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Amsterdã: muitas ‘viagens’ em uma mesma cidade

Rokin, parada obrigatória

Quando a gente pensa na capital da Holanda, vêm à cabeça sexo, drogas… e tulipas, certo? Sim, mas, como todo estereótipo, esse não faz jus à cidade.  Amsterdã é liberal, moderna, sexy, colorida e esquenta até a imaginação mais careta, mas também oferece passeios tranquilinhos, para gente de todas as idades, credos, orientações sexuais e tabus. Sem esquecer que é uma das cidades europeias mais ricas culturalmente, com museus bacanésimos.  Ou seja, seja lá qual for a conotação que inventarem com as palavras “viagem” e “Amsterdã” na mesma frase, certamente alguma vai lhe interessar.

Minha passagem por A’dam foi rápida – em uma viagem a trabalho – mas intensa. Meu grupo estava louco para dar uma pirada, encher a cara e algo mais. Como eu fui pra trabalhar mesmo, troquei o périplo deles por bares e coffeeshops com pinta de engana-turista pela companhia de uma amiga descolada que mora há anos na cidade, conhece todos os lugares e sabe bem como evitar as furadas. Inclusive várias das suas dicas estão descritas abaixo. Valeu, Luana!

Em relação à hospedagem, eu fiquei em um da rede espanhola NH, que era OK. Mas uma recomendação bacana é o Lloyd Hotel, em que cada quarto está desenhado por um artista holandês, com diárias a partir dos 70 euros. Na mesma faixa de preço você encontra um hotel-barco, o Amstel Botel, que pode dar um tom romântico à sua viagem. Para algo mais selvagem, saiba que o Black Tulip foi eleito pelo TripAdvisor como um dos hotéis mais sexies da Europa devido a seus quartos inspiradores. Se ficar em albergues, vale aquela recomendação de sempre: não deixe de ler os reviews das pessoas que se hospedaram neles. Duas curiosidades: não é para qualquer um, mas o Hotel Hilton da cidade ficou famoso por hospedar John Lennon e Yoko Ono durante seu famoso protesto na cama, cujas fotos deram a volta ao mundo. E o Pris Hendrik Hotel entrou para a história depois que Chet Baker se suicidou saltando de seu segundo andar.

POR QUAL CANAL EU COMEÇO?

Com o Paleis ao fundo

Amsterdã é relativamente pequena e dá para fazer muita coisa andando ou de bicicleta (há mais de 600 mil na cidade), meio de transporte mais popular da capital holandesa. A graça é mesmo deixar-se perder e descobrir ângulos diferentes dos lindos canais (cerca de 260) que cortam a cidade. Aliás, vale lembrar que a função original dos canais era proteger e facilitar o trânsito de barcos com mercadorias, que deixavam os mantimentos na porta dos armazéns. Não podemos esquecer que Amsterdã nasceu por e para o comércio.

É preciso ter disposição e tempo porque as atrações são muitas. Você pode começar o dia tomando café-da-manhã em alguma loja da rede Bagels n’beans, que tem mega sanduíches deliciosos.  Em seguida, inicie seu passeio pelo centro histórico, mais precisamente pelo Dam, a praça central da parte antiga da cidade. Por ali você vai encontrar o Paleis, o Nationaal Monument (em memória aos falecidos na II Guerra Mundial) e a Niuwe Kerk, a igreja nova. De lá, dá para cair direto na agitada Damrak, uma das ruas mais concorridas da cidade, e desembocar na Centraal Station, onde está a principal oficina de turismo e onde se alugam bicicletas. A rede Mac Bike é uma das mais populares quando a intenção é conseguir uma magrela.

Paralelamente à Damrak, corre a Spuistraat, com seus pubs e discotecas. Por ali também estão as igrejas de Sint Nikolaas, templo católico renascentista, e a Oude Kerk, o edifício religioso mais antigo da cidade. Seguindo a Spuistraat, você vai encontrar a Spui, pracinha que abriga bares e restaurantes e que tem a estátua de Lieverdje (obra do escultor Carel Kneuman, representando um menino de rua), que nos anos sessenta foi símbolo do movimento de contracultura e desobediência civil Provo (de “provocativo”).

Tulipas mil

A Spui dá de cara para o canal Singel e aí você terá duas opções para margeá-lo: para cima, em direção ao Dam, fica o Museu Histórico de Amsterdã, que conta a história da cidade. Para baixo, você encontra o Mercado de Flores (diariamente, entre 9h-17h30, menos aos domingos, que começa às 11h30) onde se podem comprar flores frescas, bulbos dos mais de 700 tipos de tulipas que existem no país e sementes variadas, incluindo as de cannabis.

RED LIGHT DISTRICT, MERCADOS E MUSEUS

Depois do mercado de flores, ao deparar-se com a Muntplein, também há duas opções. A primeira é subir a Rokin, outra das principais artérias da cidade, que margeia o canal de mesmo nome e onde encontramos casas dos séculos XVI, XVII e XVIII (estreitinhas e de grandes janelas, para aproveitar a luz natural) que serviam também de armazéns. Dobrando à direita, na Grimburgwal, você encontra (na confluência com a Oudezijds Archterburwal) a Casa dos Três Canais, uma das mais bonitas da cidade. Uma curiosidade: na Oude Hoogstraat, uma das ruas perpendiculares à Oudezijds Archterburwal, está a sede da Companhia das Índias Orientais, a poderosa empresa naval que marcou a História.

Nesse lugar você estará a um pulo do famoso e labiríntico Red Light District ou Bairro da Luz Vermelha, com bares, sexshops e as célebres vitrines com prostitutas. O momento mais frequentado é ao entardecer, quando chegam os clientes. Não deixa de ser um pouco deprê, mas alguns dos bares atraem um pessoal jovem, que curte uma balada alternativa. Inclusive há um projeto, o Red Light Fashion, de transformar o lugar em uma zona hype de consumo, com moda e arte local. Cuidado com os batedores de carteira por lá. Perto do Red Light District, seu passeio pode continuar pela Niuwemarkt, uma grande praça que abriga mercados, e que tem como principal atração o Waag, um edifício com pinta de fortaleza que servia para proteger uma das portas de entrada da cidade.

Rijksmuseum, para ficar a tarde toda

A outra opção partindo de Muntplein é seguir pela Amstelstraat, passar pela Rembrandtplein (Praça Rembrandt), cruzar o canal Amstel e sair em frente ao Stadhuis Muziektheater, que fica na Waterlooplein (onde está o principal mercado das pulgas da cidade). Ali pertinho encontramos o imponente Museo Hermitage, “filial” do original de São Petersburgo, que reabriu em junho do ano passado com toda pompa de um grande museu histórico. Subindo um pouco mais, você sai na Jodebreestraat, rua que abriga a Casa-Museu de Rembrandt.

E se a sua intenção é passar o dia pulando de museu em museu, saiba que a cidade conta com 46 deles. Para começar, sua parada tem que ser a Museumplein (Praça do Museu), no sul da cidade. Ao seu redor estão os museus mais famosos de Amsterdã:  Van Gogh Museum, o mais visitado da cidade (mais de um milhão de pessoas por ano), que descreve a vida e obra do pintor impressionista em ordem cronológica; e o Rijksmuseum, um dos meus preferidos na vida, porque adoro a arte holandesa e esta pinacoteca tem 260 salas com o melhor da pintura desse país entre os séculos XV e XX. Lá estão expostas as principais obras de Rembrandt, como a famosíssima tela De Nachtwacht. Quadros míticos de Veermer e de Avercamp (pintor das mais lindas paisagens de inverno que já vi) também são atrações imperdíveis do museu. Perto do Rijksmuseum fica uma das praças mais famosas da cidade, a Leidseplein, com cassinos, bares, restaurantes e muito agito. É onde se celebra o Ano Novo, além de ser palco das celebrações do time Ajax e manifestações políticas.

Na Museumplein há várias barraquinhas que vendem arenque em barraquinhas (comida de rua típica da cidade) e, ali ao lado, o Vondelpark (parque urbano mais antigo e extenso da Amsterdã) é a melhor opção para dar uma lagarteada entre um museu e outro. O parque acaba de ser renovado e no verão fica lotado de amsterdammers fazendo piquenique e churrasco. Quem tiver um tempinho sobrando e quiser evitar tumulto, a Amsterdamse Bos é a pedida. De bicicleta fica a 20 minutos fora do centro da cidade; ideal para relaxar, andar de caiaque ou pedalinho e comer panqueca. Do outro lado da Museumplein, caminhando um pouquinho você chega ao bairro popular De Pijp, cujo destaque é o Mercado de Albert Cuyp, com vários cafés, restaurantes e lanchinhos, além de uma oferta bacana de queijos holandeses e souvenirs baratinhos. O café De taart van mijn tante (“a torta da minha tia”), em frente à Heinekenplein, faz jus ao nome e vende bolos caseiros deliciosos.

Queijos holandeses: é impossível comer um só

Voltando aos museus, há outras paradas destacáveis, como a Casa Museo de Anne Frank, o Museu da Maconha, o Museu da Tulipa, o Museu da Tortura, o Houseboat Museum (para ver como se vive em uma casa-barco, lembrando que há mais de duas mil delas na cidade) e a Heineken Experience, que promove uma visita (com degustação) pela fábrica da cerveja holandesa mais famosa do mundo.

BEBER, COMER, COMPRAR

Um dos programas mais tradicionais da cidade é visitar um dos bruine cafés (“cafés marrons”), que se caracterizam por uma decoração de madeira escura, iluminação tênue, tetos baixos e ambiente aconchegante. Há vários pela cidade, como o centenário Hoppe , e muita gente passa por eles depois do trabalho ou antes de começar a noitada. Não estranhe se não houver café em alguns deles – a intenção é servir petiscos, saladas, sopas ou doces, na maioria das vezes acompanhados de bebidas alcoólicas.

Uma das zonas mais interessantes para fazer comprinhas e tirar fotos é o bairro Jordaan, a oeste da cidade. Dá pra chegar lá de bonde (13, 14 e 17) ou ônibus (142, 144, 170 e 172), parando no Westerkerk (Igreja do Oeste). Por lá estão lojas fofas como a Kitsch Kitchen, com objetos que imitam a estética dos anos 60 e 70, e a S-tiles, ótima para os admiradores de mosaicos. Para repor as energias, vale uma passada no colorido e kitsch Café Nol ou no restaurante Baltasar’s Keuken. A praça de Noorderkerk oferece um  mercadinho vintage todas as segundas-feiras e aos sábados tem a maior feira biológica de Amsterdã, o Noodermarkt. A Haarlemeerstraat tem várias lojas e cafés fofos, além de casinhas pequenas e antigas enquanto a Westerstraat está repleta de barezinhos.

Grudadinha ao Jordaan, entre a Herengracht, a Keizersgracht e a Prinsengracht está uma área conhecida como De Negen Straatjes (“as nove ruazinhas”), onde os modernos compram roupa vintage, tomam sucos biológicos e descobrem as novas tendências de design em lojas como a The Frozen Fountain, com objetos criados por designers locais. Outro espaço curioso por lá é a De Witte Tandenwinkel, especializada em… escovas dentais (!), com mil modelos e cores.  Aviso: o bairro não é dos mais baratinhos.

As fachadas nada discretas dos coffeeshops

Outros lugares legais para conhecer na cidade são a loja Nieuws Innoventions, com objetos e invenções bem estranhos, o bar De Zotte, com cervejas belgas e comidinhas gostosas, e o restaurante C Taste, que segue uma tendência bem europeia de “restaurantes a escuras”, onde os garçons são cegos e você não tem ideia do que vai comer. No clima ecológico da cidade, o Open Restaurant fica em cima de um dos canais e foi construído em um antigo contêiner.  Se estiver a fim de ver como é um dos mais de 300 coffeshops de A’dam, o Barney’s é um dos mais famosos e bem cotados na Cannabis Cup, que rola em novembro. Também são bem conhecidos o Greenhouse e o Abraxas, considerado o mais bonito da cidade. É preciso levar o passaporte para entrar. Além deles, há muitos outros na área do Red Light District.

NEM TUDO É FESTA

Apesar  de ser permitido vender drogas no país, é proibido consumi-las na rua, então, nada de achar que está em Woodstock. Outra recomendação é evitar usá-las sozinho. Um colega do blog resolveu provar um cogumelo durante uma day trip (sem trocadilho) pela cidade enquanto esperava seu avião e teve uma paranoia que o paralisou. Foi uma aventura nada agradável conseguir chegar sozinho ao aeroporto.

Um conselho para as meninas durante as noitadas: é bem comum dar de cara com uns chatos bêbados na rua. É possível, ou melhor, é provável, que não façam nada, mas, para poupar aborrecimentos, evite as ruas e os cantos escuros e ande sempre com companhia de madrugada. Isso inclui o Red Light District, onde não é muito legal andar sozinha nem de dia.
Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

7 Respostas para “ Amsterdã: muitas ‘viagens’ em uma mesma cidade ”

  1. Oi, Gabriela! Muito obrigada pelos elogios, ficamos felizes. Olha, eu fiquei exatamente dois dias lá, mas fui a trabalho, então era outro esquema, com tudo organizado, sem filas e tudo mais. Dá pra ficar dois noites, sim, mas, como essa sua viagem vai ser puxada, eu acho que eu preferiria ficar três, até porque é uma cidade muito gostosa para dar uma desacelerada também, passear com calma, curtir os canais, andar de bike e ficar sem pressa nos museus. Porém, como o tempo lá é meio instável, há a possibilidade de pegar dias não muito bonitos, o que talvez te entediasse um pouco. Talvez o ideal fosse você conseguir passar pelo menos dois dias inteiros (manhã, tarde e noite) para aproveitar bem. E, se tiver que escolher um só museu, não deixe de ir no Van Gogh. Apesar de meu favorito ser o Rijksmuseum, o do Van Gogh é obrigatório. Beijos e boa viagem (saudades de Madri, morei aí três anos…)

  2. Olá, primeiramente, PARABÉNS pelo blog. Sempre entro pra planejar minhas viagens e é a primeira vez que comento. Faço questão de parabenizar principalmente porque a informação de vocês é realmente diferenciada e não pude encontrar nada igual pela web. Foi um pouco complicado planejar minhas viagens para as cidades que não tinha nada postado por aqui porque realmente é difícil de achar o que se quer de maneira objetiva por aí.
    Estou morando em Madrid e vou fazer uma viagem de 24 dias passando por acredito que 9 cidades. Por enquanto meu planejamento está para 3 noites em Amsterdã. Como você falou que a cidade é pequena, me pergunto se duas noites não seriam o suficiente? Claro que quanto mais melhor, mas tenho outras cidades que quero ficar mais tempo, tenho que organizar esse “toma lá da cá”. O que você acha?

    Grata!!

  3. Muito obrigado!

  4. Olá, Leandro.
    Amsterdã é uma cidade relativamente pequena e, na minha opinião, a melhor forma de conhecê-la é a pé. As principais atrações estarão a poucos quilômetros de você, o problema é que há um canal enorme no meio do caminho. Você estará na margem oposta.
    Não conheço o hotel que escolheu, mas, pelo que vi, há um serviço de ferry gratuito até o centro da cidade. Uma vez lá, ou você anda a pé, ou de bonde, ou de bicicleta. É tranquilo. O serviço de bonde é perfeito para quem não curte longas caminhadas. Funciona muito bem.
    Abraços e boa viagem.

  5. Pow…irei em Amsterdã em Outubro e ficarei no Amstel Botel…é tranquilo de transporte para o resto da cidade?

  6. Passei 3 dias em AMsterdam, voltei semana passada e já estou doida para voltar, a cidade é realmente apaixonante. Pessoas sociáveis, boa comida, mta coisa pra visitar, é espetacular mesmo. Na próxima vez pretendo ir na primavera para poder visitar uma plantaçao de tulipas, como fui no outono, pude apreciar as folhinhas amarelas das lindas árvores as margens dos canais e no parque Vondel, um cenário emocionante. Abraços!

  7. Olá!

    Muito bom o relato sobre Amsterdam. Fui lá ano passado e volto esse ano. A cidade é apaixonante!

    Parabéns pelo blog! Bastante interessante. Também escrevo num blog e vou botar um link de vcs lá.

    Beijos
    “um homem precisa viajar”

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