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Eu já… visitei um campo de concentração

A enfermaria foi o lugar que mais me impressionou

A enfermaria foi o lugar que mais me impressionou

Ir a Alemanha e não visitar um campo de concentração é como ir a Roma e não ver o Papa. Mas prepare-se… É um programa que mexe fundo nos sentimentos de qualquer um, tenha você raízes judaicas ou não. É uma mistura de opressão, vergonha e horror difícil de explicar.

Leia mais posts sobre a Alemanha aqui.

Fiquei uma semana em Berlim e separei um dia para conhecer Sachsenhausen, campo de concentração localizado no subúrbio da capital alemã. Como não é permitido entrar no campo sem um guia, me juntei a um dos grupos oferecidos pela New Berlin Tours – eles oferecem grupos em espanhol e o valor arrecadado com os turistas é doado para o memorial do campo. Uma dica: preste atenção ao seu bilhete de bahn pois alguns tickets dão direito a sair do perímetro urbano sem acréscimo da tarifa.

Entrada de Sachsenhausen

Entrada de Sachsenhausen

Saímos por volta das 10h e a viagem durou cerca de 30 minutos. Nosso guia aconselhou que comprássemos lanche e água – quando a gente para pra pensar é que se dá conta de que é óbvio que lá não tem onde comer…

Sachsenhausen fica na estação de Oranienburg, uma cidade bem pequena e residencial. Já na entrada, uma planta em alto relevo das instalações daquele campo, que funcionou de 1936 a 1945.

Ao ultrapassar o portão de entrada parece que a energia muda. É impossível olhar para aquele descampado silencioso e bem cuidado e não pensar em quantas pessoas foram torturadas e morreram ali. Até hoje eu me arrepio. Ainda no portão, duas coisas chamam a atenção dos visitantes: o relógio, que marca 11h08, horário em que o campo foi oficialmente desativado, e a inscrição no portão “Arbeit Macht Frei“, que significa “O trabalho traz a liberdade” (!)

Muitas construções originais continuam lá, dividindo espaço com homenagens aos mortos que se espalham por diversos pontos do campo. Os casebres de madeira que funcionavam como alojamentos foram conservados tal e qual foram construídos. Nos dormitórios, dezenas de beliches enfileirados e sem nenhum espaço entre eles. Nosso guia – um espanhol que sabia tudo de História da Alemanha – contou que não havia um melhor lugar para dormir pois no verão, quem ficava em cima sentia muito calor, no inverno o frio castigava quem dormia embaixo, próximo ao chão. Tudo era desumano.

Dormitório: espaço mínimo entre os beliches

Dormitório: espaço mínimo entre os beliches

Outra informação importante: havia os campos de concentração (usados apenas como prisões, a princípio) e os campos de extermínio (que surgiram posteriormente com o único objetivo de matar pessoas). Sachsenhausen era um campo de concentração. Porém, com o avanço da guerra, começou-se a testar formas de exterminínio, já que a quantidade de presos só aumentava. Primeiro, criaram um paredão de fuzilamento isolado, porém próximo, do resto do campo. Em seguida, instalaram as câmaras de gás… As pedras que demarcam as paredes continuam lá.

Mas o lugar que mais me impressionou foi a enfermaria. Pela frieza das instalações e pelo que ela escondia: no subsolo havia um laboratório onde eram feitas experiências de todo o tipo com presos vivos que raramente retornavam aos seus dormitórios. Era um lugar escuro, muito frio, e que ainda hoje assusta.

Por volta das 16h voltamos a Berlim. No trem, todos meio calados, como que digerindo tudo o que havíamos visto. Era um dia ensolarado e frio, ótimo para continuar passeando por mais algumas horas. Parecia que a cidade nos recebia de volta e dizia: “todo aquele horror passou, agora está tudo bem…” E Berlim continuou me surpreendendo e encantando por mais alguns dias.

Vestígios das câmaras de gás existem até hoje

Vestígios das câmaras de gás existem até hoje

Personal Trip

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Pelo Brasil ou exterior. Sozinha ou acompanhada. O negócio é botar o pé na estrada. Tem coisa melhor?

9 Respostas para “ Eu já… visitei um campo de concentração ”

  1. Oi Leila,

    Não existe uma melhor época do ano para a visita. Mas como a Alemanha é um país bem frio, eu sugiro que você viaje na primavera ou no verão. Eu estive lá em abril e Berlim estava beeem geladinha.
    Certamente será uma experiência marcante pra você, ainda mais com essa proximidade com a história toda. Boa viagem e volte aqui no blog pra contar como foi. 🙂

    Abraços,
    Isabella

  2. Meu papai foi prisioneiro de um campo de concentracao
    Por isto quero muito visitar um ou todos, gostaria de saber qual a melhor epoca do ano para esta vista.

  3. Estou em Berlim, dia 22/1/2012 – para ir no campo de concentracao nao e necessario ir com nehum grupo. Pode sim, ir sozinho. Entao, pega o trem na estacao de berlin e vai ate o fina da linha S1. Ok?
    Obrigado
    Rogerio

  4. Oi Evellyn,

    essa informação de que só se entrava no campo com guia foi dada pelo nosso guia… Muito obrigada pela correção!

    Um abraço,
    Isabella

  5. Olá Isabella!!

    Eu estive nesse campo de concetração em abril deste ano e, onde vc menciona que é permitido somente a entrada com guia, não creio, pois entramos todos sem guia, alugamos os audios por 2€ cada um e só.. (entrada é gratuita).

  6. Acabo de voltar de viagem. Estive em Munique e fui no Campo de Concentração de Dachau.
    Realmente é angustiante, mas deve ser visitado. É a história nos permitindo conhecer de perto o que se passou por ali. E o que não deve acontecer novamente em nenhum outro lugar do mundo. Vale refletir.
    Abraços, Ana Paula

  7. Eu também fui lá, você sabe. E não tive vontade de tirar uma fotinha sequer… Bjos

  8. Isabella,

    Esse é um assunto que choca qualquer um. Todas as vezes que assisto um filme, leio um livro ou imagino o que viveram essas pessoas, me sinto envergonhada. É uma tristeza e uma vergonha saber que isso existiu. Muito bom o seu post. Ainda não conheci um campo de concentração, mas imagino que deva ser uma experiência muito forte.

    Abs, Erica Ritacco

  9. Eu já visitei Aushwitz e foi uma das experiências mais intensas da minha vida. Não iria de novo, mas valeu a pena ter visto tudo aquilo com meus próprios olhos. Também deixei tudo registrado lá no blog!

    Um beijo,

    Deise

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