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Camboja: dicas gerais e roteiro

Angkor Wat e o espelho d'água: cartão postal do Camboja

Angkor Wat e o espelho d’água: cartão postal do Camboja

Camboja, lugar onde fiquei surpresa, emocionada, empoeirada e suada a maior parte do tempo. Onde ri e chorei seguidamente. Onde me irritei – só um pouquinho, culpa da insistência dos vendedores nos mercados. Mas, acima de tudo, onde fiquei muito comovida. Comovida com a extrema, enorme, absurda generosidade e gentileza de seu povo; com sua beleza natural e humana; com seu otimismo e resiliência (sua história recente é trágica) e com seus sorrisos irresistíveis. Só por isso o Camboja já mereceria sua atenção na hora de fazer um roteiro pelo Sudeste Asiático.

Não é nada complicado viajar para e pelo país. Com 2,5 milhões de visitantes por ano, o Camboja tem uma estrutura turística bem desenvolvida. Fiquei surpresa com a pontualidade na hora de prestar os serviços, por exemplo. Os ônibus que cruzam o país, pelo menos os que eu peguei, saem na hora certa e até os motoristas de tuk tuk aparecem no horário marcado para o passeio contratado. Muita gente fala ou arranha um inglês razoável. A comida é deliciosa. As atrações estão preservadas. A hospedagem é barata (mais que na já barata Tailândia, inclusive). Tá bom ou não tá? Abaixo, algumas informações gerais sobre o país e sugestões de cidades para visitar.

DICAS GERAIS

Crianças brincam perto do Preah Ngoc, em Angkor Thom

Crianças brincam perto do Preah Ngoc, em Angkor Thom

Moeda – É o riel (KHR), mas todos os lugares por onde passei aceitavam dólares. E muitos caixas ATM também têm a opção de sacar em dólar. Então, aí vai a primeira dica: troque pouquíssimos dólares, só para o caso extremo de alguém não aceitá-los. A principal razão para você manter seus dólares é óbvia: quando se troca, se perde. A segunda razão é que US$ 1 vale aproximadamente 4.000 riels (no aeroporto estavam cobrando 3.700, no início de 2013, um roubo!!). Ou seja, é uma conversão complicada de se fazer (multiplicar ou dividir tudo por 4.000) e, a não ser que você queira se sentir “milionário” de brincadeira (US$ 250 = 1 milhão de riels), deixe seus dólares quietinhos. Lembrando que, como as coisas são baratas, é importante ter dinheiro trocado em dólares.

Idioma – Khmer. Mas se fala também inglês (por causa dos turistas), francês (herança colonizadora) e mandarim (pelos imigrantes chineses). É simpático cumprimentar e agradecer no idioma local. Anote aí: suas-dei (olá!), somh toh (desculpe) e or-khun (obrigado), sempre fazendo o wai, movimento em que se reclina levemente a cabeça com as mãos em prece (parecido ao namastê dos indianos).

Clima – Na estação seca, prepare-se para muito calor. Leve protetor solar e lenços umedecidos (para limpar a poeira), especialmente nos passeios de Angkor e quando andar de tuk tuk. A secura vai de meados de novembro a abril e a estação chuvosa, de maio a novembro, com fortes tempestades tropicais. Apesar do calor, acho que vale mais garantir o céu azul e viajar na estação seca.

Mercadorias em exposição no Old Market de Siem Reap, considerado um dos melhores mercados da Ásia

Roupas e acessórios no Old Market de Siem Reap, considerado um dos melhores mercados da Ásia

Roupas –  As pessoas nos pareceram mais recatadas no Camboja do que na Tailândia. Nos templos, você terá que cobrir ombros e joelhos (se for mulher) ou as pernas inteiras (no caso dos homens). Vá de camiseta ou blusa de mangas curtas. Eu fui barrada em um templo por estar de vestido longo e echarpe. Apesar de ela cobrir inteiramente meus ombros, o guardinha implicou e tive que tomar um casaco emprestado de uma australiana solidária. Use calçados confortáveis e fáceis de se retirar, já que só se entra descalço nos lugares sagrados. Mas evite chinelos e sandálias (conselho de quem ficou com os pés imundos depois de um dia inteiro em Angkor). Para não ter que comprar uma horrível máscara cirúrgica descartável, leve de souvenir um krama, echarpe típica, de padronagem xadrez, para proteger o rosto da poeira.

Transporte – O Camboja impressiona pela qualidade de seus meios de transporte. Para viagens internas usei, por exemplo, a Cambodia Angkor Airque achei bem razoável como companhia aérea, e a Mekong Express, empresa de ônibus muito boa. Não viajei de barco, infelizmente, porque fui na estação seca e algumas vias não estavam disponíveis, mas também é uma opção para cruzar o país.

Táxi – A maioria funciona com tarifa fixa. Do aeroporto para o centro de Phnom Penh, por exemplo, paga-se de 7 a 9 dólares. Se você chegar na hora do rush, vai passar pelo mesmo problema que eu: uma fila enorme no aeroporto e poucos táxis disponíveis. Era uma opção dividir o táxi com outras pessoas esperando (os motoristas incentivam isso), mas não conseguimos. Outra ideia é pegar um tuk tuk (custa cerca de 5 dólares até o centro). No caso de Phnom Penh, eu não recomendo (evite tuk tuks em distâncias longas), mas, em Siem Reap, sim. Como o aeroporto é próximo do centro, o tuk tuk pode valer a pena para fugir do trânsito.

Detalhe do amok de peixe

Detalhe do amok de peixe

Culinária – Fiquei muito bem impressionada com a qualidade da comida, tanto em restaurantes como na rua. Um dos pratos mais conhecidos é o amok, feito normalmente com peixe (mas pode ser de frango, carne ou tofu) cozido no vapor com molho à base de leite de coco e vários condimentos. Se come com arroz (pago à parte). Outro prato comum é o lok lak, com carne picante (mas também pode ser de frango ou de camarão). Os curries, comuns em todo Sudeste Asiático, também brilham (ou melhor, ardem) por lá. Procure pela versão “khmer” de pratos consagrados (como sopas e noodles) no cardápio – muitos deles têm como base a prahoc, pasta fermentada de peixe. Entre as cervejas, destaco a Angkor, a Anchor e a Cambodia. Todas são bem leves, como devem ser em países quentes. Gostamos mais da primeira. E nunca vimos cocos com tanta água, uma delícia para refrescar. Também vale provar a fruta durian, que parece uma jaca menor (proibida em alguns hotéis e táxis por causa do forte cheiro) e, se tiver coragem, as tarântulas fritas (eu não tive).

Cuidados sanitários – A comida é muito fresca, inclusive nas barraquinhas, e provar a street food é uma das melhores partes da viagem. Mas, siga seu instinto: não coma o que você acharia estranho ou de aparência perigosa no Brasil. A água da torneira não é potável no Camboja, portanto, compre sempre água mineral. Eu tive problemas extras porque estava tomando um remédio que me deu aftas e elas se multiplicaram na minha boca durante a estadia no Camboja, onde eu escovava os dentes e sentia um gosto ferroso. Na dúvida, passei a escovar os dentes com água mineral e acabei melhorando. Não abra mão do repelente (quando fomos, havia uma epidemia de dengue hemorrágica, só para se ter uma ideia). E, claro, não saia do Brasil sem um seguro saúde de viagem.

Mercado de flores em Phnom Penh

Mercado de flores em Phnom Penh

Visto – O Camboja exige visto de brasileiros, mas é um processo tranquilo, um visa on arrival, se você chegar por avião. Se chegar por terra, precisa passar no consulado do país anterior à visita. Portanto, vá de avião para facilitar, até porque a região conta com empresas de voos low cost, como a Air Asia, que fazem você ganhar tempo sem gastar muito. Ao desembarcar no aeroporto, você  já cai direto numa fila para o visto (um pouco caótica, tenha paciência), que custa 20 dólares. Leve uma foto 3×4, já que sem ela você paga dois dólares a mais.

Guerra – A herança triste do Khmer Vermelho (1975-1979) aparece em várias ocasiões: nos mutilados com quem você encontra, nos museus, nos campos de extermínio (que são atração turística, privatizada e vendida a uma empresa japonesa, acredite), na decadência de alguns bairros. Vai cortar seu coração ver os pedintes que sofreram algum ferimento grave. Aliás, é difícil ver um pedinte adulto saudável, normalmente é algum mutilado ou criança. No caso de vir um menor de idade mendigando, resista a dar esmola. O governo desestimula dar dinheiro ou doces para os pequenos para evitar a exploração infantil. E os doces não são bem-vindos porque essas crianças não têm como tratar os dentes. Caso bem diferente é o dos mutilados que estão trabalhando, seja vendendo algo ou tocando música na rua. É bem comum ver as bandinhas de feridos por minas terrestres nas ruas principais e nas atrações – e a música típica é bem boa! Vale comprar o CD para ajudar.

Turismo good cause – Não falta bibliografia para entender o que aconteceu durante o Khmer Vermelho e você verá muitos livros em inglês e francês à venda por toda parte, caso queira mergulhar mais fundo na alma do país. Com toda a recente história trágica, muitas iniciativas bacanas surgiram nas últimas décadas. Vários restaurantes destinam todo ou parte de seu lucro para organizações sociais. Procure saber no seu hotel e faça seu jantar ou almoço mais feliz. 🙂 O mesmo vale para lojas de souvenires, como a Colours of Cambodia.

Árvores invadem as ruínas do Banteay Kdei (Angkor), onde foi rodado o filme 'Tomb Raider'

Árvores invadem as ruínas do Banteay Kdei (Angkor), onde foi rodado o filme ‘Tomb Raider’

CIDADES DO ROTEIRO

Phnom Penh – A capital cambojana é a principal porta de entrada do país, mas não a única, já que Siem Reap também recebe turistas do exterior por avião e por terra. Porém, chegar por Phnom Penh, além de nos ter saído mais barato, nos permitiu conhecer um Camboja urbano e moderno. A capital sofreu muito, assim como todas as urbes do país, na época comunista, quando virou uma cidade-fantasma e teve sua população deslocada à força para o interior. Hoje, é parecida a outras grandes cidades do Sudeste Asiático. Ou seja, você vai presenciar trânsito intenso, tuk tuks a rodo, poeira, gente com máscara cirúrgica para se proteger da poluição, grandes edifícios modernos contrastando com uns mais detonadinhos, casas coloniais, casas de massagem de aparência duvidosa… Porém, acho que vale a visita, nem que seja para explorar a história do país, altamente concentrada ali. E eu adorei o clima na beira do rio Tonlé Sap, onde há muitos restaurantes bonitinhos, bares e gente caminhando tranquilamente dia e noite, além dos lindos Grand Palace e Silver Pagoda. Só de me lembrar dela me emociono. Separe pelo menos um dia e uma noite para Phnom Penh.

Siem Reap + Angkor – Now we’re talking. Taí a principal razão de 99% das visitas turísticas ao Camboja – suponho. O megacomplexo de Angkor atrai gente do mundo inteiro, curiosa para ver palácios, edifícios, jardins e muitos, muitos templos da época do Império Angkoriano (802-1432 d.C.). Trata-se do maior império que já existiu no Sudeste Asiático e que influenciou fortemente a cultura de países hoje mais desenvolvidos, como a Tailândia. O conjunto foi eleito a oitava maravilha do mundo e não há palavras para descrever o que é Angkor, que tem o Angkor Wat como símbolo máximo, presente na bandeira do país, nas notas de riel, em praticamente todos os tipos de souvenir. Visitar Angkor exige no mínimo três dias, tamanha a quantidade de atrações – entre elas o complexo de Angkor Thom, o Terraço dos Elefantes e o Banteay Kdei. Porém, existem passes de um dia e de uma semana, dependendo do seu tempo. O planejamento da visita e atrações de Angkor estão detalhados neste post. Siem Reap é a principal base para os visitantes, mas também merece pelo menos um dia de visita, já que tem casas coloniais lindas, gastronomia bacana e um mercado popular que é considerado um dos melhores da Ásia (Old Market).

Detalhe de torre no Bayon, uma das atrações do Angkor Thom

Detalhe de torre no Bayon, uma das atrações do Angkor Thom

Battambang – Não com pouca dor, foi cortada do meu roteiro. A maneira mais bacana de se chegar a ela é de barco, saindo de Siem Reap, uma viagem linda. É considerada a cidade com arquitetura colonial do período francês mais bem preservada do Camboja. Também está rodeada de templos que valem a visita, como o complexo de Phnom Sampeau.

Krong Koh Kong – Localizado na costa sul cambojana, é o destino perfeito para os turistas que querem um passeio eco no Koh Kong Conservation Corridor, com florestas tropicais, cachoeiras, ilhas, praias e rotas incríveis para os amantes da natureza. Para relaxar.

Para curtir as praias também vale dedicar uns dias a Sianoukville (que conta com bares e restaurantes modernos e noite relativamente agitada) ou então aproveitar a beleza fluvial de Kampot, cidade-base para visitar o Bokor National Park – e para comer as melhores durians do país. Se você for amante de ciclismo, seu roteiro  pode apontar para o nordeste do Camboja e assim desbravar a rede de 190 km Mekong Discovery Trailque liga as cidades de Kratie e Stung Treng, perto da fronteira com o Laos. Quem sabe você consegue avistar os golfinhos Irrawaddy (espécie de boto asiático) no Rio Mekong? Seria mais uma surpresa nesse país incrível.

 

 

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

11 Respostas para “ Camboja: dicas gerais e roteiro ”

  1. Olá, Kheng Chuor. Muito obrigada. É sempre uma honra receber elogios de locais. Espero que o Brasil lhe esteja tratando bem, pois seu povo é muito acolhedor, nunca esquecerei. Abraços!

  2. Olá Clarissa! Tudo bem ? Seu post é muito bom. As informaçõas bem esclarecidas.Eu nasci no Camboja. Eu estou morrando no Brasil desde 1981. Obrigado pelo post sobre meu país.
    Grande abraço.

  3. Oi, Márcia. Nesse caso, acho que o melhor é se concentrar em conhecer bem Angkor (clique aqui para planejar: http://asviajantes.com/viagem/angkor-como-planejar-a-visita), que é a principal atração do país. Você gasta no mínimo três dias lá. Phnom Penh é uma cidade mais complicada, que não agrada todo mundo, mas, se não for muito corrido pra vocês, talvez valha a pena conhecer (http://asviajantes.com/viagem/phnom-penh-vale-a-pena). Muita gente fala de Battambang, mas eu não fui e não saberia dizer se dá para encaixar no seu roteiro de poucos dias. Na dúvida, eu faria com calma Angkor apenas. Abraços!

  4. Bom dia Clarissa

    Eu e meu marido estamos programando uma viagem para Janeiro de 2017 e Camboja está em nosso roteiro. Como não temos muito tempo devemos ficar apenas 4 ou 5 noites.

    Que cidade voce nos indica? Vale a pena conhecer mais de uma?

    Desde ja muito obrigada e parabéns pelo blog que é muito bom.

    Abraço

    Marcia

  5. Que graça, obrigada, Patricia. Fico feliz por ter ajudado. Bj

  6. Clarissa, passei por muitos blogs! Só o seu tinha o que eu precisava, do jeito que eu precisava. Muito muito obrigada!!!!
    Se eu pudesse votar, te dar um prêmio de qq coisa, faria isso!

  7. Obrigado pelas dicas!

  8. Legal, Taty, que bom que te ajudou! Depois volte para contar como foi. Abraços!

  9. Oi Clarissa! Tudo bem?
    Menina, que post bom!!
    Estou me preparando pois vou fazer um mochilão em abril de 2014 no roteiro Camboja – Laos – Vietnã.
    Me ajudou muito!! Muitas das informações que eu preciso estão aqui!

    Valeu a ajuda!

  10. Valeu, VnV!!

  11. Oi, Clarissa. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Boia Paulista

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