nas esquinas com aqueles recipientes de bambu onde eles são cozidos. São super baratos e deliciosos. Peça com pimenta que dá um gosto especial. Mas o molho agridoce também é bom. Não vá embora sem experimentar.

Os momos são para enganar a fome, na hora de comer a pedida é escolher um dos restaurantes tibetanos e escolher um menu. Ou um macarrão que é parecido com um yakissoba mas com uma textura diferente. Também há opções de restaurantes com comidas internacionais como pizza mas também não vá embora sem tentar ao menos um tibetano. O restaurante do Chonor também é outro programa imperdível. O lugar é aberto mesmo para não hóspedes e tem comida tibetana estilo cinco estrelas com preços três estrelas.

O QUE VER

Agradecimentos

Tsuglagkhang – É um complexo de lindos prédios onde estão localizados a casa do Dalai Lama, o principal templo da cidade e também uma linda biblioteca. Você consegue ver tudo em mais ou menos uma hora mas de verdade se programe pra passar pelo menos uma manhã por lá. Isso porque a graça é justamente ver tudo com calma, reparar em cada detalhe, assistir a um pouco das rezas dos monges, ver o trabalho dos voluntários que cuidam para que cada vela do tempo não se apague e também se divertir com as dezenas de macacos que ficam pulando de galho em galho chegando bem perto dos visitantes num local que é uma espécie de terraço. Além disso, Tsuglagkhang também tem uma incrível vista das montanhas do Himalaia. Guarde um tempinho pra contemplação e viaje por lá. No fim vá até o Nagymal Café, que fica também dentro do complexo, para saborear um delicioso bolo mas principalmente um chá tibetano. Eu tomei um de gengibre com mel que vai ficar guardado pra sempre na memória.

Ao ladinho do Tsuglagkhang fica o museu do Tibet. O lugar é bem pequeno mas deve ser visitado. Ele conta com fotos e textos a história do Tibet e a invasão dos chineses. Mas pra mim o mais legal foram as histórias e fotos da travessia dos refugiados. Para fugir da opressão dos chineses, muitos tibetanos – o Dalai Lama, inclusive – cruzaram a pé o Himalaia numa jornada que dura dias e é bastante adversa. É impressionante olhar todas as fotos e principalmente depois olhar para várias pessoas nas ruas e saber que elas estão ali depois de ter feito aquilo.

Moradores

Um pouquinho afastado da cidade – a mais ou menos 20 minutos de caminhada – fica o secretariado do Governo tibetano no exílio. É basicamente um conjunto de prédios onde estão localizados a administração do governo. Mas a visita vale principalmente pelo museu cultural, que é definitivamente o lugar mais impressionante que eu vi em Mcleod Ganj. Lá estão quase todas as peças que os refugiados conseguiram trazer durante a fuga do Tibet. Pinturas milimetricamente perfeitas, esculturas também perfeitas além de trabalhos feitos em areia deixam qualquer um de boca aberta. Além disso, parte dos prédios do secretariado são efeitados com aquelas lindas pinturas tibetanas do teto. É só olhar pra cima e começar a viajar. No local também está a biblioteca e arquivo de documentos tibetanos. A caminhada até lá é um pouquinho puxada – com algumas subidas na volta – e muita gente opta por um táxi. Se você gosta de caminhar eu sugiro ir a pé mesmo. As paisagens valem a pena.

Baghsu é um pequeno vilarejo que fica a 2 km de Mcleod. O caminho é lindo e no vilarejo o turista encontra o novo templo, que apesar de ser infinitamente menor do Tsuglagkhang também vale a visita, e uma linda cachoeira (mas não se anime, é apenas para ver e não para tomar banho).

Há também uma visita ao imperdível Norbulingka Institute e diversos trekkings que podem durar algumas horas ou dias. Tudo isso pode ser agendado em uma das diversas agências de turismo de lá.

Nada da China

E POR FIM: COMPRAS

Uma coisa é curiosa, Mcleod Ganjes é o único lugar do planeta que não vende nada made in China. É comum você entrar nas lojas e ver um enorme adesivo com o aviso. Deixando as piadas de lado, há produtos lindos que você também só encontra lá. Quem se impressiona com as pinturas feitas por monge tibetanos pode levar pra casa um pôster que são vendidos em lojas específicas para isso. Não é barato mas vale porque o trabalho é exclusivo, nenhum é igual ao outro. As peças em madeira também são de impressionar pelos detalhes talhados e pelas pinturas que são sempre lindas.

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Personal Trip

About the Author

Destinos exóticos e desconhecidos. É em lugares assim que Reba prefere passar as férias. Isso deve ser uma desculpa para poder passar os outros 11 meses do ano planejando a viagem.

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