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Entre Leprechauns e pints de Guinness na Irlanda

Cliffs of Moher

Cliffs of Moher

A Irlanda é famosa pelos leprechauns, trevos da sorte, pubs e a cerveja Guinness. Também atrai muitos turistas, acredite, interessados apenas em jogar golfe. Mas há ainda o litoral recortado por praias belíssimas, baías, penhascos, montanhas, campos cultivados por pequenos produtores que habitam casas de boneca. Apesar do clima geralmente frio e chuvoso, o calor do povo aquece a recepção dos visitantes que se aventuram pelo país, um dos meus lugares favoritos nesse mundo.

CHEGADA

Duas companhias aéreas baseadas em Dublin mantêm vôos low cost que ligam cidades européias à Irlanda: Ryanair (www.ryanair.com) e Aer Lingus (www.aerlingus.com). Os destinos mais comuns são Alemanha e Reino Unido, mas a boa notícia é que dá para desembarcar diretamente no ponto de interesse, sem ter que passar pela capital. Você pode sair de Kerry em direção a Londres (Luton), por exemplo, ou de Cork para Alicante. Há pequenos aeroportos espalhados por todo o país que funcionam muito bem.

Valentia

Valentia

Outra forma de chegar ou partir é pelos ferries. Do Reino Unido, o embarque pode ser feito em Holyhead com destino a Dublin (1h49m de viagem) ou de Pembroke com destino a Rosslane (3h45m de viagem). É ideal para quem pretende chegar de carro à ilha (79 euros), mas especialmente interessante para quem pretende fazer um passeio pitoresco – a embarcação tem de tudo, até um shopping, e meu pequeno sobrinho simplesmente amou essa parte da viagem. De Rosslane há trajetos ainda para dois portos na França: Cherbourg e Roscoff. Informações em www.irishferries.co.uk.

Cottage em Bunratty Folk Park

Cottage em Bunratty Folk Park

TRANSPORTE NA ILHA

Além dos aeroportos regionais, há ainda uma boa malha ferroviária, portanto o deslocamento entre cidades irlandesas é fácil.

A Irlanda é um país pequeno, com auto-estradas excelentes. Bastam umas três horas para cruzar de um canto a outro da ilha. Algumas estradas secundárias passam por dentro de vilas, por isso a velocidade deve ser reduzida, mas faz parte do charme do percurso.

Só para dar uma idéia da facilidade de se percorrer essa terra, rodei boa parte da Irlanda em apenas uma semana.

Como o lugar é salpicado de ruínas de castelos e monastérios, além de vistas esplendorosas, sugiro alugar um carro. Dessa forma é possível parar aqui e ali para tirar fotos ou apreciar a vista. Mas a mão é inglesa! Detalhe importante e que confunde bastante nós, brasileiros.

Caso o carro não seja possível, vale explorar os lugares de maior interesse de ônibus ou de trem.

Na minha opinião, o trem funciona melhor que o ônibus para percorrer grandes distâncias. Mas se você tem pouco tempo, vale a pena ficar em uma cidade maior, como Dublin, e visitar as atrações turísticas em excursões de um dia. Meu irmão e cunhada fizeram duas a partir de Dublin (Cliffs of Moher e Giant’s Causeway), pela empresa Paddy Wagon (www.paddywagontours.com), mas há várias agências especializadas. Eles pagaram de 65 a 69 euros cada excursão, que saía às 6h ou 8h da manhã e voltavam a Dublin só ao fim do dia. Como as distâncias para chegar ao destino eram consideráveis, foi possível que eles vissem da estrada um pouco mais do interior do país.

Chuvas: natureza mais colorida

Chuvas: natureza mais colorida

IRISH WEATHER

É bom lembrar que na Irlanda venta o tempo todo e chove repentinamente. O tempo é absolutamente instável. A piada sobre o Irish weather é repetida à exaustão, porque chove mesmo quase todo dia (embora os irlandeses jurem que Dublin tenha mais dias secos que Londres). A vantagem é que o verde é mais verde e as flores são mais coloridas. Leve sempre um bom casaco (faz frio o ano todo) e um guarda-chuva na bolsa, por precaução. No verão, vale somar ao kit de sobrevivência um biquíni ou sunga, além de protetor solar. O sol é bastante quente se você não estiver à sombra e vai até onze da noite! É gostoso dar um mergulhinho no mar, embora seja bastante gelado.

COMIDA

Muita gente confunde a Irlanda com o Reino Unido, mas o país é independente e integra a União Européia. A moeda é o euro, e não a libra esterlina. A culinária irlandesa não é muito tradicional, a não ser pela onipresente batata, que acompanha todas as refeições. Irlandeses têm hábitos alimentares parecidos com os dos americanos (talvez pelos segundos terem suas raízes nos primeiros). Muito doce, caramelos, fritura, snacks e alimentos processados. Tudo é bem gordo, até o leite fresco. O Irish Breakfast é uma bomba capaz de cortar qualquer ressaca. Uma combinação de embutidos de toda espécie, com direito a black puddin, um tipo de chouriço. Mas também valem panquecas e scoones, um delicioso bolinho que eles comem com creme. Na hora do almoço, os pubs se transformam em restaurantes e são ideais para uma refeição rápida. Sopas e sanduíches saem muito nesse horário, acompanhados de pequenas porções de salada. Toasted Special é o meu favorito. Mas pratos picantes como Frango a Kiev também estão disponíveis em qualquer esquina. Para o jantar, prestem atenção ao horário, porque a cozinha dos pubs fecha bem cedo, por volta de 20h da noite. A partir de então só servem bebidas. A saída é encarar um restaurante temático consideravelmente mais caro (italiano e tailandês são best-sellers) ou um take-away (comida chinesa e tailandesa sobretudo). Pensando bem pode ser uma boa, porque são bem mais baratos. Para matar a fome depois da bebedeira noturna, há os fast-food de sempre. O que me deixou mais intrigada foi o hábito de comer pizza com batata frita. Aliás, a batata frita é mergulhada num molho de maionese. Por incrível que pareça o tal molho é bom.

A ovelha negra da família

A ovelha negra da família

NOITE

Se quer conhecer a noite irlandesa, prepare-se para sair cedo. Às seis da tarde o povo começa a encher os pubs. Em cidades menores, a boa é trocar de bar a cada duas ou três rodadas de pints, entremeados por shots de uísque. É quase uma peregrinação mesmo.

Muitos pubs vendem half pints, caso alguém ache a dose de quase meio litro exagerada. Para as mulheres que querem tentar a Guinness, mas acham amarga demais, há a opção de acrescentar um xarope de diferentes sabores, uma espécie de groselha.

Os pubs fecham cedo, entre 22h/24h, momento em que os jovens migram para as boates, que também são obrigadas a encerrar suas atividades à 1h/1h30 da manhã. Na verdade nem pubs nem boates expulsam os frequentadores. Mas cortam a música e acendem as luzes. A lei proíbe que os estabelecimentos vendam bebidas alcoólicas a partir desse horário (pubs mais cedo que boates) e os frequentadores aos poucos vão para as ruas fazer uma sôci ou continuam a festa na casa de alguém. A essa altura a polícia costuma fazer rondas para apartar brigões que passam da conta no álcool.

Ouvi dizer que alguns clubs fecham um pouco mais tarde. Um amigo brasileiro conseguiu descolar uma festa em Dublin num castelo bacana que parece ter ido até altas horas. Mas meus party friends irlandeses não têm notícia disso, nem eu tive essa sorte durante os três meses que passei por lá. A noite e a bebida terminavam sempre muito cedo para os nossos padrões, embora o teor alcoólico dos frequentadores fizesse com que fossem tão ou mais animadas que as daqui.

Fim de tarde em Dublin

Fim de tarde em Dublin

DUBLIN

Dublin é a porta de entrada do país, o centro nervoso, embora o único caos que se veja (que eu tenha visto, ao menos) seja o trânsito afogado nos momentos de rush. Mas o sistema de ônibus funciona muito bem, com pontualidade e pontos protegidos do vento e do frio.

A cidade não é tão colorida quanto o interior da Irlanda, mas é calma, simpática, lembra um subúrbio inglês, com prédios históricos e sobrados charmosos de tijolinhos.

Não chega a ser pequena, mas é bastante residencial. A maioria das atrações está no Centro e consegue ser alcançada em pouco tempo. Os pubs de Temple Bar no fim da tarde, as margens do rio Liffey, o obelisco polêmico da O’Connell Street e a fábrica da Guinness, a melhor vista (e pint!) da cidade.

Prédios históricos (como o Dublin Castle) e jardins também valem uma visita, mas dois ou três dias são suficientes. Caso tenha mais tempo, recomendo aproveitar a oportunidade para conhecer um pouco mais do resto da Irlanda. Descubra abaixo por quê.

Denise e Dani em Aillwee Cave

Denise e Dani em Aillwee Cave

DUAS GAROTAS NUM GIRO DE CARRO PELO PAÍS

A Irlanda é salpicada de castelos – muitos destruídos em séculos de guerras e disputas, sobretudo contra os ingleses, mas que ainda conservam parte da edificação de pé – e ruínas de construções religiosas, como igrejas, monastérios e antigos cemitérios.

As encantadoras villages estão por toda parte. São aglomerados de casinhas fofas (menores que as “towns” e as “cities”), com muitos campos de feno e criação de ovelhas no entorno. E, mesmo que abriguem uma população ínfima, os pubs estão sempre onipresentes e convidativos.

Só para esclarecer, o país é dividido em quatro partes (Ulster, Munster, Leinster e Connaught), que são subdivididas em condados. E para descobrir o charme de cada canto do país, botei o pé na estrada com minha amiga Denise. Dirigimos dias a fio percorrendo auto-estradas, rotas, estradinhas rurais. Dou um panorama rápido aqui das principais descobertas.

Praia em Co. Kerry

Praia em Co. Kerry

O Condado de Kerry, no sudoeste, tem a costa toda recortada, montanhas, baías, portos e barcos. As paisagens são deslumbrantes e as praias têm fama de serem as mais bonitas da Irlanda, quiçá da Europa. As cidades parecem cenográficas. Um dos passeios mais famosos é Ring of Kerry, um caminho circular que começa em Killarney (outra cidade de boneca), e passa por outras preciosidades como Kenmare e Cahersiveen. Experimente as trilhas pelo Parque Nacional de Killarney e faça uma visita guiada ao palácio Muckross House, de 1843. Os Lagos de Killarney também são preciosos, assim como a Ilha de Vanlentia.

A Península de Dingle, também em Co. Kerry, é uma graça. Apertada entre o mar e uma cadeia de montanhas rochosas, só o caminho até essa cidadezinha já vale a visita. Se puder, pare para escalar os mirantes pelo meio do caminho. A vista dos lagos que se formam entre as rochas e dos campos com ovelhas é incrível.

Aran Islands

Aran Islands

Mas um dos lugares mais bonitos que vi nas minhas andanças com Denise (irlandesa, apesar do nome familiar) fica no Condado de Galway (Co. Galway, em Connaught) e é uma das atrações mais imperdíveis da Irlanda: Aran Islands. São ilhas de pedras, onde se fala irlandês (algumas pessoas chamam de gaélico, mas lá eles chamam a língua de Irish), embora hoje seja praticamente turística, com poucas centenas de moradores. Os nativos começaram a empilhar as pedras para poder ter acesso à terra debaixo delas e por isso a ilha é toda traçada por muros baixos que proporcionam uma paisagem muito curiosa. Somado a isso, estão praias tranquilas e penhascos de tirar o fôlego. No ponto mais famoso da ilha maior (Inis Mor) estão as ruínas de um forte à beira de um penhasco fenomenal. Não existe grade de proteção, por isso me arrastei até a beira para colocar a cabeça de fora e poder ver o mar de cima. Impossível eu não tremer de medo, até porque, além de ser alto pra caramba, venta muito. Na minha fantasia, eu poderia escorregar com o vento. Mas minha amiga irlandesa passeava ao longo da borda do precipício sem medo algum. Além de fortes e penhascos, a ilha tem sítios arqueológicos antiquíssimos, ruínas de igrejas e monastérios, casas antigas de camponeses (as cottages são baixas e têm o telhado bem característico), além de casinhas de Leprechauns. O lugar é mágico.

À beira do penhasco

À beira do penhasco

Denise e eu pegamos um ferry para lá de manhã e outro para voltar ao continente no fim do dia. Mas há um hostel badalado na própria ilha, portanto pode-se dormir por lá mesmo. Uma vez na ilha (escolhi a maior, que tem mais atrativos, a Inis Mor), passeamos numa van com guia turístico, porque daria tempo de ver tudo, além de nos proteger do vento e da chuva. Mas muitos turistas preferem fazer o caminho todo de bike.

Casinhas de Leprechauns são comuns pelo país

Casinhas de Leprechauns são comuns pelo país

A cidade de Galway também vale uma visita. Universidades e o entorno de paisagens naturais belíssimas atraem uma população jovem que faz do centro da cidade um ponto vibrante durante as noites de verão. Bons e movimentados restaurantes, pubs animados, festivais de teatro, dança, cerveja.

Outro lugar muito famoso da Irlanda, provavelmente à altura do nosso Pão de Açúcar, é Cliffs of Moher. São penhascos altíssimos, paisagem exuberante, verde e mar, e de quebra um castelinho. Fica em Co. Clare, na região de Munster, mas é ao lado de Co. Galway, então dá para visitar Aran Islands num dia e os Cliffs no dia seguinte. Se puderem optar, melhor conhecer primeiro Cliffs of Moher, porque as grades de proteção impedem que você se aproxime demais da borda do penhasco, o que torna a visita a Aran Islands mais emocionante.

Também no Condado de Clare está a Aillwee Cave (R480, Ballyvaughan, Corafin Road – http://www.aillweecave.ie). Vale a pena uma visita guiada pelos túneis da caverna, que teria sido escavada debaixo da montanha Aillwee por um rio formado por gelo derretido da era glacial. A caverna foi descoberta só nos anos 40 do século passado, mas é bem preservada e devidamente explorada para fins turísticos.

Bunratty Castle

Bunratty Castle

Outra grande aventura foi correr atrás dos castelos. Sempre encantadores, cada um com sua singularidade, sua história, sua época, normalmente à curva de algum rio. Há construções de séculos diferentes e que preservam pistas sobre o dia a dia dos ocupantes de outrem. Aqui destaco o Bunratty Castle, porque além de muito bem preservado (foi construído em 1495), funciona como uma espécie de centro de diversões e fica aberto diariamente. O Castelo do século XV mantém entre seus muros uma típica vila irlandesa, que reproduz a vida dos camponeses do século XIX nas pequenas aldeias. É possível ainda participar de banquetes medievais no lugar, mediante reserva. O nome é Bunratty Castle & Folk Park e fica em Co. Clare.

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Personal Trip

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Nada de sombra e água fresca. Daniela gosta mesmo é de explorar o mundo, os países, as cidades por onde passa. Mal acabam as andanças das últimas férias e já começam os planos para o próximo destino.

4 Respostas para “ Entre Leprechauns e pints de Guinness na Irlanda ”

  1. Parabéns pelo relato!
    Maravilhoso

  2. ótimo post!!! adorei ler as informações e as utilizarei no meu passeio pela irlanda!!! parabens

  3. Saudades da Guinness e do Brian Brody, um cantor de pubs do temple bar. Na verdade, é mais saudade do temple bar. A Irlanda é irada. Quando saí de lá, prometi tomar uma Guinness no Arthur’s Day, quando a Guinness fez 250 anos. Esqueci, deixei passar, mas vou comemorar os 300 anos lá em Dublin!

  4. Saudades da Guiness…

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