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De São Luís a Jeri, via Lençóis Maranhenses

Centro histórico de São Luís (Foto: cissinhaaraujo.wordpress.com)

A amiga da amiga tinha ido dois anos antes, a amiga foi no ano anterior. E foi a partir dos relatos empolgados delas que eu resolvi para a travessia São Luís (MA) – Fortaleza (CE) via Lençóis Maranhenses e Delta do Parnaíba. Embora já com certa experiência de viagens pelo Brasil, seria minha primeira vez ‘mochilando’ pelo país. E valeu cada quilômetro de 4 x 4, lancha ou gaiola.

A viagem começa em São Luís do Maranhão, cidade que, segundo os próprios moradores, só tem duas estações no ano: verão de vento e verão de chuva. Fui num ‘verão de vento’, ou seja, meados de agosto, quando os preços não são mais de alta temporada, mas ainda há água suficiente para você se deslumbrar com os Lençóis.

DAYTRIP PARA ALCÂNTARA – Passamos quatro dias em São Luís, concentrados no Centro Histórico, tiramos um dia para visitar Alcântara (uma viagem de barco muito sacolejante, mas que vale o dramin já que a cidade guarda ruínas e histórias inacreditáveis de uma visita da Família Real que nunca aconteceu) e tivemos a sorte de descobrir um tambor de criola bem tradicional numa quermesse. São Luís é quente, muito quente, mas venta o tempo inteiro e tem um vendedor de coco quase em cada esquina. Isso ajuda bastante a aliviar o calor.

Alcântara ganhou esse nome em homenagem a Dom Pedro (Foto: www.vcnoimirante.com)

Na cidade, é imperdível o arroz de cuxá com camarão seco e uma visita à Casa do Maranhão, um museu que traz uma boa representação da cultura do estado. E tem belíssimos bumba-meu-boi por todo o lado. Outro ícone do Maranhão, o guaraná Jesus, nós não aprovamos – para espanto da garçonete, que levou de volta à cozinha uma lata quase cheia.

RUMO AOS LENÇÓIS – De São Luís pode-se ir para os Lençóis de duas maneiras: de avião, num sobrevoo que dizem ser incrível mas que não cabia no nosso orçamento; de carro, numa viagem que começa por volta das cinco da manhã e dura cerca de três horas. Nosso hotel em São Luís providenciou esse transfer até Barreirinhas, que é a porta de entrada para os Lençóis.

Ao contrário do que muita gente pensa, não se pode pernoitar nos Lençóis. Ali é um Parque Nacional, a gente chega, se deslumbra, passa horas se supreendendo com o que surge atrás de cada duna, e vai embora. Eu fiquei meio arrependida de não ter planejado um passeio que me possibilitasse ver o por-do-sol lá, mas o sol é inclemente e não há sombra.

Lençóis é um deserto com lagoas (Foto: www.lencoisturismo.com)

4×4 E BARCO

– De Barreirinhas se chega à entrada do parque de 4×4, com direito a travessia de rio sobre uma balsa. No caminho até lá, uma viagem de 40 minutos em média, onde se passa por cenários de natureza intocada – ao menos era assim em 2002. Na época, os guias recomendavam fortemente que levássemos frutas, bastante água e filtro solar. Eu hoje frisaria também a necessidade de um bom chapéu e camiseta, porque o sol não perdoa e pode ser um empecilho para a imperdível caminhada pelas dunas. Já pensou se perder num deserto cheio de lagoas? É quase isso, mas com guia.

Pernoitamos em Barreirinhas num lugar bem baratinho. É bom dizer, aliás, que Barreirinhas vive basicamente desse entra-e-sai de turistas nos Lençóis. Há hospedagem de todo tipo, mas a população local é bem pobre. No dia seguinte, seguimos para Caburé de lancha subindo o Rio Preguiças. Mangues e dunas – parte dos chamados Pequenos Lençóis – tornam esse caminho bem impressionante. Tínhamos a opção de ir de gaiola, mas preferimos fazer em 50 minutos o trajeto que o barco faria em três horas e por um preço bem mais módico. No caminho, paramos numa das dunas e também subimos no farol de Mandacaru, que oferece uma boa vista da região.

ENTRE O RIO E O MAR – Caburé é uma faixa de areia entre o rio e o mar, que, na época, tinha cinco pousadas e não tinha energia elétrica – apenas um gerador que era desligado diariamente às 22h. Seis anos atrás ninguém falava ainda de aquecimento global, mas já dava para ver que Caburé não deve resistir por muito tempo à ação da natureza. Além do mar cobrindo cada vez mais a faixa de areia (não são poucos os troncos de árvores dentro d’água), os ventos de agosto impossibilitavam que nossa pousada, por exemplo, alugasse os chalés do fundo, que eram invadidos pela areia.

 

Caburé é uma delícia de faixa de areia entre o rio e o mar (Foto: blog.deviajeabrasil.com)

Foram quatro dias em Caburé, entre banhos de mar e de rio, caranguejo toc-toc, caminhada até o encontro do rio com o mar e passeio pelo mangue até seguirmos rumo a Tutoia, onde pegaríamos o barco para Parnaíba (PB). De Caburé para Tutoia é preciso ir de 4×4 e, se você conseguir lotar o carro, mais econômica será essa viagem. Esse foi um dos motivos que nos fez perder o passeio de Caburé para Atins, um dos vilarejos mais famosos dos Pequenos Lençóis, que todo mundo diz ser imperdível, principalmente pelos camarões.

A AGENDA DO BARCO – A saída de Caburé para Tutoia deve ser bem planejada por um motivo: o barco que sobe o Rio Parnaíba não tem saídas diárias (ou não tinha, na época). Isso nós descobrimos lá, na sorte: dos sete dias da semana, ele passa um parado para reparos e divide os outros seis indo de Tutoia a Parnaíba ou voltando. E depois dos Lençóis e Caburé, Tutoia não nos pareceu um lugar dos mais interessantes para se passar mais de uma noite.

Até chegar a Tutoia, o 4×4 passa por lugares que a gente só vê nas fotos do Sebastião Salgado. É impressionante e até chocante para quem acha, por exemplo, que as favelas do Rio são lugares pobres. Nessa viagem pelo interior do Maranhão, a gente se depara com gente que não tem nada mesmo, o que torna essa experiência mais marcante.

PRÓXIMA PARADA: PARNAÍBA – Já em Tutoia nós corremos para comprar nossa passagem de barco e reservar nossas redes para o dia seguinte. Sim, são mais de seis horas de viagem e fica difícil imaginar passá-las sentada num banco de madeira o tempo todo. Mas é outro passeio memorável, não só pela paisagem mas também pela possibilidade de se ver de perto como é a vida dos ribeirinhos que dependem do barco para receber remédios, comida e outras necessidades básicas.

Delta do Parnaíba (Foto: ecoviagem.uol.com.br)

Quando se chega ao Delta em si, que é quando o rio deságua no mar, há aves de todos os tipos. Uma boa dica para apreciar melhor essa chegada é deixar a rede de lado e ir para a proa do barco. Ainda tinha cervejinha a bordo, para animar o passeio.

O ÚLTIMO ÔNIBUS – Depois de um trajeto desses, o desembarque em Parnaíba não foi dos mais entusiasmantes. Lá nós compraríamos a passagem de ônibus para Camocim (CE), de onde faríamos a última baldeação rumo a Jericoacoara. Mas demos a sorte de encontrar um dono de picape que nos ofereceu uma ‘carona’ cobrando um pouco menos que a passagem e com a possibilidade de chegarmos um pouco mais cedo. Assim, nem paramos em Camocim, que mais tarde vim a descobrir que vale uma estadia de uns dois dias.

Como chegamos tarde da noite a Jeri, ficamos na pousada que nosso caroneiro nos indicou e no dia seguinte partimos em busca de algo que atendesse melhor às nossas expectativas. Já era início de setembro, temporada de ventos mais fortes e era grande o número de turistas europeus praticando windsurf. O resultado disso é que pousadas mais bacaninhas já tinham voltado a praticar preços de alta temporada. Mas Jeri tem hospedagem para todos os bolsos (mesmo) e algumas baratinhas supreendem. Onde ficamos, por exemplo, pagamos, na época, R$ 40 num quarto que tinha ventilador e uma varanda com um vistão daqueles.

Jericoacoara e a Pedra furada (Foto: http://br.viarural.com)

JARDINEIRA E JIJOCA

– Quem conheceu a cidade nos anos 70 e 80 reclama que o turismo estava acabando com o lugar. Não foi essa a sensação que tivemos. Ficaríamos quatro dias e estendemos para sete. De fato, havia música eletrônica, artesanato a preços ‘para gringo’ e mesmo a comida já não era tão barata quanto costuma ser em outros lugares turísticos do Nordeste.

Ainda assim, ficamos encantados com a possibilidade de fazer nada diante de uma vista incansável, mar calmo, coqueiros ao vento e o imperdível por-do-sol visto da duna à beira do mar. Dispensamos (e nos arrependemos depois) a visita de buggy às lagoas próximas mas fizemos a quase obrigatória caminhada até a Pedra Furada.

O fim da viagem foi Fortaleza, onde visitaria minha família e pegaria o voo de volta ao Rio. Para sair de Jeri rumo à cidade hoje já há a possibilidade de se pegar um avião. Nós fizemos o caminho do mochileiro: jardineira (que sacode à beça) até Jijoca e, de lá, um ônibus de turismo superconfortável e muuuuuito frio. Saímos de Jeri na jardineira da noite (convem comprar com antecedência, pois essa é a mais concorrida) e chegamos a Fortaleza por volta das 2h. A partir daí é assunto para outro post.

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Personal Trip

About the Author

Flávia tem viagens planejadas para os próximos cinco anos, pelo menos. Só tem um porém: todas precisam de uma parada em Paris.

15 Respostas para “ De São Luís a Jeri, via Lençóis Maranhenses ”

  1. Você acha que vale a pena alugar um carro em São Luis para não ficar tanto tempo em baldeações? A idéia seria dirigir até Barreirinhas, deixar o carro lá por alguns dias e ir até Atins, depois de Barreirinha ir até Parnaíba e depois para Jeri. Passaremos o dia inteiro viajando de volta para São Luis. Obrigada pela dica se alguén já fez isso.

  2. Oi Ana Cristina,
    a minha viagem durou 15 dias. Eu acho que menos de dez fica cansativo porque tem muita baldeação no meio do caminho. Além disso, o barco que sai de Tutoia para o Delta do Parnaíba tem dias certos de saída, é bom você ter alguma flexibilidade para não precisar mudar sua viagem a contragosto para se adaptar a isso. Acho que mais informações você pode encontrar em páginas de agências de turismo da região, mas eu não sei indicar nenhuma. Minha dica é você pesquisar o passeio até o Delta, não apenas essa viagem de barco que eu cito no post. É uma região com fauna e flora riquíssimas, eu me arrependo muito de não ter parado lá.
    Espero ter ajudado.
    Boa viagem.
    Abraços
    Flávia

  3. Olá
    Estou a pensar fazer a mesma viagem de São Luís até Jericocoara. Quantos dias de viagens são no mínimo?
    Onde poderei encontrar mais informações?
    Estarei viajando a partir de 3 de Julho, alguma sugestão especial?
    Obrigada

  4. Oi Giselly,
    na época eu não me lembro de termos opções. Se não estou enganada, a jardineira saía de Jeri pela manhã ou no início da noite e ia até Camocim. Lá a gente pegava um ônibus com um ar condicionado suuuuuperfrio que nos levava até Fortaleza. Tem tempo que fiz essa viagem, então as coisas podem ter mudado. Minha sugestão é checar com seu hotel.
    Espero ter ajudado.
    Boa viagem!
    Abraços
    Flávia

  5. Meninas, qual foi a empresa que vocês pegaram para fazer o transfer Jeri-Fortaleza?

  6. Obrigado Flávia

    Pela dica, vou chegar em São Luiz dia 17/12, e verificar o que for mais viavel.
    Gostaria de conhecer essa região de São Luiz a Jiri.

    Abraço
    Feliz Natal.

  7. Oi João,

    eu fui do Maranhão ao Ceará passando pelo Delta do Paranaíba, outro tipo de viagem. De ônibus, minha sugestão seria você ir até Fortaleza e lá pegar um ônibus para Jijoca. Essa última parte da viagem leva de 7 a 8 horas.
    Espero ter ajudado

    Abs

  8. Gostaria de obter informação sobre a viagem de onibus de São Luiz a Jijoca no Ceará

    Obrigado

  9. Ah, e a Rota das Emoções eh melhor ainda! São 3 lugares incríveis que devem ser visitados! Tudo é perfeito em Jeri, Lençóis Maranhenses e Delta do Parnaíba!

  10. Que delícia de lugar! Incrível! Esse é um dos destinos que não podem deixar de ser visitados nesse Brasilzão! Fui com a Anima Brasilis (segunda viagem com eles).

    O encantamento do lugar me fez renovar as energias e ver o quanto somos (os brasileiros) abençoados com nossas belas paisagens.

    O sobrevoo deve ser feito! De cima se vê realmente o quão belo é aquele lugar!

  11. Dear Sirs,
    I am looking for a tour from Sao Luis until Jericoacoara. The tour should includes all the different sights to visit. My available time is from 14th October – 21th October. Since I have a reservation in a hotel in Jeri, I should be arriving there on 21st.
    Awaiting your kind reply by return email.
    Thanks and best regards
    Peter

  12. Olá Flavia,

    você menciona a viagem de barco, que eu imagino que seja a gaiola, de Tutóia para Parnaíba. O post é de janeiro de 2010, mas pelo que eu entendi a viagem foi em 2003, é isso mesmo?

    No blog do Ricardo Freire, encontrei um comentário dizendo que a gaiola não funciona mais. Você tem alguma informação a respeito? Algum leitor que fez essa viagem poderia comentar?

    Abraços e obrigado!

  13. Raissa, nós passamos no total 18 dias viajando. Acabamos estendendo nossa temporada em Jeri e cortando dias em Fortaleza. Quanto aos gastos, eu não me lembro mais porque tem uns sete anos que fizemos essa viagem, mas posso te garantir que nossos salários não eram nenhuma maravilha. A cidade mais cara é Jeri mesmo…

  14. Quantos dias foram necessários para fazer esta incrível trajetória?? Foram suficientes, ou vocês os distribuiriam de maneiro diferente?
    To pensando em fazer o mesmo, só que ao contrário, começando por Jeri!
    Ah! Quanto foi gasto mais ou menos no total?

  15. Estou indo para os Lencóis em abril. Oito anos depois dessa aventura, veremos o que mudou. Conto tudinho quando voltar.

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