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Capadócia: o que visitar

 

Vale dos Monges, um dos passeios mais procurados

Uma das regiões mais conhecidas da Turquia, a Capadócia fica no coração do país, dentro da Anatólia Central. Reúne várias cidades e você pode escolher como base uma delas dependendo do que quiser ver na área. Entre as mais conhecidas estão Göreme, Ürgüp, Uçhisar e Kayseri.

Veja aqui como planejar um roteiro pela Turquia

A mais interessante e bonita para mim é Göreme, que tem pouco mais de dois mil habitantes e que eu definiria como mágica. Sua paisagem é única e dentro dessa aldeia há cafés, restaurantes e lojinhas charmosas, uma oferta de lazer comedida que, felizmente, não deve crescer mais porque já rola uma preocupação com o aumento da quantidade de turistas por ali. A ideia é manter o clima de cidade pequena.

Por sua vez, Ürgüp é conhecida por seus hotéis-boutique (casas de pedra cor de mel), sua gastronomia e seu bom vinho. Kayseri conta com as ruínas de sua cidadela e Uçhisar é uma base mais tranquila, que tem um castelo de pedra como principal ponto de interesse. Um destino mais rural é Çavuşin, ponto de parada de alguns dos passeios que saem de Göreme. E os que gostam de cerâmica devem ir a Avanos.

COMO CHEGAR

Rodoviária?

Você pode ir de Istambul para Capadócia de avião (descendo no aeroporto de Nevşehir ou de Kayseri) ou de ônibus. Se optar pela estrada, saiba que a viagem dura uma noite inteira. Os ônibus não são desconfortáveis, mas também não são uma maravilha. Há várias paradas no caminho e rola um servicinho de bordo (com chá, bolinhos, café e suco) no início e no fim da viagem. Os guias aconselham a não fechar pacotes para a Capadócia desde Istambul porque costumam ser mais caros. Mas como tínhamos pouco tempo (oito dias para Istambul e Capadócia), decidimos fechar lá mesmo para não perdermos preciosas horas com isso.

Se quiser arriscar, pode comprar sua passagem para uma das cidades citadas acima e fechar os passeios ao chegar nelas. Mas leve em conta duas coisas: A rodoviária (otogar) de Istambul é meio (para alguns, bastante) caótica. Poucas pessoas falam inglês e há muitas opções de empresas de ônibus para confundir a cabeça. Busque as mais conhecidas como Metro, Kapadokya, Öncü, Nevşehir ou Göreme.

Mesmo assim, assegure-se que o ônibus vá parar na cidade que você escolheu. Parece óbvio, mas isso nem sempre vem por escrito na sua passagem (se estiver só “Capadócia” não vale). É muito, mas muito comum que o ônibus pare em várias cidadezinhas (onde descem os locais) e faça sua parada final em Nevşehir, que é uma cidade “grande” da Capadócia, sem interesse algum, que serve mais como um lugar para trocar de ônibus.

Se o destino final do seu bilhete for esta cidade e você quiser ir pra Göreme, por exemplo, é preciso ter certeza que sua passagem inclui um servi ou shuttle que leve você até lá. O chato é que ninguém fala inglês e, apesar de nos assegurarmos e perguntarmos muito antes de viajar (na agência, ao condutor, ao assistente do motorista), tivemos um probleminha com isso. O nosso ônibus em teoria ia direto pra Ürgüp e lá pegaríamos um shuttle para Göreme. Só que ele acabou parando em Nevşehir e resolveu ir direto pra Göreme! Ou seja, tudo mudou e acabamos nos dando bem, mas teve gente que desceu em Nevşehir achando que era Ürgüp.

Outra coisa louca aconteceu na saída de Istambul. A agência que fechou nosso pacote em vez de nos levar para a rodoviária nos deixou (com vários outros viajantes) em um descampado deserto perto do bairro Sultanahmet. Se isso acontecer, não estranhe. Mais tarde descobrimos que aquilo era outra “rodoviária” e que de lá também saem ônibus para a parte asiática. Coisas da Turquia.

Entrada do hostel caverna Star Cave

HOSPEDAGEM

Procure ficar em um dos hotéis ou hostais cavernas, bastante comuns em Göreme (a gente relata a experiência em detalhes aqui). A paisagem da Capadócia parece de outro planeta devido às suas montanhas, colinas e formações vulcânicas em formas de cones, falos e cogumelos (as chamadas “chaminés de fadas”). Em algumas dessas formações foram escavadas casas e edifícios, ou seja, viver ali era como viver em uma caverna. Os empresários não demoraram para perceber que, além de ver as ruínas dessas antigas habitações, os turistas gostariam de ter a experiência de dormir em uma delas.

O resultado é que hoje há desde hotéis de luxo até albergues cujos quartos (decorados tipicamente com tapetes lindos, colchas trabalhadas, luminárias e almofadas) têm essas paredes de caverna. É meio frio (muito úmido) dormir neles, mas não é claustrofóbico. Diria até que é altamente recomendável. Fiquei em um bem conhecido entre os mochileiros, o Star Cave.

PASSEIOS

Na Capadócia é possível mover-se de maneira independente. Você pode alugar um carro ou uma moto e fazer seu roteiro pelas cidades, mas a maneira mais prática e segura é mesmo contratar um ou mais passeios. Eu detesto sair de excursão, mas nestes casos acho que foi uma boa contar com a explicação dos guias (pegamos um em inglês, mas também vimos pelo caminho tours em espanhol, italiano e francês).

Museu ao Ar Livre: edifícios esculpidos na pedra

Os passeios imperdíveis são os que passam pelo Museu ao Ar Livre de Göreme e por alguma das cidades subterrâneas. O resto é bacana, mas não é tão diferente. Há vários passeios de trekking e caminhadas leves pelos vales: Vale Branco, Vale do Mel, Vale dos Pombos, Vale Vermelho, o bonito Vale de Ihlara (cujo passeio dura um dia inteiro) e outros. Todos têm formações vulcânicas legais, mas depois de ver o Museu ao Ar Livre você passa a achar tudo parecido. Nesse museu, é possível ver, por exemplo, igrejas escavadas na pedra que conservam afrescos do século XII, pintados diretamente na rocha. Lindo. No mesmo passeio, com algumas variações, é possível visitar as ruínas de Çavuşin, onde dá para se ter uma idéia de como se vivia em suas cavernas cor de mel.

Entre as atrações mais originais estão as cidades subterrâneas, que foram, na verdade, abrigos em tempos de guerra e depósitos em tempos de paz. Fui à de Kayamaklı (há outras), que tem seis andares para baixo da terra. Não é muito recomendado a claustrofóbicos, mas o passeio é bem tranquilo, bem iluminado, bem sinalizado e, ficando perto do guia, não tem como se perder. Lá embaixo (no caso de Kayamaklı só se pode descer quatro andares), é possível conhecer adegas, cozinhas e quartos, além de saber como se defendiam de invasores.

Outro destaque é o passeio de balão. Procure uma empresa confiável (afinal, andar de balão não é como andar de lancha) e prepare o bolso. As empresas mais seguras (como Göreme Balloons, Kapadokia Ballons ou Sultan Ballons) cobram no mínimo o equivalente a uns 160 euros por pessoa.

E SÃO JORGE?

Santo amado no Brasil, São Jorge teria nascido no século III na Capadócia, antes de ir pra Palestina e de entrar no exército romano. Pena que nenhum dos turcos que conhecemos (nem o guia) pôde nos dar mais informação sobre ele. Isso porque 97% da população é muçulmana, ou seja, eles não estão nem aí pro nosso cavaleiro…

CURIOSIDADES

Banheiro – Prepare-se para a ausência quase total de vasos sanitários na Turquia (algo comum na Ásia, aliás). Em hotéis, hostais e em alguns restaurantes o banheiro é como conhecemos, mas na maioria dos lugares a privada é um buraco (revestido de louça) no chão, com uns apoios nas paredes para você se segurar. Para os homens e para mulheres acostumadas a banheiros de botecos sujinhos não é muito complicado mirar ali, mas não deixa de ser estranho. Uma coisa curiosa é que as cabines desses banheiros (ao contrário dos botecos sujinhos) não têm cheiro de xixi porque em cada uma há uma torneirinha com uma caneca de plástico para você encher de água e lavar a latrina do buraco depois de usá-lo.

Vestido decotado, olhares indesejados

Roupas e mulheres – Achei que na Turquia era mais tranquilo para andar mais à vontade (fui no verão), mas nem tanto. Nos bairros modernos de Istambul até é possível, mas em Sultanahmet praticamente todos os homens vão olhar seus ombros e canelas de fora (decote e minissaia então…).

Só olhar, se você estiver acompanhada de um homem, mas também podem se aproximar se você estiver só ou com uma amiga. Quanto mais para o interior da Turquia, mais agudo é o choque cultural. No caminho pra Capadócia, por exemplo, vi mulheres bem tapadas e não me lembro de nenhuma local sem lenço na cabeça. Algumas olham meio de cara feia se você não estiver ao menos de mangas e calça larga, mas dificilmente alguém vai recriminar um figurino. De qualquer forma, é melhor não abusar.

É comum ver mulheres viajando sozinhas (há muitas asiáticas, inclusive), mas os guias advertem que é possível que no meio da noite alguém bata à porta do seu quarto de madrugada na esperança de conseguir algo com você. Simplesmente ignore. Também há uma tática para saber se um lugar é um “bom ambiente” para mulheres sozinhas: se você passar por um grupo de homens e eles pararem de falar, fuja dali. O normal é que eles continuem conversando sem reparar em você.

Também vai para Istambul? Então continue por aqui.

A gastronomia turca é mais do que kebab

Para ver mais fotos da Turquia, clique aqui.

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Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

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