• RSS
  • As Viajantes no Facebook
  • Siga-nos no Twitter

Angkor: como planejar a visita

Mapa de Angkor. Leia o post de olho nele

Mapa de Angkor. Clique para ampliar e leia o post de olho nele

Promessa é dívida. Depois do manual de primeira visita ao Camboja, com informações sobre clima, moeda e costumes, aqui vai o passo a passo para visitar a principal atração do país, o Complexo de Angkor.

Para não se sentir perdido, clique no mapa acima e assim você entenderá do que se trata. Ao contrário do que muitos pensam (e influenciados pela imagem de Angkor Wat), Angkor não é um palácio ou templo e sim uma região, outrora território de várias cidades, repleta de construções que incluem palácios, templos e outras edificações. São ruínas incrivelmente preservadas (considerando que os monumentos foram erguidos entre os séculos 9 e 13), representantes do maior império que existiu no Sudeste Asiático, o Império Khmer, dono do pedaço na área que hoje vai de Myanmar ao Vietnã.

Nascer do dia em Angkor Wat: um pequeno sufoco.

Nascer do dia em Angkor Wat: um pequeno sufoco

Angkor influenciou muito da cultura de países hoje mais ricos, como a Tailândia. E por que não se sustentou? É uma longa história, mas a região começou a perder importância após a capital se transladar a Phnom Penh, no século 15.

PONTO DE PARTIDA

Em Angkor não há hospedagem e a grande maioria dos turistas opta por ficar na charmosa Siem Reap. É possível chegar de avião, por terra ou por barco a ela, sem passar por Phnom Penh, caso você tenha pouco tempo e não queira visitar a capital cambojana. Alguns turistas ficam em hotéis ou resorts em cidadezinhas entre Angkor e Siem Reap, mas, vai por mim, vale a pena é ficar nela mesmo. Não vou entrar em detalhes porque Siem Reap terá um post para chamar de seu em breve, mas eu curti ficar perto do Mercado Central (considerado um dos melhores da Ásia), no bairro Psar Chaa, de preferência próximo à Pub Street ou perto da chamada The Alley (porém, prepare-se para agito noturno ou pegue um quarto nos fundos).

QUANTO TEMPO

A primeira dica é: reserve no mínimo três dias inteiros para a região. Existem passes de um dia, de três e de uma semana, que você compra já no primeiro dia, em um posto especial na entrada do parque (veja aqui os preços). É preciso levar seu ingresso todos os dias. Ele tem sua foto e é furado a cada atração. Passar um dia em Angkor é perda de tempo, não vale o esforço de ir até lá. Não há mais passes de dois dias, então três é o que a maioria faz. Se você tiver a sorte de ter um roteiro mais elástico, compre o de uma semana e relaxe.

O QUE VER

Antes de tudo, é preciso definir o que você vai querer ver, pois há muitas atrações em Angkor. Peça dicas em seu hotel para organizar o transporte (veja mais detalhes abaixo), pois ele vai depender do que você vai escolher. Lembrando que ir com um roteiro pronto de visita a Angkor não é garantia de nada. A combinação calor+poeira, as pessoas que você vai encontrar e seu nível de cansaço lá pelo meio do dia podem fazer você mudar de ideia. Eu cortei coisas, acrescentei outras e adiei algumas de acordo com esses fatores ao longo dos passeios.

Multidao de frente para Angkor Wat. E isso porque já tinha esvaziado

Multidao de frente para Angkor Wat no raiar do dia. E isso porque já tinha esvaziado

– O imperdível: Angkor Wat. Símbolo máximo do país, estampado em sua bandeira. É tido como a maior estrutura religiosa do mundo. O que é mais incrível lá: ver o nascer e/ou pôr do sol de frente para sua fachada. Eu fiz as duas coisas e, ao contrário do que todos recomendam, preferi ver o dia acabar em frente a seu espelho d’água. Além de a luz estar mais bonita, estava beeem mais vazio. Isso porque ver o nascer do dia em Angkor Wat é um certo programa de índio. Nós acordamos às 3h30 para sair de tuk-tuk às 4h. Nosso café da manhã foi preparado fofamente, de madrugada, pelo dono da guesthouse e o levamos em uma caixinha. Tudo estava saindo bem e minha ideia, doce ilusão, era chegar lá, pegar um lugar tranquilo em frente ao espelho d’água para aquele clique perfeito dos primeiros raios (o sol nasce atrás do Wat) e em seguida sentar-me na grama e comer meu desjejum. Pois o cenário, ao chegar, às 4h30, noite escura, era o seguinte: um frio incômodo (o calor durante o dia é tão intenso que nem pensei em levar um casaquinho) e centenas, CENTENAS, de pessoas apinhadas na beira do lago (vi umas duas caindo na água ao tentar ajustar seus tripés). Não havia lugar confortável e ficamos quase duas horas de pé, no meio da multidão (felizmente quietinha e nada bagunceira). É uma experiência bonita, porém cansativa. É importante alertar porque depois você vai visitar o gigantesco templo por dentro (algumas torres só abrem às 8h, ou seja, há mais espera pela frente) e outras atrações no mesmo dia.

– O bombante: Angkor Thom. Essa cidade murada tem várias atrações e, muitas vezes, entra como passeio casado com Angkor Wat (se você tiver visitado esse templo pela manhã). Seus portões de entrada são lindos, especialmente os com as pontes, onde há figuras de guerreiros nas laterais. Algumas pirações egotrips dos imperadores khmer estão entre os monumentos a serem visitados lá: Bayon, com suas torres em forma de rostos (e incríveis sorrisos enigmáticos), imitando as feições do rei Avalokiteshvara; o piramidal Baphuon e os lindos Terraço dos Elefantes e Terraço do Rei Leper. Perto desse último, há banheiros, restaurantes e lojas. Nos outros, não há praticamente nada de estrutura turística. Também vale se perder perto do Preah Palilay (noroeste de Angkor Thom), onde há um bosque gostoso, com ruínas espalhadas e árvores gigantescas.

Detalhes dos rostos esculpidos em Bayon

Detalhes dos rostos esculpidos em Bayon

– Os periféricos: Ta Prohm, Ta KeoPreah Khan e Preah Neak Pean. Todos esses templos ficam a oeste de Angkor Thom (fora de sua área) e, podem ser visitados no mesmo dia dele, caso você não tenha ido a Angkor Wat na mesma jornada. Se não, fica puxado; melhor deixar esse circuito para o dia seguinte, juntando com os templos do oeste descritos abaixo.

– O pop: Banteay Kdei. Se você é fã de games, já deve ter ouvido falar desse lugar. Como sou leiga total nesse mundo, não conhecia Banteay Kdei. Trata-se de uma das locações do filme ‘Tomb Raider’. Foi o templo em que vi mais gente por metro quadrado, até porque ele não é tão grande quanto Angkor Wat ou quanto os monumentos de Angkor Thom. Confesso que fiquei meio estressada com as filas para tirar fotos, mas ele vale a pena para ver do que a natureza é capaz, já que árvores imensas e lindas engoliram parte da construção com suas raízes, o que faz dele uma parada especial.

– O do pôr do sol mais famoso: Pre Rup. Pôr do sol famoso, mas não o mais belo que vi lá. Como eu disse, o de Angkor Wat me impressionou mais que todos. Porém, para muita gente, é o melhor lugar para terminar a jornada. Chegue cedo para garantir um espacinho sentado no alto de uma das escadas. No dia em que fui, me disseram que o céu não estava tão impressionante, mas até que foi bonito.

Detalhe de porta esculpida em Banteay Srei

Detalhe de porta esculpida em Banteay Srei

– O de cair o queixo: Banteay Srei. Quando penso nesse lugar, me dá até uma dor no peito de saudades. Fui a Banteay Srei, templo hindu dedicado a Shiva, no meu último dia em Angkor, quando achei que nada mais me impressionaria. Já estava um pouco cansada da arquitetura parecida que vi nos templos próximos a Angkor Thom e, no caminho (empoeirado, claro), pensei que se minhas retinas pudessem bocejar de cansaço, elas se renderiam ali. Porém, ao chegar, pirei. Para começar, esse templo tem uma forte cor vermelho terroso, o que já o deixa mais bonito que os de pedra vistos anteriormente. Sua estrutura é mais horizontal, ou seja, é menos cansativo passear por lá. Mas o mais impressionante de tudo são suas esculturas nas paredes, incrivelmente preservadas e detalhadas. É chamado de “o templo das mulheres”, por sua beleza, delicadeza e porque, dizem, foram elas se deram ao trabalho de esculpir tao lindamente aquilo tudo. Para melhorar, fui no fim do dia, depois das 16h, e a luz estava espetacular. Até chorei de emoção.

– A prova de resistência: Templos Roluos. Cronologicamente, seria melhor começar por eles. Mas todo mundo prefere ir logo a Angkor Wat e Thom e esses acabam para o fim do roteiro, se você ainda tiver energia. Com monumentos menos elaborados, os Roluos são os mais antigos da região e ficam bem longe de Angkor Thom e Angkor Wat, epicentros de interesse. O melhor é ir até eles saindo diretamente de Siem Reap (ficam a 13 quilômetros ao oeste da cidade), no início do dia. São pré-angkorianos, logo, a arquitetura é bem mais simples (chamada de “ingênua”), mas bastante bonita no Preah Ko e no belo Bakong.

Esses não foram os únicos que visitei, há outras atrações que podem ser interessantes para seu roteiro. Para mais informações e sugestões de itinerários, visite este site.

Nosso motorista de tuk tuk e seu inconfundível casaco verde (que ajudava na hora de procurá-lo entre dezenas de motoristas que esperavam seus clientes)

Nosso motorista de tuk tuk e seu inconfundível casaco verde (que ajudava na hora de procurá-lo entre dezenas que esperavam seus clientes)

TRANSPORTE

Existem basicamente três maneiras de explorar Angkor: bicicleta, tuk tuk e van. Todas têm prós e contras. Veja:

Bike – É a opção mais barata, já que o aluguel por dia é de menos de 5 dólares. Quando li que a parada mais próxima (Angkor Wat) ficava a sete quilômetros, me empolguei. Porém, acho que bicicleta só vale a pena por ali mesmo. Quando a gente começa a se afastar rumo a Angkor Thom, a história se complica.

Lembrando que as estradas são muito empoeiradas (ou enlameadas, se você for na estação chuvosa), o calor é forte e os passeios exigem bastante de você – muito sobe e desce nos templos, por exemplo. Acho que só vale se você for atleta e mesmo assim, no máximo até a parte central de Angkor Thom. No resto, melhor complementar com as opções abaixo.

Tuk Tuk – Ainda é barato, mas o preço varia de acordo com as atrações. Funciona da seguinte maneira: você diz ao motorista (normalmente indicado por alguém do hotel ou na rua mesmo, o que não recomendo) os lugares que pretende visitar (ele provavelmente vai indicar outros, que podem ser bons ou não) e vocês fecham o preço de acordo com as horas que ele vai ficar à sua disposição e com a distância que percorrerá. Vimos gente cobrando 100 dólares por três dias, mas fechar o preço para todo o roteiro é arriscado, já que os motorista pode se recusar a fazer alguma parte no meio do passeio (acontece com muita gente).

Nós estivemos a ponto de fechar de uma vez os três dias com o motorista que nos levou da rodoviária para o hotel, mas desistimos depois que o dono da guesthouse nos disse que era possível conseguir tuk tuk por 15 ou 20 dólares por dia. No fim das contas, acabamos pagando mais por isso (em média, 25 dólares por dia), mas o cara fez tudo o que pedimos, incluindo mudar tudo de uma hora para a outra. O ideal é fechar um dia de cada vez, de preferência com o mesmo motorista. Isso porque, como disse acima, o cansaço, o calor e as dicas de viajantes que você vai encontrando vão fazendo você mudar de ideia ao longo de cada jornada. Uma desvantagem do tuk tuk, assim como na bicicleta, é a poeirada a que você fica exposto. Portanto, é fundamental proteger o rosto com óculos escuros, echarpes ou máscara cirúrgica. Outra dica importante é memorizar detalhes do tuk tuk e da roupa de seu motorista, já que todos esperam seus clientes no mesmo estacionamento e nós passamos cerca de meia hora procurando o nosso no primeiro dia.

Usando meu krama, echarpe típica, para me proteger da poeira durante os deslocamentos

Usando meu krama, echarpe típica, para me proteger da poeira durante os deslocamentos

Van – Não tive essa experiência porque achei muito turistona, mas lá pelo segundo dia invejei um pouquinho quem ia de van, no ar-condicionado. Apesar de ser um veículo com muito mais potência que a moto do tuk tuk, não é garantido que seu passeio será mais ágil, a não ser que você pegue uma van exclusiva, o que é caro (chutaria uns 50 ou 60 dólares por dia). Sem contar que muitos motoristas de van são meio que “obrigados” a levar o grupo a lojas e fábricas, passeios que fazem o turista perder tempo (e dinheiro) que poderia estar gastando nos monumentos. Enfim, é uma questão de ajustar expectativas com quem você for contratar.

PERRENGUES E ADVERTÊNCIAS

A falta de banheiros foi um problema sério para mim em todos os passeios. Pergunte onde há sanitários a seu motorista de tuk tuk ou de van assim que chegar e determine uma hora para ele levar você até lá. Cheguei ao cúmulo de entrar em uma propriedade privada, uma pequena granja (levada pelo próprio motorista de tuk tuk), porque não havia nenhum toalete por perto em um dos passeios (nem no restaurante onde comemos). Quase fui perseguida por uma vaca e a dona apareceu dando um esporro por ter usado sua “casinha” sem pagar, o que se resolveu depois que abri a carteira.

Leve água e compre sempre que vir alguém vendendo. Não é frequente encontrar comércio em vários dos templos. Levar repelente também é uma boa, já que o país sofre com dengue. Protetor solar, óculos, chapéu e echarpe (para proteger o rosto da poeira) são artigos de primeira necessidade. Vá com calçados fechados. Fui de chinelo no primeiro passeio e a terra manchou minha pele por alguns dias.

Os vendedores são muuuito insistentes e quase perdi a paciência logo no primeiro dia. Mas seja gentil, os cambojanos são muito amáveis e doces em geral. Muitos vendedores/pedintes são crianças ou mutilados de guerra, então, mantenha o bom humor e não seja rude. Lembrando que o governo recomenda não dar esmolas para crianças (nós, brasileiros, sabemos bem o que é exploração infantil, certo?) nem doces, pois muitas não vão ao dentista.

 

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

3 Respostas para “ Angkor: como planejar a visita ”

  1. […] O blog As Viajantes fez um resumo legal e prático dos templos (http://asviajantes.com/viagem/angkor-como-planejar-a-visita) […]

  2. Valeu, gente! Abs

  3. Oi, Clarissa. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Boia Paulista

Deixe uma resposta

Você pode usar estas tags xHTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <blockquote cite=""> <code> <em> <strong>