De carro pela Serra: um roteiro pelas estradas de Gramado, Canela e as vinícolas de Bento Gonçalves
Se pudesse resumir essa viagem numa só palavra ela seria surpresa. Foi tudo meio repentino na minha volta à Serra Gaúcha mais de dez anos depois de uma semana com muitos amigos e o descompromisso da época de faculdade (obs: acho que essa, aliás, foi das poucas viagens que conseguimos reunir as seis viajantes deste blog). O destino inicial seria ir de Porto Alegre a Montevidéu de carro, mas burocracias tupiniquins me fizeram ter que mudar os planos faltando uma semana pro embarque. Foi aí que Gramado, Canela, Bento Gonçalves e Caxias do Sul ganharam nossa atenção e pegamos a estrada. Ao longo dos dias percebi que ou eu lembrava de muito pouca coisa da região ou ela havia mudado – e pra melhor. Acho que foram as duas coisas. Desta vez, iríamos descobrir o enoturismo brasileiro.
Como nossa ideia era estar em Porto Alegre no Réveillon, nosso roteiro precisava ter quatro ou, no máximo, cinco dias. Mas dá, fácil, para estender os planos um pouco mais. Seja lá qual for a cidade que você escolher, pra quem gosta e está acostumado a viajar de carro é muito tranqüilo. É tudo relativamente perto. Mas um aviso importante, para os cariocas ou alguém com origem nordestina como eu, mesmo no verão é bom ter um casaquinho na mala. Chegamos a pegar 16º C, o que é inimaginável na estação pra quem vive no Rio de Janeiro.
NA ESTRADA – Completamente turística, essa parte do estado tem várias rotas para percorrer de carro, como a Rota das Cantinas, Caminhos de Pedras, etc. Começamos pela Rota Romântica, que leva até Gramado. A estrada é linda. Além de bem cuidada, são quilômetros e mais quilômetros de árvores contornando, que às vezes dão lugar a verdadeiros paredões de hortênsias azulzinhas dos dois lados. Como a distância entre as cidades eram curtas, acabamos não precisando abastecer ou comer na estrada. A boa dica é ficar atento a queijarias e mercearias de beira de estrada, que tem salames, geléias e queijos caseiros sempre deliciosos.
Nosso roteiro foi: Porto Alegre-Gramado-Canela-Caxias do Sul-Bento Gonçalves-Novo Hamburgo-Porto Alegre. Para planejar o seu, veja as distâncias:
Porto Alegre-Novo Hamburgo : 43 km
Porto Alegre-Caxias do Sul: 133 km
Porto Alegre-Gramado: 122 km
Porto Alegre-Bento Gonçalves: 121 km
Gramado-Bento Gonçalves: 109 km
GRAMADO – Carro alugado, e resolvemos que nosso almoço seria em Gramado. E lá fomos nós: 122 km e quase duas horas depois estávamos lá. A cidade é praticamente uma cidade cenográfica. Me senti num Projac gigante, com aquele imóveis bem cuidados, ruas limpíssimas, tudo organizado que até os pedestres pareciam orquestrados. Para completar, como chegamos um dia depois do Natal, ainda tinha toda aquela decoração que fez o lugar ficar com um quê ainda mais cenográfico.
Passeamos um pouco e paramos para almoçar num dos charmosos restaurantes da Rua Coberta. Não pernoitamos por lá porque, como era altíssima temporada, já estávamos com o Ibis reservado em Caxias do Sul. Mas vale uma esticadinha maior, sim. A cidade tem ainda atrativos para todos as gostos, como Museu de Cera, Museu de Automóveis, Megaloja de aluguel por hora de carros esportivos luxuosos, como Ferrari e Porche ou, para quem vai com crianças, a Casa do Papai Noel. Além das unânimes – e inúmeras – fábricas de chocolates. Dá água na boca só de lembrar.
CANELA – Não dava para ir até Gramado e não dar um pulinho em Canela, né? As cidades são coladas, como Rio-Niterói, Recife-Olinda, São Paulo-Guarulhos… Então, ficou decidido e fomos fazer a digestão no Parque do Caracol. Lá tem mirante, tirolesa e um teleférico que te leva bem perto da cachoeira que dá nome ao local.
De lá fomos dormir em Caxias do Sul. Apesar de ser uma grande cidade, a ideia inicial era aproveitar cachoeiras e fazer uns passeios em pequenas cidades do entorno, visitando cachoeiras e qualquer outro vestígio de natureza. Como o tempo estava chuvoso, fizemos uma noitada básica no Mississipi Blues, um bar com boutique charmosérrimo e logo que acordamos caímos na estrada novamente já pensando nas vinícolas de Bento.
BENTO GONÇALVES – Nossas reservas estavam feitas numa das pousadas da Villa Valduga, da tradicional vinícola Casa Valduga, que incluía na hospedagem um curso de quatro horas de introdução ao vinho e descontos na loja. A essa altura nós só pensávamos que bons queijos, bons vinhos e bons restaurantes nos esperavam. A época da colheita nos parreirais começa em janeiro e vai até março. Por isso, passar por lá no fim de dezembro foi, sem querer, a escolha certa. Da estrada você aqueles vales verdinhos e as parreiras carregadas. Lindo de ver.
A região tem vinícolas por todos os lados. Mas, estando de carro, você tem que passar pela Linha Leopoldina, no Vale dos Vinhedos, que tem vistas lindas e dá acesso à Miolo, ao Spa do Vinho e também pode servir de acesso à Casa Valduga. Mas há outras tantas pequenas, que podem valer a parada, dependendo do tempo e da disposição. Outra que visitamos foi a Salton, que reverte o valor da visitação em crédito para compras.
O melhor é ir aprendendo sobre os vinhos e ir harmonizando ao longo da viagem escolhendo os restaurantes. Bem perto da Salton está o Pignatella. Lá, por menos de R$ 40 você come uma sequência de bons pratos, que vão de carne, galeto a massa. O Canta Maria tem umas duas opções parecidas no menu e outras à la carte, mas o carro chefe é mesmo o galeto. Dentro da Casa Valduga rola um rodízio no almoço e no jantar, que precisa ter reservas feitas até as 19h, tem um menu com entrada, dois pratos e sobremesa por algo em torno de R$ 50. Tem ainda o bistrô da Casa da Madeira, que também promete preço honesto para a comida bem pensada e é superbem falado (só abre para o almoço).
No meio de tudo arrumamos um tempo para um programa turistão: andar de trem bebendo vinho na Maria Fumaça. O passeio começa em Bento Gonçalves com degustação na estação, para em Garibaldi e segue até Carlos Barbosa. A cada parada tem mais suco de uva e vinho. No final, rolam danças típicas italianas. Eu achei o passeio meio farofa, mas as pessoas ao redor estavam adorando e se você nunca andou de trem, pode valer a experiência.
NOVO HAMBURGO – Na volta à Porto Alegre, usei a desculpa de almoçar em Novo Hamburgo para conhecer algumas das pontas de estoque de calçados da cidade. Tem das mais diferentes marcas, da Arezzo a Converse e outras menores para todos os estilos.









Já vimos, já comemoramos aqui e já tuitamos. Valeu! Somos fãs do site!!!
bjs
Olá!
Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com
Até mais,
Bóia Paulista
Adoro Gramado, apesar de nunca ter estado lá, o meu coraçao se enche de coisa boas só em ouvir falar seu nome.
E não poderia ser diferente ao ver essas maravilhas que estao postadas. parabens pela oportunidade de tem vivido essa aventura que teve ter sido um sonho.
Oi Bruna, Eu tive em Porto Alegre em 2011 justo nessa época. Mas estava a trabalho e não tivemos tempo. Nosso motorista tinha um piquete super tradicional. Foi uma pena mesmo. Em breve vou publicar um sobre POA. Se tiver dicas tb, fica à vontade, tá?
)
Siiimmm o sul é incrível e além da rota do vinho tem mais 1 milhão de lugares incríveis.
Na próxima, quando vier pra cá, avisa que eu mando umas dicas ótimas que só os gaúchos conhecem, o bom pra vir é em setembro, que tem o Acampamento Farroupilha, onde num dos parques da cidade ele montam os piquetes, rolam bailes comida bem típica mesmo com o famoso “costelão 12 horas”, a amioria dás pessoas vai de pilcha (traje típico) é ótimo pra ver a cultura local!
Abraços!