Viagem para Cusco: o Valle Sagrado é mais que Machu Picchu
Depois de dois meses fechada por conta da cheia do rio Urubamba, a linha férrea que liga Cusco ao Valle Sagrado reabre nesta segunda-feira. Desde o fim de janeiro a circulação de trens foi suspensa porque as águas invadiram e inutilizaram parte do caminho. Resultado: desde então tornou-se impossível chegar a Machu Picchu.
Cusco é a cidade-base do Valle Sagrado - A escassez de turistas neste período foi tão grave que houve uma ação oficial do ministério do turismo para que hotéis, restaurantes e mesmo lojas de souvenirs passassem a oferecer descontos de 50% para os visitantes. Felizmente, esse período de seca deve estar chegando ao fim.
Melhores épocas são outono e primavera - Cusco é uma cidade marrom. Ou melhor, cor de adobe, uma espécie de ‘concreto’ com o qual se constroem casas por ali. Também é um lugar onde se vai encontrar uma alta incidência de descendentes de índios. Assim, não se espante se encontrar mulheres jovens, ‘urbanamente’ vestidas, carregando crianças pequenas em panos amarrados às suas costas, como seus ancestrais. Em Cusco, descobri, nada é mais ‘out’ do que carrinhos de bebê.
Sacsayhuaman: ruínas que impressionam – Apesar da forte presença indígena, os traços inconfundíveis da dominação espanhola estão por boa parte da cidade: na catedral e no comércio dos arredores da Praça de Armas; em igrejas como a de Santa Clara ou o Templo da Companhia de Jesus. Também está presente em construções antigas, que hoje se transformaram em hotéis – muitos de luxo.
Cusco além das ruínas - Impressionantemente grande e geométrica, Sacsayhuaman acredita-se que tenha sido uma fortaleza inca, erguida para proteger o império dos conquistadores. Pedras gigantes perfeitamente encaixadas – sim, sem nada que cole uma a outra – deixam qualquer visitante intrigado e, reza a lenda, você deve escolher a sua pedra e ficar um minuto abraçado a ela para ser energizado. Além disso, localizada no alto, a fortaleza oferece uma boa vista da cidade e o Cristo branco, que foi apelidado de Redentor Junior, numa referência à estátua-símbolo do Rio de Janeiro.
Sabores da região – Mas se você estiver em busca de algo mais exótico, vai encontrar o cuy, um primo distante do porquinho-da-índia que tem bem pouca carne. Mas a apresentação do prato é tão divertida (ou esquisita) que vale encarar ou tentar convencer alguém da mesa a fazê-lo.
Agora, para quem é do tipo que prefere encarar frutas exóticas, minhas sugestões são duas: o aguaymanto (que aqui se encontra como physalis), uma fruta amarela e azedinha do tamanho de uma cereja, ou a tuna, a fruta de um cacto, do tamanho de uma goiaba, com polpa bem rosada, cheia de sementinhas, de textura um tanto esfarelada e bem docinha. As bebidas típicas da região são a boa cerveja Cusqueña, o pisco sour (a caipirinha local), o suco de maíz morada (o tal milho roxo) e a chicha, uma bebida fermentada e nada doce feita também da maíz morada.
Entre as comidas ‘de risco’ estão principalmente os alimentos crus e as frutas de casca fina (como maçãs). Também não é recomendável comer frutos do mar em Cusco, já que a viagem que eles fazem para chegar até lá é longa.
Às compras - A prata e as lãs são o hit do Peru, mas é preciso estar atento. A boa prata peruana, a mais pura que se produz por lá, tem gravada a inscrição 950, que quer dizer que apenas 5% daquela liga metálica não é prata. Uma prata 925 também é de boa qualidade, mas se o metal não tem uma dessas inscrições, não se engane: não é prata. Com as lãs vale o mesmo. Muita gente vende sintéticos dizendo ser alpaca, lhama ou vicunha. Existem duas maneiras de se verificar se o material é autêntico ou não: casacos feitos com materiais naturais são mais pesados que os sintéticos e mais frios ao toque. Agora, se você quiser comprar pisco, a zona franca do aeroporto de Lima é a melhor opção, com variedade e bons preços.
Por falar em compras, vale destacar que produtos têxteis são o melhor para se comprar no Peru. De toalhas de mesa a mantas feitas em tear com lã de alpaca, passando por variações de pashminas, é possível trazer para casa uma lembrança útil e bonita por preços que podem começar em 11 soles (menos de 4 doláres). Há ainda bolsas, necessaires, tapetes em peles de alpaca e vicunha, casacos em tricô, alguns artigos em couro e cerâmicas – tudo bem étnico.
Passe livre para ruínas – Foi a proprietária do La Casa de la Abuela quem me deu a dica de um passe que dá direito a visitar vários sítios turísticos do Valle Sagrado, que sai mais barato do que pagar entrada em cada um deles. Mesmo que você não vá a todos, é mais econômico. O passe inclui entradas para Sacsayhuaman e Ollantaytambo, por exemplo. Ollantaytambo é um complexo arqueológico que é um ótimo ‘esquenta’ no caminho para Machu Picchu.
Outros pontos de interesse são Pisac, com seu mercado artesanal cujo forte são os têxteis, Chincheros, que também tem construções incas e um mercado artesanal. E ainda as salinas de Maras Y Moray, que surpreendem por seu formato circular. Ainda no Valle Sagrado fica Urubamba, a região afetada pela cheia do início do ano. Se você é um turista com um orçamento mais confortável, não pode perder a chance de passar pelo menos uma tarde no rancho Wayra. Lá, com a bela vista das montanhas, pode-se provar um almoço típico rústico, fazer passeios a cavalo ou em veículos motorizados pela região e assistir a apresentações folclóricas.
Há algumas maneiras de se enfrentar o soroche. A mais eficaz costuma ser descansar com uma máscara de oxigênio, coisa que a maior parte dos bons hotéis tem à disposição dos hóspedes. Outra solução comum são as soroche pills, pílulas que prometem combater os sintomas mas que muitos não recomendam por terem alta concentração de estimulantes, como cafeína e taurina. O remédio mais comum, no entanto, é o chá de coca.



















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