• RSS
  • As Viajantes no Facebook
  • Siga-nos no Twitter

Madri: comer, beber, comprar

Antes, durante e depois dos passeios descritos no post anterior, você pode completar seu roteiro por Madri com experiências gastronômicas, etílicas e, claro, com lembrancinhas, porque ninguém é de ferro e capital espanhola oferece ótimas opções para encher a mala.

COMER: A Espanha é um paraíso para quem quiser levar a sério a ideia de que se conhece um país pela sua comida. Entre os petiscos ou tapas típicos (aliás, vale lembrar que tapa em espanhol vem no feminino, “la tapa”), tem que provar as croquetas de jamón, o jamón serrano, o queso manchego, a tortilla, os chipirones (espécie de lulinhas, que podem vir na chapa –plancha– ou empanadas), chopitos (microlulas, normalmente empanadas), a sepia (também um molusco, que fica melhor na chapa), os champiñones a la plancha (cogumelos grandes e muitas vezes com bacon no seu chapeuzinho), as empanadas ou empanadillas (pasteizinhos, normalmente de camarão) e os pintxos (ou pinchos). Estes merecem um capítulo à parte, porque são originais do País Basco e  consistem em petiscos espetadinhos com um palito, acompanhados de pão ou não. Tem de tudo: Com frutos-do-mar, com almôndega, com carne, com porco, com frango, com cogumelos… Alguns são verdadeiras obras de arte. Os melhores estão no norte do país, mas em Madri tampouco fazem feio.

Nós somos os pintxos, muito prazer

Pintxos. Coma sem perguntar

Entre os pratos típicos, se destacam, claro, a paella (apesar de estar longe do mar, Madri arrasa nos pratos com crustáceos), o cochinillo (“leitãozinho”, mas se puder comê-lo em Segóvia, melhor), arroz negro (com tinta do polvo), gazpacho (sopa fria de tomate, mais comum no verão) ou salmorejo (parecido ao gazpacho, só que mais densa e leva bacon e ovos cozidos picadinhos em cima), entre outros. De típico de Madri, tem o cocido madrileño (cozido com grão-de-bico, morcela, chouriço, repolho e toucinho), callos (dobradinha) e conejo al ajillo (coelho no alho). Muitos viajantes optam pelo menú del dia, servido por quase todos os restaurantes do centro. Custam entre 8 e 15 euros e incluem primeiro prato (normalmente uma salada, uma sopa, um revuelto de ovos ou uma massa), segundo prato (carne, porco, frango ou peixe), bebida e a opção de escolher entre café ou sobremesa, normalmente um pudim de leite (eles chamam de flan), gelatina, sorvete, fruta, iogurte ou suco de laranja, que para eles é como uma sobremesa também. Escolher três, quatro e até dez restaurantes é um sacrilégio porque há muitos legais. Mas vou indicar alguns dos meus preferidos.

No caso de buscar uma opção prática para um viajante beliscar ou lanchar de dia ou de noite: O Cervantes (calle Cervantes, 38), fica perto do Paseo del Prado e tem as tostas (torradas) mais gostosas da cidade, com a opção de ter por cima cogumelos, camarão, jamón, bacalhau e muitas outras. A salada de atum com verduras é maravilhosa também. Outro lugar para bater ponto é a rede 100 Montaditos, com restaurantes espalhados por toda a cidade (há na calle Mayor e perto do Palácio, por exemplo), que tem 100 opções de montaditos (sanduichinhos pequenos) salgados e doces. São deliciosos. Para provar bons pintxos, outra rede, menos popular, também é uma boa: Lizarrán (tem na Calle Princesa, perto da Plaza de España). Você come os pintxos e guarda os palitinhos (cada cor é um preço e cada um não chega a dois euros). Lá você pode provar também um txacolí, espécie de vinho branco opaco típico do País Basco. Se quiser um pouco de tudo, dê uma passado no Mercado de San Miguel, restaurado há pouco tempo e que oferece produtos típicos e provinhas para todos os gostos. E pra terminar a comilança, o Melo’s (calle Ave Maria, metrô Lavapiés). É um bar galego (não abre às segundas nem aos domingos) e é uma loucura. Lotadíssimo, se você não chegar cedo (só abre à noite, umas 20h) vai se desanimar ao ver aquele monte de gente se espremendo. O ideal é tentar conseguir uma das quatro mesas do fundo e pedir (na barra e levar pra mesa) logo uma zapatilla, mega sanduíche (dá para umas seis pessoas) de lacón (carne de porco) e queijo tetilla (queijo típico da Galícia em forma de “peitinho”, daí o nome “tetilla”). Mas o melhor do Melo’s são as croquetas, gigantes e com muito bechamel.

Veja o tamanho da "zapatilla" do Melo's

Veja o tamanho da “zapatilla” do Melo’s

Para refeições, recomendo o La Ancha, que fica na pequena calle Zorilla, atrás do Congresso de Deputados. É meio caro, mas tem pratos de arroz maravilhosos. Mais em conta é a rede de arrocerías L’Arruzz que tem um ótimo custo-benefício. Os espanhóis comem mais arroz como prato principal (há vários, como a paella, por exemplo) do que como acompanhamento. Um muito conhecido também é o El Sobrino Botín, na Plaza Mayor, aonde nunca fui por implicância (é muito turístico) e porque o prato principal é o cochinillo (não como porco). Mas quem foi volta sempre e ele entrou no Guiness como restaurante mais antigo do mundo (é de 1725). O Gran Café Gijón (Paseo de Recoletos, 21) é outro clássico da cidade, com um bacalhau a pil-pil muito bom. Um restaurante de que sou fã é o Con dos fogones,  de comida moderninha. Lá você tem a oportunidade de comer uma boa carne argentina e pratos com temperos de outros países. Mas não coma o frango indiano, único prato que reprovo de lá. Aliás, a rua do Con dos fogones, calle San Bernardino, é ótima para quem está em dúvida do que comer. Há vários restaurantes de comidas típicas por ali, a maioria asiática. Outro endereço interessante para provar um pouco de tudo é a calle Manuela Malasaña, metrô Bilbao. Cada vez que vou até lá me supreendo. Tem de tudo: comida espanhola, mexicana, asiática, italiana (o Allora Qui é bem gostosinho e tem menus de almoço de menos de 10 euros durante a semana), um pub irlandês e até um restaurante etíope, o Mesob. Essa rua (minha preferida da cidade) também conta com lojinhas bacanas (veja abaixo em COMPRAR)

BEBER: Antes de começar este item, uma advertência. A maioria dos bares bons de Madri (e da Espanha em geral) são lotados, você fica em pé  (sentado pode ser mais caro), fedem a cigarro (quase todo mundo fuma e não há um controle sério com isso) e/ou a gordura, têm o chão cheio de guardanapos (os clientes jogam no chão sem cerimônia) e o cara detrás da barra (balcão) normalmente está estressado. Mas, mesmo assim, é maravilhoso. Esqueça o conceito de boteco-arrumadinho tão comum no Rio e em Sampa. Aqui é outra história. Você pode começar pedindo uma caña (chopp), que normalmente vem em um copo pequeno, parecido ao nosso garotinho. Custa de 1,20 a 2,00 euros, dependendo do bairro. Se você pedir uma cerveza, pode vir um copo maior (ou uma garrafinha), mas para garantir que vai beber uma boa quatidade por copo, peça uma doble (mais ou menos equivalente à pint britânica, que em alguns lugares eles chamam de pinta). Normalmente, quando você pede uma bebida, te servem uma tapita, que podem ser umas batatinhas, umas pipas (sementes de girassol), umas azeitonas ou, com sorte, algo melhor.

Vale a pena ir a alguns dos bares que citei no item COMER  e também dar uma volta no bairro de La Latina (metrô La Latina), onde a chance beber mais barato é grande, principalmente se você se meter em algum bar da Plaza de la Cebada (olha que nome apropriado) ou Plaza de San Andrés. Cuidado pra não cair nos encantos do bar El Viajero, que fica na Cebada. É um lugar ótimo e sempre lotado, mas destoa de La Latina porque é meio carinho (principalmente na parte de dentro ou no terraço). Outros bairros que reúnem bons bares são Tribunal (metrô Tribunal), principalmente na Plaza Dos de Mayo, e Bilbao (metrô Bilbao). A Plaza de Santa Ana também tem bares bacanas e o meu preferido ali é o Lateral, mais arrumadinho, pra ficar sentadinho e comer a melhor tortilla que já provei. A área de Malasaña e Chueca reúne o pessoal que gosta mais de discotecas da moda (uma clássica, da época da movida e que continua lotada, é a Via Láctea), enquanto a calle Huertas (perto de Sol) tem diversos bares de copas, que ficam abertos até umas 3h.  O bar Ojalá (Calle San Andrés, 1), em Malasaña, é um dos mais originais da cidade, com um piso repleto de areia de praia, importando o clima mediterrâneo da costa espanhola a Madri.  Perto da Gran Via, há o famoso El Tigre (calle de las Infantas, 30), conhecido por servir generosas tapas (de graça). Mas é bem cheio e a cada dia tem mais gringo por lá. Um coleguinha do blog que morou em Madri durante um tempo fez uma seleção ótima de bares e discotecas da cidade (algumas já citadas aqui), vale a pena conferir sua lista.

Os espanhóis são famosos por misturas etílicas que nem sempre saem bem. É comum vê-los tomando sangría ou tinto de verano (mistura de vinho de baixa qualidade com água gasosa aromatizada). Pense bem antes de pedir. Não é ruim, mas tampouco é bom. Outra mistura polêmica é a caña clara (chopp com Sprite ou com a água aromatizada gasosa La Casera). Essa me pegou. Admito que para uma carioca é um pecado colocar qualquer coisa no chopp, mas como a cerveja espanhola é mais forte que a brasileira, há dias em que prefiro tomar uma clara. Aliás, cerveja mais famosa é a Mahou, mas também tem a Cruzcampo, a San Miguel e a Estrella Damm, disparada a melhor pra mim (só que não é tão fácil de encontrar em Madri porque é catalã). Agora, não prove o calimocho. Essa sim é uma mistura bizarra: vinho ruim com coca-cola. Argh!

Caña clara e pipas

Caña clara e pipas

Você já deve ter ouvido falar do botellón, que é a prática de beber na rua.  Normalmente feito por adolescentes ou jovens adultos (muitos universitários), o botellón é proibido na Espanha e os beberrões estão sempre tentando driblar os policiais. Você certamente vai cruzar com algum (ou com a sujeira que eles deixam na rua), principalmente por La Latina. Se lhe convidarem para um botellón, saiba que há o risco de ser chamado a atenção por um policial, o que não é muito legal para um estrangeiro. Para terminar a noite, quase todo mundo vai repor as energias na Chocolatería San Ginés (Pasadizo San Ginés, 5), no centro, que tem um chocolate quente dos deuses, acompanhado de churros (fininhos) ou porras (churros grossos, sem recheio), para molhar no chocolate.

COMPRAR: Se você chegar a Madri e der de cara com os cartazes de “rebajas” nas vitrines, pode se preparar. Vai ser difícil resistir. As super liquidações espanholas rolam no verão e no inverno, mas podem aparecer em outros momentos também. Os principais centros de compras são as ruas que desembocam na Puerta del Sol (como a Carretas e a Carmen) e a Gran Vía, com lojas  internacionais (H&M, por exemplo) e muitas nacionais, como Zara, Bershka, Stradivarius, Blanco, Mango e Sfera, além do El Corte Inglés, a rede mais famosa da Espanha, uma loja de departamentos que vende marcas internacionais, objetos para casa, eletroeletrônicos, cosméticos, tem supermercado, enfim, você encontra qualquer coisa lá.

Se quiser fugir das marcas mais conhecidas, corra para a calle Fuencarral, onde ainda há ateliers e lojinhas bacanas não tão conhecidas. Lá rola também o Mercado de Fuencarral, que quase foi fechado este ano, mas está resistindo bravamente. A área de Malasaña, além de ser uma boa para a noitada, também reserva lojinhas bacanas, principalmente na rua que originou seu nome, a calle Manuela Malasaña. A sapataria Delishoes, as lojas retrôs Popland e Twist & Shop e a de camisetas Le Trip são algumas de suas paradas mais bacanas.

Uma opção bem popular (em todos os sentidos) é passar uma manhã de domingo no Mercado del Rastro, em La Latina. Abre às 9h e fecha às 15h.  Se trata do mercado das pulgas de Madri e convém avisar, mais uma vez,  para se ter cuidado porque tem muito batedor de carteira ali. Depois de fuçar bugigangas, vale parar na Cervecería Cruz, que fica na esquina das ruas Maldonadas e Toledo (é o mais lotado, com umas janelonas de vidro) pra beber e comer tapas ou no Capricho Extremeño (Calle de Carlos Arniches 30) para forrar o estômago com suas famosas tostas.

Quer imprimir este post? Clique aqui.

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

4 Respostas para “ Madri: comer, beber, comprar ”

  1. Oi, João. No Brasil, o jamón costuma ser caro porque, como qualquer produto importado, tem taxas por trás. Na Espanha, ele é mais acessível porque há jamón de diversos níveis e preços, mas no Brasil acabam chegando os de melhor qualidade e que também são mais caros. Alguns supermercados internacionais (como o Carrefour) e outros mais elitizados (como o Pão de Açúcar) devem vender mais barato do que os restaurantes, mas, mesmo assim, acho que barato não vai ser, infelizmente. 🙁

  2. boa noite desculpe eu gostaria de comer jamon serrano mais nao tenho dinheiro para isso pesso sua ajuda fique com deus

  3. Saudades de Madri…

  4. Amei, amiga! Quando for a Madrid quero q vc me leve a todos esses lugares. :o)

Deixe uma resposta

Você pode usar estas tags xHTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <blockquote cite=""> <code> <em> <strong>