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Copenhague: elegância, design e consciência ecológica

Anoitecer em uma Copenhague pós-tempestade

A viagem era a trabalho. Fui cobrir uma cúpula de empresários que anteciparia as discussões sobre meio-ambiente e mudanças climáticas da COP15, que lamentavelmente acabaram em fracasso no passado mês de dezembro. A ecologia não ganhou muito com a conferência, mas Copenhague, sim. O mundo inteiro ficou de olho na capital dinamarquesa e quem teve a oportunidade de ir até lá se surpreendeu.

Era o tipo de cidade que eu não teria ido se não tivesse um bom motivo – apesar dos convites de uma amiga que mora lá, uma  executiva que infelizmente estava viajando a trabalho durante minha estada em CPH (para os íntimos). A Rê (a tal amiga) já tinha me contado que a cidade, apesar de pequena, era interessante e divertida.

Confesso que o frio me desanimava um pouco. Fui no mês de maio (outono no hemisfério norte) e usei casacos que visto em Madri no alto inverno. A chegada também não foi muito animadora. Senti o avião balançar muito na aterrissagem (o vento é uma das principais bênçãos do país e a energia eólica representa 20% do total da eletricidade) e, ao chegar, a cidade estava vazia em pleno sábado à tarde.

AO SOM DAS GAIVOTAS

Nyhavn, passeio relax

Mas quebrei a cara. Logo, logo me dei conta de que Copenhague esconde muitas boas surpresas, todas facilmente desbraváveis a pé em poucas horas. Para começar, é uma delícia passear por suas ruas e escutar o canto das gaivotas, principalmente se você der uma voltinha pela beira do canal, na rua Havnegade (fiquei em um hotel ali, o Copenhagen Strand). Seguindo-a até o fim, você sai na rua Nyhavn, com seus vários bares e restaurantes à beira da água (que, apesar de charmosos, são carinhos e bem turísticos).

Uns passos mais e já damos na praça onde estão o palácio Charlottenborg e o Teatro Real (vale lembrar que a Dinamarca é uma monarquia). Dali, você já pode entrar na movimentada via Østergade, onde há várias lojas, restaurantes, lanchonetes e barraquinhas de salsicha. Também vale a pena uma paradinha em frente ao palácio Christiansborg e uma visita aos vários museus da cidade. Entre eles, se destacam o National Museet. A cidade ainda conta com parques bonitinhos (como o Ørstods Parken e o Rosenborg Have, onde está o castelo Rosenborg).

Mas as principais atrações de Copenhague são a estátua da Pequena Sereia e o parque de diversões Tivoli. A estátua fica em uma pedra em um dos portos da cidade e foi encomendada em 1909 por Carl Jacobsen, filho do fundador da cerveja dinamarquesa Carlsberg. Só que de maio a outubro de 2010 a sereiazinha vai dar uma volta pela China, já que a prefeitura de CPH ofereceu a obra para participar da Expo 2010 de Xangai.

O que deu origem à série

Já o Tivoli pode despertar o saudosismo em alguns habitantes do Rio, que nos anos 80 brincaram em um parque de diversões com esse nome – uma homenagem ao dinamarquês.  Construído em 1843, o Tivoli de Copenhague conta com um jardim lindo e brinquedos tradicionais como montanha-russa e roda-gigante, além de bares e uma decoração bem cuidada. No verão, também é possível ver shows e espetáculos nesse espaço.

Atrás do Tivoli, já um pouco mais longe do centro e atrás da estação ferroviária, está o considerado bairro mais cool da cidade: Vesterbro. Bares e restaurantes de design (lembrando que a Suécia, meca do desenho moderno, está ali do lado) e lojinhas bacanas se espalham por essa região. Como quase toda área moderninha das principais cidades europeias, o bairro era uma antiga zona de prostituição que foi revitalizada. Entre suas atrações, estão a boate Vega (Enghavevej, 40) e o restaurante Alberto K (Hammerichsgade, 1; no terraço do hotel de design Royal SAS) que tem a particularidade (atenção, cinéfilos) de ter os talheres dos astronautas de 2001, uma odisseia no espaço, desenhados por Arne Jacobsen (também responsável pelo visual do hotel). Para comida dinamarquesa, vá ao Hansens Gamle Familiehave (Pile-Allé, 10-12), mas se quiser sentir o cosmopolitismo de Vesterbro prove algum dos tailandeses, japoneses ou italianos do bairro.

Os fashionistas podem dar uma passada nas multimarcas Klun e Samsoe o Samsoe, além das lojas de moda dinamarquesa Designer Zoo, Sommerlund e o mercado Frederiksberg (sábados, entre abril e outubro, de 8h30 às 13h30), para os amantes de brechós e artigos decorativos de segunda mão.

CERVEJA EM COMUNIDADE ALTERNATIVA

Tuborg, companheira de viagem

Duas cervejas dominam os copos nos bares de Copenhague: a Carlsberg e a Tuborg. Elegi a segunda em minhas saídas por lá, até porque não é tão fácil de encontrá-la em outros países. Mas os amantes da Carlsberg vão adorar a visita à fábrica, com direito a degustação no fim.

Se quiser provar uma cerveja menos comercial tente convencer aos moradores da comunidade alternativa Christiania a lhe venderem uma garrafinha da sua cerveja, que leva o mesmo nome do bairro, Christiania. Esse é provavelmente o lugar mais original de toda a cidade, mas não é todo dia que dá para interagir nessa comunidade.

A zona é considerada o “bairro livre” de Copenhague, por vender maconha e haxixe legalmente. Cerca de mil pessoas vivem lá, em casinhas de madeira ou alvenaria decoradas com grafittis e pinturas. Pistas de skate, salas de luta livre, quiosques e gente tocando música (do violão ao eletrônico) fazem parte da paisagem ultracolorida do lugar. Logo na entrada um aviso: Proibido fotografar ou filmar. Ninguém quer se comprometer. O pessoal não parecia muito amigável nem muito a fim de papo quando fomos, mas acredito que era porque estávamos em um grupo de oito pessoas (devem ter sacado que éramos jornalistas). Acho que se tivesse ido com uma ou duas amigas teria sido mais fácil conversar com os locais.

De qualquer forma, em Christiania vira e mexe se organizam pequenos shows, festas e você pode passar uma noite bacana lá em algum de seus bares ou em seu restaurante, que fica em um prédio logo na entrada do bairro, e que também abriga um bar/discoteca bem legal. Christiania é fundamental para conhecer o lado mais “bagunçado” dessa cidade que parece tão certinha. Pena que ultimamente se está discutindo o fechamento da comunidade. Ou seja, não deixe de ir, porque em breve ela poderá desaparecer.

Uma das casas de Christiania, fora da zona proibida a fotos

E a comida? Bom, confesso que não tive muito tempo para apurar o que há por ali. Ouvi dizer que as almôndegas são um prato típico, mas não me animei muito a prová-las. Agora, fiquei louca com os pães porque amo pão preto e os de lá são sensacionais, assim como as geleias e as frutas vermelhas. Nossa guia contou também que a Dinamarca é a maior produtora do mundo de queijo feta, muito degustado em países mediterrâneos. Por isso, vale a pena dar aquela passadinha básica no supermercado (algo recomendável em qualquer país) para comprar algumas dessas delícias e também os artigos defumados, tão gostosos nos países nórdicos.

ECOLÓGICA  E MUSICAL

A Dinamarca é o segundo país da Europa com mais bicicletas (só perde para Holanda) e conta com 5000 moinhos eólicos (que produzem 20% do total de sua energia), além de ser responsável por 1/3 das exportações de turbinas eólicas no mundo. Comprar um carro é caríssimo devido aos impostos que o governo impõe de propósito, com a intenção de evitar a circulação de muitos veículos. Há 30 anos a energia da Dinamarca dependia 97% do petróleo, mas com a crise de 1973 o país foi obrigado a rever sua economia. Da noite pro dia a população foi obrigada a fazer racionamento de luz, deixar o carro em casa em dias específicos e trocar vidros e o sistema de calefação de casa.

Moinhos no meio do mar, a caminho de Samsø

Se quiser ver de perto toda essa conscientização, vale uma escapada à ilha de Sansø, um balneário (mais para descansar do que para mergulhar porque faz muito frio) autossustentável que produz 100% de sua eletricidade e 75% de seu aquecimento a partir de fontes de energia renovável.

É meio cansativo chegar à ilha (não está muito perto de Copenhague). Levamos umas duas horas de carro e outras duas de ferry. Portanto, se você não é esse ecologista todo, pode preferir uma day-trip até a Suécia ou até a cidade de Roskild, onde rola o badalado festival de música durante o verão.

Uma notícia legal para os usuários de voos low cost: em 2010 se inaugura no aeroporto de Copenhague um terminal (chamado Swift) construído especialmente para receber os voos de aerolinhas de baixo custo. A iniciativa tem como objetivo colocar a cidade entre as principais rotas das companhias low cost europeias. Ou seja, vai ficar cada vez mais barato viajar para a Dinamarca.

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Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

4 Respostas para “ Copenhague: elegância, design e consciência ecológica ”

  1. Olá, Aleteia! Olha, adorei o Strand, era bem gostosinho e ficava perto de tudo. Mas Copenhague é um ovo, difícil é ficar longe, hehehe. Espero que você se divirta, dizem que no verão a cidade é uma delícia. Abraços!

  2. Olá Clarissa!

    Achei excelente o seu post… e será muito útil para mim! 😀
    Estou indo para Copenhagen em Julho deste ano!
    E menina.. estou tendo uma dificuldade danada para pegar dicas de hoteis!! Você ficou no “Copenhagen Strand”, né?! Tranquilo? Vale a pena? Tem alguma outra dica relacionada a hotéis?! 🙂
    Se puder, me escreva!!!

    Obrigada!!
    Aleteia

  3. Cla querida, adorei a matéria. muito chic vc fazendo matéria em Copenhage! Luxo e riqueza!
    bj

  4. Já anotei todas as dicas, mas fiquei triste pq não vou ver a Pequena Sereia. Justo qdo estarei lá, ela resolveu tirar férias 🙁

    Bjos

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