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As cores, os ruídos e a paz da Amazônia

Não me cansei de fotografar esse pôr do sol

Na escola a gente aprende que a Amazônia é o pulmão do mundo, mas indo lá a gente descobre que ela é também o coração e a alma do Brasil. Olhar para o horizonte e não saber onde começa o céu e onde termina o rio, ver árvores que surgem no meio de um oceano de água doce e perceber que a floresta é um mundo real e imenso, que nos faz entender porque chamamos a natureza de mãe natureza.

Veja mais fotos da nossa viagem à Amazônia

Vou tentar traduzir um pouco dessa emoção aqui, mas já vou avisando que não sei se vou conseguir passar o misto de sensações que se tem ao desembarcar por lá.

Essa é a Samaúma: seu tronco chega a 9 metros de diâmetro e pode ter mais de 40 metros de altura

A primeira coisa é dizer que é completamente a Amazônia é completamente possível e segura para os mochileiros que não estão a fim de ficar presos à plasticidade e aos preços exorbitantes dos ecoresorts, mantendo o conforto do esquema de pensão completa.

Mesmo não ouvindo falar muito por aqui, o turismo lá é completamente estruturado. As principais operadoras têm saídas diárias para os passeios na selva, que tem seus lugares preenchidos por pelo menos 90% de gringos.

HOSPEDAGEM– Depois de muitas pesquisas e algumas indicações fomos parar na selva um dia depois da nossa chegada a Manaus. A galera da Planet Tours (nosso guia foi o Fabinho, sem dúvida o melhor da empresa e o caboclo mais gente boa que conhecemos) já havia buscado a gente no aeroporto como o combinado e seguimos pela manhã para o porto flutuante da cidade.

Fizemos o pacote de cinco dias no flutuante Green Lodge (mas tem pacotes de até um dia), que tem hospedagem em quartos com banheiros e em redes, com banheiros compartilhados. Mas numa de ser ecologicamente correto – ele não é completamente sustentável como eu pensava – não tem energia elétrica.

Nosso hotel flutuante

A piscina era o Rio Negro, calmo e com uma temperatura convidativa a qualquer hora do dia. Estar rodeado dele te dá a vantagem de poder cair à noite, ao amanhecer, antes ou depois de um passeio.

BICHOS E SELVA – Como tínhamos muitos dias, aproveitamos tudo o que tínhamos direito: o encontro dos rios Negro e Solimões, que impressionantemente não se misturam; a vitória régia, pescaria de piranha, focagem de jacaré, praias de rio e visita à comunidade de caboclos. Além, claro, de se apaixonar pelo nascer e o pôr do sol no meio do Rio Negro – tem locais em que sua largura mede 15 km e o horizonte te faz sentir no mar.

Entre uma atividade e outras, vimos muitos macacos e botos, algumas preguiças, além de uma tarântula – aquela aranha grandona – e muitas árvores incríveis, de mais de 4o metros de altura, sobretudo na noite em que dormimos na selva.

Que preguiiiiiça...

Sim, dormir na selva é uma delícia. Mas, acredite, lá foi o lugar em que menos vimos bichos. Como era uma área nativa, os animais ali não são muito fãs dos humanos e ao menor ruído nosso, fogem e se escondem. Mas sentir aquele cheiro, acordar no meio da noite e perceber que a orquestra de sons do anoitecer se transforma em absoluto silêncio mesmo com milhares de seres vivos ali, não tem preço.

Na noite seguinte, dormimos na casa de uma família ribeirinha e pudemos ver de perto as delícias e as dificuldades de se viver tão longe da cidade, imerso na natureza.

NADANDO COM O BOTO – No último dia, acrescentamos uma atividade que não estava no planejado: nadar com os botos tucuxi e rosa. Depois de mais de duas horas de barco chegamos ao Recanto dos Botos. A Silvana transformou seu bar flutuante num dos pontos mais desejados pelos turistas.

Os botos são realmente muito dóceis. Esses aí não são de cativeiro, mas gostam da comida e brincadeira fácil

Ali, os botos vivem livres, mas acostumados a terem sempre comida farta e muita brincadeira, vão seguindo o bar pelo rio afora, e todas as épocas do ano. Com o sucesso do negócio ela conseguiu atrair a atenção do Ibama, que acompanha e ajuda no trabalho.

Os turistas não podem alimentá-los diretamente, por questões de segurança, só a galera da casa o faz, mas nadamos do ladinho deles e podemos fazer carinho à vontade. De vez em quando, um vem e te dá uma ‘cutucada’ com o bico pra chamar a atenção.

MOSQUITOS – Aí embaixo eu vou falar de dicas em geral, mas achei que os mosquitos rendem uma atenção especial. Os manauaras juram que a acidez do Rio Negro inibe a proliferação deles na região. Mas para qualquer pessoa que venha da cidade, eles são muitos e acho que de muitas categorias.

Por isso, não os menospreze. Se for dormir em rede, compre em Manaus mosquiteiros especiais para redes. Se for dormir em cama, idem. Além disso, esqueça o Off, ele não faz nem cosquinha nos mosquitos de lá. Eu levei um indicado pela Fiocruz, que tem 10 horas de duração – É um spray de embalagem preta chamado Exposis Extreme, que pode ser comprado em farmácia. Eu prefiro me consolar acreditando que ele pelo menos diminuiu o sofrimento nesse quesito, mas mesmo assim perdi a conta de quantas picadas tomei.

Então, uma dica é se armar: velas de citronela e spray pros quartos, fazer trilhas com calças e camisas de manga comprida. Até os tampões de ouvido que uso pra dormir, me ajudaram a ignorar aquele zzzzzzzzzz irritante.

Redes com mosquiteiros no acampamento na selva

A malária é uma preocupação em quem vai pra lá, mas está longe de ser uma epidemia. Qualquer posto de saúde tem o remédio necessário – que não vende em farmácias – e qualquer comunidade ribeirinha tem um agente de saúde que sabe reconhecê-la. O principal sintoma que pode fazer você ficar com alguma neura lá é febre ao anoitecer.

DICAS E CUIDADOS – Você vai para o meio do mato. Então, prepare-se. Vacine-se contra a febre amarela e prefira ter a sua própria água. Nenhum lugar aceita cartão. Leve dinheiro vivo e, como em qualquer lugar, fique de olho nele. No nosso Lodge tinha bar, mas era tudo bem caro. Levamos uma bolsa térmica com sucos, refris e cerveja e os biscoitos e sanduíches nos ajudaram a passar o tempo entre uma refeição e outra incluída no pacote.

Eu, felizmente, não precisei de nada, mas levei uma minifarmácia comigo, que tinha desde remédio pra dor de cabeça e cólica, a ataduras, mertiolate e esparadrapo.

Focagem de jacaré: à noite, sob a luz de uma lanterna, os olhos do jacaré viram foco como dois pontos iluminados no meio da escuridão

Eles têm lá seu kit de primeiros socorros, mas você vai se sentir mais seguro tendo os remédios a que já está acostumado. Lenços umedecidos para quem vai passar uma noite na selva também é uma boa pedida.

Lembre-se que você vai estar imerso na natureza, então respeite-a. Leve seu saquinho de lixo e nada de deixar rastros pra trás ou de sair arrancando tudo pela frente. Deixe a ‘lembrancinha’ a cargo da máquina fotográfica. A última dica é: esqueça suas frescuras na cidade. Abra seu coração e mente para a paz que aquele lugar significa por si só.

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Personal Trip

About the Author

De moto, barco, carro, avião, trem ou ônibus, para Alícia o importante é viajar, conhecer lugares novos, sem deixar de desbravar o Brasil.

3 Respostas para “ As cores, os ruídos e a paz da Amazônia ”

  1. Olá Alícia! Td bem?! Achei suas descrições das viagens à Amazônia incríveis! Fiquei muito interessada no Green Lodge. Tentei acessar o site da empresa, mas ele está fora do ar. Será que você teria outros contatos pra passar?

    Agradeço muito e parabenizo pelo blog excelente!

  2. Oi Alicia ! Adorei seu post estou louca para conhecer a Amazônia ! Vou com minha família em março, você poderia me passar mais informações sobre hospedagem e passeios baratos ? Grata

  3. Oi Alicia,

    Que delícia de viagem. Me deu até vontade!!!

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