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Acampando com crianças

Acampamento com crianças

Acampar com crianças requer paciência…

Leitora assídua do nosso blog, a jornalista e amiga Paula Gorini estava há tempos querendo colaborar com um texto, mas não sabia bem sobre o quê. Depois da última viagem, quando levou a Luna pra acampar pela primeira vez, ela teve certeza: escreveria sobre acampar com crianças, os cuidados que se deve ter, o planejamento e a farra que se torna dormir numa barraca. O resultado está aí embaixo:

Fevereiro de 2011, férias em família. Desde que minha filha Luna (3 anos) nasceu, troquei minha barraca de 2 lugares para uma tamanho família. No entanto, foram quase 4 anos ensaiando a aventura de sair com criança pequena para curtir um mato. Primeiro, porque tivemos que esperar toda aquela fase de milhares de fraldas e mamadeiras diminuir e caber no mochilão. Mas em busca de uma opção econômica e ecológica, escolhemos o Parque Estadual de Ibitipoca, Minas Gerais, como nosso destino de férias.

Leia mais sobre Ibitipoca aventureira aqui.

O PLANEJAMENTO

A primeira providência foi buscar o máximo de informações possível sobre o local de acampamento no parque, estrutura para campistas, preço, condições de higiene etc. O As Viajantes foi fundamental para dar as primeiras coordenadas sobre a natureza, acomodação e curiosidades do vilarejo de Conceição de Ibitipoca, mas o site local também foi de grande valia para entender a cidade, suas distâncias e o funcionamento do parque: informações como valor da pernoite, limite para número de barracas (15) e sobre a existência de um restaurante e de vestiários com banheiro.

A segunda providência foram as compras. É preciso estar preparado para lanches noturnos, piquenique na cachoeira e gostosuras fora de hora.

acampamento com crianças

… mas tudo vira uma grande brincadeira!

O ideal é viajar de carro, fazer do bagageiro um misto de armário e dispensa e evitar alimentos gelados. O iogurte da minha filha foi salvo pela geladeira do simpático guarda florestal Alsino. Velas, fósforo, repelente, protetor solar, lanterna, canivete e pilhas são utensílios fundamentais para acampar. As pilhas servirão para lanterna, máquina, filmadora e o que mais se quiser ter de equipamento eletrônico. As velas, não aconselháveis para dentro da barraca, serão de grande utilidade para uso externo, e se ele for criativo pode até virar história! A Luna chamou o suporte com vela de fogueira e criou um ritual diário: toda noite, depois que escurecia, era a hora de sentar para ver as estrelas e contar uma história assustadora na “fogueira”.

FAZENDO AS MALAS

Uma mala de acampamento tem que ter o básico e ao mesmo tempo o mínimo, mas sem deixar de pensar nos imprevistos. Galochas e capa de chuva tomaram parte na bagagem da querida, que no final nem foram usadas. Roupas de fácil lavagem e secagem também são uma boa dica, pois em caso de chuva pode ser difícil ficar com aquelas roupinhas espalhadas num varal improvisado no avancê (a parte da entrada) da barraca. Nós tivemos sorte, pois não choveu nenhum dia. Também foi bem difícil lembrar de incluir casacos potentes ao fazer a mala no calor infernal do Rio de Janeiro. Ainda bem que fui alertada por uma amiga sobre risco de chuva e frio.

Brinquedos simples como um jogo da memória, livros e bonecos pequenos podem resolver muito bem a distração da criança nos momentos que estiverem na barraca. Para Luna funcionou também um caderno sem pauta e um estojo de canetinhas, que voltou repleto de desenhos, rabiscos e histórias. No final, virou uma espécie de álbum criativo da viagem.

A VIAGEM

Malas prontas, seguimos estrada pela BR-040 em direção a Juiz de Fora, principal referência para se guiar no mapa. Pouco depois da entrada para cidade de Juiz de Fora, há uma placa para Lima Duarte (BR-267), cidade vizinha à Conceição de Ibitipoca. A viagem durou entre 4 e 5 horas no total, saindo do Rio de Janeiro, com direito à parada para almoço. Em Lima Duarte, uma parada rápida para abastecer, pois é o último posto de gasolina.  Não foi muito cansativo, mas tem um bom pedaço de estrada de chão e já chegando em Conceição há uma série de ladeiras íngremes nada animadoras se seu carro for 1.0 como o meu guerreiro Gol. Evite percorrê-las com chuva ou à noite. Mesmo assim, as ladeiras são de um calçado de pedras que é bem melhor se fosse apenas terra.

CAMPING PARA MENORES

Chegamos ao parque no final do dia, com a informação apenas do valor do pernoite: R$ 30 por pessoa. No entanto, há negociação, pois além do valor do camping por pessoa, é cobrada uma diária pelo carro. Sem incluir a criança – ela ainda é isenta dessas tarifas – a diária sairia por R$ 75. Vale uma tentativa de abatimento no valor total. Chegamos numa quarta-feira, não havia nenhuma barraca, estávamos com o camping todo para nós, podíamos escolher o melhor lugar. No final de semana esse realidade se transforma completamente, o parque fica lotado! Cheguei à conclusão que a boa estrutura de banheiros e vestiários, além de churrasqueiras e do restaurante, era pensada para os visitantes. Mais que para os campistas. Afinal, era incoerente não haver nenhuma estrutura para cozinhar, fora a churrasqueira. Para acampar lá, o melhor é levar um fogareiro de camping. Mas nada descansa mais uma existência urbana e frenética que dormir olhando para as estrelas, deitada no colchão de ar, segurando as pálpebras para não se fecharem. O som da mata à noite também serve como um canto de ninar, hipnótico, suave, curioso. No meio da madrugada o silêncio é total, a mata dorme. Os sentidos agradecem.

USANDO A CRIATIVIDADE

acampamento com crianças

Uma índia? Vale tudo para despertar a criatividade dos pequenos

O mesmo colchão de ar (melhor aquisição) que facilitou uma boa noite de sono, virou pula-pula nas horas vagas. Relaxa, é só encher de novo antes de dormir. Aliás, para um bom rendimento do colchão de ar, vale à pena enchê-lo um pouco mais todas as noites, pois ele sempre perde ar com a movimentação do sono.

Nas longas caminhadas em trilhas para as cachoeiras, deve-se ter muita paciência e aproveitar o caminho se quiser que a criança ande com seus próprios pés. Tivemos que carregar a Luna em alguns momentos, é bem difícil, principalmente em subidas. Por isso, aproveitamos ao máximo sua imaginação, com criação de histórias de aventureiros, exploradores, homem-aranha e até guarda de museu. Paradas para olhar insetos diferentes e coloridos, pedras, plantinhas, tudo que faça a criança sentir que andar não é uma obrigação, mas uma diversão.

COMIDA, COMIDA E MAIS COMIDA

Para colocar os pequenos fora de suas rotinas sem se preocupar com a fome das crianças, é bom estar preparado para piqueniques na cachoeira. Além de ser um momento de repor as energias, pode também entrar para o roteiro criativo de seus dias. Quando a criança estiver já entediada de ficar na mesma cachoeira durante horas, opa, hora do piquenique! Se seu filho gosta de frutas, aproveite, elas são sempre ótimas opções! Infelizmente não é o caso da Luna. Mas vale biscoito de gergelim, bolinho Ana Maria, rosquinha… Pra beber eu dou a dica do guaraná natural, é fácil de fazer e levar (prepare numa garrafinha de água) e dará ânimos para o trajeto de volta. Com a Luna funcionou.

No almoço, a melhor aposta é o PF do restaurante do parque, Alpha Parque. Muito bem servido, custa R$10,90 e vem com arroz, feijão, salada, legume, farofa, batata frita e uma opção de carne. O tempero mineiro é de primeira qualidade, e ainda tivemos o atendimento simpático de Dimas. Nos fins de semana é ainda melhor, por R$ 3 a mais, é servido um “self –service”, com uma grande variedade de salada e tudo super fresquinho!

Leia também o post Ibitipoca para sedentários

DESCANSANDO NA CIDADE

Para finalizar nossa estadia em Ibitipoca, decidimos passar os últimos dois dias no vilarejo. Primeiro porque queríamos conhecer a cidade e seus moradores, mas também porque achamos que a rotina de acampamento, por mais criativa que seja, já estava cansando a criança de 3 anos. O cansaço físico começava a se apresentar em pequenos ataques de mal-criação pela manhã, na hora da caminhada. Foi uma escolha acertada passar uma tarde inteira sem fazer nada na beira da piscina. Luna pôde mergulhar sem medo (é impressionante como azulejos azuis fazem diferença no sentimento de segurança da criança) e nós aproveitamos para tomar uma cerveja e ficar de pernas pra cima.

A cidade durante a semana parece fantasma para os turistas. Os moradores estão ali, escola, igreja, crianças brincando na praça. Mas foi super difícil achar um restaurante para almoçar e ficamos na vontade da pizza, pois as duas pizzarias estavam fechadas. O espaço Mandala foi nossa salvação, além de uma refeição vegetariana gostosa, os donos do espaço, Kátia e Neto, são super simpáticos, à noite tem música ao vivo. Eles ainda têm cerveja de garrafa e narguilê, para quem gosta. Como a cidade estava vazia, fomos lá os dois dias, e a Luna pode deitar nos pufes e assistir a um filme que o Neto colocou para passar em DVD. Foi um prazeroso programa social para família!

Clique aqui e confira todos os posts sobre destinos em Minas Gerais.

Personal Trip

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Uma resposta para “ Acampando com crianças ”

  1. Amei o post! Primeiro pq amo Ibitipoca. Viajei pra lá duas vezes, acampando, mas na época não tinha o filhote ainda. Segundo pq adorei a sua coragem de estrear acampando com sua pequena numa viagem que não é das mais fáceis. Já quis fazer isso com o meu mas numa viagem mais perto. Tomara que a oportunidade apareça logo!

    Abs,
    Eliane

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