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Dresden: amor em tempos de guerra

Reconstruída do zero, Dresden hoje é um dos destinos mais lindos da Alemanha

Hoje, dia 14 de fevereiro, é Dia de São Valentim, conhecido também como o Dia dos Namorados no Hemisfério Norte. Para fugir de sugestões de lugares românticos mais que conhecidos e já comentados por aqui (como as cidades da Itália, Paris e até a agitada Nova York, destino de muitas luas de mel), aqui vai uma dica de cidade pequena e ideal para uma viagem a dois: a alemã Dresden.

A trágica história recente dessa cidade da Saxônia à beira do Rio Elba poderia afastar casais em busca de paz. Bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial, Dresden, conhecida como a “Florença alemã”, ardeu até ficar quase inteiramente destruída. O ataque ocorreu, veja que ironia, na noite do dia 13 de fevereiro de 1945 – véspera do Dia dos Namorados. Mais de 30 mil pessoas morreram e pouco sobrou de sua linda arquitetura barroca. Mas… onde está o romantismo mesmo?

Foi o que me perguntei quando, durante uma viagem a trabalho ao país, nosso guia revelou que era um destino imperdível, a cidade mais bela da Alemanha, na sua opinião. E confesso que, ao chegar lá, lamentei estar viajando sozinha. É um dos lugares mais encantadores que já visitei.

CASTELOS, PORCELANA E LEITE CONDENSADO

Durante a RDA, Dresden, que fica a cerca de 200 quilômetros de Berlim, foi totalmente reconstruída. Sua paisagem hoje conta com castelos, igrejas (como a Frauenkirche, que mantém parte de sua fachada com os tijolos queimados da guerra), jardins (o mais famoso é o Grosser Garten) um simpático tram e uma imponente ópera, a Semperoper. Conseguir ingressos para um espetáculo nela é tarefa árdua, então o ideal é reservar e comprar com muita antecedência pelo site. Imperdível também a visita ao Residenzschloss, castelo que hospedou Napoleão e guarda tesouros da realeza do século dezoito, como a valiosa porcelana alemã. Dresden é conhecida por vender sofisticadas peças elaboradas a partir desse material.

Detalhe do Fürstenzug

Aliás, a porcelana é a atração não só nas vitrines, mas também na própria rua. É impressionante saber que o mural Fürstenzug, que retrata uma procissão de cavaleiros por meio de 25 mil azulejos, resistiu ao bombardeiro e a temperaturas de mais de 2000 graus. O mural, de porcelana Meißen, conta a história da Saxônia entre 1123 e 1904.

Outra parada interessante é o Albertinum, que reúne uma vasta coleção de joias e obras de arte – destaque para as impressionistas e pós impressionistas, com quadros de Degas, Monet, Manet, Van Gogh e Klimt. Ainda no roteiro de museus, uma visita ao Zwinger, complexo de galerias e pinacotecas que já foi lar das concubinas do rei da Polônia, Augusto O Forte, no século dezoito.

Em Dresden, ouvimos histórias curiosas que retratavam a cidade como pólo de invenções. Nos disseram que lá nasceu a fisioterapia, os coadores de café e os saquinhos de chá, por exemplo. Verdade ou não, foi curioso. Agora, se tem algo delicioso e típico é seu leite condensado. Na leiteria Dresdner Molkerei – que já vale uma visita só por seu visual -, é possível prová-lo num copinho. Entrou para o Guiness como a “leiteria mais linda do mundo” devido a sua decoração de delicados azulejos.

Pena, não nos deixaram fotografar a Molkerei por dentro

“CACHORROS BÊBADOS” E FORMAÇÕES ROCHOSAS

O Elba divide a cidade em duas, a velha (Altstadt) e a nova (Neustadt). As principais atrações estão na Altstadt, portanto, se você prefere desbravar os destinos a pé, deve buscar acomodação por lá. Mas na parte nova é possível encontrar restaurantes e bares bacanas. Lembro de ter entornado muitas cervejas, inclusive uma com sabor de banana (ai, ai, que horror) num bar chamado El Perro Borracho, que em português significa “o cachorro bêbado”. Não é típico (é de inspiração espanhola!), mas foi divertido.

Se for dormir lá, vale a pena também dar uma esticada até o Sächsishe Schweiz, parque de impressionantes formações rochosas que fica a 30 quilômetros da cidade, muito próximo à República Tcheca.

Como uma boa história de amor, Dresden viveu altos e baixos, caiu, levantou-se e hoje pode-se dizer que viverá feliz para sempre. Tomara.

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

7 Respostas para “ Dresden: amor em tempos de guerra ”

  1. Que legal, Bianca, fico feliz. Espero que você realize o sonho em breve. Abraços!

  2. Oi Clarissa !! fiquei até emocionada ao ler.. meu avô era de Dresden, será meu primeiro destino quando puder realizar o sonho de conhecer a Alemanha !! adorei as dicas.. 🙂

  3. Bacana saber que foi útil para você, Maria. É uma cidade linda, vale a visita. Abraços!

  4. Olá! Realmente fiquei com imenso interesse em conhecer Dresden. Sou antiquária de profissão e adoro as porcelanas de Dresden e Meissen.
    Logo, logo visitarei Dresden… Obrigada

  5. Que bom que ajudamos, Paula! Ficamos felizes.
    Obrigada
    Abraços
    As Viajantes

  6. Olá! Estou pensando para onde vou viajar semana que vem, e seu post deu muitos pontos a favor de Dresden. Obrigado por ajudar =)

  7. Excelente reportagem, parabéns! Você escreve muito bem. Pretendo visitar Dresden em outubro e, por isso, já estou colhendo informações.

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