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Machu Picchu: a cidade sagrada dos Incas

Com o sol ainda chegando...

Perplexidade e felicidade. Foram esses dois sentimentos que tomaram conta de mim quando eu passei pela roleta de entrada e dei de cara com as primeiras ruínas de Machu Picchu. A cidade perdida dos Incas, que se manteve escondida até 1911 , impressiona qualquer um que tem a sorte de pisar naquela terra sagrada.

As chuvas que castigaram o Peru no início do ano deixaram comunidade viajante sem ar com a possibilidade de que Machu Picchu pudesse ter sofrido algum dano. Por sorte, os Incas eram engenheiros e arquitetos pra lá de habilidosos e a cidadela continua lá, intacta. Para celebrar a reabertura de Machu Picchu, que acontece hoje, eu, Reba, e Flávia – que tivemos a sorte de já ter estado lá –  resolvemos fazer um post pra falar de um dos destinos mais incríveis do mundo.


CHEGANDO

O viajante que quer visitar as ruínas chega com uma combinação de trem + ônibus ou através da trilha Inca.

Trem + ônibus

Já com o sol

Quem optar pelo caminho mais fácil, pega um trem desde Cusco até a cidade de Águas Calientes e depois um ônibus até as ruínas. Todo o transporte é muito confortável. Mesmo a classe backpacker do trem oferece assentos amplos e limpos e os ônibus que fazem a parte final do trajeto são novíssimos. O viajante pode sair de Cusco logo no primeiro trem que sai às 07h42. Nesse caso, chega-se em Machu Picchu por volta das 09h da manhã.

Quem quiser aproveitar todos os minutos do dia para ficar em Machu Picchu pode optar por pernoitar em Águas Calientes, pegar um dos primeiros ônibus e chegar às ruínas logo nas primeiras horas do dia. Essa foi a nossa opção e apesar do perrengue de ter que acordar às 04h da manhã pra entrar na fila do ônibus eu recomendo muito. Primeiro porque você chega com o parque mais vazio (mas não se iluda de que estará sozinho, muitos outros viajantes terão a mesma ideia que você!) e depois porque ver o amanhecer no meio daquelas ruínas é uma experiência que eu não vou esquecer.

Seja qual for a sua opção, uma dica é muito importante: se você não comprar seu ticket de trem pela internet faça logo no primeiro dia que chegar a Cusco. Não importa em qual época do ano você está indo. Machu Picchu é muito procurado o ano inteiro e as passagens backpackers, as mais baratas, se esgotam mesmo. Não deixe pra depois.

Uma outra coisa a se ficar atento é o ponto de partida do seu trem. Muitos viajantes – inclusive eu! – que optam por dormir em Águas Calientes resolver fazer isso depois do passeio do Valle sagrado. Em Cusco você contrata uma agência para fazer o passeio – o Valle Sagrado não é algo que se possa fazer por conta própria a não ser que você esteja viajando de carro ou de moto. A última parada é a cidade de Ollantaytambo, se a sua ideia é pernoitar em Águas Calientes o melhor é pegar o trem de lá.

Quando a Flávia foi pra Machu Picchu, em 2004, ela também optou por dormir em Águas Calientes. Mas ela fez o trajeto até Ollantaytambo em uma van. Saiu de Cusco rumo ao Valle Sagrado de ônibus, até Urubamba. Essa parte do trajeto levou cerca de uma hora e meia, mas pareceu muito mais demorada dada a péssima qualidade dos ônibus na região, além do fato de eles andarem lotados e fazerem muitas paradas na estrada. De Urubamba ela pegou uma van até Ollantaytambo, uma viagem bem mais curta e cercada apenas de outros turistas. Para fazer esse trajeto a tempo de pegar o trem em Ollantaytambo, ela acabou saindo cedo demais de Cusco e tendo muito tempo livre na cidade. O lado positivo é que Ollantaytambo tem ruínas incríveis, que merecem muito ser visitadas. Agora, se você estiver de mochilão ou mala – que não era o caso da Flávia – vai ter que tratar de descobrir um locker para deixá-lo.

Trilha

Encaixes perfeitos

A falta de planejamento frustrou o meu grande sonho de fazer a Trilha Inca. Eu comecei esse planejamento três meses antes da viagem mas a lotação estava esgotada. Por isso, se o seu plano é chegar a Machu Picchu a pé planeje com bastante antecedência. A trilha clássica dura 4 dias e três noites. Não é preciso ser atleta mas um bom preparo físico é fundamental. Para fazer é a trilha é fundamental contratar uma empresa. É proibido – e dizem os viajantes que já fizeram – quase impossível conseguir fazer a trilha por conta própria.

A trilha começa às 06h30 em Ollantaytambo. No primeiro dia são de 4 a 5 horas de caminhada e o acampamento acontece em Wayllabamba. O segundo dia é o mais puxado. Se acorda bem cedo e caminha até a altura de 4.200 metros, uma altura de onde se pode ter uma noção de toda a cordilheira na qual Machu Picchu está inserida. Nesse dia não se passa por sítios arqueológicos. No terceiro dia a subida continua até o segundo topo que fica a 3.900 metros de altura. Nesse dia, o grupo passa pelos sítios de Sayacmarca, Phuyupatamarca, que tem um ótimo mirante, e Wiñaywayna. A recompensa é que nesse acampamento o viajante vai poder ter um banho quente e comprar bebidas geladas. A alvorada do último dia começa às 04h e depois do café da manhã começa a caminhada. 1 hora e meia depois os viajantes devem cruzar a Porta do Sol e se deliciar com as primeiras imagens de Machu Picchu.
Em 2007, os preços ficavam por volta de 265 dólares por pessoa para fazer a trilha. Estudantes têm descontos e pagavam por volta de 235 dólares. Além do guia, o pacote da Trilha Inca inclui toda a alimentação, barracas, kit de primeiros socorros e oxigênio para quem passar mal, ingressos para Machu Picchu e o translado entre Cusco e Ollantaytambo, na ida, e Águas Calientes e Cusco, na volta. Há carregadores para levar barracas e alimentos mas cada viajante carrega sua própria mochilinha.
Apesar de eu não ter concretizado o sonho, todo o nosso contato foi feito com a agência Amazin Adventure Cusco, do Saul e da Marisol, que são velhos conhecidos e recomendados de viajantes brasileiros e até arranham um pouco de português.

Como eles fizeram isso?

E AS MALAS?
Não vá para Machu Picchu com toda a sua bagagem. Os hotéis de Cusco já estão para lá da acostumados com viajantes que decidem pernoitar em Águas Calientes e por isso têm esquemas para guardar a bagagem dos hóspedes. Combine isso logo no momento do check in e veja se eles cobram alguma taxa. Os nossos não cobravam mas mesmo que elas existam, acredite, vai valer a pena desembolsar a grana. Estar com toda a sua bagagem em Águas Calientes é um perrengue que você não vai querer passar.

ÁGUAS CALIENTES
A Flávia pernoitou duas noites em Águas Calientes. Chegpu no último trem e voltou na manhã do segundo dia. Mas a dica dela é que se passe apenas uma noite, que, graças a dica dela, foi o que eu acabei fazendo.
Isso porque Águas Calientes vive apenas do ir e vir dos visitantes de Machu Picchu, os preços na cidade são extorsivos. Isso vale para comida, água, cotação do dólar e, claro, a hospedagem, que costuma ser bem decepcionante.

Aliás, foi lá que eu descobri que a expressão pulgueiros, pra hotéis, pode sim ser usada no sentido literal. Como eu cheguei lá no último trem acabei topando ficar numa pousada que me foi oferecida logo na estação. O preço? 5 dólares por pessoa. Desconfiada eu pedi pra checar o quarto e se tinha mesmo água quente. Numa primeira inspeção parecia tudo ok. Saímos pra comer uma pizza e na volta eu, doida pra descansar e ansiosa pelo passeio do dia seguinte, não acreditei quando deitei na cama e não parei de me coçar. A solução foi colocar calça comprida e casaco. E quando eu acordei às 03h30 sonhando com o banho descobri que a água quente não existia mais.

Por essas e outras vale a dica: fique em Águas Calientes somente o tempo necessário
.

MACHU PICCHU

Os donos do lugar

Seja qual for o perrengue que optou para chegar lá – 4 dias andando, hotel pulgueiro ou van lenta – tudo vai valer a pena quando você chegar lá em cima. Mas para que sua viagem comece bem, é importante prestar atenção: o ticket se compra antes de embarcar no ônibus, ainda em Águas Calientes, ao menos era assim em  2007. E se você tiver carteirinha de estudante, leve. Paga meia.

Eu não sabia da proibição de levar comida e acabei transportando alguns sanduíches e biscoitos da mochila. Consegui entrar sem problemas mas alguns viajantes tiveram a mochila inspecionada. Eu poderia ter passar a minha vida inteira naquelas ruínas então foi basicamente a fome que nos obrigou a descer. Mas nós estivemos lá das 06h às 16h. O que foi um tempo pra lá de satisfatório pra ver tudo com calma, apreciar, relaxar e ainda voltar nos lugares mais impressionantes.

Canga, repelente e protetor solar são itens que não devem faltar para você não precise voltar mais cedo.

Ter guia ou não, eis a questão
Eu odeio guias turísticos, por princípio. Acho que eles apressam a visita e eu odeio barganhar o preço final. Eu já tive boas experiências, é verdade, mas a más não compensaram. No geral eu, confesso, tenho traumas. Quem adora nao terá problema em Machu Picchu. Existem muitos logo na entrada do parque. O roteiro e o conhecimento deles não variam muito, logo barganhe bastante.

É verdade que Machu Picchu perde muito sem as histórias. Principalmente porque alguns lugares são ruínas onde é absolutamente impossível imaginar o que era aquilo ali, mesmo pra as imaginações mais férteis. A minha alternativa foi filar um pouco do guia dos outros, ou seja, ser cara de pau mesmo e ouvir as histórias que eram contadas para o grupo ao meu redor e também ter a mão um guia de viagens que explicava muito do que cada ponto da cidadela significava.

Wayna Picchu

campos verdinhos

A montanha mais alta que você verá de Machu Picchu se chama Wayna Picchu. De acordo com as informações dos guias locais (que eu escutei durante a visita) acredita-se que essa montanha era a morada de padres e virgens. Ou seja, é como se fosse o lugar sagrado da cidade sagrada. Dentro de Machu Picchu fica o início para o início da trilha até Wayna. O local é super bem sinalizado e a visitação é limitada em até 400 pessoas, por isso não deixe pra começar a trilha muito tarde.

Eu amei tanto Machu Picchu que, apesar de adorar trilhas, deixei essa de lado pra poder curtir melhor as ruínas. Mas um amigo que estava conosco encarou a trilha e gastou 2 horas entre subidas e descidas e momento de contemplação. O caminho tem dificuldade mediana embora algumas vezes o enoorme precipício deixe os andarilhos sem ar.

Estrutura
Ao contrário de muitos outros sítios arqueológicos do Peru, Machu Picchu é super organizado e bem conservado. A entrada é bem controlada, os banheiros – que ficam próximo à entrada – são limpos, e do lado de fora há um restaurante que nós não encaramos porque não coube no nosso orçamento. Não são permitidas comida, bebida e garrafas. Nem mochilas grandes. E pra quem adora um carimbo no passaporte, fica a dica: na entrada do parque é possível ter um carimbo exclusivo da capital do império Inca. Um souvenir pra nunca mais esquecer que você esteve lá.

Curtindo o passeio

Não importa se você é esotérico ou não, Machi Picchu tem mesmo uma energia especial. Se deixe contagiar. Além de ficar perplexo com as construções de moldes e colagens tão perfeitas sem qualquer tipo de liga, preste atenção também nos horizontes. As montanhas em volta de Machu Picchu são paisagens igualmente lindas. Existe um caminho que leva a uma ponte de madeira que dá medo só de olhar. Vá até lá, de preferência cedo, é lindo. E por último, preste atenção nas lhamas e alpacas. Elas pulam de um canto pra outro de forma impressionante.

Wayna Picchu no fundo

MACHU PICCHU DO FUTURO
Flávia fez uma viagem super recente ao Peru e,  conversando com funcionários do Ministério de Turismo, descobriu que o governo está empenhado em viabilizar novas formas de acesso a Machu Picchu, além do trem e da trilha inca – muito por causa do fechamento do parque depois das chuvas de verão. Está sendo feita uma obra numa estrada alternativa, que será um caminho mais longo, mas sempre disponível. Além disso, há projetos de se fazer um estudo de impacto para saber se é viável a construção de um heliponto na região – há controvérsias sobre isso, uma vez que Machu Picchu fica numa reserva florestal. Além disso, alguns hotéis de luxo do Valle Sagrado querem aproveitar a linha férrea já existente para desenvolver trechos exclusivos para seus hóspedes.

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Personal Trip

About the Author

Destinos exóticos e desconhecidos. É em lugares assim que Reba prefere passar as férias. Isso deve ser uma desculpa para poder passar os outros 11 meses do ano planejando a viagem.

Uma resposta para “ Machu Picchu: a cidade sagrada dos Incas ”

  1. Gostava muito de viajar até ao Mexico mas com pena tenho que dizer que estou sem um chavo
    Por isso fica para depois
    Obrigado e boa sorte a todos vocês
    É bestial a terra dos Incas
    Deu para ver que é uma zona turistica muito bonita

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