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Primeira vez em Barcelona: para não se perder nesse ‘mosaic’ cosmopolita

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Vista do Parc Güell – Curvas e cores

Barcelona é minha cidade preferida no mundo. Paris, Roma, Londres, Veneza, meu Rio natal, a Madri que me adotou, nenhuma dessas cidades lindas foi páreo para esse crisol de culturas, sabores, cores e arte. Barcelona me arrebatou de tal forma que, mesmo tendo uma experiência ruim na primeira visita (fui roubada no metrô e caí num albergue com gente super estúpida), não consegui tirá-la nunca mais da cabeça. Sabe ficar com um cara incrível sabendo que ele não vai ligar no dia seguinte? Por aí. Talvez por medo de perder esse encanto acabei escolhendo viver em Madri e não lá. Abaixo, algumas dicas para você se apaixonar também.

CATALÀ PRA LÁ E PRA CÁ

Você terminou o curso de espanhol e está louco para gastar seu castelhano pela Espanha. Mas se a sua primeira (ou única) parada espanhola for em Barcelona, pode ter a impressão de que foi parar em outro país.

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A cidade oferece aulas de graça para quem quiser aprender o catalão

Todos vão lhe responder em castelhano e você vai se comunicar na boa, mas pelos carrers (ruas) você vai escutar muito, muito catalão, uma das quatro línguas oficiais da Espanha (além dela há o euskera, o galego e o castelhano). As placas das ruas, os nomes dos lugares; tudo estará em catalão (català) e castelhano. Se resolver se aventurar por cidades pequenas da Catalunha (Comunidade Autônoma da qual Barcelona é a capital), é possível que você encontre gente que nem fale castelhano. Na Espanha, os catalães têm fama de frios e de avarentos (!), mas a verdade é que são super educados e gentis.

Como quase todas cidades europeias, Barcelona tem seu cartão de descontos para turistas. O Barcelona Card dá o direito a utilizar o transporte público sem limites (com a exceção do sistema de bicicletas Bicing) e mais 100 descontos e entradas gratuitas para museus, espetáculos, boates, lojas e restaurantes. Há passes de dois a cinco dias e os cartões são vendidos nas Oficinas de Turismo da Cidade, no El Corte Inglés e mais alguns lugares. Mas se você é daqueles que gostam de caminhar e preferem deixar-se surpreender pela cidade sem o compromisso de fazer uma gincana por todas as atrações, melhor deixar o cartão pra lá e seguir por conta própria.

ROTEIRO GAUDÍ

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Em ‘Vicky Cristina Barcelona’, Woody Allen mostra o lagarto de Gaudí sem nenhum turista em volta. Só em ficção mesmo.

A identidade de Barcelona, conhecida também como Ciudad Condal, está intimamente ligada ao trabalho de Antoni Gaudí (1852-1926), o inventivo arquiteto que foi peça chave do Modernismo Catalão, movimento caracterizado pelas linhas sinuosas e flutuantes e pela combinação de materiais como azulejos, vidro, ferro e aço. Seus mosaicos (mosaics) são uma marca registrada em diversas edificações.

O périplo gaudiano pode começar de manhã cedo, depois de comer no café-da-manhã um pa tomaca ou pão com tomate (torrada típica da Catalunha na qual se esfrega alho e tomate e se rega com azeite). Vá primeiro ao Parc Güell (se pronuncia “güei”), construído por encargo do Conde Eusebi Güell. Ruas, praças e jardins formam parte desse parque, que tem como atrações imperdíveis o lagarto de mosaico, a Sala Hipóstila, o Banc de Trencadis e a Casa-Museu Gaudí, onde o artista morou seus últimos 20 anos.

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Terraço da Pedrera

Em seguida, pegue o metrô (a cidade oferece passes de turistas de dois a cinco dias e um passe de dez viagens que vale a pena) até o Passeig de Gràcia, a avenida mais sofisticada da cidade, e visite as lisérgicas e curvilíneas casas Batlló e La Pedrera. A Casa Battló é a principal atração da Illa de la Discórdia ou Manzana de la Discordia (o nome foi dado porque não há uma unanimidade sobre qual é a mais bonita), quarteirão que reúne várias outras casas projetadas por modernistas.

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Detalhe da Sagrada Familia. Eternamente inacabada.

Para terminar o roteiro,  vá até a Sagrada Família, a igreja obra- prima de Gaudí que ainda está em construção (há mais de 100 anos) e lembra um castelo de areia. Para mergulhar a fundo no Modernismo Catalão, experimente a rota desse movimento.

LA RAMBLA, PURGATÓRIO DA BELEZA E DO CAOS

A frase foi roubada do Rio de Janeiro, mas se aplica perfeitamente à Rambla, a rua mais famosa da cidade e quiçá da Espanha. Cortada por várias ruazinhas, esta grande via (cujo nome vem do árabe raml, “corrente”) da Ciutat Vella (parte antiga da cidade) reúne de estátuas vivas, pintores, bancas de flores (de dia) a prostitutas e coreanos vendendo cerveja em lata (à noite). Está dividida em outras Ramblas, como a Rambla de Canaletes (onde o F.C. Barcelona celebra seus títulos). É um dos lugares obrigatórios da cidade e por isso também o preferido pelos batedores de carteira (assim como o aeroporto, o metrô e a Sagrada Família), portanto, fique muito atento.

Veja também: Croácia, uma joia na região do Mediterrâneo

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O vai-e-vem das Ramblas

Ela vai da Plaça Catalunya até o Port Vell (Porto Velho). O Mercat de la Boqueria é uma parada essencial das Ramblas por se tratar do mais bonito mercado da cidade. Infelizmente, seus arredores à noite também reservam um espetáculo deprimente que atualmente está sendo reprimido pela polícia. De qualquer forma, ir ao Mercado e às Ramblas é uma experiência fundamental para entender o clima da cidade. Shows de flamenco e pubs são uma oferta comum da região, mas não caia nessa roubada. A Catalunha não é especialmente conhecida pelo flamenco (que nasceu na Andaluzia) e os pubs são uma garantia de encontrar irlandeses bêbados e malas.

Depois de explorar as Ramblas entre sem muito roteiro no Bairro Gótico. Visite a catedral, vasculhe suas vielas, curta suas plaças (praças) e, se quiser saber mais, faça o tour Barcelona Walks da Oficina de Turismo. Siga pelo El Born, repleto de restaurantes bonitinhos, bares bacanas, galerias e lojinhas fofinhas. Entre na Catedral del Mar, ande pelo Pesseig del Born e vá ao Museu Picasso. Não deixe de visitar o MUHBA (Museu d’Història de Barcelona), onde você passeia por um verdadeiro labirinto subterrâneo composto de ruínas da pré-história da cidade. É muito interessante. Para uma pausa, passe pelo Parc de la Ciutadella.

ARTE, ESPORTE E PRAIA

Dificilmente você não vai encontrar seu programa preferido em Barcelona. Os fãs de arte devem passar obrigatoriamente pelo bairro de Montjuïc (que significa “montanha judia”), fazendo uma parada no Palau Nacional, onde funciona oMNAC (Museu Nacional d’Art de Catalunya), especializado em arte gótica e românica. Para os amantes da dança contemporânea e experimental, ali perto também está o Mercat des les Florscentro destinado à pesquisa, produção, criação e difusão das artes do movimento na cidade. O espaço possui uma vasta programação, vale uma olhada no site.

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Uma das esculturas externas da Fundació Miró

No caminho para a Fundació Miró (que agrada até quem não gosta do pintor, o que aconteceu com o meu marido), dê uma parada para ver o Palau Sant Jordi, arena das Olimpíadas de 1992. Vale lembrar que os Jogos Olímpicos marcaram um antes e um depois na cidade, que cresceu muito em turismo depois da revitalização que o evento provocou por lá. Apaixonados por futebol também vão querer ir ao Estádio do Barça. Além disso, vale um passeio peloTelefèric de Montjuïc e uma parada no Poble Espanyol. Ali perto, fica o  CaixaForum, centro cultural super bacana (lembra o CCBB em sua filosofia) que abriu “filiais” em outras cidades espanholas. O recorrido pelo bairro culmina no Castelo de Montjuïc, que tem uma vista incrível da cidade. Na descida, atravesse a Avinguda Paral.lel e conheça o bairro do Raval, considerado o Soho de Barcelona, com suas lojinhas, bares, restaurantes e galerias nos arredores doMacba, o Museu de Arte Contemporânea. Aqui, vale consultar a programação de exposições temporárias antes de ir pois a coleção permanente deixa um pouco a desejar. Na Paral.lel, perto do metrô Poble Sec, não deixe de passar no bar de tapas Inòpia, comandado por Albert Adrià, irmão do Ferrán Adrià.

No Bairro de La Ribera, visite o lindíssimo Palau de la Música Catalana, projetado Lluís Domènech i Montaner, outro dos máximos representantes do Modernismo Catalão. As visitas são guiadas e com horário marcado. Uma dica: se você só conseguir vaga no grupo guiado em catalão – são oferecidas visitas em castelhano, catalão, inglês e francês – vá assim mesmo. Como poucas pessoas falam a língua, os guias costumam dar ‘um jeitinho’ e tentam se adaptar ao idioma da maioria. Por ali também estão o já citado Museu Picasso e o curioso (e delicioso)Museu de la Xocolata.

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Monumento a Colombo em Port Vell

Se estiver quente, não deixe de dar um mergulho no Mar Mediterrâneo, apesar de a praia da Barceloneta não ser uma das mais bonitas da Espanha – nem da Catalunha. Faça frio ou calor, vale uma voltinha à beira-mar, saindo do Monumento a Colombo (no final das Ramblas). Passeie pelo Port Vell, coma umas tapas em um dos bares da Barceloneta, faça ou observe o topless e veja o peixe metálico de Frank O. Gehry. Perto do metrô de Barceloneta, encontramos um dos melhores sandubas da cidade, em um bar cujo nome não encontrei na fachada, mas que fica no Carrer Reina Cristina, 7 (veja aqui no Google Maps). O povo de lá gosta de comer o sanduíche acompanhado com a cava (rosé ou tradicional), espumante típico da Catalunha.

Seguindo pela orla de Port Vell, você chega ao Aquàrium. A princípio é um passeio para as crianças, mas que diverte também os adultos que curtem admirar a vida marinha. Em um recorrido que dura cerca de 30 minutos, você observa centenas de espécies marinhas típicas da região e também outras mais exóticas. O ponto alto do Aquàrium – considerado o mais importante do mundo por conta da quantidade de espécies que abriga – é o tanque destinado aos tubarões. Montado em 180º, o tanque permite que esses predadores nadem tranquilamente sobre a sua cabeça. A entrada não é barata (custa atualmente 15 euros para um adulto), mas a ‘viagem submarina’ vale a pena.

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O visitante passeia entre os tubarões no Aquàrium

L’EIXAMPLE E GRÀCIA, A BARCELONA COOL

Ao norte da cidade você encontra uma das partes mais bacanas da cidade, os bairros de L’Eixample (“a extensão”) e o Gràcia. O L’Eixample foi o “bairro dos modernistas” e, além de ser a região das principais atrações (Sagrada Família, Casa Batlló, La Pedrera…), concentra o comércio de luxo de Barcelona. Por ali estão os hotéis caros da capital catalã, mas também outros mais em conta, como o Axel, o hotel gay mais famoso da Espanha (que também é heterofriendly). A rua Enric Granados (metrô Diagonal, Universitat ou Passeig de Gràcia) é uma das mais badaladas da cidade, com restaurantes da moda, galerias e lojinhas. Perto da Universitat, descobri um restaurante fofíssimo, que forma parte de uma rede, o Origen 99%, especializado em cozinha catalã e cujo menu é uma revista que muda frequentemente e que você pode levar para casa.

Já o Bairro de Gràcia, que antigamente era um município vizinho a Barcelona, está pontuado com charmosas ruazinhas estreitas e praças animadas, entre elas a Plaça del Sol e a Plaça de la Virreina. Um passeio pela Avinguda Diagonal vai lhe apresentar a parte mais moderna e rica da cidade.

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Vista do Castelo de Monjuïc

ALBERGUES

Quem já vem acompanhando o blog sabe que costumamos ficar em albergues (que nem sempre são baratos, mas podem ser uma boa opção para conhecer gente e ficar em lugares centrais sem pagar uma baba). Algumas sugestões legais na cidade: a pensão Hostal Oliva e o Centric Point ficam no Passeig de Gràcia, enquanto o Alberg Hostal Itaca se encontra no coração do Bairro Gótico. Em La Ribera você pode ficar na Pensió 2000, em frente ao Palau de la Música. O  Alternative Barcelona oferece cozinha e wi-fi. Para alugar apê por temporada, tente o Barcelona 1000 rooms. Uma recomendação geral das pessoas que moram em Barcelona é não se hospedar em Las Ramblas, porque as opções de lá dificilmente são seguras e o bairro depois das 22h cai em decadência.

PASSEIOS DE BICICLETA

Barcelona oferece uma boa estrutura para quem deseja conhecer a cidade pedalando. As ruas são largas e com quilômetros de ciclovias bem conservadas. Além do sistema de Bicing – em que você aluga a bicicleta na rua mesmo, mas que por enquanto está restrito a moradores – há lojas especializadas no serviço, onde você pode escolher modelo e tamanho da bike. A minutagem é mais cara, mas você pode tirar dúvidas sobre trajetos e pedir dicas de passeios aos funcionários.

Para imprimir este post, clique aqui.

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

4 Respostas para “ Primeira vez em Barcelona: para não se perder nesse ‘mosaic’ cosmopolita ”

  1. Olá, adorei o seu blog..estou indo para a Espanha em outubro…minha primeira vez na Europa e decidi começar pela Espanha…ótimas dicas aqui…obrigada.

  2. Oi, Rapha, que fofa, obrigada! Fico feliz que o post ajudou. Um beijinho.

  3. Oi Clarissa,

    estive agora em Barcelona com a Vivi e seguimos quase todas as suas dicas! Foram ótimas! Já estive em Barca outras vezes a trabalho e nunca consegui ver muita coisa.

    Acredito que experiência em viagens é uma coisa muito subjetiva e por isso cada um deve reunir dicas, é claro, mas construir a sua própria sozinho.

    Desta vez, devido ao post, foi um pouco diferente e algumas vezes até nos deparamos com algumas de suas experiências em nossa frente, por exemplo, assalto no metrô! Gostei mesmo do texto: sem deslumbre, prático e realista! Tem dicas muito boas para aproveitar legal a cidade!

    Thanks a lot!
    Bjs,
    Rapha!

  4. Legal o post… Barcelona é irado.. Gaudí é rei

    My 2 cents:

    Fiquei em Barça num albergue que nem da pra chamar de albergue pq não tem quartos pra mais de 2 pessoas.. mas tb não é hotel. Enfim… valeu muito a pena, pois é muito muito mais barato que hotel, fica a 150m da Praça Catalunha e é super aconchegante… Tudo novinho, cheio de estilo… taí o link: http://www.chicandbasic.com/esp/hostal_tallers_barcelona/

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