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Caral: a cidade mais antiga das Américas

A civilização mais antiga das Américas

Foi num fórum gringo na internet que eu ouvi falar pela primeira vez de um dos lugares mais incríveis que eu visitei no Peru: Caral. Eram ingleses e americanos trocando dicas e planejando viagens para conhecer a civilização mais antiga das Américas. Como assim? Foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Eu sempre ouvi muito sobre Incas, Maias e Astecas e até então não me passava pela cabeça que não fossem eles os grandes desbravadores do continente americano. Com meia dúzia de dicas gringas escritas em inglês eu embarquei pro Peru com duas metas: conhecer melhor a história do meu próprio continente e fazer uma viagem que fugisse um pouco do clássico roteiro Cuzco-Machu Picchu.

Conheça mais sobre o norte do Peru aqui

A CIVILIZAÇÃO MAIS ANTIGA DAS AMÉRICAS
A descoberta de Caral mudou o que muitos historiadores pensavam sobre a história e o processo de povoamento do continente americano. Isso porque a civilização de Caral-Supe surgiu há cinco mil anos. Para se ter um comparação a civilização egípicia data de 5300 anos, a chinesa de 3900 e a europeia de “apenas” 3 mil anos. Os Incas, “parentes americanos” mais famosos surgiram há 530 anos. Com a informação de que o nosso continente era povoado há tanto tempo começou-se a se repensar todas as teorias de fluxo migratório não só dentro do continente americano como também no mundo. Isso porque o povo de Caral não era nômade. Eles tinham uma civilização constituída, com centros políticos e religiosos. Tudo isso é bem visível no que restou da antiga cidade, os guias vão explicando como eles se organizavam e para que servia cada um dos prédios e antigas pirâmides – hoje ruínas. Tudo muito impressionante.

Mais sobre a história de Caral no site oficial do sítio arqueológico

COMO CHEGAR

Foto depois de desatolar o carro no deserto

Caral é um sítio arqueológico e não uma cidade, por isso reservar um dia é mais do que suficiente. A day trip é feita a partir de Lima e o tempo de viagem até Caral é de mais ou menos 4 horas, se der tudo certo. Com apenas as dicas gringas nas mãos a nossa opção foi contratar um passeio fechado em uma das agências de viagem no centro de Lima. Furada. Caral parece não ser conhecida nem entre os peruanos. Em apenas uma agência o recepcionista soube do que estávamos falando. Combinamos que um guia nos buscaria no hotel no dia seguinte. E as 4 horas de viagem se transformaram em quase 6 porque ele não fazia ideia de onde ficava o sítio e se perdeu muitas vezes no caminho. Além disso, Caral fica no meio de uma área de deserto (já foi um grande vale um dia, assim como o Saara) e o nós perdemos tempo desatolando nosso carro. Sim, o motorista perdido conseguiu atolar o carro no meio da areia o que nos rendeu momento de pânico por estarmos literalmente no meio do nada e obviamente uma das melhores histórias da viagem depois.

Chegando lá fomos informados que a viagem de ônibus é mais vantajosa, prática e principalmente barata. Na rodoviária de Lima deve-se pegar um ônibus em direção à Barranca e descer na cidade de Supe Pueblo. Da quadra do supermercado da cidade saem vans destinadas ao Centro Poblado de Caral. São mais ou menos 20 minutos de viagem, segundo o guia. Mesmo em grupo o custo dessa viagem deve algo como 5 vezes menos do que de com a agência de turismo.

Saiba mais sobre Lima aqui.

O SÍTIO

Passeio organizado com guia

Caral é absolutamente organizado. Eu me arriscaria a dizer que a organização é bem semelhante a de Machu Picchu. Chegando lá você encontra uma recepção super bonitinha onde vai comprar seu ingresso, receber uma série de folhetos explicando a história do local e sua importância para a história do continente americano. O ingresso dá direito a um guia. O nosso, super simpático, nos acompanhou na visita (ao contrário de Machu Picchu não é possível andar pelo sítio sem guia) explicando a função de cada um dos prédios e sua representatividade dentro da civilização. Chamou nossa atenção para detalhes fascinantes que ajudam a entender um pouco do povo que viveu em Caral e sua importância. O tour todo dura mais ou menos 1 hora e meia. O nosso durou o dobro pela quantidade de perguntas, fotos e histórias que nos obrigamos o nosso guia a contar. Nos feriados e fins de semana há uma pequena feira com artesanato local e comidas típicas. Os banheiros – limpíssimos – ficam bem próximos a recepção. Quando estivemos lá, Caral não estava completamente escavada. Por isso, ao longo da nossa visita em muitos lugares nos deparamos com uma série de arqueólogos que espalhavam parte de poeira com escovas minúsculas para preservar cada detalhe do que restou de pirâmides e templos. Em um trabalho incrível e cenas dignas de filme. Para completar a cidade mais antiga das Américas era só nossa!! Quem já se estressou porque não conseguiu tirar uma foto sem uma pessoa no fundo em Machu Picchu sabe que essa exclusividade não tem preço! E que torna o passeio ainda mais inesquecível.

Pirâmide ainda sendo escavada

SE ORGANIZANDO
Quando nós estivemos em Caral a lanchonete estava fechada. Como o passeio dura o dia inteiro sanduíches, chocolates, barras de cereal e outras coisas práticas que matem a fome são fundamentais. Você não pode comer durante o tour mas vai ter que forrar o estômago antes e depois do passeio. Água é outro item absolutamente indispensável. Leve bastante. Caral fica no meio de um deserto, por isso, o calor é forte mesmo. Protetor solar – não importa se você é branquelo ou não, todo mundo vai precisar – chapéu, roupas leves e principalmente: um sapato confortável. O tour é feito todo a pé em um terreno absolutamente poeirento. Não escolha o sapato que mais goste, ele vai voltar preto, preto, preto de poeira. Além disso, o sítio arqueológico é ao ar livre, não há cobertura alguma pelo caminho. Por ser deserto lá não chove muito mas vale uma consulta na previsão do tempo. A chuva pode estragar o passeio.

Por fim, deixe seu espírito Indiana Jones tomar conta de você e se delicie por estar conhecendo um pouco da origem desse continente fascinante e deslumbrante.

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Personal Trip

About the Author

Destinos exóticos e desconhecidos. É em lugares assim que Reba prefere passar as férias. Isso deve ser uma desculpa para poder passar os outros 11 meses do ano planejando a viagem.

2 Respostas para “ Caral: a cidade mais antiga das Américas ”

  1. Gostei muito dessas informações!

  2. ¿Y ahora?

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