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Ibitipoca, aventura nas cachoeiras cor de Coca-Cola

Quando eu ganhei um dia de folga para juntar com o feriado, imediatamente comecei a pensar para onde deveria ir. Eu não queria passar horas dirigindo, mas também não me agradava a ideia de desperdiçar essa raridade que são quatro dias de folga em um destino que fosse muito perto de casa que e poderia ser desfrutado em um fim de semana.

Cachoeira para todos os gostos

Foi quando eu me lembrei de Conceição de Ibitipoca, no sul de Minas, de onde eu guardava lembranças maravilhosas de uma viagem feita em 2003 com amigas-irmãs. Desta vez a viagem foi romântica e a experiência igualmente incrível. Como já disse a Flávia, Ibitipoca é mesmo um destino para agradar qualquer tipo de viajante!

CHEGANDO

Ibitipoca fica a 270 Km do Rio. Quem vai de São Paulo encara quase 500 km e de BH são 350 km. Para quem parte de Juiz de Fora é bem pertinho. Enfim, não importa de onde você venha, o seu destino é a cidade de Lima Duarte, que é acessada pela BR 040 e depois BR 267. As condições da BR 040 são espetaculares (também pudera, quem vem do Rio paga R$ 22,5 de pedágio!!) e eu também não tive grandes sobressaltos na BR 267 no trecho até Lima Duarte. Chegando lá começa a parte mais chata da viagem: são 27 km em estrada de terra até Conceição de Ibitipoca. Eu achei a estrada boa, mesmo depois de chuva. Em alguns trechos há até calçamento, mas espere gastar quase uma hora de viagem nesse trecho.

O PARQUE

O centro de visitante: pra sentir orgulho.

Qualquer brasileiro que chegue ao Parque Estadual de Ibitipoca fica orgulhoso daquilo existir. É um exemplo de gestão de parque que não deixa a dever a qualquer lugar do mundo! Para chegar na entrada você encara 2 km desde o centro de Ibitipoca. Se você chegar cedo, consegue parar o carro lá dentro e paga 5 reais por isso. Se optou por dormir mais um pouco ou comer muito no café da manhã, um gentil guarda florestal vai te abordar dizendo que não há mais vagas e irá te orientar a parar em um lugar onde você não criará caos no trânsito.

Quem está sem carro pode optar por fazer o trecho a pé ou então pegar uma kombi que faz o transporte desde a cidade.

Uma vez lá, você paga 10 reais para entrar no Parque. Quem tiver carteira de estudante paga meia. E, acredite, você vai ter prazer em pagar pela entrada. Logo depois do pagamento uma pessoa vai te dizer que é preciso guardar o papelzinho porque você terá que devolvê-lo na saída. É um controle para ter certeza de que ninguém ficou perdido por alguma trilha.

Da entrada você anda 1 km e chega até um lindíssimo Centro de Visitantes, onde poderá aprender mais sobre a fauna e flora do parque além de tirar todas as dúvidas sobre trilhas, grutas e cachoeiras com os funcionários que fazem questão de explicar tudo com todos os detalhes. Lá você também poderá pegar vários mapinhas que serão uma mão na roda durante as caminhadas.

OS CIRCUITOS

O Parque Estadual de Ibitipoca é cheio de cachoeiras e grutas. A melhor forma de conhecer o Parque é escolhendo um dos circuitos. Todos são absolutamente bem sinalizados com placas que indicam não apenas a direção mas também a distância desde o ponto de início até o fim da trilha e as atrações que você vai encontrar pelo caminho.

Águas transparentes

O Caminho das Águas – é o circuito mais simples e também o mais gostoso. Ao todo são 5 km e é onde você vai encontrar o maior número de cachoeiras e poços. Na nossa estada por lá vimos muitas crianças nessas trilhas. Você começa na Prainha, que fica a apenas 120 metros do início da trilha e pode subir até a Cachoeira dos Macacos ou descer até o Lago dos Espelhos. Eu aconselho fazer os dois. Os trechos não são tão cansativos e se fizer parando você nem vai ver o tempo passar. Como a Flávia já contou, em praticamente todos os lugares você vai conseguir mergulhar. A Ponte de Pedra é legal para quem quer ter uma aventura em uma gruta sem fazer muito esforço.

Grutas incríveis

O Pico do Pião – Esse é o roteiro intermediário. Tem 10 km (ida e volta) e leva até o Pico do Pião, que é a segundo ponto mais alto do Parque, a 1722 metros. Eu fiz essa trilha da primeira vez que estive lá, com as amigas-irmãs e um cunhado agregado. Preciso dizer que não foi exatamente moleza mas a gente aguentou bem. No caminho, alguns trechos íngremes e  subidas pela pedra. Na trilha você vai passar por três grutas e a ruína de uma capela. Eu me lembro que em uma gruta tem um passeio incrível em que você mergulha num poço, passa por uma fenda na pedra e chega ao outro lado. Só é possível fazer a travessia por debaixo da água e é preciso abrir o olho para poder enxergar o buraco por onde se deve passar. Por isso, quem usa lente de contato deve levar a caixinha pra tirá-la antes da aventura e não correr o risco de ficar às cegas no resto da trilha. Não é preciso ser profissional de apneia pra isso. O mergulho é curtinho e vai demorar menos segundos do que você costumava ficar no fundo da piscina na brincadeira de prender a respiração quando criança.  Em outra gruta você também pode passar por uma fenda bem estreita – dessa vez no seco – e chegar num grande salão com uma clariboia de nove metros. O visual é incrível. Obviamente eu não me lembro os nomes de nenhuma das duas grutas, mas você pode pesquisar isso no centro de visitantes. E em hipótese nenhuma comece a trilha sem lanterna. Elas são fundamentais nas grutas. Ou então você vai ficar como a gente que dependeu de luz de celular e da lanterna de pessoas que passavam por lá.

Merecido descanso no ponto mais alto do parque

A Janela do céu – Esse é o grande desafio do Parque Estadual de Ibitipoca. Na primeira viagem eu passei a trilha de 16 km (ida e volta) principalmente depois de ler que não há cachoeiras ou poços no caminho. Mas nessa segunda viagem eu achei que deveria encarar o caminho até o ponto mais alto do parque, que fica a 1784 metros, principalmente por estar junto do meu companheiro de aventuras preferido. Bem, eu quase tive um treco, achei que ia morrer várias vezes no meio da trilha, me perguntei por que diabos eu estava fazendo aquilo mas cheguei ao final realizada. E posso dizer que é realmente incrível. O ponto mais crítico é justamente o começo. Até o Pico da Lombada – que é o meio do caminho -é só subida meeesmo. Mas tente ser forte. Depois disso o caminho ou é plano ou de descida, ao menos até a Janela do Céu. Quando você fizer a trilha de volta terá que encarar novas subidinhas. No caminho você vai passar por quatro grutas – da Cruz, dos Fugitivos, dos Três arcos e do Moreira. Como elas estarão no caminho eu acho que todas valem a pena. Depois de umas quatro horas de caminhada você finalmente chega à Janela do Céu. E lá no topo estão as cachoeiras mais lindas que eu vi no Parque. A janela do céu é na verdade é o início de uma enorme cachoeira, que fica emoldurada por árvores. E o melhor é que a água é fraquinha e você pode chegar bem pertinho do início da queda, olhar rapidamente pra baixo e dar um passo atrás de pavor.

O nascer de uma cachoeira

Por isso, se você encarar a trilha não fique apenas no mirante. Desça até a cachoeira. E lá que está a melhor vista. Depois você ainda vai poder se refrescar na Cachoeirinha, que na verdade é uma enorme queda de água com um grande poço, perfeito pra um mergulho depois da caminhadona. Aí vem o caminho de volta.  Em vez de voltar tudo pelo mesmo caminho, a dica é seguir pelo trecho da Gruta do Monjolinho. Assim você encara menos subidas. Esse caminho também é mais rápido A partir da Cachoeirinha, comece a seguir as placas camping. De novo o trecho inicial é o pior. São três horas caminhando. No fim você chega ao camping e caminha mais 1 km até a entrada do parque, onde finalmente vai ver seu carro de novo. Cansado mas realizado.

ESSENCIAL NAS TRILHAS

Trilhas sobre as pedras

As águas das cachoeiras de Ibitipoca são cor de coca-cola por causa dos sedimentos mas fique tranquilo porque elas são limpíssimas. Agora, o gosto é bastante estranho. Então, se você for encarar as trilhas leve água suficiente para todo o trajeto. A prática comum de abastecer a garrafa nos córregos pode não ser uma boa ideia por lá. Além disso, a mochila deve ter alguma coisa pra comer e lanterna para as grutas. Sapato confortável é um conselho batido em caminhadas mas em Ibitipoca além do conforto preste atenção também no solado. Isso porque boa parte das trilhas são em cima da pedra e se tiver chovido escorrega um pouco. Nós fomos em novembro e o clima estável bem instável. Choveu e fez sol todos os dias, várias vezes. Por isso, mesmo que esteja nublado leve e passe protetor. Ou você corre o risco de acabar um camarão.

HOSPEDAGEM

Acordar e dar de cara com essa vista

Da primeira vez nós acampamos. Eu não lembro o nome do camping mas ele adotava uma prática comum por lá: ter camping e hotel no mesmo espaço. Assim mesmo quem fica no camping pode usufruir da piscina, sauna e do café da manhã mineiro, assim como os hóspedes dos chalés (mais ou menos no mesmo esquema que a Alícia ficou em Itamambuca). Enfim, Ibitipoca é um paraíso para quem gosta de acampar. Como a Flávia já disse é possível acampar dentro do Parque mas as vagas são limitadíssimas e é preciso reserva. Além do mais, quem quiser ficar lá dentro precisa estar de volta até 20h – ou seja, nada de estripulias de noite. Na viagem romântica nossa morada foi o hotel Quinta do Barão, que só merece elogios! Mas por ficar no meio do caminho entre a cidade e o parque é preciso de ter carro pra encarar ladeiras de lama. O isolamento garante total privacidade aos cinco chalés e também uma vista espetacular. Uma lareira completa o clima. O café da manhã também é sensacional e a dona do local uma simpatia. Recomendo!

LENDAS

As flores roxas também são características do parque

Ibitipoca é a terra do pão de canela e também dos lobos guará. O pão de canela você encontra em qualquer esquina, já conseguir ver o lobo guará é o objetivo de muita gente que se embrenha nas trilhas. Eu não tive a menor pretensão. Inclusive, eu achava que a existência do lobo guará era mais lenda do que qualquer coisa. Isso foi até o voltarmos exaustas da trilha e percerbermos a barraca com um buraco imenso. Primeiro pensamento de três meninas da cidade: meu deus, alguém invadiu a barraca. Um pouco mais calmas, nós percebemos que apenas a comida estava revirada. Fomos conversar com o dono do camping que disse que aquilo era obra do lobo guará que invadia barracas em busca de comida. Se foi ele ou não a gente não sabe, mas pra quem for acampar vale a dica: nada de comida no chão da barraca. Deixe tudo pendurado.

COMENDO

Além do clássico pão de canela e da maravilhosa comida mineira, em Ibitipoca nós experimentamos algo que eu nunca tinha visto: medalhão de truta. Ele pode vir com molho de alcaparra e de queijo, que apesar de ser menos tradicional foi o que mais nos agradou. Você pode encontrar o prato em vários restaurantes mas a nossa escolha foi o Alto dos Manacás, logo na descida do parque. Não tivemos bala na agulha pra nos hospedarmos lá mas o hotel é aberto a qualquer pessoa e a refeição valeu principalmente para poder curtir um dos melhores fins de tarde da vida. Não espere um prato muito farto, mas o passeio vale principalmente pelo ambiente.

Vista liinda e restaurante fofo

DE NOITE

Conceição de Ibitipoca é um pequeno (pequeno meesmo!) vilarejo que se ergueu em volta de uma igrejinha (fofa, por sinal). Então não é um lugar pra quem ama noitadas. Na viagem romântica a nós levamos garrafas de vinho e em frente à lareira ficamos exercitando o lema “a gente se basta.” Mas na viagem de amigas a gente se aventurou um pouco pela noite. Nos feriados rola uma agitaçãozinha em frente ao bar Itibitilua.

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Personal Trip

About the Author

Destinos exóticos e desconhecidos. É em lugares assim que Reba prefere passar as férias. Isso deve ser uma desculpa para poder passar os outros 11 meses do ano planejando a viagem.

4 Respostas para “ Ibitipoca, aventura nas cachoeiras cor de Coca-Cola ”

  1. Olá “Viajantes”. Estive em Ibitipoca em Dez/2009. Tudo de bom mesmo, pra quem gosta de muita natureza. Só indo pra sentir a energia do lugar Espero voltar o mais rapido possivel.

    Abraços a todas!

  2. Que liiiindo!!!
    Deu mesmo vontade de conhecer o lugar. A delícia de viajar para parques como esse é saber que as maravilhas estão sendo conservadas para as gerações futuras, e que o turismo é explorado de forma limpa e o mais sustentável possível (já que impacto a gente vai causar mesmo, de uma forma ou de outra). E muito obrigada pelos detalhes, ajudam muito os viajantes de primeira viagem!!
    Abraço, meninas!

  3. Renata esqueceu (ou preferiu não) mencionar que Lima Duarte é onde nasceu…Lima Duarte

  4. Essa última foto ficou o máximo. Deu vontade de conhecer.

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