• RSS
  • As Viajantes no Facebook
  • Siga-nos no Twitter

O que comer e beber no Maranhão

Um dos maiores símbolos do Maranhão, o Jesus divide as opiniões dos turistas (foto: Época)

Viajar ao Nordeste, para mim, é ter a certeza de voltar para casa com quilos a mais. Apaixonada pela gastronomia variadíssima da região, não penso duas vezes antes de provar quitutes, doces, pratos com ingredientes locais e bebidas típicas, sejam lá quais forem. Vou sempre aberta a degustar tudo.

No Maranhão não foi diferente. Passei dez dias em São Luís, trabalhando muito em um congresso, e me dei o luxo de comer e beber muito bem para compensar o cansaço da maratona. De quebra, ainda passei um fim de semana nos Lençóis Maranhenses, mas isso é outra história.

A capital maranhense tem opções excelentes de culinária regional, tanto em restaurantes simples quanto em mais sofisticados. Porém, prepare-se para enfrentar filas, principalmente na alta temporada (de junho a agosto). Locais e turistas acabam indo aos mesmos endereços e a espera pode ser de até duas horas na hora do ‘rush’ gastronômico. Outro detalhe importante: os pratos costumam ser MUITO bem servidos. Pergunte ao garçom exatamente o tamanho, pois alguns servem bem até três pessoas. Ainda assim, não saem muito baratos. Contando com bebidas e eventuais sobremesas, nossas refeições nos restaurantes indicados abaixo saíam entre 40-60 reais por pessoa.

O QUE PROVAR

Fritada de caranguejo (ou de camarão) – Virei fã dessa espécie de omelete, que muitas vezes vem com outros ingredientes além das proteínas, como pimentão e cebola. Lembre-se de perguntar o tamanho da fritada, pois em várias vezes que comi era imensa, nem cabia inteira no prato.

Pastéis de carne com geleia de pimenta e suco de taperebá. Para começar.

Caranguejo toc-toc – Ir de noite a alguns dos bares da orla de São Luís, na Avenida Litorânea (como os da praia de Calhau), é um programão. Podemos passar horas tomando caipifruta e comendo caranguejo toc-toc (que não é exclusividade maranhense, sendo comum em diversas partes do litoral nordestino). A degustação do crustáceo tem um ritual simples e gostoso. Ele vem normalmente em uma travessa ou pote (que pode ser até de plástico, tipo tupperware), cozido, com molho (que leva tomate e temperos) e farofinha. Com o martelinho, quebramos o bicho e chupamos as patinhas. As mãos ficam sujas e a gente volta ser criança. A cabeça do bicho é para “iniciados” (segundo uma amiga que tem família por todo o Nordeste), pois nela também ficam os excrementos do caranguejo e não é todo mundo que sabe separar a carne. Um detalhe: se você resolver ir aos bares da orla durante o dia, que é outra opção bacana, não entre no mar, OK? As praias de São Luís não estão próprias no momento.

Pastel de carne com geleia de pimenta – Agradinho encontrado em muitos bares da Avenida Litorânea. A geleia vem à parte, para molhar o pastel, uma delícia. Nos bares, ele é vendido como porção, mas em vários restaurantes (veja alguns abaixo), a porção com minipastéis + geleia é cortesia, praticamente um couvert típico.

Pescada Amarela – Esse peixe é encontrado em praticamente todos os restaurantes de frutos do mar. Normalmente vem empanado, com salada e alguns acompanhamentos, como o arroz de cuxá. Também é a estrela de moquecas e peixadas.

Arroz de cuxá – De origem africana, tem sabor acentuado que não agrada a todos. Feito com a vinagreira, verdura comum no estado, é muito comum principalmente na época das festas juninas (que são ótimas por lá!). A receita pode variar um pouco, mas, além da vinagreira, em geral leva pimentões, cebolinha, pimenta, camarão seco, cebola e pode vir também com farinha seca. Vai bem com peixe frito.

Farinha d’água e seca – Sou doida por farofa e sempre dava um jeito de pedir para incluir essas farinhas entre os acompanhamentos. As feitas com banana são melhores ainda.

Creme de bacuri – É mais fácil encontrar um creme de bacuri no cardápio dos restaurantes em São Luís do que um pudim de leite. Muito comum, a sobremesa é feita à base dessa fruta, que tem gosto acentuado, além de textura e cor leitosas. Achei muito saboroso e não é muito doce.

Tapioca durante a espera para pegar a balsa. É impossível comer uma só

Tapioca – OK, tapioca é um bem cultural-gastronômico presente em todo o Nordeste e Norte. No Maranhão não poderia faltar. Mas esse registro é para você não deixar de provar o quitute das tapioqueiras próximas à balsa que você pegará se fizer o passeio para os Lençóis. Na ida, se você optar pelo passeio à tarde, normalmente não dá tempo. Na volta, já de noite, a espera para embarcar é de uns 40 minutos ou até uma hora. Todos descem do jipe e vão dar uma volta pelas lojinhas que ficam no caminho para a balsa. E dezenas de tapioqueiras ficam por lá, fazendo uma redonda atrás da outra, com manteiga e recheios como queijo, presunto ou coco. Tenras e levemente molhadas, suaves, no ponto. Foram as melhores tapiocas da minha vida.

Guanará Jesus Deixei por último o item mais polêmico da lista. Conheço poucos turistas que gostaram do guaraná de cor exótica (rosa-cheguei), um dos orgulhos do Maranhão, tão clássico e hype quanto o biscoito Globo do Rio ou o picolé Rochinha do litoral paulista. Sempre me senti hipnotizada pela cor (tão linda) e pela logomarca (acho um primor de design, que foi até premiado internacionalmente), porém, o Jesus não me converteu. Por ser extremamente doce, ele não agradou ao paladar desta autora, que adora refrigerante light e acha doce até a Coca-Cola comum. Há uma crença que diz que se você não provou (e gostou) na infância, dificilmente vai curtir o Jesus na vida adulta. Porém, é tão diferente e interessante que vale experimentá-lo nem que seja para tirar uma foto. Tem até Jesus Zero (adoro esse nome, parece campanha de ateu), para quem quiser manter a forma. Não cheguei a provar e conferir se é menos doce, mas pretendo tentar um dia.

Carne de sol de filé mignon. Inesquecível.

ONDE COMER

Bar Landrua Mariscos – O bar não tem nada demais, mas fica na bonita praia de Calhau, o atendimento foi bacana, a vista é linda e os preços, bem honestos. Nos fartamos de caranguejo toc-toc e bolinhos fritos, sequinhos, do crustáceo, regados a caipifrutas e cerveja.

Restaurante Senac – Esse restaurante-escola tem ambiente sofisticado e está num casarão restaurado, no coração do centro histórico. À primeira vista, os pratos são caros. Porém, não sabíamos de um detalhe fundamental: são muitíssimo bem servidos, podendo ser divididos facilmente entre duas pessoas ou até três. Nem sempre os garçons, que também estão em treinamento, sabem explicar ao certo o tamanho das refeições, mas insista. A comida é bem executada e o forte são os pescados e pratos com frutos do mar. Durante o almoço, há um menu de preço fixo, bem mais em conta.

Maracangalha – Recomendado por 10 entre 10 maranhenses, o Maracangalha também tem comida típica e pratos com frutos do mar bem gostosos, em um ambiente mais descontraído. Mudou de endereço mais de uma vez e, quando fui, estava no bairro Olho D’Água. Tem os pastéis de carne com geleia de agradinho gratuito (uma delícia). Comi um peixe-delícia, que vem com generosas aplicações de queijo e banana, mas fiquei de olho comprido nos pratos com crustáceos e nos de carne. Também são bem servidos. Dica de durango: aceita TR!

Cabana do Sol – Tem dois endereços e optei por ir no que fica à beira-mar. Valeu a pena enfrentar a fila de mais de uma hora de espera (era um domingão de sol). Tanto que virou meu restaurante favorito da temporada. Os pratos rondam os 80-120 reais, mas, lembrando, servem duas ou três pessoas. Para variar da overdose de peixe e frutos do mar (que também estão no cardápio em forma de caldeirada, arrozes, peixadas etc.), optamos por uma carne. Depois de comer os pasteis com geleia, cortesia também por lá, nos vimos imaginando como seriam as bistecas, filés e costelas. Acabamos decidindo pedir meio prato de carne de sol de filé mignon. A dica de pedir meia-porção, dada pela prima de uma das comensais (éramos três), foi certeira. Além de pagarmos bem menos (R$ 69,90), conseguimos comer tudo sem deixar nada (o que vinha acontecendo com frequência). Esse prato será um daqueles que ficarão na memória durante muito tempo. Nunca havia comido carne de sol de filé mignon e confesso que será difícil encarar qualquer carne de sol depois de provar esse. Macia, a carne vinha acompanhada de paçoca salgada, purê de mandioca, aipim frito, feijão, baião de dois, banana frita e manteiga de garrafa. Recomendo fortemente.

Também vale dar uma passada na Praça do Comércio, no centro histórico, onde há alguns bares e restaurantes. É gostoso para comer uma pizza ou petiscos ao ar livre.

O QUE COMPRAR

Depois de comer tanto, ainda sobrou espaço para pensar em comida? Claro que sim! Afinal, é sempre bom levar para casa um pouquinho dos sabores regionais. Ou pelo menos conhecer alguns deles. A Casa das Tulhas é um dos lugares mais legais para isso. Esse mercado, que ocupa um celeiro construído em 1820, fica no centro histórico e tem barracas/boxes que vendem de tudo. Vários tipos de farinha; castanhas (20 reais, meio quilo); geleias de pimenta (a dos pastéis) e outras mesclas, como geleia de pimenta com leite de coco ou com bacuri; manteiga de garrafa; licores; compotas de doces… Lembrancinhas perfeitas para aquele amigo gourmet. Uma forma de deixar o sabor do Maranhão na boca por mais tempo.

 

Personal Trip

About the Author

Depois de três anos morando na Europa, Clarissa foi multada ao voltar ao Brasil. Motivo: excesso de bagagem. Mas não se arrepende. Afinal, eram muitas histórias e dicas para trazer na mala e ela não queria deixar nenhuma para trás.

2 Respostas para “ O que comer e beber no Maranhão ”

  1. Valeu, Paula. A esta hora (12h30) ver post de comida é tortura mesmo, hehe. Curti seu blog também, boas dicas. Abraços

  2. Bah, mas assim não dá, né? Fiquei com água na boca. realmente a culinária nacional além de sortida é deliciosa. Adorei e favoritei. Abraços,
    Paula

Deixe uma resposta

Você pode usar estas tags xHTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <blockquote cite=""> <code> <em> <strong>